As gambiarras do Arnaldo

Rua Hercílio Luz antes de sofrer as modificações no governo Arnaldo

No sistema democrático brasileiro nem sempre o adversário teve a grandeza de aceitar cordialmente o resultado da eleição, daí advir inúmeras histórias de represálias políticas protagonizadas pelos dois lados: perdedores e vencedores. Era comum no Itajaí de antigamente, por exemplo, transferir funcionários públicos federais para lugares distantes como Alagoas ou Pará, enquanto funcionários públicos estaduais eram transferidos do litoral para o oeste Catarinense.
Após as eleições e a constatação de infidelidades partidárias as demissões eram sumárias, assim como favores e concessões públicas, quando possível, eram rapidamente desfeitos. Prática que, mantidas as devidas proporções, é mantida até os dias atuais.
Conta o povo que uma dessas retaliações ocorreu justamente com os moradores de diversas ruas de Cordeiros e São Vicente que seriam calçadas em troca de votos. Na eleição de 1982, o pessoal da região prometera votar no candidato do prefeito Amilcar Gazaniga: João Américo Watzko.
Mas quando as urnas foram abertas, os eleitores de Cordeiros e São Vicente deram mais votos aos candidatos do MDB: Arnaldo Schmitt Júnior e Paulo Henrique Ternes.
No dia seguinte à eleição as máquinas da prefeitura começaram a recolher paralelepípedo por paralelepípedo informando que o material seria usado para calçar ruas em outras localidades onde o eleitor foi fiel à Arena.
Acontece que a represália não ocorria somente em nível municipal. Como o MDB ganhou a prefeitura de Itajaí e a Arena ganhou o governo do Estado com Esperidião Amin Helou Filho, tendo em suas mãos os comandos da Celesc e Casan, o saco de maldades foi aberto em tempo integral. Por esse caminho da vingança que o prefeito Arnaldo Schmitt, apesar de ter feito uma verdadeira revolução na rua Hercílio Luz, teve dificuldades para inaugurá-la porque a Celesc boicotou a obra de todas as maneiras possíveis. O boicote foi tão mesquinho que Arnaldo acabou fazendo uma gambiarra no poste que fornecia energia elétrica para a Casa da Cultura para poder inaugurar sua obra.
O mesmo acontecia no âmbito da Casan, a concessionária pública que fornecia água de péssima qualidade aos itajaienses cobrando preço de água mineral. A prefeitura resolveu colocar uns chuveiros ao longo do calçadão de Cabeçudas para os banhistas e não teve jeito da Casan fazer a ligação dos novos equipamentos. Os chuveiros estavam no local e não corria uma gota d’água para servir aos banhistas que tinham de voltar ‘salgados’ para casa. Foi aí que Arnaldo novamente apelou para a gambiarra e emendou uma mangueira na rede de água da casa de um correligionário.
[O texto contou com a memória de Adilson Amaral e Hélio Garcia dos Santos].

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