Rodeados de lixo travestido de informação

30/06/2017 16:02

As informações-lixo têm dominado de forma crescente o cenário jornalístico e a mídia de forma geral. Infelizmente o irrelevante tem imperado porque dá ibope, em detrimento do conteúdo que realmente importa e que deveria ser valorizado, que educa ao invés de deseducar.

O mundo das futilidades nos meios de comunicação cresce na mesma proporção que a ignorância humana. É uma infinidade de baboseiras empurradas goela abaixo, informações fúteis que inevitavelmente acabam atingindo a todos, influenciando mais fortemente aqueles que não têm acesso à TV fechada e outros meios de comunicação mais seletos.

Todo esse lixo informativo acaba ditando o comportamento e o gosto de toda uma geração – seja na música, na arte, nos conceitos sobre os mais diversos assuntos e áreas da atividade humana, enfim.

Esse cenário decadente afeta em especial aqueles que, pelo nível cultural, não têm o necessário senso crítico para selecionar o que é bom ou ruim, filtrando assim aquilo que realmente representa algo que vai fazer diferença em suas vidas, transformando-os em cidadãos conscientes, e não meros repetidores do mau gosto que impera nos meios de comunicação.

Na verdade o povo não tem vontade própria e nem senso crítico devido aos anos e anos de idiotização promovida pela mídia e pelos interesses que a cercam. O povo é manipulado e engole tudo aquilo que os donos da mídia e os poderosos de plantão acham conveniente. Quanto menos informação de qualidade e cultura têm um povo, mais fácil se torna manipulá-lo e direcioná-lo.

A mídia brasileira sempre esteve preparada, aparelhada e unida para manter o status quo e abafar as vozes daqueles que discordam do projeto político e da agenda que ela própria tem para o Brasil.

 

Os Festivais de Inverno e uma atitude de homem

29/06/2017 16:01

A ebulição tomava conta dos espaços culturais nos meses de julho. Era o Festival de Inverno de Itajaí, que iniciou em 1973 e durou exatamente uma década. Uma vida relativamente curta, mas vigorosa. As ruas respiravam cultura por todos os poros e o frio, mesmo quando mais intenso, não arrefecia as mentes e corações dominados por uma saudável e agitada emoção.
O teatro, a pintura, a música, a literatura e todas as manifestações artísticas tomaram impulso e alçaram voo durante aquele período, ganhando fôlego suficiente para, muitos desses valorosos artistas ainda hoje estarem em evidência. Vieram a lume em Itajaí, numa fértil e estonteante década, uma geração de talentos influenciados pelo clima de expansiva criatividade.
O idealizador de tudo isto foi o folclorista e intelectual Antônio Augusto Nóbrega Fontes, um cinquentão que pretendia com a iniciativa fomentar o crescimento cultural e o turismo fora da temporada de verão. Subsistem ainda, como resultado de sua atuação e apoio, entidades como Casa da Cultura, Museu Histórico, Associação Coral Villa-Lobos e Proarte de Itajaí.
Irreverente nos pensamentos, sempre à frente de sua época, mas fino e comedido no trato com todos que se aproximavam dele, capitaneava pessoalmente as diversas atividades que eram desenvolvidas nos vários espaços disponíveis na cidade. No início havia os céticos. Sempre os há. Mas a cada ano o festival mostrava mais vigor e já se inseria pela qualidade da programação no calendário dos mais destacados eventos do gênero em Santa Catarina e no Sul do Brasil. Os Festivais, a cada inverno, enchiam a cidade de mostras, concertos, feiras, conferências, apresentações, cursos, debates, festa e lazer.
Eu e alguns poucos amigos tínhamos o privilégio de participar dos bastidores do evento e nos reunir com Nóbrega Fontes quase todas as noites, tomando uma sopa na então Lanchonete 1040, na esquina da rua Tijucas, defronte da Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento. Ali fazíamos a avaliação das atividades do dia, sempre extenuantes devido à pluralidade da programação que o Festival contemplava. E ali ele nos contava de suas viagens pelo mundo, das suas ideias, dos escritores e poetas que apreciava. Destes últimos não escondia a preferência pelo português Fernando Pessoa, que em célebre frase diz que “tudo vale a pena se a alma não é pequena”. E a de Nóbrega Fontes era grandiosa.
Até que, numa das últimas edições do prestigiado festival, Fontes se mostrou incomodado com murmúrios a seu respeito e lá mesmo, numa mesinha do 1040 decidiu: – Vou fazer um discurso no Clube Guarani, onde se reúne a mais fina flor da sociedade itajaiense, e garanto que calarei de vez a voz desses hipócritas, afirmou enfático. Dito e feito. A Sociedade Guarani ficou completamente abarrotada de artistas, políticos e de outras pessoas que queriam ouvir o que aquele homem tinha de tão importante para falar.
Foi um discurso sóbrio, sincero e, acima de tudo, eloquente pela inteligência de cada frase. Nóbrega Fontes assumia, publicamente, uma opção sexual divergente da maioria, justo em uma época de preconceitos ainda sobremaneira arraigados. Mas o fez com tanta dignidade, sensibilidade, coragem e precisão na escolha das palavras, que enquanto falava, o silêncio reinava absoluto no requintado salão do Clube Guarani.

