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Foi pra debaixo da escada

Os correligionários da Arena pensavam que a prefeitura era deles

O primeiro prefeito de Itajaí eleito pelo MDB estava para tomar posse no dia 1º de fevereiro de 1983. Era o ex-deputado Arnaldo Schmitt Júnior, que de aliado da Arena tornou-se um dos principais adversários do moribundo sistema ditatorial instituído no Brasil em 1964.
Apesar de já ter passado um bom tempo do tumulto ocasionado pela eleição, muitos servidores ainda demonstravam grande inconformismo com o resultado final, já que o candidato mais votado do pleito foi da Arena: João Américo Watzco.
Acontece que os dois partidos, MDB e ARENA, concorreram com dois candidatos cada, mandando a legislação eleitoral que ocorresse a soma dos votos da legenda para declarar-se o vencedor. Somando os votos de João Américo e Cídio Sandri pela Arena e, Arnaldo Schmitt e Paulo Ternes pelo MDB, a oposição tinha mais votos. Assim, Arnaldo sendo o segundo mais votado, acabou sendo proclamado prefeito. A Arena ganhou mas não levou.
Muitos arenistas ficaram inconformados e não deixaram o governo ter vida fácil ao longo dos seis anos de sua primeira administração no município de Itajaí. Segundo voz corrente entre o povo, no período de transição entre a eleição e a cerimônia de posse ocorreram inúmeros atos de sabotagem ao futuro governo que incluiu, inclusive, colocar areia misturada ao óleo das máquinas e caminhões da prefeitura e sumir com os molhes das chaves de gavetas, armários e portas. Como nada estava digitalizado e o mundo administrativo ainda era baseado no papel, procurar um simples documento, no primeiro ano de governo, era uma odisseia.
O caso que se tornou emblemático para a administração Schmitt ocorreu justamente minutos antes de Arnaldo e o vice Cirio Arnoldo Vicente receberem o cargo oficialmente das mãos do seu titular, o prefeito Nilton Kucker. Quando Arnaldo adentrou o auditório da prefeitura, ao lado de Cirio e Nilton, uma servidora mais exaltada exclamou em voz alta: ‘É um prefeitinho de merda, nem tomou posse e já chega atrasado ao seu primeiro compromisso oficial’. Para não estragar a cerimônia festiva, Arnaldo e os demais ‘emedebistas’ fizeram de conta que não ouviram e deixaram a ousadia da servidora passar como uma breve indelicadeza.
No dia seguinte essa servidora que trabalhava no gabinete do prefeito foi chamada à secretaria de Administração e removida do gabinete para o hall de entrada da prefeitura, ganhando escrivaninha e cadeira quase embaixo da escada, sendo responsável por recepcionar os contribuintes que precisavam de informação. Alguns correligionários do novo governo ao detectar a presença da apaixonada ‘arenista’ no local não perdiam a oportunidade de entisicá-la. Quando viam a vistosa funcionária perguntavam em tom de provocação: ‘O TEU prefeito já chegou?”, “O NOSSO prefeito está?”
Nem precisa dizer para vocês o que se ouvia em resposta, né?!

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