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em Cabeçudas

Lendas urbanas: ver submarino 
em Cabeçudas

Lendas urbanas: ver submarino 
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Entre as muitas histórias que circulam nas rodas de conversas das famílias tradicionais de Itajaí encontramos com relativa frequência narrativas sobre a vigília nas praias do nosso litoral para detectar a presença de submarinos alemães durante a Segunda Grande Guerra. Essas histórias eram sempre contadas em tom de ironia porque ninguém acreditava que um submarino alemão realmente pudesse usar as praias para se abastecer ou que viesse a oferecer qualquer perigo bélico para uma cidade do porte de Itajaí. Junto com o descrédito da maioria da população de que um submarino alemão pudesse chegar a Itajaí, tinha a triste constatação de que mesmo em momentos de dificuldades tem sempre aquele que se aproveita para tirar vantagem da situação. Sendo assim, muito espertalhão usou o pretexto da convocação para vigiar as praias para, na verdade, cair na esbórnia.
Quando, no dia 14 de julho de 2011 uma equipe de pesquisadores vinculados ao Curso de Oceanografia da Univali, Instituto Kat Schurmann e Coastal Planning & Engineering, anunciou que encontrou os destroços do submarino U-513 a 130 metros de profundidade no mar próximo à Ilha do Arvoredo, muito da ironia presente nos relatos sobre submarinos em nossas praias perdeu o sentido porque, inacreditavelmente, os pesquisadores conseguiram provar que havia um fundo de veracidade em tudo que as autoridades diziam acerca do tema. Os submarinos realmente frequentavam o nosso litoral e poderiam utilizar de simpatizantes nazistas para se abastecerem por aqui.
O U-513 não foi o único submarino que frequentou nossas praias, mas foi o mais temido e chegou a ganhar o apelido de ‘Lobo Solitário’ ou ‘Lobo Cinzento’. Tinha quase 77 metros de comprimento e carregava 22 torpedos. A missão militar era afundar navios dos países aliados que trafegavam no Atlântico Sul. Ele chegou a afundar ou danificar cerca de 16 navios aliados, inclusive navios mercantes brasileiros que faziam rotas internacionais, como o Tutóia a 3 de julho de 1943. O Lobo Solitário foi posto fora de combate no dia 19 de julho de 1943 após receber uma carga de bombas lançada pelo hidroavião norteamericano PBM 5 Mariner, que estava operando a partir do Aeroporto de Florianópolis.
Vô Doca me contou diversas histórias envolvendo espertinhos que aproveitavam a confusão reinante naqueles tempos de guerra para levar vantagem. Segundo seu relato, um tal Veiguinha chegou a ser conhecido na roda dos amigos pelo apelido de ‘campeão’ de tanto que dizia à sua esposa que fora convocado para promover vigília nas praias. Na verdade, Veiguinha usava de falsas convocações para cair na esbórnia. Voltava para casa incólume, diante do álibi patriótico. A esposa de Veiguinha o recebia na porta, ao raiar do dia, com um beijo e café posto à mesa. Para a vizinhança não escondia seu orgulho pelo trabalho patriótico e destemido do marido. Ninguém tinha coragem de dizer a verdade para a coitada. Por conta de aproveitadores como Veiguinha que a lenda dos submarinos alemães nas praias do nosso litoral acabou sendo associada à mentira conjugal. A partir de 1943 toda vez que alguém queria ironizar a saída noturna de algum marido infiel sentenciava: ‘Lá vai mais um ver submarino em Cabeçudas’

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