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A greve do cadeado e outras greves

A greve do cadeado e outras greves

A greve é sempre um momento de muita tensão entre patrão e empregado. Antigamente a greve era considerada um simples caso de polícia. Uma das primeiras greves que temos notícia em Itajaí ocorreu em 1905 por conta de trabalhadores na obra de um cais particular na Praça Vidal Ramos que reivindicavam mais tempo para almoçar. Foram todos demitidos sumariamente. Em 1911 os portuários sustentaram uma greve geral por 11 dias apesar da repressão severa oferecida pelo patronato. Até o juiz da comarca – Américo Nunes – foi denunciado por abuso de autoridade.
O escritor Adilson Amaral relata em um livro que escreveu sobre os dois governos Schmitt [ainda não publicado] que no início do seu mandato o prefeito tinha certa dificuldade em se relacionar com os funcionários públicos grevistas. De certa forma até que essa postura era compreensível, já que Arnaldo pegou a prefeitura completamente quebrada e uma boa parcela do funcionalismo estava querendo usar a greve para objetivos políticos – era composta por apadrinhados do governo da ARENA que pretendiam boicotar o governo do oponente MDB.
Certa feita, Arnaldo Schmitt vendo que havia esgotado o seu arrazoado para conter o ímpeto grevista dos professores municipais teria sentenciado: ‘- Olhem, eu sou professor de matemática e, por isso, proponho o seguinte: vou elaborar e aplicar uma prova para todos vocês. Se vocês acertarem 80% das questões, eu dou o aumento que vocês estão pedindo mas, se não atingirem esse índice, o reajuste vai ser de zero por cento.’ Segundo ainda o relato de Adilson Amaral ‘Os professores preferiram aceitar o índice que Arnaldo estava propondo, sem a realização da dita prova.’
Uma das greves mais faladas de Itajaí foi aquela conhecida como ‘a greve dos cadeados’, liderada pela CUT – Central Única dos Trabalhadores – no final dos anos 80, envolvendo principalmente os funcionários da Hermes Macedo S/A. Os comerciantes não queriam dar aumento salarial aos comerciários e o movimento vinha se arrastando por dias, tendo cada vez mais ‘fura-greve’ ajudando os patrões a abrir seus estabelecimentos comerciais.
Vendo que o movimento estava se esvaziando uma turma mais radicalizada comprou um bom estoque de ‘Durepox’ e passou de madrugada pela rua Hercílio Luz inutilizando todos os cadeados das portas das lojas. Foi o único dia que o movimento grevista teve cem por cento de adesão.
[O texto contou com as memórias de Timbuca Júnior, João José Martins e Adilson Amaral].

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