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AVE MARIA EM MANDARIM

CONTORNOS DE BRASÍLIA

Quando, em 1888, Machado de Assis resolveu escrever para jornais, sobre política e pela abolição da escravatura, o título da coluna era “Bons Dias”. E sua primeira crônica foi para explicar o título. “Hão de reconhecer que sou bem-criado. Podia entrar aqui, chapéu à banda, e ir logo dizendo o que me parecesse; (…) Mas, não senhor; chego à porta, e o meu primeiro cuidado é dar-lhe os bons-dias.”
Assim, humildemente, antes de ir logo dizendo o que me pareça do interesse de sua Excelência o Leitor deste DIARINHO, saúdo este belo Vale do Itajaí-Açú, louvando os contornos do rio, tão poeticamente registrados em publicação da Autoridade Portuária do Porto de Itajaí, com imagens de Ronaldo Silva Júnior e texto de Isabel Cristina Mendes. Nesta coluna vou falar dos contornos não tão poéticos da política brasileira, no emaranhado do traço – reto – do arquiteto.

GOVERNAR É PRECISO
O presidente Bolsonaro está começando a ter os pilares que o sustentaram da eleição para cá trincados. Há um sério risco de ele perder o apoio que construiu e até mesmo ver ameaçado o “mito” das redes sociais. Depois de cinco meses de governo, seus gestos, ações, toda sua pantomina, começam a “cansar” seus apoiadores “normais” – não os messiânicos; e esse cansaço se transforma em dúvidas, questionamentos e, até mesmo, rejeição eleitoral. Foi o que aconteceu neste final de semana, no município de Iguaba Grande, Rio de Janeiro. A cidade foi às urnas escolher um novo prefeito, em substituição à que tinha sido eleita em outubro passado e que foi cassada pelo STF. Iguaba Grande deu a Bolsonaro mais de 70% de seus votos. Agora, derrotou a chapa municipal apoiada por ele.

5G não é apenas uma geração a seguir do 4G. É uma tecnologia disruptiva. Estamos falando da tecnologia que vai ser o suporte para a inteligência artificial, para a internet das coisas e para todas as demais evoluções tecnológicas previstas por Yuval Noah Harari em seu brilhante “Homo Deus”. É uma guerra de gigantes. E, para nós, tudo depende do humor de dois governantes instáveis por natureza – Bolsonaro e seu ídolo Trump. É por isso que a senadora Kátia Abreu (MDB-TO) escreveu uma carta ao ministro Ernesto Araújo recomendando que, como cristão, ele rezasse também em mandarim, para defender a continuidade de nossas boas relações com a China, nosso maior cliente do agronegócio. Kátia Abreu lembra que, ano passado, nós exportamos 86% da nossa produção de soja para os chineses. Estima-se que a safra agrícola deve, neste ano, alcançar 230,7 milhões de toneladas, a segunda maior da história desde 1975, segundo o IBGE. E a senadora ressalta: “Não podemos abrir mãos de nossos maiores compradores”.

O PACTO BREVE
Um ou dois dias do anúncio do pacto, em pompa e circunstância, com direito a média e pão com manteiga para os chefes do Executivo, Legislativo e Judiciário, tudo volta a ficar como dantes. O pacto se desfaz pelos mesmos motivos que o inspiraram: briga pelo poder – “poderzinho”? Os atores do pacto têm em comum o fato de que, sozinhos, não conseguiriam protagonismo – e isso não é demérito, apenas constatação, e é bom para a República. As manifestações não deram carta branca a nenhum setor isolado; ninguém ganhou ninguém perdeu – empataram, sem gols. Daí, num jogo de três times – Executivo, Judiciário e Legislativo – sem que nenhum tenha supremacia sobre os outros e onde os técnicos não lideram seus jogadores, não há pacto que resista… Notadamente quando surge uma ameaça aos donos dos times. Ao contrário do apregoado, o ministro Sérgio Moro não foi derrotado na votação da MP 870: foram apenas 10 votos de diferença para que o Coaf ficasse no Ministério da Justiça – e 10 votos de diferença é igual 1 a zero no início da jogo de futebol.

HERANÇA POSITIVA
Com mais assertividade do que Moro e Paulo Guedes, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, vem deixando sua marca de excelência em todo o país. Com sensibilidade política, ele tem sabido administrar muito bem a herança positiva que recebeu dele mesmo, do PPI do governo Temer. No entanto, ainda não tomou muita consciência de Santa Catarina e seus gargalos, com o acesso ao aeroporto Hercílio Luz… Falta empenho dos políticos catarinenses aqui em Brasília? No estado, até agora, a única conquista foi o edital do aeroporto de Navegantes. O complexo portuário catarinense merece mais atenção de Brasília e de Santa Catarina.

* Eduardo Balduino é Jornalista, consultor de comunicação política em Brasília

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