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Voltas às aulas

As ruas da cidade, a partir desta semana, tornaram a se encher de estudantes que voltam às aulas com o início de um novo ano letivo. Quase duas centenas de estabelecimentos de ensino, dos níveis infantil, fundamental, médio e superior, acolhem milhares de alunos da cidade e a quem é ofertada educação escolar pública e particular.
Essa rotina anual já tem em Itajaí mais de 180 anos! Faz esse tempo todo que aqui se deu início à primeira escola pública de primeiras letras, que o povo da época chamava de “escola de desemburrar”, porque mal e mal ensinava a ler e a escrever, e a fazer algumas contas. Mesmo assim, ou talvez por isso, a frequência era pequena, visto que em 1843 o memorialista Costa Flôres registrou ter encontrado na escola daqui “umas três ou quatro crianças que aprendiam a ler e a escrever.”
Mas o interesse pela educação logo cresceria na cidade e já no fim dos anos de 1890 e começo de 1900 há seguidos reclamos na imprensa por mais e melhor educação pública. A inauguração do Grupo Escolar Victor Meirelles em 1913 viria atender a essa demanda e a educação primária pública, por anos, ostentou atendimento de quantidade e qualidade.
Nos anos de 1930 e 1940, já aquilo que se reclamava era o ginásio, o que hoje se conhece como anos finais do Ensino Fundamental. Os governos, no entanto, faziam-se de desentendidos e houve até um governador que teria dito que Itajaí não precisava de um ginásio e sim, de uma cadeia. E mandou construí-la! Os primeiros ginásios da cidade foram, por isso, particulares e pagos, em 1947 para moças e em 1948 para rapazes. O primeiro ginásio gratuito somente foi criado em 1962 por iniciativa de sindicalistas preocupados com a educação do trabalhador e dos filhos dos trabalhadores; razão pela qual o ginásio criado era noturno. O governo estadual somente criaria um ginásio público e gratuito em Itajaí após a criação desse ginásio noturno da CNEC.
Outra batalha em favor da educação, em que os itajaienses se envolveram haveria de ser a criação do ensino médio público. A iniciativa privada, como aconteceu com o ginásio, já implantara o curso normal em 1949 e o curso de contabilidade em 1954, para os quais se direcionavam as moças (normalistas) e os moços (contadores) que podiam arcar com o pagamento de mensalidades. Todavia, aqueles ou aquelas pobres viam-se impedidos de avançar em seus estudos. O curso normal estadual acabou criado em 1966, depois que os padres salesianos haviam criado no ano anterior o curso científico no seu colégio. Mas a iniciativa do governo ainda fora muito limitada, porque o ensino médio público e gratuito criado, no começo, limitava-se a ofertar matrículas para formação de normalistas. Somente na década de 1970 essa oferta se diversificaria.
A década de 1960, portanto há pouco mais de 50 anos, viu se completar a luta de Itajaí por mais educação, quando se implantaram o ensino médio público e gratuito na cidade e aqui se puseram a funcionar em 1965 os primeiros cursos superiores.
Todavia, ficou faltando à cidade o ensino superior público e gratuito. E quem por tal causa lutasse!

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