A raposa, a galinha e as reformas do trabalho e previdência

O governo Temer, na marra, com leilões de cargos e grana, vai aprovando no Congresso reformas do Trabalho e Previdência.

Perguntem aos vizinhos, por favor, se eles sabem o que está sendo aprovado, para além dos títulos genéricos e otimistas do noticiário.

Enquanto apontam valores de desequilíbrios escondem da população outros valores, alarmantes.

Exemplos: cidadãos e empresas devem à União R$ 1 trilhão e 800 bilhões…

…No Conselho de Recursos da Receita autos de infração mostram conta de R$ 700 bilhões. Some-se mais R$ 500 bilhões em discussões judiciais.

Informou a Folha de S. Paulo nesta quarta, 17: isso significa metade do PIB do Brasil.

O Sindicato dos Auditores Fiscais de Minas estima: a sonegação, só em 2015, foi de R$ 790 bilhões. Isso significa 13% do PIB.

REFORMA DO TRABALHO

Aprovada na Câmara, já no Senado, a reforma do Trabalho altera 117 artigos da CLT.

Ao permitir de maneira indiscriminada a contratação via pessoa jurídica, o famoso PJ, é possível vislumbrar o fim da carteira assinada.

E assim o fim do 13º, do seguro desemprego, das férias remuneradas etc. Mesmo quem tiver ou conseguir carteira assinada poderá ser terceirizado.

Sobre o que já é lei passa a prevalecer negociação. Com esse ambiente e conjunto de novas normas, obviamente se terá uma negociação entre a raposa e a galinha.

Lamentamos informar ao trabalhador comum: a senhora, o senhor, não são as raposas.

Aprovado também o “Trabalho Intermitente”. Nesse caso o PJ, contratado ou terceirizado, ficará à disposição do patrão.

Portanto, sem saber em que dia e hora trabalhará. E assim sem ter como se planejar para demais atividades e sem saber que salário terá no fim do mês.

Riscos do prevalecer negociação sobre o que é lei: aumento da jornada de oito para 12 horas, redução do adicional de insalubridade…

E mais: diminuiu para meia hora o tempo mínimo para o almoço/jantar. Além da meia hora para aquela feijoada, aquele mocotó, dependerá… do patrão.

LEI ÁUREA
E pode ficar ainda pior. Nilson Leitão, deputado do PSDB/MT, apresentou projeto de lei para reformar o Trabalho Rural.

Presidente da Bancada Ruralista, Leitão propõe, entre outras, descontar casa e comida da remuneração do peão.

No Senado causou impacto uma opinião de Yves Gandra Filho, presidente do Tribunal Superior do Trabalho.

Gandra disse temer que trabalhadores se auto-mutilem (tipo decepar um dedo, quiçá um pé, uma orelha) para obter “indenizações altas”.

Procurador-Geral do Trabalho, Ronaldo Fleury comentou o espírito global dessa reforma do Trabalho, tão festejada pelo governo, congresso e noticiários.

Sugeriu o Procurador-Geral do Trabalho: Seria muito mais honesto revogar a Lei Áurea e voltarmos a ser escravos…

Juízes, heróis, pixulecos e… ódios

Refluxo do ódio, dos ódios. Não se magnifica fatos, ou factoides, sem que isso traga consequências.

Como as que voltamos a viver nos últimos dias e horas. De cima abaixo, tomando-se a sociedade como escala. País afora cresce a violência.

Tem a violência cotidiana, que mata uns 60 mil por ano. Tem a violência do Estado. Tantas vezes contra os que pouco ou nada têm e em favor dos que já têm muito.

E tem a violência que brota da mistura da Lava Jato com luta política.

A quem duvida, basta tomar a temperatura em conversas sobre o tema, mesmo entre amigos e famílias.

Essa química envenena corações, mentes, e fígados. Certamente já predispostos por questões de classes. Ou por eventual e esporádica ausência de classe.

