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Brincando de estátua

E lá vem os cassinos, de novo

A brincadeira Estátua é uma ótima forma de entreter as crianças e adultos em festas infantis, durante um café ou mesmo quando você está recebendo alguns amiguinhos de seu filho em casa. O desafio é segurar a risada e ou ficar parado quando a música parar, uma tarefa nada fácil quando se está dançando em posições divertidas e diferentes. Esta é a brincadeira predileta do político brasileiro, a depender do papel que ele desempenha. Geralmente, quem mais dá o grito-senha do jogo no Congresso é o político da Oposição. Toda vez que o Governo está prestes a aprovar um benefício para o povo, desses que dá votos na próxima eleição, e surge uma oportunidade para impedir que o Governo seja vitorioso, a Oposição, vendo que vai perder essa mão, grita: Estátua! Esta semana a brincadeira de Estátua está na ordem do dia… Vamos ver até quando, desta vez, vai durar o seu efeito.
E LÁ VEM OS CASSINOS, DE NOVO
Solução recorrente para a nossa longeva crise econômica, a ideia da legalização dos jogos de azar está de volta. O ministério da Economia liberou o debate, e a Frente Parlamentar Mista pela Aprovação do Marco Regulatório dos Jogos no Brasil, colocou o tema na mesa do Pacto Federativo. O PL 442/1991, que legaliza os jogos, está pronto pra ser pautado, com o estímulo especialmente de cidades de maior potencial turístico, lista encabeçada pelo Rio de Janeiro. A questão é a abrangência da liberalização dos jogos. Impossível dissociar o tema do início do mensalão. Tudo começou com a divulgação de uma fita que mostrava Waldomiro Diniz, um assessor do ministro da Casa Civil, José Dirceu, cobrando propina de um empresário do jogo do bicho, Carlos Cachoeira. A gravação foi feita em 2002, quando Waldomiro Diniz presidia a Loteria Estadual do Rio de Janeiro, durante o governo de Benedita da Silva (PT-RJ). Waldomiro teria cobrado dinheiro para campanhas eleitorais dos então candidatos a governador Geraldo Magela (PT-DF), Rosinha (na época no PSB-RJ) e Benedita. A preocupação é que, junto com a liberação do funcionamento de cassinos, volte o jogo de caça níqueis, dos bingos e, porque não, o jogo do bicho, apontados como instrumentos de lavagem de dinheiro. É esse ponto que tem impedido, até agora, que se chegue em uma fórmula blindada para a volta dos cassinos no Brasil – riquíssima fonte de renda direta e indireta, via impostos e com o incremento do turismo.

DO CARDÁPIO DE TEMER

Na política e na economia, na falta de opções, nada se perde tudo se aproveita. É só dar uma mexidinha para parecer original. É o que pode acontecer rapidamente com o PIS/Pasep. No governo Temer, foram liberados de recursos de contas inativas do FGTS e do PIS/Pasep. Paulo Guedes quer repetir a dose, com um adendo: no caso do PIS/Pasep, o dinheiro que não for sacado dentro de um prazo estabelecido – três ou quatro meses – vai virar receita primária e poderá ser usado para diminuir o contingenciamento. Essa foi uma das medidas com as quais o governo Temer tirou o país da recessão em 2017.

E-CONFUSÃO SOCIAL

Assim como é inteligente repetir coisas que deram certo, é louvável acabar com projetos que só deram problema, tanto para o governo, como especialmente para os pretensos beneficiários. É o tal do E-Social, criado pela ex-presidente Dilma e implantado em 2018. Com um nome pomposo, Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas, o E-Social foi bolado pela equipe da ex-presidente para dar proteção ao empregado, notadamente o empregado doméstico, contra o capitalismo selvagem do empregador. Não deu certo, claro. O E-Social foi fator de desemprego do empregado doméstico, já que assinar a carteira de Trabalho virou uma armadilha fiscal que os técnicos do PT armaram: o patrão optou pelo sistema de diárias, já que duas diárias por semana não implicam obrigações trabalhistas e sociais. E para o empregado, o E-Social aumentou ainda mais o custo do emprego. Enfim, uma ideia que não beneficiou ninguém. No foco no social, o feitiço virou. Agora o governo vai colocar o foco na empresa. “Há muita informação repetida que o governo já tem e que a empresa precisa digitar várias vezes no mesmo sistema. O sistema falha, o sistema usuário é ruim. É tudo de ruim. Vamos acabar com o E-Social e criar um sistema muito mais simples, ágil, com foco na empresa”, disse o secretário especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia, Carlos Alexandre da Costa. O empregado doméstico vai ser beneficiado por tabela, pelo menos, se as normas voltarem ao que eram antes de Dilma.

* Eduardo Badu é Jornalista, consultor de comunicação política em Brasília

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