Sábio Mujica

23/06/2020 16:48

POBRES NÃO SÃO OS QUE TÊM POUCO, E SIM OS QUE QUEREM MUITO

Em recente viagem ao Uruguai com os amigos Mauro César dos Santos (advogado) e Desidério Freiberger (juiz aposentado) conseguimos espaço na agenda do ex-presidente Pepe Mujica, um filósofo, uma lenda. Aproveitei e fiz uma entrevista com ele de meia hora. “Dizem que não se deve dar o peixe, mas ensinar o povo a pescar. Mas quando destroçamos seu barco, roubamos sua vara e tiramos seus anzóis, é preciso começar dando-lhes o peixe”. Sábio Mujica!

DIA DO PROFESSOR

14/10/2019 16:00

Lembrando meu saudoso pai, mestre que foi de inúmeros itajaienses, parabenizo a todos os professores na passagem do seu dia, neste 15 de outubro. Que um dia o sagrado ofício de educar/ensinar seja devidamente reconhecido. E que a Educação seja colocada na posição de destaque que merece, sendo reconhecida como a melhor arma para o desenvolvimento de uma nação que seja melhor para todos. Afinal, professor é a profissão das profissões, é aquele que forma todos os profissionais, de todas as áreas do conhecimento.

A TECNOLOGIA NÃO TEM ALMA

Sempre que lembro do meu pai, o vejo deitado na cama, lendo um livro. Em casa, era assim que gostava de ler. Um leitor compulsivo e apaixonado. Não se tratava de hábito, muito menos obrigação. Era o seu maior prazer!

Dar a ele um livro de presente era uma tarefa dificílima. Um dia teimei, entrei num sebo, separei uma dezena de bons livros e liguei para ele. – Pois então seo Pedro Ghislandi, vou lhe passando os títulos e os autores e o senhor escolha aqueles que desejar. Inútil tarefa. A todos ele já tinha lido. Alguns, inclusive, mais de uma vez.

– Os livros mais cativantes, deve-se ler duas, três vezes. E garanto que a cada leitura farás novas descobertas, dizia do alto de sua vasta sabedoria. Conhecia a história da humanidade desde seus primórdios, discorria sobre qualquer assunto, filósofos citava às dezenas, escritores alemães, russos, franceses, tchecos, italianos, portugueses, ingleses, irlandeses, enfim. Um erudito na mais completa acepção da palavra.

Assíduo frequentador da Biblioteca Pública Norberto Cândido Silveira Júnior, era comum vê-lo lá, de cócoras em algum corredor, folheando livros e mais livros. Esta posição corporal inusitada, de cócoras, naturalmente chamava a atenção de todos, inclusive dos funcionários da biblioteca, tornando-o até certo ponto uma figura folclórica, além de querido pelos que tiveram a oportunidade de ali conhecê-lo. Ficar de cócoras jogando conversa fora é, na verdade, um costume dos colonos de origem italiana. Na boca, além dos causos, um cigarrinho de palha também não podia faltar.

Em certa ocasião, quis lhe dar um notebook. Assim, poderia ter milhares de livros virtuais à disposição. Claro que eu sabia que seria em vão. – Você acha meu filho, que eu poderia me adaptar a isto? Logo eu, que nem de bicicleta aprendi a andar!! E era assim, caminhando pelas ruas de Itajaí é que ele arejava os pensamentos. Mas o notebook foi apenas para sentir a sua reação, sabia que jamais ele trocaria o papel pela plataforma virtual.

– A tecnologia não tem alma!, disse enfático para encerrar o assunto. E eu concordo com ele. Nada como o saboroso ritual de ter o livro nas mãos, folheá-lo, admirar a capa, a contracapa, analisar a apresentação do tema, o projeto gráfico. É uma magia que não pretendo descartar. É o mesmo que você assistir a um filme na TV e no cinema. A emoção é outra! Mas há espaço para todos os suportes, sem que precisemos necessariamente abrir mão de um ou de outro. O mesmo vale para os jornais. O papel e a informação virtual podem conviver pacificamente, e assim penso que será ainda por um bom tempo.

Infelizmente o professor Pedro partiu para sempre em outubro de 2013, mas deixou um grande exemplo a ser seguido pelos filhos e por seus inúmeros alunos, a paixão pela leitura e o amor incondicional à língua portuguesa. Ele não merece cair na vala comum do esquecimento!

