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Itajaí, etnias, culturas e a festa

A cada outubro, é tempo, em Santa Catarina, das festas temáticas, étnicas, turísticas, demonstrativas do multiculturalismo catarinense. E dizer que, por causa desse nosso rico e valioso multiculturalismo, como escreveu o jornalista Silveira Júnior, nós já fizemos “nossa guerra com a Alemanha” e Itália, anos atrás.
Sim, em Santa Catarina, e também em Itajaí, prendemos patrícios alemães e italianos, proibimos o uso de suas línguas maternas, fechamos escolas bilíngues, clubes de cultura alemã e italiana; inclusive, igrejas! Houve campos de concentração em nosso Estado.
Enfim, as mentes se abriram e, hoje, o multiculturalismo não é mais “um perigo alemão” ou outro “perigo” qualquer, mas uma riqueza que faz parte do “ser catarinense”. Falar mais de um idioma é um ganho cultural e enorme benefício socioeconômico, que eleva o nível de vida duma sociedade.
Itajaí, desde 1986, integra o circuito das festas temáticas catarinenses, com a realização da Marejada – a festa portuguesa e do pescado. Muito se tem discutido, nesses 32 anos de realização da nossa festa, sobre a escolha da temática étnica portuguesa. Pareceu que não se quis ver as outras etnias presentes na composição da gente itajaiense: índios, africanos, alemães, italianos, eslavos, árabes, orientais. Todavia, por certo, não fora assim. A escolha da etnia portuguesa fez jus ao maior contingente formador da população de Itajaí, cuja cultura forneceu a base para nossas festas e tradições populares.
Sim, houve algo maquiado no processo de propor e realizar a festa, por algum tempo e como justificativa, ao se apresentar nosso contexto histórico de povoamento e aculturação como exclusivamente açoriano.
A corrigir o que deva ser corrigido, histórica e culturalmente, o que já vem sendo feito por estudiosos e professores, a Marejada – festa portuguesa e do pescado – tem permitido, como nunca antes se teve tal oportunidade, estudar, conhecer, dar valor e divulgar as diferentes manifestações culturais populares que existem no município. Escolas e outras entidades da sociedade civil têm já realizado o resgate de manifestações culturais de matrizes indígenas e africanas; assim como, alemães e italianas, que antes estavam adormecidas.
É um dos legados culturais que a nossa festa temática vem oportunizando à cidade, esse resgate das tradições culturais itajaienses. Dentre outros legados, tais como o incentivo a artistas, músicos, grupos folclóricos, artesãos, e tantos outros, que fazem rica a cultura do nosso povo.

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