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1º de maio na Vila Operária

Na próxima quarta-feira, dia 1º de maio, vai se realizar no bairro da Vila Operária, a tradicional festa cívico-religiosa do Dia do Trabalhador. As festividades deste ano já tiveram começo no dia 8/4, com as novenas de São José Operário, e se concluirão com os eventos do Dia do Trabalhador: às 9h30, hasteamento das bandeiras e às 10 horas, solene missa em honra a São José Operário.
Esta festa teve início há 93 anos, em 1926, segundo o jornal O Pharol, por instituição do operariado da cidade e contara com o apoio de José Eugênio Müller, presidente da Construtora Catharinense, que havia edificado o bairro da Vila Operária “Pereira e Oliveira”.
A Vila Operária “Pereira e Oliveira”, como fora nominado de início, era o primeiro bairro urbanisticamente planejado na cidade. Ele buscava solucionar problema social candente à época – trabalho/moradia – ao construir casas para a classe média e trabalhadores junto das fábricas ali também construídas. O novo bairro teve a primeira avenida da cidade com duas pistas e canteiro central arborizado, duas praças, abastecimento d´água, energia elétrica, comércio, escola, igreja, clube social e até campo de futebol. Com tal, construiu-se ali um novo centro urbano.
A praça principal, defronte da igreja, foi denominada de “1º de Maio”, numa homenagem ao trabalhador, foco de toda atenção do idealizador do bairro – José Eugênio Müller, um mix de empresário e político com forte apelo social.
A primeira festa de 1º de Maio na Vila Operária foi assim noticiada pelo jornal O Pharol: “Os festejos instituídos pelo operariado local tiveram início às 8 horas da manhã, com a organização, na Praça Vidal Ramos, do préstito que se encaminhou precedido pela Banda “Independente”, para a Vila Operária “Pereira e Oliveira”, onde na Capela de N. S. da Paz, ali em construção, foi realizada solene missa em ação de graças a qual foi assistida por centenas de operários e grande número de fiéis. Após cerimônia, usou da palavra José Eugênio Müller, presidente da Construtora Catharinense, que em palavras de entusiasmo saudou o operariado da cidade. Terminada a missa, tiveram início os números do programa elaborado, que constaram de diversões ao ar livre, bailes, etc. Às 6 horas da tarde, regressaram os operários à cidade incorporados, percorrendo as principais ruas.”
Vê-se, pois, que a festa de 1º de Maio na Vila Operária teve sempre caráter civil e religioso, por escolha dos próprios trabalhadores. A ênfase que ora se dá à comemoração de São José Operário é coisa nova, dos anos de 1980, quando a Igreja pretendeu também dar marca religiosa ao evento civil do Dia do Trabalho. Nada contra. Pena foi que aqui se perdeu a celebração no dia de Nossa Senhora da Paz, padroeira do bairro. Justamente escolhida para assinalar a paz que sempre devesse reinar entre trabalho e capital. Como era desejo de José Eugênio Müller, fundador do bairro e doador da imagem da padroeira, cujo título fora por ele especialmente escolhido.

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