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Aprendendo a viver com mais tecnologia [parte VII]

A dialética da vida nos mostra que tudo flui, tudo se transforma, tudo está em contínuo movimento. Mas nunca na história da humanidade essas mudanças ocorreram de forma tão rápida. Bastou a passagem de uma geração para pularmos do mundo mecânico ao digital, da máquina de escrever ao computador, do real ao virtual. Experimentamos um momento de crise justamente por termos consciência de que estamos vivendo em pleno desabrochar de uma revolução sem sabermos exatamente para aonde estamos indo.
Uma coisa é certa: a vida está saindo do real em direção ao virtual. Outra coisa é certa: nós não sabemos exatamente o que isso significa para nós mesmos. Aturdidos, corremos o risco de morrer afogados em um mar de informações inúteis.
Intrigado com tanta mensagem que venho recebendo no meu celular e computador – através de plataformas como WhatsApp, You Tube, Instagram, Messenger, Facebook, E-mail, Twitter – resolvi controlar por um dia essa dinâmica de comunicação na qual estou envolvido diretamente.
Zerei todas as notificações existentes no meu computador, tablet e celular a zero hora de um domingo de junho, voltando a mexer nesses mecanismos eletrônicos somente minutos antes do relógio indicar a zero hora do dia seguinte. Portanto, controlei o fluxo de mensagens eletrônicas dirigidas a minha pessoa por um dia exato. Não fiquei surpreso com o resultado, mas, confesso, fiquei perplexo. Recebi quase 2 mil mensagens. Isso mesmo, 2 mil mensagens.
Somente em um grupo liderado por político itajaiense que frequenta a Cocada recebi quase 700 mensagens. Ali se falava de tudo, mas principalmente da vida dos outros. Dos três principais grupos que frequento no WhatsApps recebi 1,70= mil mensagens, sendo que na maioria absoluta dos casos as informações transmitidas não tinham qualquer valor jornalístico ou de interesse público. A maioria dessas informações pode ser muito bem catalogada como ‘fofoca’ e ‘futilidade’. Do conteúdo pornográfico, então, nem vale a pena falar aqui.
Se eu fosse gastar meio minuto para ler e replicar cada mensagem recebida naquele domingo, teria gasto, no mínimo, meio dia digitando nas telas do computador e celular. A partir daí, então, compreendi porque encontramos tanta gente digitando enquanto anda pela rua, toma café ou ‘conversa’ com um amigo.
Estamos diante de uma pandemia inédita na história da Humanidade: excesso de informação. Essa doença tem a capacidade de devorar o tempo útil da pessoa, tornando-a ineficiente e improdutiva. A boa notícia é que a cura é relativamente simples: basta desligar o celular. Você consegue? [continua].

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