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Entre e Iguape e Cananéia   

Em todo o litoral de Santa Catarina é conhecida e muito usada a expressão popular “Entre Iguape e Cananéia”, quando se quer dizer que a situação não mudou nada, não apresenta diferença alguma do que era antes, não avançou em ganho algum. Dizem os entendidos que a expressão popular carrega certo preconceito contra aquelas duas cidades litorâneas paulistas, tão antigas e conhecidas, mas que são igualmente pequenas e pouco desenvolvidas.

Cananéia e Iguape, que são vizinhas,  contam-se entre as primeiras vilas fundadas no Brasil já nos anos de 1500, juntamente com São Vicente, Santos e Olinda. Em Cananéia, queria Espanha que terminasse a América portuguesa delimitada pelo Tratado de Tordesilhas e dali para o sul começasse o território da América espanhola. Virou, por isso, lugar de disputa entre os dois países.

De Cananéia, ainda no século XVIII, vieram morar na nossa região várias famílias, principalmente ligadas à carpintaria da ribeira – a construção naval – atividade muito desenvolvida na região de Cananéia e Iguape. Uma família muito conhecida em Itajaí, originária de lá, foi a de José Ignacio da Silva, Mestre Zé, famoso carpinteiro da ribeira, que ainda tem descendentes na cidade envolvidos com estaleiros. 

Cananéia era conhecida da gente do litoral catarinense, porque muitos que iam embarcados em romaria visitar o Santuário do Senhor Bom Jesus de Iguape, desde os anos finais do século XVIII, desembarcavam no porto de Cananeia. A devoção ao Senhor Bom Jesus de Iguape começou logo após o achamento de sua imagem em 1647,  numa praia deserta da Juréia, próxima a Iguape, por dois índios administrados de um fazendeiro da região. Martim Francisco, Ribeiro de Andrada, irmão de José Bonifácio, em 1805, em viagem à região de Iguape, escreveu em seu diário sobre a imagem do Bom Jesus: “muito milagrosa no geral entender do povo, para cuja festa concorre imensidade de povo da Capitania e de fora…”

De Itajaí, sempre se teve notícia das romarias de itajaienses para a festa do Senhor Bom Jesus de Iguape, comemorada no dia 6 de agosto. A devoção sempre foi muito difundida entre o povo católico da cidade. Na coleção de jornais antigos de Itajaí do Arquivo Público, desde o final do século XIX, já se encontram notícias sobre romeiros da cidade se dirigindo a Iguape para a festa do Senhor Bom Jesus. Iam muitos embarcados, como já se disse, houve em tempos mais antigos os que fizeram caminhadas a pé e,  quando surgiram os caminhões e ônibus, faziam-se as famosas “lotações para Iguape”. Parentes, amigos e vizinhos  se reuniam, contratavam um caminhão devidamente preparado ou um ônibus e seguiam dias antes da festa em romaria. Na volta, chegavam alegres, soltando foguetes, trazendo lembranças, fotografias e, com certeza, as bênçãos do Senhor Bom Jesus de Iguape.

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