Casca

Produto Trato Feito • A 2650 era uma pacata rua residencial, onde poucos veículos circulavam. Até que os iluminados do governo resolveram estender a Quarta avenida em uma quadra, isso mesmo, uma quadra e sobrou para a rua 2650, que passou a receber um grande fluxo de veículos. Esta é uma das ruas produtos do Trato Feito

Quem teve acesso ao relatório de conversas telefônicas dos envolvidos na Operação Trato Feito percebe porque a pavimentação asfáltica da 2650 – e outras espalhadas pela cidade – estão em condições lastimáveis como mostra a foto. A 2650 não recebeu qualquer base para que fosse asfaltada. Na verdade, só passaram uma nata que se desmancha com o tempo, revelando as lajotas da pavimentação original da rua.

Conversas
Dois personagens envolvidos até o gogó na relação público/privada no fornecimento de brita e asfalto revelam como estes marginais do dinheiro público comiam a grana. Diz um deles, mais ou menos assim: “coloca uma camadinha de asfalto de uns três centímetros e está tudo certo. E faz uma pintura bonita para disfarçar.” E assim eles comeram muito dinheiro público. Vergonha.

Crimes
A denúncia do MP é um mosaico de crimes. Vai dos caras que devem estar arrependidos até o último fio por ter participado de comissões sem trabalhar e deixando seu chamego, ou aquele secretário que todos juram inocência, mas que assinava documentos comprometedores sem olhar o que estava assinando. Até aquele secretário que exercia a função de lobista da iniciativa privada criando uma rede de apoiadores para seu projeto político. Passando, é claro, pela atuação não republicana do vereador Elton Garcia (assustadores todos os documentos que estão na denúncia). Rolou até mensalinho de 20 mil por mês, conforme todos os cheques listados na denúncia. Bem, refiro-me a quatro personagens dos 46 arrolados. Os crimes? Uma penca.

Irresponsabilidade
Recebi a gravação da entrevista do secretário do Planejamento, Fábio Flôr, numa das rádios da cidade e fiquei impressionado com o otimismo do rapaz. Não sei se ele é otimista por natureza, se já subiu no palanque ou é mais um Auri Pavoni. Desde que Flôr assumiu, acompanho as entrevistas dele, e nada aconteceu. Binário, Quarta avenida, avenida acima da Palestina, enfim… agora vejo ele falando sobre a passarela da Barra, já conhecido como monumento à corrupção, cuja empresa (aquela tocada pelo pai diretor de compras e o filho dono da empresa) desistiu da obra. Flôr diz que agora sim vai ficar bom, preocupado em terminar aquela agressão. Quanto ao mérito da empresa ter recebido por algo que não terminou, Flôr não demonstrou qualquer preocupação.

Sobe a colina!
O leitor que enviou a gravação sugeriu que eu subisse a colina porque Flôr também prometeu que navios serão atracados na boca do Rio Camboriú, como se fosse algo simples de se realizar e como se estivesse em início de governo. Não detalhou nada do que venha a ser o projeto (que é privado) e que fim levou o projeto global do engordamento da praia, que seria condição fundamental para uma viagem lisérgica como essa dos navios. Enfim, Flôr é um otimista.

Sem documentos
Encontrei uma viatura da prefa toda arrombada. Furos de ferrugem, faltando peças e uma garrafa com combustível improvisada próximo do motor. Perguntei ao motorista o que era aquilo e ele respondeu que acha que o carro é da época do Schultz e que nem documentação deve ter. Oras, o motorista deveria saber se o veículo tem ou não documento. Aliás, desconfio que boa parte da frota da prefeitura está com a documentação irregular. Por esta e muitas outras que afirmo: a cidade não merece um governo tão desleixado, irresponsável e corrupto.

Coluna do Bola
É editor da revista Photos e Imagens e já assinou a coluna Canard, do jornal Página 3.
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