O símbolo do poder

Arnaldo tinha o apelido de “Alemão” também por seu temperamento

Um dos símbolos do poder é a cadeira. Isso vale desde o tempo da monarquia, com a histórica simbologia do trono. No Brasil ficou muito famosa aquela história da eleição municipal de São Paulo, quando Fernando Henrique Cardoso sentou dias antes na cadeira de prefeito e acabou perdendo a eleição, apesar das pesquisas lhe indicarem franco favoritismo, para o candidato de oposição Jânio Quadros.
Mas aqui em Itajaí a cadeira de prefeito também já foi alvo de muita cobiça. Uma vez, como repórter do Jornal de Santa Catarina, presenciei uma cena dessas onde o poderoso empresário Cídio Sandri sentou na cadeira do prefeito de Itajaí durante o processo eleitoral, garantindo que seria o próximo prefeito – mas, acabou em quarto lugar com a cadeira sendo ocupada pelo oponente Arnaldo Schmitt Júnior.
A história mais contada nas rodas de conversas da nossa Cocada também envolve o prefeito Arnaldo Schmitt Júnior. Diz o povo que durante a enchente de 1983 o prefeito Arnaldo chegou ao seu gabinete para mais uma reunião do ‘Comitê de Emergência’ quando se deparou com um comandante militar vindo de Blumenau bem alojado em sua cadeira de prefeito. Arnaldo ficou irritado e, como sabemos, quando ficava contrariado o ‘alemão’ era alemão de verdade.
Sem vacilar Arnaldo teria dito ao militar: “Oficial, o símbolo do seu poder é o seu quepe. O símbolo do meu poder é a minha cadeira. Portanto, coloque o seu quepe e retire-se da minha cadeira para que ambos possamos exercer a função que nos é devida.”
O clima ficou tenso no Gabinete e ninguém ousou respirar até saber da reação do comandante militar. Os dois se entreolharam fixamente por intermináveis segundos e o comandante iniciou um movimento lento em direção ao seu quepe militar, levantando-se da cadeira também com movimentos econômicos.
Estávamos em pleno ‘regime militar’ e todos esperavam que o militar tivesse uma reação mais autoritária, condizente com a época. Até porque Arnaldo era do MDB, partido que oferecia resistência política ao regime.
Para o bem de Itajaí e do próprio Arnaldo, o militar não levou a questão à frente e o clima foi gradualmente voltando ao seu normal no Gabinete, com as autoridades podendo voltar a respirar com certa tranquilidade.
[O texto contou com as memórias de Adilson Amaral e Timbuca)

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