La Gitana comemora 50 anos conquistando gerações

20/06/2017 06:00

Uma das mais emblemáticas lojas de Itajaí comemora este ano seu 50° aniversário de fundação. Localizada à rua Olímpio Miranda Júnior nº 242, no centro da cidade, La Gitana evoluiu da garagem da casa de dona Ney Viana Zaguini para o ponto onde se mantém desde 1977.

O lema do comércio – Conquistando gerações – se ajusta perfeitamente porque não há quem não conheça La Gitana. Ruslane Zaguini Rothbart, a Lane, conta que sua mãe se casou com Valério Marcílio Zaguini e o casal morou com os pais dele durante 10 anos. O sogro de dona Ney, Victor Zaguini, era juiz de paz e alfaiate, com loja na rua Hercílio Luz ao lado do antigo Cine Itajaí, e a sogra, dona Hilda, bordava enxovais. No ambiente de tecidos, agulhas e linhas, a jovem exercitou suas habilidades de artesã. Quando ela, o marido e filhos mudaram-se para uma casa na rua Olímpio Miranda Júnior, descortinou-se a oportunidade para abrir a própria lojinha para vender lãs e linhas na garagem adaptada.

Lane relembra que os pais trabalhavam como corretores de seguro, o que garantia a sobrevivência deles e dos oito filhos que tiveram. Dona Ney dava conta de tudo e ainda usava o balcão da loja para repassar o conhecimento que tinha de crochê e tricô. A data oficial do início das atividades da La Gitana é 24 de maio de 1967.

Quando o edifício Francisco Eduardo ficou pronto, mais uma vez o tino empreendedor de dona Ney funcionou. O marido conseguiu a sala comercial vizinha à garagem onde a loja dava os primeiros passos e a partir de então o antigo espaço transformou-se em depósito. Atualmente é também sala de aula para quem quer aprender bordado, patchwork e quilting e com as  professoras Terezinha e Jô Petry.

Com o aumento físico, veio também a diversificação de produtos. Dona Ney apreciava muito os tecidos importados. Ela criou uma vitrine externa e outra interna, na lateral oposta ao balcão, para mostrar a infinidade de miudezas e criações de artesãs terceirizadas. Uma delas é a bordadeira dona Rosa, de 78 anos. As peças à venda, na maioria babadores e camisas de bebês, são preciosidades como poucas pessoas são capazes de executar hoje em dia.

Origem do nome da loja

Sharon Zaguini Rothbarth, que toca a loja com a mãe Lane e o pai, Márcio da Silva Rothbarth, mostra uma espécie de altar na vitrine interna da loja. Ali estão duas bonecas vestidas uma com roupa de espanhola e a outra de cigana – gitana, em castelhano. Daí o nome do comércio dado por dona Ney, que gostava de nomes exóticos. O figurino das bonecas foi criado por um estilista em São Paulo. No meio das duas esguias figuras está uma imagem da santa Sara Kali, padroeira dos ciganos e das grávidas.

Dona Ney faleceu em 2003. Desde então, a família Zaguini Rotharth dá continuidade ao projeto bem-sucedido da matriarca. Recentemente, o Sebrae ofereceu uma consultoria para implantar mudanças no visual da loja, que ganhou mais cor e visibilidade. Lane comenta que ela e agora a filha costumam frequentar feiras e lojas em São Paulo para abastecer os estoques e caçar novidades no insaciável mercado do artesanato.

“Mesmo que o carro-chefe sejam os tecidos, nós estamos com muitas lãs para nossos clientes produzirem cachecóis e outras peças para o inverno”, aponta Lane, indicando as prateleiras e as cestas sobre o balcão com uma imensa variedade de marcas, texturas e colorido. As fantasias, que costumavam decorar os espaços, atualmente, segundo a proprietária, reduzem-se a festas como Halloween, Natal, Páscoa e Carnaval. É a necessidade da clientela que dita a oferta, sintetiza ela.

Ao comemorar os 50 anos da La Gitana, não são apenas Lane, Márcio e Sharon, e até mesmo o jovem Thenyson, que estão orgulhosos do sucesso da empresa familiar. Os moradores e visitantes de Itajaí se juntam nesse sentimento e repassam à nova geração a confiança que foi conquistada durante cinco décadas de muito trabalho e dedicação.