“A LUTA DO SÉCULO”, I

Deste caldeirão, também deste, se derrama e se espalha, borbulhando, o ódio. Inclusive nos mais refinados palácios e salões da República.

O depoimento de um réu, Lula, a um juiz, Moro, foi vendido e assimilado como “A Luta do Século”.

Políticos fazem Política, esse é o papel deles. Juízes julgam. É o papel deles.

Atropelar a função, desinformação, paixão, só fazem explorar e atiçar ódios e desinteligência.

Diele Denardin Zidek concedeu a liminar que proibiu acampamento de manifestantes em Curitiba.

Há um ano, no Facebook, Diele criticava Dilma por “manobra criminosa”; pela nomeação, barrada, de Lula como ministro.

Então, além do ataque a Dilma, Diele festejava: “A casa caiu para Lula”.

Diele é … uma juíza.

“A LUTA DO SÉCULO”, II

Gilmar Mendes, juiz do Supremo, e Janot, procurador geral, atacam-se. E a mulheres das respectivas famílias. Como se envolvidas em atos ilegais, ao menos imorais.

Janot cobra o impedimento de Gilmar. Porque a mulher deste, Guiomar, trabalha para Sérgio Bermudes…

…dono do escritório que obteve de Gilmar o habeas corpus para soltar Eike Batista.

Gilmar acusa a Lava Jato de tornar “reféns” presos provisórios em busca de “manter o apoio da mídia”.

No rastro do ataque de Janot brota uma notícia. (Dificílimo se imaginar quem seria a fonte.)

Segundo a notícia de misteriosa fonte, Leticia Ladeira Monteiro de Barros, filha de Janot, “advoga para OAS”, e “Braskem”; leia-se Odebrecht.

Desta forma chegamos a isso: segundo ambos, Gilmar e Janot, ambos deveriam se dar por impedidos nessa lavagem a jato.

HERÓI E PIXULECO
Essa cena toda em meio ao meganoticiário sobre roubalheira de bilhões. Imagine-se o impacto nos corações, mentes, e fígados do respeitável público.

Nesse duelo de ódios, o Gilmar-herói foi tornado “pixuleco” por seguidores de até outro dia. Até, claro, que venha o próximo capítulo e a chance para se redimir.

Caras leitoras, caros leitores do DAIRINHO, um lamento… Infelizmente, até o término dessas mal traçadas linhas ainda não tinham sido vazados trechos selecionados da “Luta do Século”.

Se “estancarem” a Lava Jato restará um 
grande objetivo atingido: Lula

José Dirceu solto. Em votação do Supremo, que já havia decidido: prisão preventiva não é definitiva.
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Prisão definitiva só depois de condenação em 2ª Instância.
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Se seguida tendência de decisões anteriores e a 2ª Instância confirmar as penas, José Dirceu voltará à prisão.
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Enquanto isso e por isso, brados, editoriais e manchetes.
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Tudo é escolha.
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Dos 620 mil presos no Brasil, 40% sequer foram julgados. Onde estavam, estão, os brados, manchetes e editoriais cotidianos a respeito?
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Cobrou-se queda ou renúncia de Dilma. Por conta de denúncias de corrupção e erros do seu governo. E dos escassos 9% de apoio, fruto das cobranças.
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E OS EDITORIAIS PELA RENÚNCIA OU QUEDA?
Temer está over citado nas delações. Acusado de crimes diversos, oito dos seus ministros serão investigados…
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…Quatorze milhões de desempregados. Temer com mesmos 9% de Dilma.
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Onde estão brados, editoriais, manchetes, e panelas, pela queda ou renúncia de Temer?
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Estrondoso o silêncio dos que antes cobravam. Porque o serviço pelo mandato recebido longe das urnas vai sendo feito.
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Custe o que custar e há quem custar…Menos, claro, para o dinheiro grande e para tudo e todos que orbitam a seu redor…
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…E menos para as corporações que têm armas, togas, ou aos pontapés pressionam um Congresso acovardado pelo prontuário de tantos dos seus.
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Por que a súbita temporada de relaxamento de prisões preventivas? Que na Lava Jato tem sido norma há anos.
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Uma boa resposta se encontra nos seguidos recados que, da cadeia, Eduardo Cunha tem mandado.
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Os 9% que restam para Temer, e a capacidade mínima de seguir esse simulacro, dependem da língua de Cunha.
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A anunciada delação via Palocci também ajuda explicar esse repentino fervor legal contra prisões preventivas.
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Quem aposta ser Lula alvo primordial e único de Palocci esquece as relações do ex-ministro da Fazenda com o dinheiro grande…
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… E com as Vozes e seus donos.

