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Itajaí: 200 anos de história [parte 1]

Vasconcelos Drumond encabeçou o primeiro esforço de colonização do Vale do Itajaí

Recentemente, participei de uma mesa de conversa, no Museu Histórico de Itajaí, sobre a questão dos 200 anos do projeto colonizador que Antônio de Meneses Vasconcelos de Drummond tentou estabelecer às margens do Rio Itajaí-Mirim, em 1820. O debate tinha como escopo, justamente, ver da oportunidade de se comemorar o bicentenário da colonização em 2020. Ao contrário do que supunha, parece que está se formando um consenso entre os historiadores de que Itajaí deve comemorar o feito de Drummond, dando a ele a condição histórica de ser o pioneiro da ação colonizadora no Vale do Itajaí.
Outra tese que também parece estar consolidada – tanto no governo municipal quanto no meio dos intelectuais envolvidos diretamente com a história de Itajaí – diz respeito ao significado do ato de Drummond. Hoje, há uma tendência de se reconhecer que seu ato colonizador, independentemente de ter sido consolidado ou não, reveste-se de importância por representar a vontade do governo central em colonizar o Vale do Itajaí. Desde 1818 já vinha ocorrendo um forte movimento de colonização a partir de Porto Belo com o estabelecimento da Colônia Nova Ericeira. Empreendimento que foi se expandindo para terras vizinhas de Tijucas, Camboriú e Itajaí. A colônia encetada por Drummond no Tabuleiro, às margens do Itajaí-Mirim, parece, dar continuidade a esta política de governo de ocupar o litoral catarinense. Daí sua relevância, independente de ter ‘dado certo’ ou não.
Não nos resta a menor dúvida de que Drummond foi portador da vontade política do reino em colonizar o Vale do Itajaí. Esse é o fato que tem relevância histórica e é a ele que devemos nos reportar quando tratarmos das comemorações do bicentenário da colonização. Assim sendo, no nosso entendimento, o município de Itajaí deve promover, em 2020, comemoração dupla: 160 anos de emancipação política – em referência à instalação do município de Itajaí em 1860; 200 anos de história – em referência ao ato colonizar de Drummond, em 1820.
Para que essa dupla manifestação festiva seja recoberta de pleno êxito o primeiro passo deve ser a constituição, junto ao Conselho Municipal de Cultura, de uma Câmara Setorial de História de Itajaí. O órgão de assessoria direta ao superintendência Normélio Pedro Weber deve ser constituído exclusivamente por historiadores e memorialistas, para não ‘bater cabeça’ com o próprio Conselho Municipal de Cultura. À Câmara caberia tratar do conteúdo histórico envolvido nos eventos, enquanto o Conselho se voltaria para a concepção e realização dos eventos alusivos ao bicentenário. [continua].

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