Home Colunistas Coluna Histórias de Itajaí “Corre que a Nega Tidinha tá vindo te pegar”

“Corre que a Nega Tidinha tá vindo te pegar”

O ex-jogador Buti, ainda vivo, era uma das figuras típicas das ruas de Itajaí

Desde os tempos mais remotos Itajaí contou com pessoas especiais que transitavam livremente pelas ruas da cidade merecendo de todos os seus cidadãos a complacência caridosa. Algumas delas eram figuras carismáticas que chegaram a ganhar status de personagens destacadas da cidade, como Nego Dico, Buti, Maria do Cais e a noiva que morreu de amor, ‘A louca Judith’.
Dia desses um membro do grupo ‘Itajai de Antigamente’ [Facebook] propôs o desafio de enumerar essas pessoas que circulavam pelas ruas de Itajaí. Surpreendentemente a lista ficou maior do que era esperado. Veja alguns nomes lembrados: Agarradinho, Batmirim, Buti, Catarina, Chica Carnaval, Comar, Cometa Halley, Diogo, Doido do Radinho, Dona Carmem, Dujuão, Farofa, Fritz, Gelatina, Glória, Jandira, Japonês da Latinha, João da Ester, Júlio César – ceguinho palmeirense, Jurema, Pipi, Madalena, Maria Bonita, Maria da Quinquinha, Maria do Cais, Maria Facão, Maria Geladeira, Marlizinha, Moisés, Mojênio, Mudinho do Ovo, My Friend, Nega, Nego Cascas, Nego Dico, Nelsinho, Nino, Olegário, Pango, Papa Porca, Pica Fumo, Pirelli, Quevo, Químicas, Quincas, Sadol, Sarita, Sassa, Sorriso, Sunga, Tidde, Tolinho do Arame, Tomé, Zé do Jornal …
Mas a personagem que mais habitou as mentes assustadas das crianças foi a Nega Tidinha. Sempre que nossos pais queriam nos convencer a sair da rua ouvíamos a tradicional sentença: ‘Corre que a Nega Tidinha tá vindo te pegar’.
Conta a lenda que a Nega Tidinha transitava entre o bairro São João e a rua Hercílio Luz, ficando muitas vezes sentada defronte à Drogaria Catarinense. Há quem garanta que ela era filha bastarda de um dentista conceituado da cidade que a desprezou por completo quando fora estuprada por um desconhecido. Teria ficado grávida e, ao perder o filho, enlouqueceu. A partir daí ficava à espreita nas ruas da cidade atacando as mulheres que passavam com bebês para roubá-los. À polícia dizia sempre: “Ele é o meu bebê! Ele é o meu bebê!’”. A autoridade policial acabava soltando a Nega Tidinha a pedido das próprias vítimas que, passado o momento de terror de ver seus filhos roubados, acabavam se compadecendo da pobre mulher.
Papa Porca teria acabado seus dias na Colônia Santana na Grande Florianópolis, Madalena teria caído na bebida e na rua após a morte de sua filha predileta, Tomé comia insetos vivos, Maria do Cais jogava pedra e era um poço de impropérios, Nego Dico era o abre-alas da torcida marcilista, Químicas era o eterno calouro que nunca estudou na Univali, Mudinho do Ovo não era mudo, Maria da Quinquinha e Jurema compunham uma dupla excêntrica… e assim segue a vida modorrenta da pequena cidade de Itajaí um pouco mais alegre por conta de muitos personagens carismáticos e excêntricos que habitam suas ruas.

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