Fim de mandato

*Eduardo Badu é Jornalista, Consultor de Comunicação Política em Brasília

CONTORNOS DE BRASÍLIA

Mesmo com a possibilidade real de realizar a reforma da Previdência, o governo do Presidente Jair Bolsonaro se arrasta como se estivesse em fim de mandato. Em uma semana foram cinco demissões de cargos importantes, três deles ocupados por militares. Bolsonaro parece que “brinca” de ser presidente. Suas reações, como a com Joaquim Levy, são claramente alimentadas por picuinhas e pelas disputas pessoais dentro de seu próprio núcleo de poder. Prova disso é o twitter que o vereador Carlos Bolsonaro publicou sobre a crise com Levy: “Desta vez a culpa não é minha”. É de quem, do pai dele?

PAULO GUEDES JOGA PARA FICAR NO MINISTÉRIO
Outro dia escrevi aqui que o ministro Paulo Guedes não tem um plano econômico para o país que não seja a Reforma da Previdência. E na semana em que Guedes vai a público dizer que a reforma que está saindo da Câmara não é a dele, um de seus principais colaboradores, o presidente da BNDES, Joaquim Levy, é ameaçado em declaração à imprensa do presidente Jair Bolsonaro e pede demissão do cargo. Paulo Guedes descobre que seu ministério é maior que a reforma e se agarra cargo: “Ninguém fala em ‘abrir a caixa-preta’ e ainda nomeia um petista. Então, fica clara a compreensão da irritação do presidente”, disse Guedes. Ora, Guedes nomeou “o petista”. O desejo de ficar no Ministério da Economia é que sabe que, mesmo não sendo a que queria, a “Nova Previdência”, ele será o ministro do governo que fez a reforma.

PILARES AMEAÇADOS
Nos primeiros meses do governo Bolsonaro, o quadro era de que os ministérios da Economia, da Justiça e da Infraestrutura seriam os pilares do governo, em contraponto às “ideológicas” escolhas para a Educação, Direitos Humanos e Relações Exteriores. Em apenas uma semana os dois principais pilares são atacados, e os “ideológicos” vão se mantendo.

DISPUTA PELA SECOM
Entre os demitidos da semana que passou, está o ministro da Secretaria de Governo, responsável pelas verbas de publicidade da Secom. Ali, a disputa vem desde o início do governo. E o pivô é o mesmo: o ideólogo dito filósofo Olavo de Carvalho não sossega enquanto não conseguir verbas da publicidade oficial para o seu projeto filosófico. Essa disputa foi responsável pela demissão do primeiro general com gabinete no Palácio do Planalto.

CREDIBILIDADE DE MORO ESTÁ FIRME
A divulgação das conversas entre os membros da Lava Jato não abalou de maneira significativa a credibilidade do ministro Sérgio Moro. Entre 12 nomes testados (incluindo políticos e integrantes do Judiciário), ele foi o que teve melhor avaliação por parte dos entrevistados. O ministro recebeu nota média de 6,2 em uma escala de 0 a 10. No mês anterior, sua média foi 6,5. O presidente Jair Bolsonaro é o 2º, com 5,7 pontos, seguido pelo ministro Paulo Guedes (Economia), com 5,5. A pesquisa é da XP Ipespe, e foi apresentada na última sexta-feira.

DERROTA SIMBÓLICA
Como se não bastasse, a semana começa com a derrota, nesta terça-feira, no Senado, de uma das mais simbólicas promessas de campanha de Bolsonaro, o projeto que susta o decreto do governo que amplia as possibilidades de porte de arma. A expectativa é sobre como o Presidente reagirá caso se confirme a revogação do decreto. Pense numa criança mimada e birrenta que não ganha o presente desejado…

MAIS RECURSOS PARA OS ESTADOS
Os senadores ainda devem analisar a PEC que amplia a Wfatia dos estados no Orçamento da União. A proposta aumenta de 21,5% para 26% a parcela do produto da arrecadação dos impostos de renda (IR) e proventos de qualquer natureza e sobre produtos industrializados (IPI) destinada ao Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal (FPE).

LUTA CONTRA A CORRUPÇÃO
Também pode ser votado o projeto de iniciativa popular conhecido como “Dez medidas contra a corrupção”. A proposta traz várias alterações na legislação para criminalizar a compra de votos e o chamado caixa dois eleitoral, além de agravar penas de crimes relacionados à corrupção. O relator da matéria, senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), diz acreditar que as medidas propostas serão eficazes. Sua aprovação pode fortalecer a posição de Sérgio Moro no Ministério.

CLOVIS ROSSI
O Brasil perdeu um de seus maiores jornalistas na última quinta-feira. Clovis Rossi morreu na madrugada da última sexta-feira em São Paulo, aos 76 anos. Clovis Rossi foi responsável pela formação de uma geração de profissionais de imprensa que tiveram nele um mestre mesmo em coberturas com participação de veículos diversos. Equilíbrio, acuro profissional, generosidade com os colegas e fidelidade absoluta aos fatos marcaram sua carreira.

ITAJAÍ 159 ANOS
Um grande abraço a esta cidade que aprendi a gostar em pouquíssimo tempo e que me deu algumas das grandes amizades que fiz em Santa Catarina.

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