Descubra-me

25/04/2017 00:43


Para enxergar quem sou é preciso que você me veja com os seus olhos. Não com os olhos dos outros! (EG)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Em busca do sublime

23/04/2017 12:10

A mais sublime utopia que todo escritor deve perseguir é dar vida às palavras! (EG)

Um grito na escuridão

21/04/2017 10:58

Temos alguns amigos que nos são caros e que, por sua vez, nos querem bem. Há um único, porém, dois no máximo, com cuja alma sinto-me vibrar em uníssono. Descubro em suas palavras idêntico propósito de buscar o que é profundo e estremecer diante do mistério. Os demais, à semelhança da grande massa, contentam-se com uma existência calma e superficial.

Minha estupefação só faz crescer ao espetáculo da vida tranquila e despida de inquietação que leva a maioria das pessoas, sem desassossegar-se de nada, um sorriso satisfeito nos rostos bem nutridos, sem um pensamento para os abismos que os cercam.

Quando em presença de um indivíduo dessa espécie, sinto-me, ora inteiramente estúpido, ora profundamente infeliz; não consigo compreendê-lo (se é que há o que compreender em semelhante ser), e ele, por seu lado, está longe de me compreender.

Os termos que usamos não têm o mesmo significado para um e outro; ele enxerga tudo de maneira comum, as coisas se lhe afiguram simples e despidas de mistério. Eu, pelo contrário, coloco-me frente à existência em posição de constante surpresa, questiono as profundezas, procuro alçar o espírito para os mais altos cumes.

O pensamento de um indivíduo dessa categoria espoja-se na lama, e quem quer que não o acompanhe surge a seus olhos como um exaltado, um louco, e é por ele desprezado e odiado. Quanto a mim, amo precisamente tudo que esse açougueiro teima em achar exagerado ou fora da ordem! (O político, o artista, o militar, o padre, o chofer, o ator, o poeta podem ser açougueiros pelo espírito, e o são, desgraçadamente, quase todos!)

Tudo o que não se ordena materialmente, e não entra pelas bem guardadas gavetas de suas lojas, é considerado inadmissível e desperta neles a zombaria. Quantas vezes tenho ouvido comentar, inclusive por supostos intelectuais, que aqueles que não souberam se dar bem na vida, são uns fracassados, independente da genialidade e da grandiosa alma que possuam. Exclamam, despeitados: por que se mostraram tão originais? Por que não pensar e agir como nós e todo mundo?

Viver é uma ocupação das mais ordinárias. Meu Deus, como odeio a mentalidade dessas criaturas! O amor, a beleza, tudo que a humanidade possui de superior, de sublime, é desprezado por eles e tachado de exagero.

Que animalesco! Como posso avaliar o que sofrem todos os que possuem a sensibilidade impregnada em suas almas no convívio com tanta boçalidade, tanta baixeza de ideias e sentimentos!

Sonhe +

20/04/2017 08:52

Os sonhos é que te levam. (EG)

De futebol, sorvete e circo

18/04/2017 14:09

Sou barrosista desde criancinha. Adorava ir aos estádios, ou do Barroso, ou do Marcílio Dias. Especialmente nos domingos de clássico, quando as duas equipes atraíam uma multidão de torcedores. Era uma verdadeira guerra, no bom sentido.

Naqueles tempos não existia toda a violência que presenciamos hoje. E os jogadores não ganhavam fortunas, jogavam mais por amor à camisa. Lembro, no Barroso da década de 60, do Edir Alves, do Mima, do Hélio. E no Marcílio Dias do Edésio, do Sombra, Maneca e Antoninho.

Eu e um amigo não perdíamos um clássico. Aliomar não era muito benquisto na vizinhança pelas traquinagens que fazia. Era mais conhecido por Capetinha. Como podem ver, juntei-me a ele. O espírito de aventura já me perseguia desde a mais tenra idade.

Morávamos na rua Brusque, imediações da então famosa Sorveteria Seára. A fórmula dos deliciosos sorvetes é guardada até hoje a sete chaves. Os bisnetos dos fundadores ainda continuam a fabricá-los e, vez em quando, vou matar a saudade daqueles sabores inconfundíveis na sorveteria que eles mantêm na rua Alberto Werner, perto da Prefeitura Municipal.

