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Aprendendo a viver com mais tecnologia [parte II]

Redes sociais deram voz a ‘legião de imbecis’, diz Umberto Eco

Sempre que falamos em novas tecnologias temos uma tendência natural de pensar positivamente. Para o homem hodierno tecnologia é sinônimo de facilidade e comodidade. Assimilamos tão rapidamente as mudanças que nos facilitam o cotidiano que esquecemos facilmente das trocas que promovemos.
Algumas dessas trocas – como é o caso da carroça pelo automóvel – foi vivenciada pela geração da década de 1950, quando o Brasil experimentou processo de alto desenvolvimento industrial. Contudo, essa revolução tecnológica não trouxe apenas coisas boas para a nossa vida. Junto com o plástico herdamos o problema do lixo; junto com o automóvel recebemos a poluição urbana; junto com o computador tivemos de conviver com os hackers, os vírus e, mais recentemente, com os sequestros de ‘memória’.
Eu participei do numeroso grupo de pioneiros da internet em Itajaí. Do Orkut ao Facebook a caminhada foi rápida e as mudanças constantes. Ainda no tempo do ‘Orkut’ [2004] cheguei a constar na lista dos 10 mais acessados em nível nacional com uma coluna diária sobre política. Agora, com o Facebook, mantenho o grupo ‘Itajai de Antigamente’ com quase 30 mil associados interessados em conversar sobre a ‘História de Itajaí’.
Mas essa intimidade com o computador e a rede social eletrônica não me deixou imune aos seus retrocessos éticos. Na eleição presidencial de 2018 desfiz cerca de 2500 ‘amizades’ no Facebook por considerar inconveniente [agressiva e ofensiva] a participação dessas pessoas no debate político. Nesse momento compreendi todo o significado do desabafo de Umberto Eco quando disse que a internet deu voz a uma ‘legião de imbecis’ que transformou a rede social em ‘faroeste’.
Pior ocorreu no dia 13 de maio de 2019. Nesse dia percebi que muitos arquivos do meu computador estavam bloqueados por um mecanismo que não permitia o meu acesso aos dados neles contidos. Logo em seguida recebi uma mensagem em inglês pedindo 980 dólares para que o conteúdo fosse liberado. Tem mais, o valor em dólar deveria ser convertido em ‘Bitcoin’ – uma moeda virtual – e, se o depósito fosse feito em 72 horas eu poderia me beneficiar de um desconto de cinquenta por cento. O valor deveria ser depositado numa conta a ser acessada no site intitulado ‘Mosteiro’.
Obviamente que não paguei o resgate, preferindo instalar umova no meu computador e penar por dois meses para recuperar parte do conteúdo mantido em CDs e pendrive. [continua].

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