INESQUECÍVEL MESTRE – Faz seis anos que vi meu pai pela última vez. Enquanto viveu, foi um farol a iluminar minh’alma e um estímulo para enfrentar os íngremes caminhos que tive que trilhar nesta tortuosa caminhada chamada vida. É a ele a quem recorria nos momentos mais difíceis, naquelas horas mais angustiantes, em que tudo parecia ruir à minha volta.

Era dos seus sábios conselhos e do vasto conhecimento que ele havia acumulado ao longo de décadas de leitura e de vivência que eu me nutria, como náufrago agarrado a uma boia salvadora em mar revolto. Sinto falta mais ainda da sua presença calma e apaziguante, dos momentos em que, deitado no tapete da sala, ouvindo ópera ou música erudita, via-lhe lágrimas a escorrer pelo rosto – tal era a sensibilidade ímpar -, de vê-lo deitado na cama em seu ritual diário de leitura, da paz e do saber que transmitia em suas palavras. Sim, as palavras, sempre bem colocadas e gramaticalmente impecáveis eram a sua paixão maior. Não deixou uma só frase escrita!

A sua vocação era a palavra falada, professor que foi de diversas gerações de itajaienses, especialmente no Colégio Salesiano, onde fez-se um dos fundadores, na época do padre Pedro Baron. Prefeitos, deputados, governadores e uma vasta gama de profissionais das mais diversas áreas do conhecimento passaram pelos ensinamentos do professor Pedro Ghislandi. Latim, francês, história, geografia, entre outras disciplinas, ministrou durante a sua longa trajetória docente.

Mas era à língua portuguesa que dedicava a sua mais fervorosa devoção. Lembro-me, desde a mais tenra idade, da sua intolerância a qualquer erro gramatical que eu ou qualquer dos seus quatro filhos ousasse cometer. Com a severidade própria que normalmente impunha em seu semblante, corrigia-nos sempre que pronunciávamos algo que se contrapunha às regras do bom português.

E assim aprendíamos, no dia a dia da convivência, qual o pronome adequado, qual a flexão correta do verbo, a concordância, a ortografia, enfim, como falar e escrever sem praticar nenhum sacrilégio à sua amada língua pátria. Este comportamento ele manteve até o final dos seus dias, e agradeço à sua persistência pois, não fosse assim, por certo não seria eu o que sou hoje.

Acabei seguindo seu exemplo e me apaixonando também pela palavra. Mas, ao contrário dele, dediquei-me à palavra escrita, formando-me jornalista e, agora, esboçando os primeiros passos como aprendiz de escritor. Acostumado ao exercício da reportagem, foram raras as ocasiões em que me desviei ou atrevi-me a escrever artigos ou crônicas.

E foi justamente depois do falecimento de meu pai que passei a exprimir-me não mais com a apuração dos fatos que resultam no texto jornalístico, mas na forma de escrituras que assumem a revelação de sentimentos e recordações que me assomam a memória e a alma. É como se tivesse hibernado por 20 anos e, de repente, acordado para um novo e iluminado mundo!

Penso que meu pai, no íntimo mais profundo, desejava que eu fosse dotado de alguma grandeza, notável de alguma forma, culto na mais perfeita acepção da palavra, que tivesse lido toda a enciclopédia literária já escrita pelo gênero humano.

Gostaria de tê-lo orgulhado ainda enquanto vivo meu pai. Mas tentarei ser, pelo menos em uma ínfima parte, aquilo que sonhavas para mim! E se conseguir ser alguém de alguma grandeza, certamente deverei esta dádiva a você professor Pedro Ghislandi, de quem muito me orgulho de ter como pai e privilegiado confidente. Descanse em paz!

Com Pepe Mujica

01/08/2019 17:18

Com o ex-presidente Pepe Mujica, na sua casa, em Montevidéu. Gravei uma entrevista em vídeo de 30 minutos, que preciso editar e legendar. Mujica se insere num universo que extrapola as concepções políticas de esquerda, centro ou direita. Está mais para um filósofo, um humanista, um homem que está preocupado com os rumos da humanidade e a solução de suas mazelas. Quando presidente do Uruguai, abdicou do palácio presidencial, destinando-o a famílias sem teto. Ficou morando em sua humilde casa de 70 metros quadrados.Também abriu mão do veículo oficial da presidência, preferindo continuar utilizando seu fusquinha 82. Acompanharam-me na visita ao líder respeitado internacionalmente o advogado Mauro César dos Santos e o juiz aposentado Desidério Freyberger.

