Essa é pra quem insiste no discurso fácil e raso de que político é tudo ladrão. E que, se é ladrão, logo, é político.

O agora deputado Rodrigo Santos da Rocha Loures é empresário. Ou herdeiro, filho de empresário. Seu pai, Rodrigo Rocha Loures, é fundador da Nutrimental.

Rodriguinho é político há pouco tempo. A família Rocha Loures (não é Lures, nem Lurdes) é muito conhecida e respeitada em Curitiba. Alta sociedade.

Rodrigão é mais que empresário. É liderança influente no meio empresarial. Considerado dos bons. Foi presidente da Federação das Indústrias do Paraná por vários anos. Eleito e reeleito. Depois ainda fez o sucessor.

Como empresário de sucesso na sua própria indústria e depois na FIEP, também foi (ou ainda é) representante do meio em diversas instituições importantes.

A partir de sua história pessoal, entrou na política.

Não lembro quem entrou antes na política partidária, se o pai ou o filho. (Porque quem tá em federação ou associação também tá fazendo política. Não necessariamente partidária, mas política, ok?)

O fato é que o filho, se algum dia teve o foco de fazer política séria – o que tendo a acreditar que sim, ele tinha essa boa intenção –, aparentemente se perdeu no caminho. O tempo – e a PF – vão mostrar.

Toda generalização é burra. Inclusive esta que acabo de dizer.

Assim como fico de cara quando pessoas inteligentes e estudadas afirmam que político é tudo igual, que político é tudo bandido, ficaria de cara se generalizassem outros segmentos, como empresários, no caso.

Tá cheio de político corrupto. E empresário corrupto também. Assim como tá cheio de político e empresário decente. Honesto. É que esses não estão na mídia, não vendem jornal.

Não vendem porque você não compra, amigo cidadão. Gostamos mais de sangue, né? Os jornais sabem disso. E, assim como os políticos, os empresários, os trabalhadores, a torcida do Atlético, do Flamengo, você e eu, os jornais gostam de dinheiro. Alguns gostam tanto que trocam qualquer coisa por grana. Inclusive manchetes, matérias, editoriais. Editorial é mais caro. Mas o assunto agora é outro.

Não defendo bandido. Nem político. Nem empresário. Defendo o bom senso. A ponderação. O equilíbrio. O que considero justo.

Criminalizar a política é um crime. Dependemos da política em nossa sociedade. Dependemos dos partidos. Demorei pra entender isso. Entendi contrariado. Hoje entendo.

Isso que estamos vendo não é política. É deturpação. É crime. Política é outra coisa. Ou, ao menos, era pra ser.

Sergio Machado

Essa é pra quem insiste no discurso fácil e raso de que político é tudo ladrão. E que, se é ladrão, logo, é político. O agora deputado Rodrigo
Santos da Rocha Loures é empresário. Ou herdeiro, filho de empresário. Seu pai, Rodrigo Rocha Loures, é fundador da Nutrimental.
Rodriguinho é político há pouco tempo. A família Rocha Loures (não é Lures, nem Lurdes) é muito conhecida e respeitada em Curitiba. Alta sociedade. Rodrigão é mais que empresário. É liderança influente no meio empresarial. Considerado dos bons. Foi presidente da Federaçãodas Indústrias do Paraná por vários anos. Eleito e reeleito. Depois ainda fez o sucessor.
Como empresário de sucesso na sua própria indústria e depois na FIEP, também foi (ou ainda é) representante do meio em diversas instituições importantes. A partir de sua história pessoal, entrou na política. Não lembro quem entrou antes na política partidária, se o pai ou o filho. (Porque quem tá em federação ou associação também tá fazendo política. Não necessariamente partidária, mas política, ok?) 
O fato é que o filho, se algum dia teve o foco de fazer política séria – o que tendo a acreditar que sim, ele tinha essa boa intenção –, aparentemente se perdeu no caminho. O tempo – e a PF – vão mostrar.

