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Nem precisava de aeroporto

Nem precisava de aeroporto

Até bem pouco tempo atrás aeroporto era uma coisa supérflua, sem muita utilidade porque os aviões desciam em qualquer lugar, até na areia da praia ou no rio – no caso dos hidroaviões. Como sabemos, o modal de transporte aéreo custou muito para se desenvolver no Brasil. E, por incrível que possa parecer, iniciou para valer, por volta de 1927, contando com o espírito empreendedor de um itajaiense: o ministro da viação e obras públicas Victor Konder.
Os primeiros aviões que chegaram a Itajaí trazendo passageiros utilizaram o rio Itajaí como pista de pouso. Os hidroaviões amerrissavam no trecho defronte à rua Samuel Heusi seguindo uma raia imaginária até defronte da Praça Vidal Ramos. Assim que paravam suas carreiras eram abordados por pessoas em canoas, responsáveis por trazerem passageiros, tripulantes e cargas para a terra firme.
Depois, foi improvisada uma pista na rua Uruguai, onde tinha uma raia de corrida de cavalos, provavelmente onde hoje temos a rua Jorge Mattos. Por fim, tivemos a construção do Aeroporto Salgado Filho, depois rebatizado de aeroporto Ministro Victor Konder – no final da rua Blumenau. Os jornais de antigamente anunciam diversos feitos aeronáuticos conhecidos antigamente como raides ou rallys, onde os pilotos utilizavam a faixa de areia das praias da região para aterrissarem por causa de panes no equipamento. Por conta desses improvisos de viagem temos notícias de pousos nas praias de navegantes – antigamente conhecida como Praia de Itajahy – Balneário Camboriú e Cabeçudas. Muitos álbuns de família possuem fotos de pequenos aviões pousando nas areias da praia Central de Balneário Camboriú ainda no tempo que o presidente João Goulart veraneava por ali.
No meu tempo de criança a chegada de um avião era sempre um acontecimento digno de ser presenciado por um grande número de curiosos. Nós saíamos em grupo, a pé, pela rua Blumenau, para ver esses aviões decolarem ou aterrissarem na pista de paralelepípedo do nosso precário aeroporto. Mas, acontecimentos grandiosos mesmo eram as apresentações da Esquadrilha da Fumaça. A cidade parava. Os curiosos vinham de todos os lugares. A multidão ficava horas no sol a pino só para ver as acrobacias aéreas dos aviões da Força Aérea Brasileira. Era algo emocionante. Inacreditável.
Nossos pais, ao saberem que íamos passar um tempo próximo ao aeroporto esperando as descidas dos aviões sempre nos alertavam para o perigo, lembrando do acidente que ocorreu a 19 de agosto de 1958, quando um avião DC-3 deu com as asas no chão e foi parar bem próximo das águas do Rio Itajaí. Um desses aviões sinistrados acabou sendo comprado pelo empresário Cídio Sandri, que o colocou no pátio de estacionamento do supermercado Fazendão. O avião, atualmente, serve de restaurante às margens da BR-101 entre Tijucas e Porto Belo.

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