Testoni e Zaguini: duas perdas para Itajaí

18/06/2017 18:45

O fim de semana em que ainda se comemora o aniversário de Itajaí foi marcado pela despedida a duas pessoas muito marcantes para a cidade: Tibério Testoni e Hélio Zaguini. Ambos morreram na madrugada do sábado, 17 de junho. Testoni estava internado em Curitiba/PR, enquanto o médico se tratava no hospital Marienta Bornhausen, em Itajaí.

Hélio Zaguini

O oftalmologista Hélio Zaguini tinha 85 anos. Uma semana antes do falecimento, o antigo médico do Detran sofreu uma queda em casa e quebrou duas costelas, além de desencadear um edema cerebral. O sepultamento dele, assim como o do empresário Tibério Testoni, foi realizado na manhã de domingo, 18, no cemitério da Fazenda.

Sobre o doutor Zaguini, o DIARINHO publicou no site uma nota comunicando a morte e ainda citou um breve necrológico: “Natural de Itajaí, Hélio é considerado o primeiro oftalmologista da cidade. Ele chegou a trabalhar no antigo Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (Inamps) e há mais de 20 anos era médico no Detran de Itajaí. Ele era solteiro. Deixa dois irmãos e cinco sobrinhos. Um dos irmãos era dono da tradicional ótica Zaguini, que fechou há cerca de três anos, no centro de Itajaí. O oftalmologista chegou a ter clínica perto do batalhão de Polícia. Muitos clientes consultavam com ele e faziam os óculos na loja do irmão.”

Tibério Testoni

Tibério Testoni tinha 71 anos. Ele sofria de câncer nos rins e outros problemas de saúde. Era natural de Ascurra, no Médio Vale do Itajaí, casado com dona Erna Testoni, pai de quatro filhos (dois falecidos) e tinha três netos. Um dos filhos, Giovani Testoni, atualmente ocupa o cargo de secretário municipal de Desenvolvimento Emprego e Renda (Seeder) de Itajaí.

A prefeitura divulgou nota de pesar em que divulga o decreto de três dias de luto e ainda resumiu a biografia do político e gestor. “Homem público articulador e influente em Itajaí, Tibério foi empresário do ramo de combustíveis, dirigente patronal, diretor de esportes do Clube Náutico Marcílio Dias, secretário municipal em várias gestões e vereador na legislatura de 1983 a 1988, sendo presidente da Casa Legislativa de 1987 a 1988.”

O jornalista e escritor Magru Floriano postou na página Itajahy de Antigamente, do Facebook uma síntese da vida política de Testoni: “Teve grande destaque no setor político de Itajahy: secretário do primeiro Governo Schmitt, vereador [82/88 pelo MDB] e presidente da Câmara Municipal de Itajahy; candidato a deputado estadual pelo PSDB; dirigente local do PEN – Partido Ecológico Nacional [2016/7] e seu pré-candidato a prefeito nas eleições de 2016.”

O DIARINHO publicou em 14 de maio de 2016 um Entrevistão com Tibério Testoni, onde cita as suas experiências profissionais e políticas: agricultor, seminarista, garçom, churrasqueiro, terceiro sargento do Exército, motorista de caminhão, frentista e empresário do ramo de combustíveis. Na reportagem, ele fala da perda de um dos filhos, do posto Fazendão, da doença, da fé inabalável em Jesus Cristo e Nossa Senhora de Lourdes, do perdão e da vida política. Leia neste link:

https://diarinho.com.br/noticias/entrevistao/%C2%93a-corrupcao-maior-nao-esta-no-governo-federal-ou-estadual-esta-nos-governos-municipais%C2%94/

E sobre sua crença na cura do câncer, escrevi uma reportagem em 23 de maio de 2016 que atesta o entusiasmo de Testoni com o método Kovacsik praticado em Itajaí: https://diarinho.com.br/noticias/geral/tratamento-alternativo-para-o-cancer-promete-a-cura-da-doenca-em-itajai/

 

Blog recheado de preciosidades

31/05/2017 01:35

Recomendo a todos os internautas apaixonados por Itajaí que conheçam e se deliciem com as imagens e textos publicados no blog http://clubedosentasitajai.blogspot.com.br/ . Há quase 10 anos, Paulo Rogerio Maes edita esta preciosidade virtual que atende ao desejo dele de divulgar as imagens e fatos da história itajaiense que estariam destinados ao esquecimento.