Impunidade Judicial

07/06/2019 17:03

O ESTÍMULO À MÁ FÉ

Fica difícil entender a interpretação dada por certos juízes a determinadas ações impetradas pelo cidadão para resguardar seus direitos. No meu caso, duas empresas descontavam sem minha autorização 20 reais mensais em minha aposentadoria do INSS a título de seguro de vida.

Percebi o desconto indevido após alguns meses e, sob orientação do advogado, entrei com ação para que me fossem ressarcidos os valores cobrados indevidamente e que as empresas fossem punidas com danos morais.

Mas, para minha surpresa, a decisão judicial puniu as empresas apenas com o ressarcimento dos valores cobrados, descartando o dano moral. Ou seja, com esse tipo de entendimento do magistrado, está-se estimulando que a má fé continue a ser praticada pelas empresas, lesando certamente milhares e milhares de aposentados por esse Brasil afora.

Se a única punição que as empresas recebem é ter que devolver o dinheiro descontado sem autorização, elas ficam livres para continuar essa prática lesiva e perversa, faturando milhões às custas dos cidadãos, que têm suas contas invadidas sem o menor pudor.

E onde fica o respeito ao cidadão de bem, à economia popular? Se não há punição razoável, com o pagamento de danos morais aos aposentados e outras pessoas prejudicadas com a desonestidade que rende ao final milhões de reais, essas empresas ficam livres para continuar a praticar o ilícito. Isso é justiça?

Uma Aventura com Pablo Neruda

03/06/2019 16:57

UMA AVENTURA COM PABLO NERUDA

Pablo Neruda. Tenho um exemplar do grande poeta chileno que consegui de um amigo que conheci em Santiago, numa viagem de mochila que fiz, pedindo carona, por vários países sul-americanos. Para sair com este livro do Chile tive que me arriscar. Neruda era um escritor proscrito em seu país e a leitura dos livros dele tinha que ser feita às escondidas. Ser flagrado com um livro dele era prisão na certa.

Corria o ano de 1980, sete anos após a instalação da ditadura sanguinária do general do exército Augusto Pinochet, que depôs e levou ao suicídio o presidente eleito Salvador Allende, socialista e considerado um perigo para a hegemonia imperialista norte-americana no sul do mundo.

Os Estados Unidos temiam que o vírus comunista pudesse se alastrar pelo continente. Já bastava Fidel Castro e sua Cuba. O golpe que surpreendeu pela rapidez e violência, se deu em 11 de setembro de 1973. Depois de três horas de luta e bombardeio com aviões da força aérea o Palácio de La Moneda foi tomado pelo exército.

Pinochet governou o Chile com mãos de ferro até 1990. A estimativa é de que cerca de 50 mil opositores ao regime tenham sido mortos ou desaparecido neste período. Os intelectuais e formadores de opinião foram o alvo principal no início do novo governo. Militante comunista, Neruda morreu em 23 de setembro de 1973, 12 dias após a instalação da ditadura de Augusto Pinochet. Ele sofria de câncer de próstata. Havia a desconfiança de que um agente da CIA travestido de médico teria inoculado nele um veneno fatal. Exames recentes desmentem esta versão. A dúvida, entretanto, permanece.

Mas voltando a 1980, quando permaneci por mais de um mês em Santiago, a resistência à ditadura ainda era grande e uma intensa campanha publicitária se desenvolvia nos meios de comunicação para convencer a população de que aquele era o melhor regime, tudo com o apoio ‘velado’ de Richard Nixon e a inteligência norte-americana.

Mas a oposição à ditadura se mantinha, embora fraca em função da avassaladora violência dos militares nos anos que se seguiram ao golpe. Bombas de baixa repercussão explodiam ali e acolá. Uma delas, inclusive, tive a oportunidade de presenciar. Estava próximo de uma livraria e, de repente, aquele barulho ensurdecedor, muita fumaça, pessoas gritando e restos de ferro e cimento voando pelos ares. Felizmente, baixada a poeira, apenas alguns feridos sem gravidade.

