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Patrimônio histórico cuidado

Os itajaienses estão de parabéns pela entrega oficial das obras da pintura externa da Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento, realizada em solenidade no Dia do Município, 15 de junho, numa iniciativa elogiável da municipalidade de Itajaí em apoio à paróquia.
A Matriz do Santíssimo Sacramento é o exemplar de nosso patrimônio histórico, arquitetônico e artístico mais admirável e, por conseguinte, merecedor de todo cuidado na sua conservação. A nova pintura externa, de fato, ficou muito bonita. Principalmente, por terem sido mantidas as cores originais, propostas pelo arquiteto Simão Gramlich que projetou a Matriz. Dizem que Gramlich queria que as cores da Matriz combinassem com as cores do céu!
Já cuida também o Conselho Administrativo Econômico e Paroquial, segundo se comenta, de tomar providências quanto ao restauro das belíssimas pinturas internas, obras do pintor italiano Aldo Locatelli. Atenção especial deverá merecer a restauração das pinturas do arco do cruzeiro, já bastante danificadas antes por umidade, felizmente já estancada. Nesse trabalho, vai-se necessitar de mão-de-obra especializada, visto que se trata de restauração de obras de arte, pinturas murais de dois renomados artistas: Locatelli e Emílio Sessa; este fez toda a decoração interna da Matriz.
São as construções históricas, com sua arquitetura original, única, de época, que contam as diferentes etapas da vida da comunidade de Itajaí. Se não preservarmos esses exemplares arquitetônicos ímpares, não teremos com o que contar visualmente a nossa história. Como o fazem muito bem as cidades do Brasil e mundo a fora. E que todos muito apreciam, quando as visitam.
Porque esses espigões modernosos, envidraçados, pasteurizados, muitas vezes de gosto arquitetônico duvidoso, sempre iguais em todos os lugares do mundo, não têm identificação com a cidade. Quem virá a Itajaí para os admirar? Eles nada dizem das gentes que nos formaram e da nossa cultura de quase duzentos anos!
Vejamos que o patrimônio histórico de Itajaí já teve perdas lamentáveis, por desinteresse de proprietários particulares e omissão do poder público, de que foram exemplos, a casa Asseburg (bar da Trude), casa Rauert, casa Olímpio Miranda, Fábrica de Papel Itajaí. Perguntamos: a casa Rauert não poderia ter sido, depois de restaurada, o belíssimo edifício administrativo do Colégio Adventista de Itajaí, sem que o agente imobiliário, açodado e insensível, precisasse demoli-la sorrateiramente num final de semana? Que grande presente a comunidade adventista, então, teria dado a Itajaí! E para que demolir dois ricos patrimônios arquitetônicos, que eram as casas Asseburg e Olímpio Miranda, para hoje em seus lugares se verem dois desenxabidos estacionamentos?
Especulação imobiliária inaudita, desenfreado apego ao lucro, total desprezo por Itajaí, sua gente, sua história e sua cultura ficaram demonstrados naquelas demolições, que nunca deixarão de ser assaz execradas.

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