Perplexidade pela revelação, quase nenhuma. Mas o respeito pela atitude e pela lucidez plácida do orador eram visíveis. Nóbrega Fontes lavou a alma. Terminou aplaudido de pé. E eu pensei comigo: que homem admirável!
Ainda estava de pé naqueles tempos o Bar Dinamarca, nas imediações do atual ferry-boat. Instalado em 1951 pela brasileira mas dinamarquesa por adoção Marta Christensen, o bar se tornou referência obrigatória dos boêmios da cidade e ponto de encontro de marinheiros de todas as partes do mundo. Nas paredes, tinha como decoração predominante as bandeiras de inúmeros países.
Uma das derradeiras vezes em que pude partilhar da agradável e inspiradora companhia de Fontes foi no Dinamarca, um pouco antes de ser demolido para dar lugar a um prédio de muitos andares. Ia ao chão mais um pedacinho da história de Itajaí. Eu e Antônio Augusto Nóbrega Fontes tivemos o privilégio de curtir a última noite de vida do Dinamarca, no final dos anos 70.
Fontes nos deixaria definitivamente alguns anos depois, aos parcos 63 anos de idade. Em meados dos anos 80 ainda tentou-se a ressurreição do Festival de Inverno em uma iniciativa da Universidade do Vale do Itajaí, a Univali, então denominada Fundação de Ensino do Pólo Geo-Educacional do Vale do Itajaí – Fepevi. Mas qual. Ficou apenas numa edição. Sem o brilho e o fascínio exercido pelo entusiasta Nóbrega Fontes nada mais poderia ser como antes.

Da infinitude ao vazio

27/06/2017 20:25

Sou infinito e pleno diante do horizonte luminoso a invadir-me os olhos e a alma. Entretanto, nada mais absolutamente é perene ao vislumbrar a incontornável finitude da frágil existência do ser. Resta, sim, a imensidão do impreenchível vazio! (EG)

Aventura na selva amazônica

Foto da construção no início do séc. XX da estrada de ferro Madeira-Mamoré, que ficou conhecida como a Ferrovia do Diabo

Quando vejo a situação de muitas rodovias no Brasil – se é que assim podem elas ser chamadas – lembro da viagem mais traumática que vivenciei. Era início dos anos 80 e eu resolvi botar uma mochila nas costas e sair por esse mundão em busca de aventura, conhecimento e luz. De carona, a pé, de trem, de carro, de ônibus e até pequenos aeroplanos atravessei a Cordilheira dos Andes e percorri durante seis meses de viagem nove países sul-americanos.

