Home Colunistas Coluna Histórias de Itajaí Lá vem o trem! Lá vem o trem!

Lá vem o trem! Lá vem o trem!

Lá vem o trem! Lá vem o trem!

Se fosse dada a você a tarefa de escolher um som que representasse sua infância, esse som seria? Bem, no meu caso específico esse som seria o apito do trem vindo lá dos lados da rua Indaial, fazendo a curva para entrar na Felipe Reiser, desacelerando para passar pelo elevado da rua Blumenau – atrás do Moinho Peônia – para entrar no porto de Itajaí carregado de madeira.
Eu nasci e me criei na rua Max – uma transversal da rua Blumenau próxima ao Grêmio XXI de Julho – e tinha o hábito, quase diário, de brincar nos trilhos da ferrovia. Naquele tempo a ferrovia mantinha um ramal que iniciava próximo ao Parque Dom Bosco, passava pelas ruas Indaial e Felipe Reiser e finalizava viagem à beira do cais do porto. Nós colocávamos o ouvido rente aos trilhos para ouvir o trem chegando. Quando sentíamos sua presença experimentávamos um regozijo total, com os mais eufóricos pulando e anunciando: ‘Lá vem o trem! Lá vem o trem’.
Aí era só preparar as diversas brincadeiras. Uns colocavam pregos para serem amassados e que, depois, serviriam para fazer dardos; outros ficavam próximos ao elevado da rua Blumenau, esperando que o trem desacelerasse para pegar carona no último vagão … era ali que o trem apitava mais vezes e com mais intensidade. Um som que guardo na memória com alegria.
Nos finais de semana a brincadeira era outra. Nós saíamos em grupo, reunindo gente das ruas Max e Terrestre, para passar o dia no Parque Dom Bosco. O nosso percurso preferido era pelas ruas Felipe Reiser e Indaial, fazendo todo o caminho brincando de se equilibrar nos trilhos do trem. Fazíamos competições de diversas coisas, sempre usando o leito da ferrovia.
Os maiores sempre apresentavam novos desafios aos mais novos, principalmente aqueles envolvendo equilíbrio sobre os trilhos. Uma vez, lembro com dor, o desafio proposto era pular com um pé só, sobre diversas pedrinhas, sem sair de cima do trilho ou derrubar as pedras. Caí e me ralei todo… mas a vida seguiu pelos trilhos do trem sem maiores traumas.
Agora que Itajaí não conta mais com as barcaças da Companhia Malburg transportando mercadorias pela hidrovia do Rio Itajaí entre Itajaí e Blumenau, nem com o trem da Estrada de Ferro Santa Catarina trazendo madeira até o nosso porto, resta a todos nós, diariamente, ficar presos em engarrafamentos múltiplos que proliferam pela cidade inteira como uma epidemia. Pelo menos na questão de transporte de carga Itajaí sofreu grandes retrocessos. Disso eu tenho certeza e a História está aí para me dar razão.

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