Toda generalização é burra. Inclusive esta que acabo de dizer. Assim como fico de cara quando pessoas inteligentes e estudadas afirmam que político é tudo igual, que político é tudo bandido, ficaria de cara se generalizassem outros segmentos, como empresários, no
caso. Tá cheio de político corrupto. E empresário corrupto também. Assim como tá cheio de político e empresário decente. Honesto. É que esses não estão na mídia, não vendem jornal. Não vendem porque você  não compra, amigo cidadão. Gostamos mais de sangue, né? Os jornais sabem disso. E, assim como os políticos, os empresários, os trabalhadores, a torcida do Atlético, do Flamengo, você e eu, os jornais gostam de dinheiro. Alguns gostam tanto que trocam qualquer coisa por grana. Inclusive manchetes, matérias, editoriais. Editorial é mais caro. Mas o assunto agora é outro. Não defendo bandido. Nem político. Nem empresário. Defendo o bom senso. A ponderação. O equilíbrio. O que considero justo. Criminalizar a política é um crime. Dependemos da política em nossa sociedade. Dependemos dos partidos.
Demorei pra entender isso. Entendi contrariado. Hoje entendo. Isso que estamos vendo não é política. É deturpação. É crime. Política é outra
coisa. Ou, ao menos, era pra ser.

Sérgio Machado

Muito tem se falado do jogo da Baleia Azul. Não queria falar sobre ele, não queria mesmo! Primeiro porque gostaria que essa situação não tivesse saído das telas dos seriados de investigação criminal e ganhado a vida real, segundo porque penso que tem se falado bastante sobre o assunto. No entanto, vejo que ainda muitas pessoas não compreendem nem a dimensão, nem a gravidade da situação. Acham que é frescura, que é mais uma besteira da internet – e por isso fazem piadas deploráveis, porque não percebem o que está, de fato, acontecendo.
A questão é muito maior do que uma Baleia Azul, a questão é que vivemos num oceano cheio de animais de todos os tipos. Vivemos num oceano de possibilidades, mas também de negação da cultura, da ética, das normas de convivência, da democracia, do respeito pelo outro, das relações sociais. Nunca tivemos tantas possibilidades e tanto acesso a tudo, mas o excesso pode ser tão prejudicial quanto a falta, quando não sabemos o que fazer com isso. Você já viu uma criança numa loja de brinquedos? É muito fácil se perder num universo tão cheio de possibilidades, quando a oferta é grande demais.
Os adultos (gostaria de pensar que em sua maioria) buscam o melhor para seus pequenos. O problema hoje é sabermos o que é o melhor. Encher uma criança de mimos, brinquedos e jogos eletrônicos não é, necessariamente, uma manifestação de afeto. Geralmente, quando o adulto faz isso é para sentir-se menos culpado pelo tempo que não disponibiliza para ficar com seus filhos. E tudo nessa vida tem um preço. Tornar-se pai ou mãe tem um preço, o preço da presença. Não da presença em tempo integral (porque isso é irreal), mas da entrega verdadeira no tempo que for possível. Se você não se faz presente, alguém cobrará esse preço, pode ser o bicho papão, o boi da cara preta, o lobo mau, ou a baleia azul.
A vida de nossos jovens precisa acontecer com a presença física do adulto. Dentro das possibilidades do que nosso braço alcança, é claro, mas é preciso que nos façamos presentes. Somos o antídoto!! Ajudar com o tema, preparar um lanche, jogar um jogo, ler uma história, ver um filme, brincar no pátio, jogar conversa fora, são atribuições que precisamos cumprir enquanto adultos responsáveis.
Lembra daquele ditado que diz que se correr o bicho pega, se ficar o bicho come?! O único jeito de minimizar os danos das mordidas que esses bichos reais e virtuais podem causar é estarmos juntos, é conversar, é informar.
Para quem ainda não sabe, o jogo da Baleia Azul é uma brincadeira macabra, que teve origem na Rússia. É uma espécie de gincana com 50 tarefas a serem cumpridas. Para entrar no jogo os jovens são adicionados em grupos fechados no Facebook ou WhatsApp, onde são desafiados a cumprir tarefas como ouvir músicas depressivas, assistir a filmes de terror, desenhar baleias em seus corpos, criar inimizades e se automutilar. As tarefas vão evoluindo conforme o jogo vai chegando ao final e na última tarefa o jovem é desafiado a tirar a própria vida.
Suicídio não tem graça. É preciso falar com seriedade e urgência sobre esse assunto! Atualmente, segundo a Organização Mundial de Saúde, o suicídio tem causado mais mortes do que os homicídios e o HIV em todo o mundo. O Jogo da Baleia Azul nos coloca em alerta para uma situação muito maior e mais complexa e nos desafia a falar sobre algo que quase nunca nos agrada, a morte!!