Vi muitas barbaridades em termos de estradas, mas nada se igualava à inacreditável realidade brasileira. Para se ter uma ideia, a Rodovia Transamazônica, obra faraônica projetada pela ditadura militar para integrar o Norte brasileiro com o resto do País, possui mais de 4 mil quilômetros e corta sete estados brasileiros: Paraíba, Ceará, Piauí, Maranhão, Tocantins, Pará e Amazonas. Grande parte não era pavimentada e em épocas chuvosas ficava intransitável. A situação hoje é praticamente a mesma; o desleixo e a incompetência de sucessivos governos selaram o monumento ao desperdício, lá, bem no meio da selva amazônica.

Mesmo assim consegui chegar aos destinos planejados, entre eles Belém do Pará. Naquela fantástica capital, o que mais apreciei foi a culinária, baseada nas culturas indígena, portuguesa e africana. Imagine os ingredientes vindos da exuberante natureza da Amazônia, como camarão, caranguejo, marisco, peixe, aves, caça – pato no tucupi é algo divino -, todos temperados com folhas, pimentas de cheiro e ervas. Delícia, mas já estou fugindo do tema central que são as rodovias.

Pois então, o pesadelo ainda estava por vir. Continuando a viagem, acabei em Porto Velho, capital de Rondônia. Como desejava entrar na Bolívia e subir pelos países sul-americanos até a América Central, peguei um ônibus de Porto Velho a Guajará-Mirim, divisa com a Bolívia. Pouco mais de 300 quilômetros margeando a epopeica estrada de ferro Madeira-Mamoré, mais conhecida como a Ferrovia do Diabo. Milhares de trabalhadores morreram durante a sua construção no início do século passado, a maioria por doenças e alguns atacados por onças e outros bichos da floresta amazônica.

Adentrei no ônibus em Porto Velho e lá fomos, carro lotado, em direção a Guajará-Mirim. Era época das chuvas. Estrada de barro, muita lama, atoleiros, enfim, um fim de mundo para alguém vindo do Sul maravilha. Para seguir em frente diante da situação extrema um caminhão era amarrado ao outro, que se amarravam ao ônibus para, juntos, tentarem atravessar o imenso lodaçal. Carros de passeio, nem pensar. Meu Deus, onde fui me meter! E os mosquitos não davam trégua.

Eram apenas 300 e tantos quilômetros de viagem, mas 14 horas já haviam se passado. Um padeiro que pretendia levar um saco de pães a uma cidadezinha no meio do caminho não teve outro remédio senão distribui-los aos passageiros famintos. Anoiteceu e o pior aconteceu: ficamos irremediavelmente atolados. A única salvação era chamar um trator em uma localidade a cerca de cinco quilômetros. O motorista avisou: não saiam porque no meio dessa selva tem muita onça, cobras e sabe-se lá que animais perigosos.

E eu lá vou ficar parado, no meio da selva, sendo comido por mosquitos, com fome, sede, suando até a sola dos pés!!! Resolvi bancar o herói e avisei: quem tiver coragem, siga-me. E saí do ônibus, acompanhado por dois outros corajosos passageiros. A lama chegava ao joelho. A escuridão era total, tínhamos apenas uma pequena lanterna com as pilhas no limite. O rosnar de onças e o sibilar de cobras, entre outras manifestações animalescas foram ouvidos no caminho.

Medo? Imaginação nossa? No fundo estávamos apavorados, mas fomos adiante, olhos arregalados tentando vislumbrar tudo ao redor. Tenebroso. Em frente!! Temos que seguir senão acabaremos comidos por onças do mato. Já amanhecendo, até que enfim, chegamos à tal localidade e conseguimos o trator. Que alívio, já mal me aguentava em pé com o cansaço que tomava conta do corpo e até da alma. O pesadelo havia terminado. Depois de 33 horas de viagem, chegávamos enfim a Guajará-mirim, sãos e salvos.

