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de ouro em Cabeçudas

Lendas urbanas: “potes”
de ouro em Cabeçudas

Morros de Cabeçudas guardam tesouros enterrados, reza a lenda

Na Segunda Grande Guerra os descendentes de alemães foram retirados do litoral catarinense para evitar que dessem apoio logístico às operações dos submarinos nazistas no Atlântico Sul. Como sabemos, esses submarinos torpedeavam os navios mercantes [com carga e passageiros], causando grandes danos à economia brasileira e causando grande aflição nas famílias catarinenses. Ainda por conta da guerra contra a Alemanha, muitos cidadãos itajaienses tiveram de montar guarda em nossas praias para não deixar os submarinos serem abastecidos e as cidades ficavam às escuras para não oferecer aos inimigos pontos de referências noturnas.
Cada vez que um navio era torpedeado no nosso litoral os olhos da população também se voltavam aos alemães residentes no Vale do Itajaí e as hostilidades eram crescentes. Os comerciantes alemães que guardavam em suas residências uma boa quantia de moeda circulante, o ‘réis’, diante do cenário de incertezas oferecido pelo conflito mundial utilizavam de diversos recursos para esconder o seu dinheiro. Contavam para isso com a ajuda de amigos comerciantes de outras nacionalidades, principalmente portuguesa e brasileira.
Olímpio Miranda Júnior era um desses comerciantes. Era muito amigo dos descendentes alemães (…). Em um tempo tão difícil, de total hostilidade para com os alemães, diz a memória da família Miranda, que Olímpio mandava seu filho Guido Otávio Miranda passear por Cabeçudas, fazer de contas que estava ‘matando tempo’ e apenas observando a paisagem, para recolher o dinheiro dos comerciantes alemães para depósito seguro. (…) Guido recolhia rapidamente o dinheiro e trazia para o Centro da cidade fazendo do comércio da Família Miranda um verdadeiro banco. (…)
Mas, conta a lenda, que muitos alemães também preferiam ter um plano alternativo para caso o ‘Banco do Miranda’ ser descoberto pelas autoridades getulistas. Conforme rezava a tradição, era muito seguro enterrar dinheiro, principalmente no formato moeda. Assim, muita fortuna foi enterrada lá para os lados de Cabeçudas. Acontece que o governo Getúlio Vargas em determinado momento resolveu transferir algumas famílias germânicas para fora do litoral, lá para o interior próximo a Rio do Sul, e, em 1942, fez uma grande reforma no padrão monetário, substituindo o ‘réis’ pelo ‘cruzeiro’. Desta forma muitos ‘exilados’ quando retornaram ao litoral desenterraram centenas de moedas que não valiam mais nada.
Por outro lado, sobrevive ainda em algumas famílias itajaienses a lenda de que muitos potes de moedas de ouro e prata continuam enterrados nos morros de Cabeçudas e que os arco-íris indicam suas localizações.
[texto baseado nas memórias de Timbuca Júnior, Antônio Cândido Garcia ‘Doca’ e Ary Miranda Garcia].

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