Em janeiro e maio deste ano, por exemplo, as fotografias mostraram que o tênis praticado em Itajaí começou no Clube Náutico Marcílio Dias. “Homens e mulheres começaram a praticar o esporte com as cores marcilistas no ano de 1922. Durante seus anos no tênis, além de taças e troféus o clube venceu oito campeonatos.”

Mais tarde, o tênis passou a ser praticado no Clube Guarani. Segundo o Clube dos Entas Itajaí, as quadras ficavam atrás da sede do clube, onde agora há um estacionamento de automóveis.

Esta foto captada lá do sítio do Paulo Maes mostra a equipe peixeira de tênis desfilando no estádio Hercílio Luz, na abertura dos jogos abertos de 1972. Quem será que está nesta imagem?

Para aumentar ainda mais a viagem virtual, o leitor vai se deliciar com os textos incluídos na lateral direita do blog. O autor assina também o http://coloniabelga.blogspot.com.br/ Embora sem atualização desde 2014, ainda está no ar e fornece informações riquíssimas, sobretudo para quem tem ascendência originária da Bélgica.

Uma história que Juventino Linhares contou

26/05/2017 07:01

A história de Itajaí está graciosamente descrita, ainda que parcialmente, nas páginas do livro “O que a memória guardou”, de Juventino Linhares. A obra reuniu crônicas que foram publicadas no jornal “O Popular” (a partir de março de 1958) e no “Jornal do Povo”, de 1962 a 1963. A Editora Univali publicou o livro em 1997, e a biblioteca da universidade mantém exemplares para consulta e empréstimo.

A partir da página 258, o autor comenta um caso que, diz ele, aconteceu com seu amigo Damásio. Aliás, este personagem foi protagonista de outros eventos, que em outra ocasião reproduzirei. Hoje faço o recorte do salvamento que o jovem fez e que rendeu a ele um elogio por bravura e uma bronca pelo mesmo motivo.

Diz o livro que Umbelino Damásio de Brito adquiriu uma chácara na região de Itajaí onde hoje é a rua que leva seu nome. Veio de Limoeiro, zona rural do município, e era casado com Etelvina Rebelo. O casal teve doze filhos: seis homens e seis mulheres. “Damásio, o primogênito, passou a maior parte da sua existência em Itajaí, aqui permanecendo sempre evidente na sua popularidade, no entusiasmo com que participava das campanhas políticas e pelo temperamento irônico e folgazão com que apreciava fatos e situações. Magro, feio, deselegante, possuía, entretanto, um espírito lúcido e atilado e um calor de imaginação que levou aos seus íntimos resoluções e definições que se fixaram inesquecíveis.

[…] Na sua carteira de reservista constava um elogio pela prática de um ato de heroísmo. E ele (Damásio) detalhou: servira o Exército na guarnição de Florianópolis. Pervagando, numa tarde de domingo, pela Praia de Fora, teve a atenção despertada para certa moça loura que, na ponta de um trapiche, parecia desesperada, passeando inquieta de um lado para outro, levando sempre o lenço aos olhos, como se estivesse chorando. Estranhou aquela atitude e ficou de alcateia. Repentinamente, a jovem levou as mãos à cabeça e jogou-se no mar. Damásio alarmou a vizinhança, gritando socorro, e atirou-se no seu encalço procurando arrastá-la para a praia. A moça, porém, resistiu e empenhou-se em luta com o seu salvador. Se não houvesse solicitado socorro prévio, talvez ambos houvessem sucumbido, pois Damásio sentia-se exausto, quando outros acudiram a auxiliá-lo. Levaram a vítima desacordada para a casa paterna, ali próxima, e ele seguiu para o quartel, a fim de trocar a roupa. O episódio fora observado, através de um binóculo, pelo comandante do batalhão, residente nas proximidades e, por isso, foi surpreendido, na manhã seguinte, com uma citação elogiosa na ordem do dia.

