Home Colunistas Coluna Animal Humano Abaixo-assinado pela praça do Correio

Abaixo-assinado pela praça do Correio

Existir e 
Resistir

No início desta semana passamos a tarde coletando assinaturas na esquina onde ficava o antigo Correio, no centro de Itajaí. Confesso, foi muito difícil a primeira abordagem. Mas mais tarde virou uma grande experiência…
O melhor de tudo foi ter escutado opiniões tão diversas, sentimentos tão diversos. Aparentemente, há em todos um certo desânimo, uma descrença…
Uma corrida sem fim para resolver os próprios problemas, geralmente de forma individual. Parece que o coletivo perdeu todos os sentidos de ser. Cada um de nós tem problemas urgentes, inúmeras realidades que gostaríamos de mudar, mesmo sem saber como. E isso faz com que o esforço coletivo se evapore. A cada passo de nossa luta apenas individual, o espírito coletivo fica mais fraco.
E se o poder público tem como função representar os interesses das pessoas, por mais diferentes que elas sejam, seu papel de ser eficiente para o contentamento coletivo fica, às vezes, distante. Com o individual correndo na frente do coletivo, não há o “nós” a ser representado.
Tudo acaba se tornando superficial: dos pedidos e reclamações da sociedade, até as realizações do poder público. Ter que decidir em nome de todos é sempre difícil (menos para os que se elegem para decidir em nome de poucos para o benefício de muito poucos).
O esforço de procurar apoio de pessoas muito diferentes para se juntar por uma única causa, não deixa de ser um desafio. A batalha é em prol de um local público e que será de uso coletivo. Uma área para se compartilhar no centro da cidade, em meio a nossa vida tão agitada.
Um espaço tão privilegiado e estratégico merece ser um ambiente com plantas cuidadas, flores, possibilidades de lazer para as crianças, espaço de convivência para os adultos.
Imagine poder almoçar ao ar livre, no intervalo do trabalho? Território para uma risada e um café fora de hora?! Um espaço muito bem planejado, moderno, seguro e eficiente, como tantos exemplos bem sucedidos em várias cidades brasileiras e fora do Brasil…
Continuaremos a desejar que o lugar onde por muito tempo foi o Correios de Itajaí vire um espaço verde e com muitas árvores. Árvores frutíferas e com flores. Bancos, mesas, quem sabe uma parceria com a iniciativa privada para oferta de comidas gostosas?
De início, já valeu pelo compromisso coletivo. Conseguimos 700 assinaturas a favor da praça. Foi ótimo ouvir os posicionamentos, a troca de olhares e de sorrisos. Como é bom conviver com diferentes crenças, visões de mundo, sonhos. Compartilhar é urgente.
Trilha sonora:
Como nossos pais
(Elis Regina)

Novembro, mês da consciência negra
O mês da consciência negra, em novembro, é o período onde a comunidade negra, sociedade civil organizada e diversos entes do setor público, tanto aqui em Itajaí, como em quase todos os demais 5600 municípios do Brasil, realizam uma série de eventos que visam mostrar, contemplar, e ao mesmo tempo, exigir respeito ao povo negro. Sim, respeito a este povo que tanto contribuiu para a formação desta nação, mostrar um pouco da cultura, da história, da vida do povo negro no Brasil, sua influência e contribuição, seja na culinária, nas artes, na musicalidade, nos ritmos, nas danças, na criação de instrumentos musicais, nas curas, nas rezas, nas bendições, nos tratamentos e medicações homeopáticos, nos esportes, na religião, na lida no campo, na pesca, na agricultura, no plantio e cultivo do feijão, na produção de farinhas, no arrancar tocos com as mãos e abrir as primeiras vielas, estradas, ferrovias que cortam de norte a sul este país, na construção e no trabalho braçal dos primeiros portos e terminais de cargas, na construção de casas, muros, na fabricação das telhas “coloniais” (crueldade e sofrimento de mulheres negras escravizadas, que moldavam essas telhas em suas coxas, suportando ou nem sempre suportando, o calor e a acidez da massa quente do barro, que deixavam em carne viva suas coxas) na construção de estradas, pontes, ferrovias, e até defendendo este país, em lutas e guerras, (onde mesmo assim tiveram negado todo e qualquer direito ou benefício), na formação e geração de riquezas de muitas famílias escravocratas, na extração do ouro, no plantio e colheita de cafés, na criação de gado, na lida com o leite, fabricação de queijos e doces, no plantio, cultivo e processo da cana e na produção do açúcar, do melado, da rapadura, dos doces, da cachaça (hoje, único produto genuinamente brasileiro), dentre outras inúmeras contribuições a serem elencadas.
E 20 de novembro de 1695 foi o dia em que o líder quilombola, Zumbi, foi morto, pelas tropas coloniais, no Quilombo dos Palmares, no estado de Alagoas. Esta data, concebida através de muita luta, por diversas lideranças do movimento negro organizado, e fundamentada pela lei Federal 12.591/2011, sobre o olhar e ponto de vista dos cidadãos afro descendentes, passa a ser referência, considerada a verdadeira data para reflexão sobre toda a trajetória do povo negro nesta nação. Outro objetivo das atividades alusivas há este mês, é provocar reflexão na sociedade sobre a trágica, porém, relevante história de vida, sofrimento, abandono, crueldades, castigos, covardias, e também de lutas, sangue e suor derramados por milhões de homens, mulheres e crianças, covardemente capturados, sequestrados, e trazidos para cá jogados nos fétidos e calorentos porões de milhares de navios negreiros.
Colaboração: João Gadelha – Superior Tecnólogo em Gestor Ambiental, Presidente do I.E.D.S – Instituto Excellence de Desenvolvimento Sustentável, Membro Conselheiro, do CONEGI – Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra de Itajaí.

Compartilhe:

Deixe uma resposta

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com