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Dinheiro escondido em casa

Desde sempre se lava dinheiro no Brasil. 

No antigamente era muito comum as pessoas guardarem o dinheiro em casa, sempre debaixo do colchão ou até dentro dele. Principalmente em tempo de recessão alta ou momento de ameaça séria à ordem institucional, era comum guardar um dinheirinho em casa para qualquer eventualidade. Também tinha aquele mais abastado, geralmente comerciante, que queria ver seu dinheiro longe da voracidade das autoridades criadoras e cobradoras de impostos. Essa cultura é mantida até os dias de hoje, sendo que vez e outra nos deparamos com relatos engraçados sobre gente que escondeu dinheiro em casa.
O meu Vô Doca contava a história de um amigo que foi a Blumenau fazer um exame médico e se ‘aprecaveu’ levando um maço de dinheiro graúdo no bolso interno do paletó, não contando nada para os familiares. Acontece que na viagem, ainda dentro do vapor ‘Progresso’ que fazia o trajeto Itajaí-Blumenau pela hidrovia do Itajaí-Açu, teve um enfarto fulminante, falecendo antes mesmo de chegar ao hospital. O morto foi velado com o seu melhor terno, justamente aquele da viagem a Blumenau. O caixão já estava para ser fechado quando um aparentado seu observou que o terno estava apresentando uma elevação irregular, tomando a iniciativa de alinhá-lo. Nesse momento percebeu que algo pesado estava dificultando a tarefa e colocou a mão dentro do bolso onde encontrou a pequena fortuna.
Tem a história daquela esposa que vivia reclamando com o marido de que o motor da sua máquina de lavar dava uns breques repentinos, como se estivesse querendo pifar. A máquina era tão complicada que a mulher preferia lavar a roupa à mão a ter de ficar dando tapas o tempo todo para ela ‘desengripar’. A mulher ficava mais irritada porque sabia que o marido tinha muito dinheiro mas era um ‘mão de vaca’.
Acontece que o Tio Patinhas perdeu por completo a memória e a mulher teve de assumir o comando dos negócios da família. Uma das suas primeiras providências foi chamar um técnico para arrumar a máquina de lavar. Quando o técnico tirou a máquina do lugar encontrou diversos saquinhos plásticos comprometendo o funcionamento do seu motor. Dentro dos saquinhos encontrou uma boa quantidade de cédulas de dólar. A partir daí a esposa começou a desmontar a casa inteira atrás de mais saquinhos de dinheiro esquecidos pelo marido.
Tem também a história de uma viúva que vivia pedindo para o marido botar a mão no bolso e comprar um novo sofá para a sua sala de televisão. Isso durou anos e a simples presença do sofá causava desconforto e irritação na esposa. Mas o danado do marido, só por birra, não comprava um sofá novo. Acontece que o teimoso morreu de repente e a primeira coisa que a viúva fez com o dinheiro da indenização foi comprar um sofá novo para a sala. Quando o sofá velho, finalmente estava sendo expulso de casa eis que um dos carregadores tropeça e o sofá bate com força no chão espalhando notas graúdas de dinheiro pra tudo que é lado. O sofá foi desmontado e a viúva, com as mãos cheias de dinheiro, passou a entender porque o marido gostava tanto daquele sofá velho: vivia sentado no dinheiro!

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