No outro domingo, retornou ao mesmo local em busca de informes sobre acontecimentos posteriores. Penetrou no jardim fronteiro à casa e bateu na porta. Apareceu o pai da jovem, um alemão carrancudo. Identificou-se como o salvador da filha. O homem, furibundo, retrucou-lhe que nenhuma satisfação tinha a dar-lhe e que ele evitasse imiscuir-se novamente em sua vida privada, pois as consequências poderiam ser graves. Adiantou mais que, se sua filha tentara o suicídio, era porque tinha fortes razões para isso e ele, como pai, não admitia a intervenção de intrusos em resoluções da intimidade do seu lar. E Damásio concluiu melancolicamente a sua explanação: parece que o herói só escapou de apanhar naquela tarde porque o prestígio da farda impôs respeito ao estrangeiro atrevido e pai desalmado.”

 

É um livro que todos deveriam ler e saborear.

Estúdio de gravação peixeiro fatura prêmio nacional

15/05/2017 13:04

A terceira edição do Prêmio Profissionais da Música, na categoria Melhor Estúdio de Gravação e Mixagem, teve como vencedor o estúdio Café Maestro Produções, de Itajaí. Entre os 1309 inscritos em 53 diferentes categorias, os profissionais peixeiros ficaram no topo em razão da qualidade de projetos artístico/culturais. O evento rolou em fins de abril, em Brasília, com o objetivo de mostrar ao país quem é quem na construção da obra artística, seja produção musical ou audiovisual.

O produtor e diretor da Café Maestro Produções, Marcelo Cássio, agradeceu o reconhecimento: “Esse prêmio é de extrema importância para nossa produtora e principalmente para a música catarinense, pois ele mostra que estamos no caminho certo para levar a produção do Estado ao reconhecimento que ela merece. Eu digo ‘A música catarinense’, porque não ganharíamos esse prêmio se as músicas gravadas não despertassem o interesse do público e dos jurados, ou seja, não adiantaria termos os melhores microfones, a melhor sala, os melhores equipamentos e o melhor técnico se não houvesse uma boa arte para mostrar. Por isso, agradeço aos artistas que confiaram sua arte ao nosso estúdio e dedico esse prêmio a todos eles”, discursou Marcelo.

Fundada em 2009 e sediada em Itajaí desde 2012, a Café Maestro Produções  incentiva e dissemina a cultura catarinense para todo o Brasil — e também para o mundo por meio da distribuição digital de música. Até o momento, mais de 30 projetos, entre discos, DVDs e audiovisuais carregam o selo da produtora nativa. A Café Maestro conta com produções originais, como os programas Na Vera e o Palco SC , assistidos através de parceria estabelecida com o canal de TV por assinatura Music Box Brazil. Além disso, das produções realizadas com artistas catarinenses, nos últimos dois anos, a Café Maestro licenciou 10 audiovisuais para o mesmo canal, que atinge um público estimado de 30 milhões de telespectadores.

https://www.facebook.com/CafeMaestro/

Um novo caminho até a Santa Paulina

09/05/2017 10:05

Foram necessários 17 anos para a ideia amadurecer e dar frutos. O historiador Isaque de Borba Correa, o agente de turismo Marco Vilarinho (Badeco) e o consultor turístico Marcos Vinicios Pagelkopf finalmente trouxeram à luz um projeto que deve lançar Santa Catarina no roteiro do turismo religioso nacional – quem sabe internacional também, a exemplo de Santiago de Compostela, na Espanha.

Os três amigos uniram seus conhecimentos à convicção de que os peregrinos estão carentes de um caminho seguro e acessível ao santuário da Santa Paulina, em Nova Trento. Até agora, as caminhadas limitam-se a eventos grandes, anuais, em grande parte sobre o asfalto. Por conhecerem bem a área rural de Camboriú, eles tinham a certeza de que estimular a elaboração de um roteiro oficial, que está praticamente pronto, viria ao encontro não só do desejo, como da necessidade das pessoas que querem pagar promessa, manifestar a fé religiosa ou simplesmente andar pelas áreas ainda preservadas da região.