Antes de ir aos jogos, eu e Aliomar entrávamos sorrateiramente na sorveteria, onde, na parte dos fundos, a proprietária do prestigiado estabelecimento, dona Erica, passava horas descascando coco para a preparação do sorvete preferido da maioria. Um descuido dela enchíamos as mãos de pedaços de coco e, felizes, partíamos céleres em direção ao estádio.

Que delícia assistir o jogo comendo aquele coco fresquinho, recém descascado! Aquele burburinho, gritos e palavrões dos torcedores e nós ali, olhos arregalados, apreciando tudo. Assistíamos extasiados o embate no campo e nas arquibancadas. Tudo fervilhava! Tudo se transformava na mais pura emoção! Muito bom!

E era na frente do Seára que ficávamos, carinhas tristes, quando chegava a Itajaí algum circo ou um parque de diversões, que montavam sua estrutura no terreno do Zizo, perto do Hotel Vitória. Os frequentadores da sorveteria, conhecidos que éramos, já adivinhavam que estávamos buscando doações espontâneas para ver os leões, palhaços e trapezistas. Ou recursos para custear as brincadeiras na roda-gigante, chapéu mexicano ou tiro ao alvo.

Ainda me vem à memória a primeira vez que vi um desfile circense, com seus apavorantes leões, tigres e ursos trancafiados em jaulas inexpugnáveis transitando pela rua Brusque.

Hipnotizados, eu e Aliomar fomos seguindo a caravana, pulando e dançando atrás das jaulas. Parecíamos sim dois macaquinhos que pertenciam ao fabuloso mundo do circo. Quando dei por mim, vi que tínhamos exorbitado o nosso espaço habitual. Estávamos seguindo por caminhos desconhecidos. Ou seja: estávamos perdidos e assustados!

Situação horrível, perdidos e ainda ali, no meio de tigres e leões!! As lágrimas começaram, devagarzinho, a rolar. Só fomos reconhecer o nosso habitat quando a caravana, depois de desfilar por diversas ruas, chegou ao seu destino final: o terreno do Zizo. Que alívio!

Aprendemos a lição e, daí em diante, não mais seguimos caravanas de circo. Esperávamos a lona ser montada e, dependendo da arrecadação na frente da Sorveteria Seára, íamos a todas as sessões possíveis.

Clube Náutico Almirante Barroso, Marcílio Dias, circo e parque de diversões. E tinha ainda o pião, a funda, a bolinha de gude, a pandorga e o bilboquê. Tempos que não voltam mais e nostalgicamente nos invadem quando alguma inadvertida fagulha atiça a memória!

 

Verdade e mentira

17/04/2017 08:48

Os que se acham os donos da verdade são justamente aqueles que fazem de sua vida uma grande mentira! (EG)

Bons tempos!

AMIGOS DA IMPRENSA QUE FIZERAM PARTE DA MINHA TRAJETÓRIA PROFISSIONAL! ATRÁS, DE BARBA, O SAUDOSO JORNALISTA RENATO MANNES DE FREITAS, ARTÍFICE DE UMA GERAÇÃO DE OURO NA IMPRENSA ESCRITA DE ITAJAI A PARTIR DO FINAL DOS ANOS 70. AO MEU LADO O REPÓRTER ESPORTIVO ELÁDIO CARDOSO E O SAUDOSO COLUNISTA HERNANI FABENI. À ESQUERDA, O IMPAGÁVEL JOSÉ PEREIRA, ENTÃO GERENTE DO JORNAL ‘O ESTADO’, À ÉPOCA O MAIOR VEÍCULO DE COMUNICAÇÃO IMPRESSA DA SANTA & BELA CATARINA. SAUDADES!!!

