“Não, é não!”

A campanha ‘não é não’ ganhou projeção durante o carnaval

Foi intensificada, durante o carnaval, a campanha ‘Não é não’ em combate ao assédio sexual. Essa campanha deveria ser estendida também para o telemarketing praticado no Brasil de forma incontrolável e generalizada. Justamente no período do carnaval recebi dezenas de ligações telefônicas de um jornal paulista querendo me convencer a renovar a assinatura, numa atitude de assédio e inconveniência a toda prova, já que nem o horário do almoço eles respeitam.
‘Que eu me lembre’ o primeiro assédio telefônico que sofri foi no final da década de 1990 quando deixei de assinar um jornal de Santa Catarina. Todos os dias, por mais de mês, alguém lembrava de mim e, ‘Santa Paciência’ para explicar os motivos que me levaram a não renovar a assinatura.
Depois tornou-se comum receber ligações de empresas das quais já era cliente me oferecendo ampliação de planos e vantagens para migrar de um plano para outro. Uma ação tão abusiva que me fez pensar seriamente em desfazer das linhas fixas dos telefones que possuía em Itajaí e Bombinhas. O que efetivamente acabou ocorrendo quando me aposentei, porque os telefones fixos só incomodavam, já que seus números caíram em mãos dos setores de telemarketing de grupos financeiros que insistiam em me oferecer um tal de ‘empréstimo consignado’.
O caso mais intrigante que constatei foi aquele envolvendo o telemarketing de uma cooperativa de crédito. Eu possuía uma poupança na cooperativa e por este motivo o sistema tinha o número do meu telefone. No final do ano de 2018 comecei a receber insistentes ligações do telemarketing da empresa me oferecendo dinheiro a juros mais baratos do que aqueles praticados no mercado. Eu argumentava para a operadora que eu tinha uma poupança na cooperativa com valor maior do que o valor que estavam me oferecendo, sendo que a minha remuneração pela poupança era muito menor que os juros por eles oferecidos. Logo, obviamente, se tivesse precisando de dinheiro, optaria por utilizar a minha poupança. Mas, parece que a lógica não interessa a essa gente e, por muito tempo, continuei a receber oferta de empréstimo ‘a juros abaixo do mercado’. Ora, bolas, carambola, claro que teriam de ser juros interessantes, porque, vamos ser óbvios, o dinheiro que eles estavam me emprestando era o meu próprio dinheiro.
O telefone fixo virou um verdadeiro elefante branco em nossas casas com o advento do telefone móvel [o popular celular]. Mas até aí, tudo bem, as famílias tradicionais ainda mantinham o ‘fixo’ por uma certa dose de apego. Também pra que se desfazer do coitado do elefante que ficava ali no seu cantinho sem incomodar ninguém. Acontece que o elefante foi ficando velho e gagá, resolvendo mudar totalmente seu comportamento. Da mudez total passou a tagarelar ofertas e mais ofertas de tudo que é produto, de planos de telefonia a dinheiro consignado. Moral da história: foi desligado. O telefone fixo é a primeira tecnologia que tornou-se obsoleta por chatice crônica.

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