A oficialização do projeto ocorreu na noite de 5 de maio, na Pousada Fazenda Caetés, localizada no bairro rural Caetés, em Camboriú. O historiador Isaque de Borba apresentou o documento que registrou a vinda da madre Paulina em 5 de maio de 1899 para uma festa na igreja matriz de Camboriú. A ata que conta esta passagem histórica está emoldurada para proteger o que sobrou do papel rasgado, enlameado, mas ainda confiável para provar o fato. Há também uma foto que o historiador mostrou em um livro, em que a madre Paulina e uma companheira, meio envergonhadas por estarem usando roupas de mulheres da região, posam com autoridades religiosas e músicos da banda Musical Padre Sabbatini – banda esta que ainda existe, em Nova Trento, com mais de 120 anos de ininterrupta atuação.

Marco Vilarinho, o Badeco, participa do trio de incentivadores da instalação do Caminho de Santa Paulina com muito entusiasmo. Ele, no entanto, acredita que há um bom caminho a percorrer (sem trocadilho). “Dá pra fazer pequenos grupos. Se começar a receber muitos peregrinos, a estrutura não está pronta. Porque é um caminho totalmente rural. A gente passa no asfalto só para atravessar. Em nenhum momento passa em rodovia. É tudo chão de terra batida, inclusive com muita água e lama. Ontem (domingo, dia 7), inclusive, nós pegamos um trecho que eu diria que é o mais emocionante, no meio de uma mata bem fechada. E ali tinha chovido muito. Tinha muita água e lama. Nós ficamos um pouco enlameados”, conta, divertido.

Os 14 pioneiros descansaram para no dia seguinte darem início à primeira caminhada oficial. Na manhã do sábado, dia 6, o padre Marcio Alexandre Vignoli celebrou uma missa para os caminhantes e fiéis na Igreja de Santo Antônio, na localidade de Caetés. Teve início, então, a jornada de 14 quilômetros até o posto de apoio no Bar do Dédi, já em terras tijucanas. A prefeitura de Tijucas organizou o almoço para as 40 pessoas que prestigiaram o projeto, entre empresários, religiosos e políticos, além da comunidade local.

Dali, quem não fazia parte do grupo inicial de 14 peregrinos continuou o caminho numa van. Os pioneiros andaram mais 12 quilômetros até chegar à Pousada Oliveira, um empreendimento de turismo rural recentemente inaugurado. De acordo com Badeco, o proprietário da pousada recuperou uma antiga estufa de fumo e a preparou para o pernoite dos cansados pioneiros do trajeto.

No domingo, a última etapa foi percorrida até chegar ao santuário da Santa Paulina, em Nova Trento. Duas madres recepcionaram os caminhantes, junto com autoridades locais. Os idealizadores do Caminho de Santa Paulina estão criando um protocolo em que o peregrino vai receber um passaporte a ser carimbado com o registro da passagem dele em cada ponto oficial do percurso. Essa primeira turma já recebeu o diploma que tem o nome de Amabilíssimo, uma referência ao nome de batismo da santa, Amábile Lúcia Visintainer.

O turismólogo Marcos Vinicios Pagelkopf define assim a paisagem e dá uma dica. “São córregos e pequenas cachoeiras nos dois lados da pequena estradinha, e volta e meia encontrávamos um ou mais quadriciclos, 4×4 e alguns cicloturistas, isso porque nos fins de semana os amantes da natureza encontram-se nas vias rurais da nossa região. Eu aconselho a quem quer fazer o caminho que faça durante a semana, pois é praticamente sem ninguém nos 12 km entre Camboriú e Tijucas”.

Quem estiver interessado em percorrer o caminho em grupo pode entrar em contato através do telefone (47) 9 9286 4962 ou pelo e-mail caminho@madrepaulina.com. A organização já pensa em fazer nova caminhada ainda este mês de maio.

P.S.

Digna de registro é a nota publicada por Isaque de Borba no Facebook.

“Não estamos inventando nada novo. Faz quase dois mil anos que isso vem acontecendo, desde que Santa Helena, mãe do poderoso Imperador Constantino, saiu em peregrinação em busca do túmulo de Cristo, e os discípulos de São Tiago foram procurá-lo em Compostela. Mesmo para Nova Trento as romarias são antigas. Estou propondo organizar, estruturar um roteiro. A diferença entre a minha proposta é que o nosso caminho é o único que tem identidade e é uma criatura que tem certidão de nascimento. É o único em que certamente a homenageada andou, e andou numa aventura de muito sofrimento. Descobri nesse documento uma história incrível que consumiu mais de três horas de um estudo de paleografia, praticamente uma transliteração, de tão ruim que estava a escrita. Mas consegui recuperar toda a história pelo contexto, inclusive onde há grande espaço pela destruição do papel ao longo desses 118 anos. Um documento que ganhei em 1980 da dona Maura e da Dona Isaura, duas pessoas que mais contribuíram junto comigo para resgatar as histórias de Camboriú, mas que só agora tive a lucidez de incorporá-lo ao projeto. Uma sensação de transbordante satisfação por entregar à minha terra um presente. É isso.”