Jornalismo

15/04/2017 09:11

O Brasil é um dos países mais perigosos para jornalistas. Todo cuidado é pouco quando desenvolvemos com autonomia, destemor e competência a nobre profissão que abraçamos. Mas é justamente ao contrariarmos interesses escusos e poderosos na defesa dos excluídos e oprimidos é quando exercemos na plenitude o verdadeiro jornalismo! (EG)

A mesmice aniquila

14/04/2017 09:56

Precisamos nos reinventar de vez em quando, sacudir a poeira acumulada e arejar mente e alma, cansadas da mesmice que só faz aniquilar! (EG)

As Marias do Cais à procura de humanidade

12/04/2017 13:23

Dia desses assisti a uma cena contristadora. Uma velha, envolta em sórdidos andrajos, tremendo no vento gelado e cortante, caminhava, o passo trêmulo, ao longo do cais do porto pesqueiro. Substituindo a saia, um trapo imundo e manchado de lama recobria-lhe o corpo ossudo e seminu; os pés eram envoltos em trapos amarrados por barbantes; no rosto sujo e enrugado, por cima do olho direito, havia sangue coagulado.

A cena me trouxe à lembrança uma personagem que passeia no imaginário daqueles que viveram Itajaí nos anos 1960: Maria do Cais. Esta, no entanto, era uma mulher forte, valente, desbocada, prostituta e com um coração enorme. Nascida em Timbó (SC), Olga da Silva Leutério, verdadeiro nome de Maria do Cais, era de origem pobre e foi adotada, ainda criança, por uma família de alemães. Ela sentiu na pele a violência; aos sete anos foi estuprada. Um pouco mais tarde, quando voltou a morar com a mãe, sofreu o assédio do padrasto e fugiu de casa.

Alguns anos depois, não se sabe ao certo, Maria veio para Itajaí e se instalou na região do cais. Entre pescadores e estivadores, não havia quem não conhecesse aquela mulher de estatura avantajada. Mas a valente e desbocada figura do cais também era conhecida pela sua solidariedade com aqueles que não tinham nada. Maria ia até os barcos e pedia aos mestres peixe. Se eles não davam, ela rogava uma praga, dizia que iam morrer no mar!

Assim, Maria levava a vida, enfrentando polícia, delegado, pescador, tudo para se proteger e proteger aqueles que viviam com ela, e que de certa forma eram a sua família. Inesquecível personagem que apesar das agruras impostas pela sofrida existência nunca perdeu a humanidade que lhe acalentava a alma!

Mas, voltando à história da velhinha desamparada que perambulava no cais, o cenário era deprimente. Os dentes entrechocavam-se, enquanto o frio lhe sacudia o pobre corpo gasto. Era um espetáculo horrível, desesperador. Tendo-lhe perguntado para onde ia, resmungou alguns sons ininteligíveis. Mal podendo mover os pés doloridos, subiu o degrau da calçada arrastando-se sobre as mãos.

De vez em quando, o trapo que lhe cobria as cadeiras e as pernas escorregava, descobrindo-lhe a nudez miserável. Com uma das mãos sustentava então o andrajo, enquanto a outra sustinha uma bolsa plástica cheia de restos sórdidos de pão. A expressão do olhar era desvairada e idiota. E ninguém se aproximava para socorrê-la, para sustentar-lhe os passos trêmulos, ninguém ousava dirigir-lhe a palavra de piedade e de amor.

De tempos em tempos, a infeliz voltava-se, como um cão pestilento, para fixar os transeuntes, que acorriam em grande número para presenciar a passagem de um enorme navio deslizando no Itajaí-Açú em direção ao berço onde iria atracar. Encaravam-na com fria curiosidade; alguns meneavam a cabeça, mas ninguém lhe estendia a mão. Preferiam se concentrar no espetáculo visual proporcionado pelo colosso a navegar imponente. O belo se impunha aos olhos insensíveis daquelas almas desertas de humanidade.

Acompanhei-a , durante algum tempo, sem saber o que fazer. Meu coração sangrava. Pensava em São Francisco, que voltava sobre seus passos para abraçar, entre soluços, o leproso. Que força é capaz de prender à vida um ser tão lamentável?

Quando a deixei, tive vergonha, e senti-me profundamente triste. Vieram-me à lembrança estas palavras, lidas ou ouvidas não sei onde: em cada pobre, em cada criatura que sofre, deveis enxergar Jesus, vosso irmão! Quis voltar atrás, mas era tarde. A velhinha desaparecera.