CONDENAÇÃO ANUNCIADA
É evidente que a Lava Jato está sob cerco do pelotão “Estancar a sangria”… Aquela profecia do Romero “Caju” Jucá, lembram?
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Como é evidente que o Juiz Moro segue escrevendo a Crônica de uma Condenação Anunciada: a de Lula.
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Condenação em 2ª Instancia tira Lula da eleição presidencial.
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Demais grandes investigados estão a cargo do Supremo. Coisa para, no mínimo, dois, três anos entre investigação e julgamento.
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Assim todos poderão ser candidatos e tentar um mandato para seguir longe da 1ª Instância. Ou de um futuro Presidente e novos amigos no Supremo.
Se conseguirem estancar a Lava Jato, desejo anunciado há um ano, restará um grande objetivo atingido: o fundamental. O de sempre. Lula.

Presidentes do Senado e Câmara investigados, via Supremo. Assim como um terço do Senado, 40 deputados federais e três governadores.
Casos de outros nove governadores encaminhados ao STJ. Temer não será investigado nessa porque as citações não são se referem ao mandato atual.
Temer e Dilma são investigados no TSE.
Para outras instâncias seguiram casos dos ex-presidentes Dilma, Lula e Fernando Henrique Cardoso.
Lula, réu em cinco inquéritos, será ouvido pelo juiz Moro a 3 de Maio. Moro irá condená-lo. Condenado numa 2ª instância, Lula não poderá disputar a presidência.
Investigados também os presidenciáveis Alckmin, Aécio e Serra.

INGÊNUOS, OPORTUNISTAS E FASCISTAS
O ministro Fachin, relator da Lava Jato, enviou ao STJ e outras instâncias mais 201 pedidos de investigação.
Os oito ministros do governo Temer se afastarão durante a investigação, como deveria ser praxe? Não.
Quando se derrubava o governo anterior para unção desse aí, já não se sabia? Quando se escolhia o atual comando e Congresso já não se sabia quem são todos?
Jornalistas, ou não, não sabíamos que daria nisso? Por que tantos ouvíamos a tantos sem a cada vez indagar e a informar sobre as suspeições dos próprios?
Não sabia quem não tem como saber, ou por que a vida não deu oportunidades.
Ou não sabiam os ingênuos. E fingiam não saber os oportunistas, que seguem apontando o dedo contra “corruptos”. Os alheios. Os “do outro lado”.
Muitos dos investigados ou citados bradaram contra a “corrupção” ao longo da história. Ou em passeatas recentes a bordo de camisas da CBF, muitos na linha de frente.
Outros, mesmo já citados, seguiram e seguem nas manchetes, pontificando sobre “corrupção”. A alheia.
Da mesma forma, na cara dura, no cinismo, marqueteiros, publicitários que fizeram fortuna em campanhas.
Investigação não implica em culpa automática. Há que provar. Para quem está na 1ª instância será rápido. No Supremo ou STJ, coisa de anos.
2018? Espaço, trabalharemos, para avanços. Espaço, já a caminho, para o velhíssimo fantasiado de “novo”.
Espaço, crescente, para o fascismo em estado bruto.

