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Lendas urbanas: milagre no cemitério

O atual jardim Bruno Malburg já foi cemitério de Itajahy

Antes do Cemitério Municipal de Itajaí ficar localizado em definitivo no bairro da Fazenda, ele já esteve instalado em diversos outros locais: o primeiro ficava no ‘Outro Lado’ na localidade de Pontal; com a construção da Igrejinha da Immaculada Conceição o cemitério principal passou para o terreno dos fundos dessa igreja [hoje Jardim Bruno Malburg – Praça Vidal Ramos – entre as ruas Hercilio Luz, Manoel Vieira Garção e Eurico Krobel]; depois passou para o final da rua da Matriz [Rua Hercilio Luz].
(…) Em 1855 quando iniciou o movimento dos moradores da Freguesia do Itajahy para elevá-la à condição de vila [município], os vereadores de Porto Belo atestaram em ofício ao presidente da Província de Santa Catarina que aqui não se tinha sequer água potável para beber e ‘onde os mortos são sepultados no lodo e pântano, por falta de terreno próprio para cemitério, tendo já ocorrido andarem animais com pedaços de corpos humanos de rasto pela povoação!’ Os vereadores de Porto Belo, obviamente, estavam falando de episódios ocorridos após grandes enchentes como fora a de 1851, que atingiu em cheio o pequeno cemitério da Igrejinha Immaculada.
Parece que foi justamente nesse momento que também ocorreu um episódio que ficou gravado no imaginário popular itajaiense por longa data. Conta a lenda que após uma grande enchente, quando a cidade tentava voltar à sua normalidade, uma das primeiras providências, por questão de saúde pública, fora dar uma boa arrumada no cemitério. Acontece que, para espanto de muitos, encontraram entre as sepulturas abertas e destruídas pela força da água do Rio Itajaí uma com característica especial: um caixão deteriorado contendo um defunto com seu corpo totalmente intacto. (…).
A romaria ao local não tardou a ocorrer, com o padre perdendo horas e mais horas tentando explicar para os mais humildes que se tratava do corpo de um empresário que morreu na Alemanha (…), tendo seu corpo embalsamado para ser enterrado aqui no jazigo da família. Mas a notícia do milagre tinha corrido como rastilho de pólvora e o povão não tinha estudo suficiente para saber de coisas complicadas como esse negócio de ‘embalsamar corpo’.
Segundo os ‘cultuadores’ de estórias populares, como foi o caso do meu Vô Doca, a estória do milagre do alemão perdurou por década até que todo o cemitério de trás da Igrejinha da Immaculada foi transferido para o final da Rua da Matriz e início da Rua Brusque.
[Estória baseada na memória de Cândido Antônio Garcia, Timbuca Júnior, Paulo Malburg, Hélio Garcia dos Santos].

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