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Lendas urbanas 5: o monte que muda de lugar

Lendas urbanas 5: o monte que muda de lugar

Das lendas itajaienses a mais antiga e mais incrível é aquela que fala sobre o Monte Tayó. Fala-se dele desde os primórdios da colonização do Vale do Itajaí com a chegada dos Arzão, tradicional família de bandeirantes que colonizou São Francisco do Sul e todo o nosso litoral. Quando Vasconcelos de Drummond veio para Itajaí com a missão de montar uma colônia às margens do Rio Itajaí-Mirim, isso em 1820, também perdeu um bom tempo tentando encontrá-lo, já que sua fama corria o mundo. O Monte Tayó seria um monte encantado?
Encontramos diversos relatos sobre o Monte Tayó na literatura histórica brasileira e mundial. O primeiro mapa que faz referência ao monte é de autoria de Juan de la Cruz Cano Y Olmedilla, datado de 1776. Depois encontramos um mapa de Louis Stanislas d’Arcy Delarochette, datado de 1807, e um terceiro, datado de 1826, de autoria de Adrien Hubert Brue. Todos sinalizam para a localização do Monte Tayó na região entre Itajaí e Brusque, próximo às margens do Rio Itajaí-Mirim. Para nós, não há dúvida, de que se trata do Morro do Brilhante. Mas há quem acredite tratar-se do Morro do Baú, lá para os lados da Ilhota.
A própria localização do Monte Tayó já faz parte da polêmica, uma vez que diversos excursionistas que buscaram sua localização acabaram reconhecendo que o monte realmente era encantado e tinha a capacidade de mudar de local assim que era avistado por um explorador, mantendo-se intocável conforme prometera ao bandeirante Arzão. Um que procurou pelo Monte Tayó foi o General José Vieira da Rosa que relatou a seguinte experiência: “… famigerada serra, onde dizem existir […] ricas jazidas de ouro. Este célebre morro tem fama de encantado, tem órgãos locomotores, como qualquer animal, pois pode mover-se, deslocar-se à vontade e assim esconder-se às vistas profanas. Alguma fada encantou ali um príncipe ou uma princesa que cumprirá seu fadário até que o louro metal seja arrancado das entranhas da terra. Dizem os meus crédulos compatriotas que o decantado morro tem se escondido sempre que tem sido procurado, e que jamais alguém logrou subi-lo sem arriscar a perder a vida”.
J. G. dos Santos Silva escreve, por volta de 1887, que ‘[…] o que sei dessa crença vulgar no Tayó […] as primeiras notícias que adquiri foi pela tradição […] o Tayó aparece e tem sido visto a 8 ou 10 léguas de distância e talvez menos, mas por mais que andem para ele, nunca lá chegam, e continua-lhes parecer sempre distante […]”
Segundo a cultura popular, o Monte Tayó não podia mais ser encontrado porque ficou encantado após a morte do faiscador Arzão, seu descobridor e único desbravador. No leito de morte, Arzão havia pedido ao monte não revelar seu tesouro àqueles que não lhe tinham acreditado e até ridicularizado quando deu a notícia sobre a descoberta da grande mina de ouro. Assim, sempre que um explorador se aproxima os entes que guardam o tesouro do Monte Tayó usam de vários feitiços para iludir visualmente os visitantes, impedindo sua descoberta definitiva.
Seria o Monte Tayó encantado? Disso jamais saberemos, mas uma convicção a história guarda: depois do primeiro Arzão mais ninguém pôs os olhos no grande tesouro guardado nas entranhas do Monte Tayó.

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