SANTA CATARINA NO PACOTE

De Santa Catarina, nesse pacote Odebrecht, Dalírio Beber, senador do PSDB, e o prefeito de Blumenau, também tucano, Napoleão Bernardes.
Ainda de Santa Catarina, do PT, o casal Lima. O deputado Décio e a esposa, Ana Paula, deputada estadual.
Segundo a delação, Décio Lima teria solicitado pagamento indevido para a campanha da esposa, Ana Paula Lima.
O senador Dalírio teria providenciado, com a mesma Odebrecht, em 2012, R$ 500 mil para a campanha de Napoleão. Os quatro negam.

Chacinas, balas perdidas… morrem os de sempre

Mais chacinas em São Paulo. Nove mortos e três feridos. Mais uma menina morta no Rio de Janeiro. Hosana de Oliveira, morta a tiros.
Na mesma Acari, Zona Norte, onde “balas perdidas” mataram Maria Eduarda cinco dias antes. Hosana, de mesmos 13 anos de Maria, preta como Maria.
Em São Paulo, no intervalo de uma hora entre a noite de terça e madrugada da quarta, 5, chacinaram 10. No Jaçanã e Campo Limpo, Zonas Norte e Sul.
No Jaçanã, método e cena habituais em outras chacinas.
Como as inúmeras de Carapicuíba e Osasco, ou Guarulhos, Santos, ABC…Rio, Salvador, Recife, Manaus, Porto Alegre…basta escolher.
Homens de moto se aproximam de um bar e disparam. No Jacanã, dois homens, moto prateada. Balas calibre 45.

MERA ESTATÍSTICA
No Jacanã, base da PM a 150 metros do bar onde se deu a chacina. Próximo, o… “Centro de Integração da Cidadania”.
Cinco morreram no bar, o outro em frente, na rua. Mortos sem rosto, mera estatística. Mas têm nome…
…Sidney Rodrigues Cordeiro, 38 anos. Valdir Pereira de Souza, 46, e Wellington Claudino de Souza, 35. Gilmar Vieira da Silva e Adriano dos Anjos Silva, tinham 39 anos.
Vizinhos do bar informam: “Todos trabalhavam”.
No Campo Limpo morreram Wizmael Dias Correia, 19 anos, Kayke Santos Moreira, 20 anos, e Vinicius Aparecido Paula Guedes, 19 anos.

Segundo o site G1, o pai de Kaike contou que o filho “atuava no tráfico”. Ao G1, PMs entrevistados disseram suspeitar de “disputa entre traficantes”.
Um amigo dos outros dois mortos afirma: eles não eram traficantes:
– Suspeito que tenha sido coisa dos pés de pato (policiais ou paramilitares que matam como justiceiros ou por dinheiro).

POBRES, PRETOS, PERIFERIA…
Maria Eduarda Alves da Conceição, 13 anos, morta dentro da escola, em Acari, Rio.
Morta em meio a tiroteio entre traficantes e dois PMs; Fábio Dias e David Centeno.
Os mesmos PMs filmados, na mesma ação, executando dois feridos já estendidos no chão.
Mesmos PMs investigados por outras 16 mortes. Entre elas a de outra Maria Eduarda, 12 anos.
Marias assassinadas numa região com mais 20 crianças mortas pelas chamadas “balas perdidas” nos últimos dois anos.
As balas que mataram Maria Eduarda foram disparadas por um fuzil. Ainda não se sabe quem atirou.
Chacinas, homicídios, ou “balas perdidas”, e sempre as mesmas dúvidas e versões..
… eram traficantes ou não? Quem matou? Bandido ou polícia?
Raramente culpados são presos e condenados.
Certezas, só algumas. Eram jovens, quase sempre são. Das periferias, sempre. Pobres e pretos, quase sempre. E foram assassinados.