E o livro de Pablo Neruda? Como vou conseguir sair do país com ele? Alguns amigos chilenos tentaram me dissuadir da ideia. Mas não tinha como, resisti e fui até o fim. Coloquei-o nas costas, dentro das calças, botei a mochila e segui para a fronteira. O livro parecia queimar, mas fui em frente, encarei um oficial militar que fazia uma espécie de averiguação de quem entrava e saía do país.

Fui obrigado a tirar a mochila, ele me apalpou e, não sei se tive sorte, mas quando ele me dispensou ainda tive a coragem de me voltar, muito temeroso, olhar para o rosto dele e perceber um indelével e malicioso sorriso em seus lábios.

O genocídio indígena no Brasil

03/05/2019 20:08

Manaus,1981. Na aventura que fiz por nove países da América do Sul, de mochila nas costas e pedindo carona, a capital amazônica – tida como a “Paris dos Trópicos” – foi um dos pontos marcantes da viagem.

Ao lá chegar, sentei-me no banco de uma praça onde, de um lado, via-se uma belíssima igreja, do outro, descortinava-se majestoso o Teatro Amazonas, de características barrocas, construído com a dinheirama vertida pelo pujante Ciclo da Borracha, gerando no final do século 19 uma casta de milionários que investiu na obra o que havia de melhor na arquitetura dos países de Primeiro Mundo.

A execução do projeto contemplou a riqueza dos detalhes e quase todo o material foi trazido da Europa, principalmente da França, país que representava o bom gosto e servia de exemplo para as classes sociais mais abastadas, que de lá traziam roupas, obras de arte, tapeçaria, perfumes e até no comportamento social os brasileiros buscavam espelhar-se nos franceses. Em suma, a França representava o crème de la crème da sofisticação.

E eu, andarilho faminto, sentado no banco da praça, ou Largo de São Sebastião, no centro de Manaus. Era sábado e homens e mulheres em trajes elegantes começaram a sair da igreja, onde naquele momento terminava uma cerimônia de casamento, dirigindo-se todos para um vistoso salão de festas logo ao lado. Não me fiz de rogado e meti-me no meio dos convidados para também usufruir do ágape que seria servido.

Passados alguns minutos, a minha presença começou a ser notada. E não era para menos. Afinal, no meio de tanta gente finamente trajada, estava eu, de camiseta, bermuda, chinelos e ainda com uma mochila nas costas. Pronto – pensei comigo – vou ser escorraçado justamente agora, quando os garçons passam com bandejas e mais bandejas de deliciosos manjares, aguçando ainda mais o meu apetite.

Não demorou muito e o noivo veio até mim, inquirindo-me sobre o que eu estava fazendo ali. Fui sincero, disse que estava viajando a América de carona, com parcos recursos no bolso e vi na festa a oportunidade de matar a fome. Esse noivo certamente terá um lugar especial reservado no céu! Sensibilizado com a história que contei, arranjou-me de pronto uma mesa e, depois de fartar-me, segui meu caminho, saciado de corpo e alma. Bom que ainda existe gente solidária neste mundo.

Armei minha barraca ali mesmo, na praça. Por sorte não fui incomodado e dormi sossegado o ingênuo sono dos anjos. No dia seguinte resolvi ir para uma área na periferia de Manaus e adentrei em uma densa mata. Foi quando, depois de algum tempo de caminhada, me deparei com uma autêntica aldeia indígena.

Um pouco assustado, pensei em dar meia volta quando um grupo de índios veio ao meu encontro. Para minha surpresa, que já pensava que seria amarrado em uma árvore e ritualisticamente devorado no almoço, eles se mostraram receptivos e me convidaram para conhecer a aldeia.

E olha, chegamos até a jogar uma desentrosada pelada num pequeno campo de futebol contíguo às choças amontoadas próximas à beira de um caudaloso rio. Quem iria imaginar tal coisa. Terminada a partida, acabei sentando-me à mesa enquanto alguns nativos preparavam em uma tosca churrasqueira um enorme pirarucu. Que delícia! Parece que ainda me vem à boca o saboroso paladar daquele peixe símbolo da Amazônia.

Ali passamos a tarde em uma longa e profícua conversa. Contaram da sua história recente, sobre a furiosa e cruel caça aos índios na maior floresta do planeta, que de gigantesco espaço tropical aberto à lenda e à aventura, converteu-se, simultaneamente, no cenário de um novo sonho americano.