 

 

Um museu fora do comum em terras catarinas

02/05/2017 18:12

Um edifício quase escondido nas terras de Balneário Piçarras, à margem da BR-101, abriga preciosidades colhidas ao longo de toda a vida do professor Jules Marcelo Rosa Soto. Se o doutor em zoologia não fosse tão modesto, poderia escrever sua biografia e tornar-se sucesso na seção de aventuras da biblioteca. Modesto, ele preferiu relatar como seria o Museu Oceanográfico do Vale do Itajaí (MOVI), numa entrevista que foi publicada no caderno de Náutica do DIARINHO em 7 e 9 de agosto de 2014.

Foi uma reportagem que me encantou muito. Em vários momentos esqueci meus objetivos e acompanhei com interesse pessoal cada detalhe que o professor Jules Soto me apontava nas instalações ainda por concluir. A inauguração do conjunto pertencente à Univali deu-se em 14 de dezembro de 2015. Voltei, então, para rever as instalações e confirmar as ideias repassadas na entrevista.

O MOVI não é apenas o museu que abriga a maior coleção privada de tubarões e raias (9.900 espécimes) do mundo; a maior coleção de tartarugas marinhas da América do Sul (400 espécimes); a maior coleção de mamíferos marinhos do Brasil (600 espécimes); a segunda maior coleção de aves marinhas do Brasil (650 espécimes); a maior coleção de peixes marinhos do sul do Brasil (7.300 espécimes); a maior coleção de invertebrados marinhos do sul do Brasil (8.000 espécimes); a maior coleção de conchas do Brasil e segunda da América Latina (90.000 espécimes).

O museu é a concretização de um sonho de menino. Como o professor deixou bem claro, não é a construção de uma só pessoa. Mas foi a partir de sua coleção pessoal e de suas buscas pelo mundo que a ideia do museu tornou-se realidade. Jules Soto é o curador geral do MOVI.

O guri colecionador

Agora vou transcrever o que foi publicado no dia 09.08.14:

<<Quando responde à pergunta sobre a ideia original do museu oceanográfico, o geógrafo começa a puxar o fio lá na própria infância, aos cinco anos, quando começou a catar animais e a guardá-los em casa. Assim que aprendeu a ler e escrever, passou a catalogá-los também. Em tempos pré-internet, adquirir esse tipo de conhecimento exigia visitas a bibliotecas e museus, com incômodos pedinchos de orientação aos especialistas, conta Jules.

Aos 12 anos havia tanta tranqueira em casa e com parentes e amigos, que a mãe decretou um basta. Lá se foi o guri do bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre, até o museu da PUC negociar a doação de pelo menos metade do material. Ficou “apenas” com o que se relacionava com a parte oceanográfica.

“Eu lembro bem quando cheguei na PUC e falei que queria falar com o curador e doar meu acervo. Ele concordou. Disse ‘tá, então tu traz’. Pedi um transporte e eles disponibilizaram uma Kombi. Foram várias viagens. Quando o material começou a chegar, o curador não acreditava. Só de insetos em alfinetes tinha três mil”, lembra bem-humorado.

Aos 16 anos embarcou numa viagem de mais de um mês num navio estrangeiro. Acabou na África sem documentos, sem dinheiro, mas com uma mandíbula de tubarão que estará no museu de Piçarras. Mergulhou muito, dos 14 aos 21 anos: mais de 1500 horas de mergulho e muitas novas peças coletadas. Depois, criou uma ONG para dar continuidade ao trabalho de cientista amador. Com dificuldades para manter o centro, negociou com algumas universidades a criação de um museu.