Jorge Picciani

Jorge Picciani, presidente da Assembleia, é um “Rei do Rio”. Pai de Leonardo Picciani, ministro dos Esportes de Temer. Que tem nove ministros na Lista do Janot.
Picciani-pai conduzido coercitivamente pela Polícia Federal na Operação “Quinto do Ouro”. Que investiga desvios de até 20% em contratos, para pagamento de propinas.
Nesse mesmo Rio de Janeiro, o ex-governador Sergio Cabral chefiava uma quadrilha. Parte da gang agora morando em Bangu 2.
Ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes seria o “Nervosinho” na delação da Odebrecht.
No Rio, Pezão e Dornelles, governador e vice, cassados seguem governando provisoriamente. Rio que tinha 5 mil e teria agora, estimam, 15 mil cidadãos morando nas ruas.
Nesse Rio coalhado de milícias, cinco conselheiros e um ex, do Tribunal de Contas, foram presos nesta quarta-feira 29. Seriam dutos em propinodutos.

MAQUINISTA, COZINHEIROS, PEDREIROS
Será um Deus-os-acuda Brasil afora se e quando jogarem luzes sobre muitos dos Tribunais de Contas.
É puxar a composição de tais tribunais, clicar num site de busca e conferir origem e história de boa parte dos conselheiros.
Os assessores técnicos costumam ser excelentes, mas decisões finais costumam caber a ex-políticos nomeados conselheiros.
Com omissão ou ação também de outros poderes, em estados, municípios, denúncias morrem, são congeladas, ou apontam bodes expiatórios.
Superfaturaram um bilhão no Metrô de São Paulo? Os responsáveis certamente devem ser maquinista e bilheteiro.
Quatorze anos para fazer 7,5 km do bilionário metrô de Salvador? Seguramente pedreiros armaram mais uma vez.
Roubaram na merenda? Na duplicação da Marginal? Naquele viaduto, naquela ponte? Coisa de cozinheiros e mestres de obra.

“ESSE CONGRESSO AÍ…”
Quem tem como apurar e saber, sempre soube e sabe. Investigar, vazar, divulgar, alardear nas manchetes, condenar ou não, são escolhas.
Escolhas são, têm sido políticas. Por isso tribunais de contas servem, tantas vezes, para aposentar políticos amigos.
Outro tribunal, o TSE, deve começar a julgar na próxima terça-feira a chapa Dilma-Temer.
Nos bastidores duelam o relator da ação, Herman Benjamin, e o presidente do TSE, Gilmar Mendes.
Duelam quanto a quem cassar e não cassar. E, num Tribunal cheio de goteiras, sobre quem anda vazando informações.
Sabe-se o que se busca no TSE: manter Temer…
Se cassarem Temer, agora lembram, seu sucessor será eleito indiretamente pelo que chamam “esse Congresso aí”.
Recordemos: “Esse congresso aí” é o mesmo que ungiu “esse governo aí”.

