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Lendas urbanas: a mulher de branco

Quem costuma ouvir as pessoas de mais idade que guardam a memória de nossa comunidade estão habituadas com estórias/histórias envolvendo entes sobrenaturais. Esse inventário das ‘lendas’ de Itajaí busca justamente preservar nossa cultura popular [folclore] em uma forma de manifestação que está se esvaindo com o passar das gerações. Atualmente fica mais difícil aparecer novos ‘causos’ e ‘lendas’ porque tudo, absolutamente tudo é fotografado e filmado, não restando muito espaço para a imaginação e a contação de estórias/histórias.
Mas, diversos funcionários da Fábrica de Papel Itajahy, ainda no final da década de 1990, garantem que foram testemunhas de um caso de assombração. Eles afirmam terem visto, com certa regularidade, sempre no lusco-fusco dos finais de tarde, uma mulher vestida de branco andando as margens do rio Itajaí-Mirim, bem próximo ao local onde um funcionário tinha como incumbência fechar o registro do tanque coletor de água. Vigias também testemunham terem visto a ‘mulher de branco’ vagando pela madrugada a dentro e, por isso não arriscavam andar pelo local, preferindo ficar na parte interna ou na frente das instalações fabris, locais mais bem iluminados.
Adélia Galm relata que colheu de muitos funcionários depoimentos sobre barulhos estranhos ocorridos no escritório da empresa, instalado no segundo andar do prédio da Barra do Rio. Segundo ela, as janelas e portas batiam sem qualquer motivo aparente e, quando alguém ia averiguar o que estava ocorrendo, simplesmente nada era percebido já que janelas e portas estavam devidamente fechadas sem sofrerem a ação de vento encanado ou qualquer outro fator de interferência da normalidade. Ainda em 1997, sobrevivia entre funcionários, até os mais graduados, a lenda de que alguma força misteriosa habitava o prédio da Fábrica de Papel Itajahy.
Meu Vô Doca, já com mais de 90 anos de idade, me relatava estórias que ouvia de seus passageiros quando fazia ‘corrida’ com o seu carro-de-praça. Segundo Vô Doca, uma jovem aparentada de Mathias Dias de Arzão, provavelmente sua filha, havia ficado como guardiã de uma boa quantia de ouro que o ‘faiscador’ tinha retirado do afamado ‘Monte Tayó’ e enterrado em sua propriedade as margens do Rio Itajaí-Mirim. Acontece que alguns aventureiros, aproveitando a ausência de Mathias durante uma de suas incursões pelo interior do Vale do Itajaí, sabedores do tesouro acumulado, foram até o local tentar se apossar dele e acabaram maltratando até a morte uma jovem que ali residia. A jovem guardiã do ouro dos Arzão morreu nas mãos dos facínoras mas não revelou o local onde estava enterrou o tesouro.
Segundo ainda relatou Vô Doca, contava o povo, que a jovem antes de morrer falou que não ia decepcionar Mathias e que mesmo morta guardaria o tesouro até sua volta. Por este motivo seu espírito vagueia livre as margens do Rio Itajaí-Mirim até os dias atuais. Estaria cumprindo a missão de guardar o tesouro de Mathias Dias de Arzão, o proprietário de uma sesmaria que se estendia entre a Barra do Rio e a Coloninha.
[Esse relato contou com a memória de Cândido Antônio Garcia, Adélia Galm, Timbuca Júnior e Hélio Garcia dos Santos].

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