“Na época, a Univali estava criando o curso de Oceanografia, isto há 21 anos, então eu trouxe a ideia para a universidade: já que estava sendo criado o curso de Oceanografia, que se criasse um museu junto, que era um projeto de longo prazo. Então a universidade comprou essa ideia. Passei a fazer parte do quadro de funcionários e a me dedicar como técnico, na época, ao museu”, relembra Jules.

Graduou-se em geografia, especializou-se e defendeu uma tese de doutorado sobre tubarões. E continuou juntando relíquias. “Vinte anos pra inaugurar um museu é considerado um prazo bem curto pra museu de história natural. Porque, diferentemente dos outros museus, em termos financeiros, ele não é um acervo que com recursos se constrói. Não se encontra uma baleia à venda, um tubarão raro à venda, isto tem que esperar acontecer. Então nós temos que esperar esses animais encalharem e morrerem dentro de um ciclo natural e também acompanhando todas as questões ambientais envolvidas”, explica.

Jules Soto afirma que nessas andanças em busca de novos exemplares para a coleção deparou-se com problemas ambientais sérios, ocasionados pelo homem e suas ações inconsequentes. O resultado desse comportamento predatório ou irresponsável pode acabar com espécies que, se não forem coletadas para exposição em museus e estudos, deixarão de existir até na memória da humanidade.

O curador geral do MOVI justifica a principal missão do museu: “A nossa obrigação é tutelar o acervo natural. Não se guarda obra de arte, e estas são as maiores obras de arte. Porque uma obra de arte até se faz de novo, mas esta aqui ninguém faz de novo. O código dela está ali”, pondera. >>

Na primeira parte da entrevista, publicada em 07.08.14, escrevi:

<<Só neste museu em Piçarras estão 250 mil peças cuidadosamente armazenadas ao longo de toda a existência do professor formado em geografia e doutor em zoologia, com tese sobre tubarões. Dentre essas amostras estão a maior concha do mundo, o menor tubarão, as mais raras espécies que muito doutor nunca viu em lugar algum, inclusive as três que Jules Soto identificou e nomeou, em 2000. Antes dele, apenas um brasileiro, em 1907, tinha descoberto uma espécie de tubarão. Foi notícia internacional.

Será uma viagem à história da evolução animal. “Começa com a oceanografia, ainda na Grécia antiga. O pai da oceanografia é considerado Alexandre, o Grande, que desenvolveu a colinfa, um sino de mergulho, e eu tenho as moedas de Alexandre desse período”, conta Jules.

Então, desde o início, prossegue o passeio sob as luzes de super led (gastam 7% do que consome uma lâmpada econômica), passando por todos os períodos da humanidade, tudo com peças originais, até mesmo os equipamentos de mergulho usados por Jacques Cousteau.>>

Vale a pena conferir o acerto fantástico e que agora é patrimônio nosso.

O Museu Oceanográfico do Vale do Itajaí está localizado a avenida Sambaqui, 318 – Bairro Santo Antônio – Balneário Piçarras (às margens da BR 101). Telefones: (47) 3261-1287 e (47) 3261-1403

O horário de visitação é de terça a sexta- feira das 14h às 18h, e nos sábados e domingos das 10h às 18h. O ingresso custa R$ 20 (inteiro) e R$ 10 (meia entrada).

 

 

 

 

Marina Itajaí na rota dos grandes iates

25/04/2017 07:09

Em menos de dois anos de funcionamento, a Marina Itajaí não apenas caiu no gosto dos proprietários de lanchas, veleiros e iates; o local, com capacidade de receber embarcações acima de 50 metros de comprimento, ganhou aprovação da Brazil Yacht Services (BYS) para receber megaiates nacionais e internacionais.

A BYS adota a filosofia “one-stop shop”, isto é, a empresa oferece múltiplos serviços a iates até 415 pés. Mas vai além do suporte. Ela desenvolve roteiros de viagem adaptados às necessidades do cliente, com a seleção das melhores estruturas para permanência da embarcação.

O convênio com a BYS equipara a Marina Itajaí às melhores do país e inclui a cidade peixeira nas rotas de turismo onde constam Fernando de Noronha (PE), Angra dos Reis (RJ) e Manaus (AM). De acordo com um dos sócios da BYS, João Kossmann, a oferta de passeios terrestres na região pesou na hora de firmar o acordo.