* Valéria Neves Kroeff Mayer, Professora universitária e escritora

Noemi dos Santos Cruz foi um guerreiro. Ele não se conformava. Empresário inovador, presidente da Associação Empresarial de Itajaí, deputado estadual, presidente da Santur, secretário municipal de Indústria e Comércio, primeiro secretário de Comunicação Social de nossa cidade – entre outros cargos públicos que ocupou, e nos quais fez a diferença -, Noemi foi sempre uma voz que se ergueu no debate das grandes questões da região, do estado e do país.
Nos anos de chumbo, numa época em que era preciso coragem, nunca deixou de dizer com todas as letras o que pensava e acreditava. Coragem nunca lhe faltou. Foi sempre um porta-voz da causa democrática, um defensor da causa republicana, e um conciliador quando disso dependia algum avanço importante para a população. Noemi foi um grande homem público.
Foi, também, um grande amigo de seus amigos. Dos que, como eu, eram apaixonados pela sua prosa exuberante, pelo seu pensamento rápido, pela inteligência privilegiada e pela opinião abalizada sobre seus assuntos preferidos, a política o maior deles.
Amigos falam sobre tudo. Mas em qualquer assunto, seja política ou futebol, o que se conversa, sempre, mesmo nas entrelinhas, é sobre a vida e sobre o que fazemos dela, é sobre nossos entes queridos, sobre nossos sonhos e desejos. Amizade é esse desprendimento natural, é essa cumplicidade que ajuda a atravessar o vale de lágrimas com um sorriso no rosto, com a coragem de tentar de novo, e aceitar o que o destino nos traçou. E que nem sempre é fácil ou agradável, ou é o que desejamos para nós e para os nossos, mas é o que temos de enfrentar.
Conversei com Noemi Cruz no leito do hospital na quarta-feira antes de sua morte. E o nosso assunto foi o de sempre, igual, e, ao mesmo tempo, absolutamente novo. Exuberante. Nos despedimos em paz, com olhos de saudade. O tempo é tão curto! Santa Catarina perdeu um grande homem, eu perdi um grande amigo. No final, perdemos todos.
Mas fica a lembrança de tantos bons momentos! De tanta conversa boa ecoando na memória, de tanto carinho e sabedoria que esse amigo de todas as horas me deixou de presente, de sua amizade doce e amorosa, do exemplo de sua conduta sem mácula, da personalidade marcante desse homem único, intenso e sonhador, chamado Noemi dos Santos Cruz.
Descanse em paz, querido amigo! Aí nessa praia um pouco Itajaí, um pouco Porto Belo, onde reside o que fomos e o que fizemos, e também nossos sonhos e desejos profundos.

(*) Ivan Rupp, jornalista.

O inverno está chegando, apesar de estarmos apenas no começo de maio. É, estamos no outono, mas o frio acabou de chegar. Aquele tempinho bom de colocar uma roupa mais quente, fazer pão em casa e deixar aquele cheirinho delicioso tomar a casa inteira, junto com o cheiro do café feito na hora, aquelas sopas maravilhosas que em outras épocas a gente não tem oportunidade de degustar, o chá perfumado e fumegante.
Dias de se aconchegar com os nossos entes mais queridos, com a família, com os amigos, pois na casa da gente ou na casa dos outros, é muito bom nos reunirmos, nos aproximarmos mais. Tempo de colocar todos à volta da mesa para convivermos mais, nos aproximarmos mais.
O frio antecede a sua estação, e a gente já começa a esperar a chegada da tainha, o prato principal do inverno, aqui em Santa Catarina, talvez até no Brasil. Os cardumes vem em junho, quando são pescadas toneladas, mas algumas já começam a aparecer. Já disse em outra oportunidade que inverno sem tainha não é inverno e o fato de ter esfriado nos traz a presença, ainda tímida, da vedete das nossas mesas nos dias frios do litoral.
Até o manacá-da-serra, o jacatirão de inverno, começa a florescer, também por antecedência, pois o tempo dele é junho, julho. Tenho visto pés de manacá-da-serra pejados de botões, uma abundância de promessas de cores no nosso inverno. Só faltava a azaleia não atrasar este ano e se adiantar um pouco para o inverno todinho se deslocar para mais cedo.
Mantas, cobertores, casacos, meias e, quem sabe, luvas, cachecóis, botas, todos a postos. O inverno está aí. E as cores também. Porque inverno não quer dizer ausência delas, vejam a quantidade de flores que temos na estação dos galhos secos por causa do frio: temos jacatirões (manacás-da-serra), azaleias, flamboiãs, ipês, bouganvílias, cerejeiras japonesas, orquídeas, cravos, begónias, lírios, gérberas, camélias, magnólias. O inverno é aconchegante e colorido. Inverno é vida.
Meu manacá-da serra não está cheio de botões, como muitos que tenho visto por aí. Mas tudo bem. No inverno do ano que vem, quem sabe? Ele é muito jovem, surgiu no meu jardim sem que eu o tivesse plantado, então é uma dádiva, um presente, e ele florescerá quando tiver vontade. Meu jacatirão de inverno que estava plantado no meio do jardim morreu, depois de grande florada. Eu o podei porque estava enorme, mas devo ter feito alguma coisa errada, infelizmente. Mas o novo está crescendo e logo florescerá. E suas flores se juntarão às dos hibiscos, das azaleias e outras flores do meu pequeno jardim, em um inverno próximo. Não tenho pressa. O inverno sempre volta. As cores também.

