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Menos politicagem e mais arte

Intervenção artística de Victor Lark em muro de casa no bairro Fazenda

Muito cedo me apaixonei pela política partidária. A luta contra a ditadura me envolveu de tal sorte que me tornei um militante radical. Respirava e me alimentava da política. Tudo era um ato político e tudo só valia a pena se tivesse um objetivo político bem definido.
Foi assim desde os 14 anos de idade – quando comecei a frequentar os bancos do Colégio Salesiano de Itajaí e os grêmios estudantis idealizados pelo Padre Heriberto Schmidt. Continuou assim quando militei na imprensa estudantil e quando trabalhei como repórter nos jornais A Nação, A Notícia e Santa.
Esse espírito radical sobreviveu até mesmo a duas décadas de cátedra universitária… a militância era tudo. Aqueles que não respiravam diuturnamente política simplesmente eram intitulados de ‘analfabetos políticos’ ou desqualificados como ‘intelectuais orgânicos da burguesia’.
Essa paixão incondicional pela política – que me levou às margens da clandestinidade, me fez perder bons empregos, ser expulso de instituições de ensino e, principalmente, perder o respeito de muita gente de bem – sobreviveu em mim, como parasita, dos 14 aos 44 anos de idade.
Contudo, a decadência ética de MDB e PT, a partir do ano de 2000, me fez corrigir gradualmente essa trajetória doentia. Parcimoniosamente fui mudando o foco de interesse e desnutrindo a paixão pela política partidária passando a realimentar duas antigas paixões: artes plásticas e história de Itajaí.
Hoje, bem mais distante do fanatismo político-ideológico e muito mais próximo das obras de Tarsila do Amaral, Lasar Segall, acredito que sou muito mais feliz e também mais útil para a minha comunidade.
A arte de Itajaí me fornece momentos maravilhosos – seja ouvindo o coral Vozes do Vale, seja apreciando uma aquarela de Deolla – enquanto as pesquisas que desenvolvo sobre História de Itajaí me fornecem entretenimento e forte inserção comunitária.
Estudando sobre Drummond, José Henrique Flores e Agostinho Alves Ramos, buscando novas fontes de pesquisa sobre a colonização do Vale do Itajaí, dialogando com outros memorialistas e pesquisadores sobre a Itajaí Colonial… parece-me que a vida é mais razoável e o fardo a carregar menos pesado. Já não julgo as pessoas, sequer as discrimino pelo que pensam politicamente. Meu mundo não é mais feito de ‘nós e eles’ ‘burgueses e trabalhadores’ ‘esquerda e direita’ ‘certo e errado’.
Agora, vivo intensamente apaixonado pelas cores vivas dos flamboyants de Dinys Domingos, o clima místico da obra de Walmir Binhotti, o sempre surpreendente traçado de Victor Lark… as palavras cadenciadas de Nilson Weber, o carisma poético de Hang Ferrero, as vozes melífluas do Cantando Por Aí…
Uno essa paixão pela arte à missão de ajudar nossa gente a preservar sua história. Para que mais? Aos politiqueiros, as batatas…

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