O fomento do turismo náutico catarinense, bem como o desenvolvimento do setor, é uma prioridade nas discussões dos envolvidos no segmento. O diretor náutico da Marina Itajaí, Manoel Carlos Maia de Oliveira, atribui a localização em área central do município e em região estratégica de rápido acesso aos destinos turísticos como um dos motivos do sucesso da marina.

Temos notado que o espaço disponível para realização de reparos e manutenções dos barcos de pequenas e grandes dimensões tem sido um grande atrativo. Nosso pátio pode comportar até 11 barcos de 85 pés de forma simultânea, o que facilita aos proprietários a realização de serviços em geral como reforma de casco, serviços elétricos, mecânicos, entre vários outros. É um de nossos diferenciais na região”, relata o diretor.

A marina está instalada ao lado do Centreventos, onde recebe embarcações de qualquer tamanho até 150 pés nas suas atuais 320 vagas. Além dos equipamentos como Fork Lift para até 12 toneladas e Travel Lift para até 75 toneladas, ainda oferece posto de combustível com bandeira BR, sendo a única marina no sul do país com Diesel Verana.

Há uma boa movimentação de barcos por parte de quem tem vagas na marina, para aqueles que a usam como ponto de embarque e desembarque, e para os estaleiros. Se as previsões se confirmarem, iniciaremos em 2018 a ampliação de mais 80 vagas molhadas”, destaca o diretor do complexo, Manuel de Oliveira.

Fontes: Rotas Comunicação e Boat Shopping

 

 

 

 

 

 

 

 

O navio-fantasma

18/04/2017 12:09

Há um vídeo que viralizou na internet onde um grupo de rapazes invade um barco em construção e abandonado em Itajaí. Até hoje, já foram registradas mais de 2.250.000 visualizações. Os garotos falam um português meio antigramatical, se é que esta palavra existe, mas não é o que importa.

A aventura dos brothers consistiu em fazer um reconhecimento do barco que dizem ser mal-assombrado. Corajosos, foram durante o dia para voltar à noite, para conferir a história. Aventura muito perigosa porque o conteineiro é imenso e, em razão do abandono, vários setores apresentam risco. O vídeo foi postado por Renato Garcia, que adora caçar lendas urbanas. Apesar do medo, os meninos voltaram mesmo. E contam que a vizinhança relatou mortes durante a construção do barcão e agora ouve gritos e barulhos estranhos. Veja o segundo vídeo aqui.

O Portal Marítimo relata o seguinte (transcrito literalmente):

“Mais uma obra abandonada, um sinal dos tempos em nossa Indústria Naval. O navio encontra-se em Itajaí, nas instalações do antigo Estaleiro Shalom.

É um pequeno conteinero que faria o transporte de cargas na Lagoa dos Patos, entre Rio Grande e Porto Alegre.

O estaleiro recebeu o dinheiro do armador gaúcho, mas não concluiu a obra e ainda faliu cheio de dívidas, inclusive trabalhistas.

Na época em que foi lançado este estaleiro acabou levando muitos funcionários do estaleiro Detroit, já que oferecia um salário bem melhor.

A Locar tentou comprar, mas o estado de endividamento é assustador, e por isso o negócio não foi fechado. Isso sem falar no armador que impediu a venda do terreno, em defesa de seus interesses.”

O coelho da casa do seu Gentil

15/04/2017 01:21

Durante muitos anos, na frente da casa do seu Gentil, localizada na rua Brusque, em Itajaí, uma fila se formava quando a Páscoa estava chegando. O povo corria para adquirir os ovos de chocolate que naquela residência eram confeccionados. Como propaganda do negócio e posteriormente ponto de referência, seu Gentil mandou instalar a estátua de um coelho em cimento na frente de casa.

Com o passar do tempo, a casa foi vendida e o  coelho, removido para um local de livre acesso. Livre demais, talvez. A praça Irineu Bornhausen, em frente à Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento, acolheu o patrimônio histórico, mas o vandalismo acabou descaracterizando o bichinho.

foto: Marcos Porto

Atual responsável pela estátua do coelho, a prefeitura entregou-a aos cuidados da artista plástica e especialista em artes sacras, Margareth Schmidt. A artista reconstruiu duas patas e parte da cesta, e ainda pintou a obra que este ano comemora de 10 anos de mudança para o novo endereço.