Blogueiro Eduardo Guimarães

O juiz Moro ordenou condução coercitiva do blogueiro Eduardo Guimarães. E apreensão de “celulares, computadores e quaisquer documentos”.Em março passado Eduardo antecipou informação sobre a condução coercitiva de Lula.
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Moro quer saber, confirmar fontes de Eduardo Guimarães. Saber se o blogueiro conversou com Lula antes daquela coercitiva. Sigilo da fonte é garantia constitucional.
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Moro investiga vazamento de informação. A investigação poderia começar por Curitiba e Brasília. A Lava Jato vaza, corriqueiramente, há três anos.
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Revelação da Ombudsman da Folha de S. Paulo: a última Lista do Janot teve conferência reservada com vazamento de informações. Para vários jornalistas ao mesmo tempo.
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O ministro Gilmar Mendes fala em “anulação de provas”. Claro. Porque agora a Lava Jato chegou a todos. E, como vimos e se sabe, a carne é fraca.
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A Justiça Federal do Paraná diz que Eduardo Guimarães, editor do Blog da Cidadania há 12 anos, “não é jornalista”. E que o blog faz “propaganda política”.
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Em 2009 o Supremo decidiu: não é preciso diploma para ser jornalista. Útil lembrar: no Brasil de 5570 municípios, boa parte dos jornalistas assassinados não tem diploma. Moro decidirá quem é ou não é jornalista?
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E quando o jornalismo endeusa juiz e procuradores? E quando, em busca do vazamento-nosso-de-cada-dia, evita criticar juiz e procuradores? O noticiário acrítico, que condena uns e silencia sobre outros, não termina se tornando propaganda política?
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Juízes e procuradores decidem o que pode ou não vazar? Esquecem que o termo “vazar” já carrega em si definição da ilegalidade? Há um ano Moro ordenou gravação de conversas de Lula. Sem ser investigada, Dilma foi gravada.

Gravação que excedeu a duração legal determinada pelo próprio Moro. Gravação tornada duplamente ilegal ao ser vazada, no mesmo dia, por Curitiba.
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À época o ministro do Supremo, Marco Aurélio Mello, disse sobre Moro: -Ele simplesmente deixou de lado a lei, isso está escancarado. Essa divulgação de sigilo telefônico é crime.
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Teori Zavasky cobrou:
-Papel do juiz é o de resolver, não o de criar conflitos. Juiz (…) deve ter imparcialidade, prudência, discrição (…) e não se deixar contaminar pelos holofotes. Seis meses depois, julgando uma representação contra Moro, o Tribunal Federal da 4ª Região decidiu: a Lava Jato “traz problemas inéditos e exige soluções inéditas”.
Ordenada pelo juiz Moro contra Eduardo Guimarães a coercitiva de agora tem características de “solução inédita”.
“Soluções inéditas” que, em nome de fazer cumprir a lei, contornam ou desconhecem a lei.

Agora todos estão à espera de Janot

O empreiteiro Emílio Odebrecht confessou ao juiz Moro: “Sempre existiu Caixa Dois, desde a época do meu pai”.
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Portanto, prática de sete décadas na empreiteiragem. Nada que quem tem como saber não saiba há décadas, senão séculos.
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Deve significar algo importante na cultura de um povo o demonstrar surpresa ao descobrir o que sempre esteve a descoberto.
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E assim estamos… Esperando Janot. Nova Lista com velhos e conhecidíssimos clientes. Espera com ações e reações.
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Uma dela, pilotada pelo ministro Gilmar Mendes, busca “desmistificar o Caixa Dois”. Tal operação junta políticos, dinheiro grande, nacos supremos do Judiciário, mídias de sempre a serviço do poder de sempre etc.
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Na conexão Curitiba/Brasília, outra frente. Há um ano o mesmo Gilmar Mendes impediu Lula de ser ministro. No mesmo Supremo que há pouco permitiu a Moreira Franco ser ministro.
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Pilotada por Moro, há um ano a gravação de diálogos de Lula e Dilma. Gravação ilegal na duração e divulgação também porque Dilma não era investigada.
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Objetivo claríssimo: sem foro privilegiado, em Curitiba, Lula será condenado por Moro. Condenação na 2ª instância o afastará de 2018.
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Gilmar Mendes, agora, diz: “Corrupção exige ato de ofício, Caixa Dois pode não ser crime”.
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Para o mensalão petista dispensaram “ato de ofício” ao caracterizar corrupção. O Supremo domou Teoria e Fatos.
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Só agora, flagrados centenas de políticos e demais grandes partidos, querem “desmistificar o Caixa Dois”.
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Mistificação essa embrulhada numa tese: o Caixa Dois de uns nasce da propina, o de outros brota do amor. Escolhas ao gosto do policial, procurador, juiz, editor…
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Doze de junho, 98. Consultor Jurídico da Presidência, Gilmar Mendes informa: Fernando Henrique processará Lula. Por Lula dizer que a privatização da Telebrás serviria para o Caixa Dois do PSDB.
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Venda da Telebrás, negócio de 21 bilhões e mega escândalo jamais investigado pra valer.
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Nove de outubro, 2012. Condenados Delúbio Soares, tesoureiro, e demais petistas. Já ministra do Supremo, naquele dia Carmen Lúcia rebateu com indignação tese da defesa petista: Caixa Dois é crime, Caixa Dois compromete, mesmo que tivesse sido isso, ou só isso; e isso não é só; e isso não é pouco!
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Carmen Lúcia, hoje presidente do Supremo Tribunal, então ensinou: “Caixa Dois é uma agressão à sociedade brasileira”.
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À época, manchetes e celebração para Carmen Lucia e condenações. Demais grandes partidos e seus líderes anunciaram o porvir do “Brasil limpo”. Todos agora à espera de Janot. Atolados no Caixa 2. Com propina, ou com amor.