As amizades e os terríveis mosquitos de Cochabamba

23/06/2017 18:34

Amigo é como pedra preciosa, algo valioso que não se encontra assim, em qualquer esquina da vida. Esse é exatamente o ponto fundamental para quem se propõe a aventurar-se pelo mundo: fazer amizades. Nas condições em que eu viajava, de mochila, à base de carona e eventuais abrigos, é muito importante praticar ao máximo a cordialidade e a capacidade de aproximação com as pessoas.

E foi com o exercício diuturno desse dom que me dei bem em minha longa caminhada pela América do Sul. Conheci durante as minhas andanças dezenas de pessoas e várias delas acabaram me convidando para ficar em suas casas. Até na monumental residência do cônsul do Brasil em Georgetown, capital da Guiana Inglesa, eu fui convidado a ficar, permanecendo lá como hóspede durante 12 dias. Armei a barraca apenas algumas vezes.

E em outras oportunidades dormi em estações de trem, rodoviárias, em banco de praça…Eu levava na mochila, além da barraca, um saco de dormir, o que facilitava as coisas nas horas em que estava muito fatigado e sem disposição para o extenuante trabalho de armar a barraca.

E conheci gente de dezenas de nacionalidades, que como eu andarilhava pelo mundo em busca de aventura e conhecimento. Um deles me mostrou o passaporte: já havia passado por mais de 100 países e estava há 10 anos na estrada.

Alguns outros que conheci na estrada também deram-me guarida, como o então estudante de arquitetura na Universidad del Chile, na fascinante capital Santiago, o amável César Garcia, e o introvertido argentino Jorge Fernandez, cujo pai insistia para que ficasse morando em sua casa, em Buenos Aires. Até emprego queria me arranjar na sua empreitada para convencer-me a não ir embora.

São pessoas que guardo com carinho na memória e no coração, por raras que são. Somente na Guiana Francesa – onde enfrentei uma tempestade que quase levou a barraca comigo dentro – e na Bolívia, não consegui abrigo em lugar algum.

É notável, entretanto, a cordialidade do sofrido povo boliviano, que só não me deu guarida em suas casas por absoluta incapacidade física nas insalubres palhoças onde moram. A maioria dos 10 milhões de habitantes do país é composta de indígenas, mestiços, asiáticos e africanos, que sobrevivem em extrema pobreza, mas não esmorecem e lutam bravamente pelo pão de cada dia. Rostos marcados pelo sacrifício e pela dor, peles morenas abrasadas pelo sol escaldante que penetra até à alma.

Em Cochabamba, uma das maiores cidades bolivianas, enfiei-me no saco de dormir nas proximidades de uma praça, mas como sempre o inusitado era meu companheiro de viagem. Simplesmente não consegui dormir. Uns malditos e minúsculos mosquitos conseguiam atravessar o saco de dormir e me picavam insistentemente.

Para levar a cabo essa proeza, os terríveis mosquitinhos faziam antes uma articulada manobra aérea, cujos zunidos eram sonora e doloridamente audíveis no interior do saco de dormir, e arremetiam em bando, sem dó nem piedade, penetrando o reforçado material no qual me abrigava. Eles venceram! Não me restou outra alternativa senão, na escuridão da noite alta, seguir minha caminhada de aventura pelas tortuosas mas intrigantes estradas bolivianas.

 

Eis a questão!

22/06/2017 19:45

Quantas pessoas simples são bondosas e quantas esclarecidas são malignas. Quanto conhecimento foi utilizado para maltratar a humanidade e quanta ignorância se mostrou piedosa. Acaso não foi o conhecimento que levou à bomba atômica? Mas é também graças ao conhecimento que foi descoberta a cura para muitas doenças que matariam milhões de pessoas!