Em ritmo de conquista, homens e empresas dos Estados Unidos avançaram sobre a Amazônia, numa invasão que incendiou a cobiça dos aventureiros brasileiros. Muitos índios morreram sem deixar rastro e as suas terras foram vendidas em dólares aos norte-americanos e outros interessados no ouro, na madeira e na borracha, riquezas cujo valor os nativos ignoravam.

Com olhos marejados, relataram que os índios chegaram a ser metralhados de helicópteros e pequenas aeronaves, que lhes foi inoculado o vírus da varíola, que foi lançada dinamite sobre suas aldeias e que receberam de presente açúcar misturado com estricnina e sal com arsênico. Nas escassas investigações que se procederam quando estourou o escândalo, em 1968, o próprio diretor do Serviço de Proteção aos Índios, na ditadura de Castelo Branco, foi acusado, com provas, de cometer mais de 40 diferentes tipos de crimes contra os índios. Ficou por isto mesmo e ele acabou impune.

Das 230 tribos existentes no Brasil nas primeiras décadas do século 20, pelo menos a metade desapareceu, exterminada pela violência das armas e pelas doenças trazidas pelo contato com o homem branco. Os textos de todas as Constituições brasileiras são unânimes quando frisam que “os índios são os primitivos e naturais senhores das terras que ocupam”. Porém, quanto mais ricas são essas terras, mais grave se torna a ameaça que pende sobre suas vidas: a generosidade da natureza os condena à espoliação e ao crime.

O seringueiro Chico Mendes, que lutava contra a devastação da Amazônia e a exploração dos índios, morreu covardemente assassinado e se tornou um símbolo e exemplo de combate à cobiça que vem destruindo aos poucos o maior patrimônio natural da humanidade.

O Poder da Palavra

30/04/2019 15:37

As palavras quando encontram o seu ponto de exata expressão funcionam como a mais poderosa das armas! (EG)

Acima do bem e do mal

26/04/2019 16:23

 

O enredo por trás do inquérito aberto por Dias Tóffoli para tentar blindar a cúpula do Judiciário de qualquer tipo de crítica.

O inquérito é a parte mais visível de uma estratégia engendrada por Dias Tóffoli para fortalecer a cúpula do Judiciário frente a um alinhamento de situações que alguns dos togados veem como uma ameaça;a a si próprios: o avanço da Lava Jato sobre a relação de empreiteiras e grandes bancas de advocacia com magistrados de diferentes instâncias, a articulação de um grupo de senadores para instalar a chamada CPI da Lava Toga e o suposto desequilíbrio entre os Três Poderes trazido pela eleição de Jair Bolsonaro para a Presidência da República.

Resumo da ópera: ninguém está acima do bem ou do mal. Como seres humanos podemos tanto acertar como errar. Mas nós, simples mortais, devemos pagar pelos maus feitos, enquanto que outros, que se consideram deuses intocáveis, tripudiam da justiça que eles próprios representam.

Bateu a saudade

19/04/2019 16:24

(Ao saudoso e fenomenal Carlinhos Niehues, que tão cedo nos deixou)

A música é a melhor coisa inventada pela espécie humana. É um bálsamo para a alma. O mundo sem a magia da música seria bem menos interessante e a vida muito mais inóspita! (Émerson Ghislandi)

Não é piso, é subsolo

17/04/2019 19:37

 

A atividade intelectual neste país decididamente não é e nunca foi valorizada. O piso salarial de professores e jornalistas, por exemplo, não é piso, é subsolo. É preciso urgentemente modificar este quadro caótico no sentido de que se conceda uma existência digna a estes profissionais, imprescindíveis para a cidadania e desenvolvimento do pais. Professor é a profissão das profissões. Todos que se formaram em qualquer curso de qualquer faculdade, precisaram passar pelos conhecimentos transmitidos pelos professores. E ao jornalista cabe o papel não só de manter a sociedade informada, mas também o de fiscalizar os atos dos poderes constituídos da nação, denunciando desvios de conduta ou qualquer ato que atente contra a idoneidade necessária no gerenciamento do bem público. Sem educação e informação de qualidade nunca chegaremos a ser cidadãos em sua plenitude. E nunca teremos o país que merecemos.