Marcelo Odebrecht disse se sentir no papel de “otário” e “bobo da corte do governo”

– Executivos da Odebrecht interrogados. Ao juiz Moro, Fernando Barbosa afirmou ser o ex-ministro Palocci o “italiano” citado em documentos da empreiteira. Barbosa informou não conhecer pessoalmente e não ter tratado qualquer assunto com Palocci.
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– Claudio Melo, Alexandrino Alencar e Hilberto Mascarenhas foram ouvidos por Herman Benjamin, do TSE. Processo sigiloso. Depoimentos vazaram minutos depois da audiência.
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– Este processo decidirá se Temer será cassado e se Dilma se tornará inelegível. Claudio Melo, ex-vice da Odebrecht, reafirmou a Herman Benjamin: em reunião no Jaburu, maio de 2014, Temer teria pedido “apoio financeiro” para o PMDB.
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– “Apoio” na ordem dos R$ 11,3 milhões. Ou R$ 10 milhões; há controvérsias. Alexandrino disse que Edinho Silva, tesoureiro petista, “sugeriu” doação de R$ 30 milhões via Caixa II. Como no pós-depoimento de Marcelo Odebrecht teremos, via manchetes, variadas versões. Culpados ou inocentes ao gosto do freguês.
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– Como se sabe, no mundo real empreiteiras financiavam grandes, médios e pequenos partidos. Com doações declaradas ao TSE. Para a Lava Jato parte dessas doações legais seria propina disfarçada.
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– Empreiteiras pagavam também via Caixa II. Com “naturalidade”, confessou Marcelo Odebrecht. Em resumo, Marcelo informou ter financiado partidos e candidatos com perspectiva de Poder e retribuição.
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– Intenção? A ladainha de sempre: ajuda no meu negócio que ajudo no seu. Campanhas para presidente, governador, prefeito e legislativos. Antes de concluídas, ou mesmo iniciadas investigações, vazamentos e manchetes operam para eleger culpados e inocentes.
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– Ao gosto de cada um se decide quando Caixa II é “limpo” e quando Caixa II é “sujo”. Decide-se quando e para quais candidatos e partidos a doação é propina e quando é só amor ao candidato e ao partido.
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– O dinheiro grandíssimo e poderes formais, informais, e seus porta-vozes, trabalham para escalar quem deve ser condenado ou absolvido. Esse tribunal do topo, multiplicador, poderoso, mira corações e mentes. Busca apontar quem deve sobreviver e quem tem que ser abatido até 2018.
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– Num mundo onde, cada vez mais, ficção é vendida e incorporada como realidade, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos informa… A Odebrecht pagou US$ 1 bilhão em propinas em 12 países.
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– Marcelo Odebrecht disse se sentir no papel de “otário” e “bobo da corte do governo”… no Brasil.
Nos outros 11 países, qual foi o papel?