Saudade imensa

Saudade do meu querido filho Giácomo, que há quase três anos mora em Londres. Que vontade de abraçá-lo e beijá-lo! Mas a vida é assim mesmo, os filhos crescem, criam asas e voam…

Itajaienses de valor

GUARDO COM ENORME CARINHO A IMAGEM DE MUITOS AMIGOS QUE PARTIRAM DESSE MUNDO PREMATURAMENTE. MAS A VIDA É ASSIM MESMO, DIFICILMENTE ELA É JUSTA NA MEDIDA CERTA. TEMOS QUE APRENDER A CONVIVER COM AS AUSÊNCIAS, NÃO NOS RESTA OUTRA ALTERNATIVA.
(Na foto, os inestimáveis Cizinho e Calinho Niehues, com os quais tive uma enorme semelhança d’alma. Ambos permanecem na mente e coração daqueles que com eles tiveram o privilégio de conviver).

Uma aventura com Pablo Neruda

20/06/2017 21:42

Pablo Neruda. Tenho um exemplar do grande poeta chileno que consegui de um amigo que conheci em Santiago, numa viagem de mochila que fiz, pedindo carona, por vários países sul-americanos. Para sair com este livro do Chile tive que me arriscar. Neruda era um escritor proscrito em seu país e a leitura dos livros dele tinha que ser feita às escondidas. Ser flagrado com um livro dele era prisão na certa.
Corria o ano de 1980, sete anos após a instalação da ditadura sanguinária do general do exército Augusto Pinochet, que depôs e levou ao suicídio o presidente eleito Salvador Allende, socialista e considerado um perigo para a hegemonia imperialista norte-americana no sul do mundo. Os Estados Unidos temiam que o vírus comunista pudesse se alastrar pelo continente. Já bastava Fidel Castro e sua Cuba. O golpe que surpreendeu pela rapidez e violência, se deu em 11 de setembro de 1973. Depois de três horas de luta e bombardeio com aviões da força aérea o Palácio de La Moneda foi tomado pelo exército.
Pinochet governou o Chile com mãos de ferro até 1990. A estimativa é de que cerca de 50 mil opositores ao regime tenham sido mortos ou desaparecido neste período. Os intelectuais e formadores de opinião foram o alvo principal no início do novo governo. Militante comunista, Neruda morreu em 23 de setembro de 1973, 12 dias após a instalação da ditadura de Augusto Pinochet. Ele sofria de câncer de próstata. Havia a desconfiança de que um agente da CIA travestido de médico teria inoculado nele um veneno fatal. Exames recentes desmentem esta versão. A dúvida, entretanto, permanece.
Mas voltando a 1980, quando permaneci por mais de um mês em Santiago, a resistência à ditadura ainda era grande e uma intensa campanha publicitária se desenvolvia nos meios de comunicação para convencer a população de que aquele era o melhor regime, tudo com o apoio ‘velado’ de Richard Nixon e a inteligência norte-americana.
Mas a oposição à ditadura se mantinha, embora fraca em função da avassaladora violência dos militares nos anos que se seguiram ao golpe. Bombas de baixa repercussão explodiam ali e acolá. Uma delas, inclusive, tive a oportunidade de presenciar. Estava próximo de uma livraria e, de repente, aquele barulho ensurdecedor, muita fumaça, pessoas gritando e restos de ferro e cimento voando pelos ares. Felizmente, baixada a poeira, apenas alguns feridos sem gravidade.
E o livro de Pablo Neruda? Como vou conseguir sair do país com ele? Alguns amigos chilenos tentaram me dissuadir da ideia. Mas não tinha como, resisti e fui até o fim. Coloquei-o nas costas, dentro das calças, botei a mochila e segui para a fronteira.

O livro parecia queimar, mas fui em frente, encarei um oficial militar que fazia uma espécie de averiguação de quem entrava e saía do país. Fui obrigado a tirar a mochila, ele me apalpou e, não sei se tive sorte, mas quando ele me dispensou ainda tive a coragem de me voltar, muito temeroso, olhar para o rosto dele e perceber um indelével e malicioso sorriso em seus lábios.