O ser solidário

As palavras que usamos refletem o momento e a palavra do momento é a solidariedade. Esta palavra poderia ter sua origem no sol, pois ilumina o espírito humano com a luz da vida. Mas tem outra origem, não menos nobre, e que inspira a sermos melhores. Vem do latim “solidus” que quer dizer firme, inteiro, sólido.

São tantos os exemplos de solidariedade que nos fazem ver a vida sob outros prismas, novas lentes. Usamos a expressão quando queremos dizer que devemos ter empatia com o outro, sem julgamentos, quando queremos ajudar alguém, quando queremos um mundo de paz.

Tem até a expressão economia solidária, que é um “conjunto de atividades econômicas – de produção, distribuição e consumo,  organizadas sob a forma cooperativa, de autogestão, de associação, em redes de cooperação, de finanças solidárias, de trocas, do comércio justo e do consumo solidário, centrada na valorização do ser humano e não somente do capital, caracterizada pela igualdade”.

A vida é plena em exemplos solidários. Os sacrifícios que fazem as mamães animais para proteger e alimentar sua prole são incríveis, e mais, quando a mãe de uma espécie alimenta filhotes de outra espécie, indo além do seu instinto materno.

O professor Martin Novak, da Universidade de Harvard, quando aborda o tema da evolução pela cooperação nos lembra que as mães leoas cuidam da sua prole e dos filhotes das demais leoas, porque isso aumenta a chance de sobrevivência da espécie. Nos documentários sobre o mundo animal, emocionam  as cenas de extremo carinho.  Um amor sólido, inteiro, um amor solidário!

O mundo seria melhor se fôssemos mais solidários, com propósitos mais firmes de mudança para melhor, com projetos de governo, mercado e sociais que contemplassem a necessidade integral do ser humano: física, emocional, espiritual, com atitudes sólidas de transformação do planeta, das nações, das nossas cidades, de cada um de nós.

Diante das crises de qualquer natureza, sempre teremos duas opções básicas de escolha. Podemos reclamar, julgar, apontar  culpas para os insucessos da vida; ou podemos criar, pensar em alternativas, inovar, iniciar algo, movimentar e aprender a amar a própria vida sabendo que o destino está em  nossas mãos.  Uma cidade pode ser melhor quando cada um cuida para que se reciclem os resíduos ou quando vizinhos combinam cuidar do bairro, criando grupos para avisar quando houver movimentações estranhas (vizinhança solidária), ou ainda quando amigos se juntam para trocarem roupas ou doar a instituições que atendem famílias vulneráveis.

A solidariedade nos solidifica o caráter. Ajudar sem que precisemos de recompensa, dar assistência sem interesse que não o de servir ao próximo, de doar nosso tempo para causas que possam melhorar a vida das pessoas.

Podemos apontar erros da sociedade, governos, empresas… Mas  podemos mais, quando nos colocamos à disposição para que tais erros não se repitam, ou melhor, para que as ações da vida possam fluir melhor.

A transformação solidária se dá em passos.  Uma ideia sobre melhorar algo, depois esta ideia escorre para nosso coração, nesta figura de linguagem que representa o sentimento.  A ideia pode ser sentida, e as pessoas que a ouvem podem sentir o mesmo entusiasmo para colocá-la em prática. Aí vem o último passo, quando ela vem do coração para as mãos. Aí se transforma em trabalho. Colocamos a “mão na massa” para fazer acontecer, para mudar, para florescer. Dizemos entusiasmo. Vale dizer que a palavra vem de (in) mais (Thus, Theos). “Deus dentro de nós”.

 
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