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Verão em Cabeçudas

Tem sido enorme a afluência de pessoas à praia de Cabeçudas neste verão tórrido; assim como, às demais praias de Itajaí. Atalaia, Jeremias, dos Amores e Brava têm recebido também número volumoso de itajaienses e visitantes de fora. Mas é de Cabeçudas que se vai aqui falar, porque foi nela que se deu início em Santa Catarina ao costume das estações de veraneio.
A praia de Cabeçudas, primeiro, fora morada dos índios, comprovado pela existência do extenso sambaqui existente onde hoje está edificado o Iate Clube e que foi estudado pelo arqueólogo padre Rohr em 1957. Moradores luso-brasileiros, depois, ali se estabeleceram desde os primeiros anos do século 19. Eram pescadores e viviam isolados em meio à mata e muita malária. O primeiro caminho, por terra, para o centro de Itajaí se fez pelo Morro Cortado ou Morro da Lagoa, como era chamado à época.
O fim do quase isolamento em que vivia Cabeçudas e sua utilização como balneário aconteceu após a construção da estrada à beira-mar, atual avenida Deputado Francisco Evaristo Canziani. A estrada começou a ser aberta por volta de 1909 e foi concluída em 1911, graças ao apoio do comerciante João Bauer e outros particulares. Em verdade, caminho aberto já existia até o antigo Hospital de Santa Beatriz, inaugurado em 1887. Dali em diante, havia apenas uma rústica picada até o sopé do Morro da Atalaia. Sobre a abertura da estrada, o cronista Juventino Linhares conta ter sido uma decisão do engenheiro da firma que fazia a derrocada do Morro da Atalaia. Ele atendera ao pedido de alguns itajaienses para “prosseguir no avanço em direção a Cabeçudas, dotando aquela praia de uma via de acesso que descobrisse os seus encantos e atraísse a preferência dos que se apraziam em passear e demorar-se em recantos dessa natureza”.
O banho de mar, como prática de lazer e a residência temporária à beira-mar na época do verão – o veraneio, era um costume burguês desde a segunda metade do século a Europa e trazido para o Vale do Itajaí pelos imigrantes alemães. Algumas famílias desses imigrantes enriquecidos, de Itajaí, Blumenau e Brusque, então, a partir de 1911, estabeleceram-se com casas de veraneio em Cabeçudas, dando início às temporadas de veranistas e banhos de mar em Santa Catarina. Uma boa leitura sobre o pioneirismo de Cabeçudas é o livro do historiador Ângelo Ricardo Christoffoli, “Uma História do Lazer nas Praias – Cabeçudas/SC – 1910/1930”, da Editora Univali.
No ano seguinte de 1912, o teuto-brasileiro Paulo Herbst abriria o primeiro hotel balneário catarinense em Cabeçudas, o Hotel Herbst; em 1928 o austríaco José Zwöelfer, o Hotel Cabeçudas e em 1962 a Companhia Melhoramentos de Itajaí, do empresário Dr. Osmar de Souza Nunes, inauguraria o Hotel Balneário de Cabeçudas, construção de arquitetura modernista, hoje, Hotel Marambaia Cabeçudas.
Ao longo de mais de um século de história dos banhos de mar e dos verões em Cabeçudas, essa praia foi sempre muito querida pela gente de Itajaí, pobres e ricos. Aos que moram em outros bairros, agrada-lhes a proximidade e a facilidade do acesso a ela, que lhes democratizar o desfrute das belezas naturais e o refrigério de suas águas convidativas; aos que lá residem, oportuniza morar num recanto privilegiado da cidade que, de tão seletivo e destacado socialmente, anos antes chegou a ser chamado de “República de Cabeçudas”!
Edison d´Ávila –
 historiador

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