Um sebo é uma casa aberta de escritores, mas também ponto de encontro de leitores. Quando a casa se fecha, é a memória que, forçosamente, mais se abre. Deixemos que as memórias encontrem seu devir nas reuniões imprevistas dos, agora, órfãos da Casa Aberta. Para além das lembranças, a Casa permitiu uma outra experiência que, ao menos para mim, denuncia um outro circuito de relações que, silenciosamente, se pode observar.
Vejamos. Abrir um livro é, ao mesmo tempo, convocar à leitura. Inquietar a alma prestes a ler. Nos sebos, livros presentificam certos traços de leitores ausentes. Alguns, cuidadosos, zelosos, disciplinados. Pouco se tem a dizer dos sistemáticos que vivem ocultando seus percursos, talvez por excesso de amor como se fosse preciso cuidar em demasia da sua própria imagem. Outros se mostram em demasia. Dobram páginas. Ávidos, sublinham frases. Anotam suas interpretações nas margens das páginas. Criam símbolos ao final de uma linha para destacar certa importância do texto. Ocorre-me, ainda, que, em alguns casos, há uma classificação de símbolos, cada qual ocupando uma hierarquia de relevância para o leitor. Nem aqueles com hábitos compulsivos escapam, expressos nas marcas de gotas de café ou cinzas de cigarro nas páginas surradas pelo tempo. Ainda há os românticos, que deixam cartas perdidas entre folhas, muitas perfumadas. Como se não bastasse, alguns escrevem versos nas páginas onde o escritor ausentou seu pensamento. No entanto, é claro, há sempre muito mais.
Mesmo que leitores não se deem conta, eles se estendem nos livros e no imaginário de seus escritores. Para os objetivos, o mundo é muito fácil de ser decifrado. É preciso dizer sem rodeios e com exatidão. Contudo, existem os obscuros. Para estes, há, sempre, dúvidas. Estes costumam gostar de autores estranhos. Kafka. Blanchot. Artaud. Borges. Joyce. Proust. Lispector. Kundera. Abreu… Há também os perdidos que buscam no outro o caminho para, paradoxalmente, se “autoajudar”.
Um livro compõe o espírito de uma época; e um sebo, a reunião de épocas. Do outro lado, perdura certos hábitos. Leitores tendem a se repetir nos livros. Qual o livreiro que não tem, sempre, o livro certo a oferecer ao cliente assíduo? Eles se repetem. Assim, os sebos agrupam ideias aprisionadas em obras e, ao mesmo tempo, fazem circular traços de vidas, algumas disformes, outras ordinárias etc.
Para voltar à Casa Aberta, talvez o melhor mesmo tenha sido os encontros, as reuniões de diferentes formas de ver o mundo, os estilos que se misturavam, as utopias que se projetavam. O que estava à nossa disposição na Casa eram os meios pelos quais, por intermédio das narrativas dos escritores, ou dos sons saídos dos sulcos dos LPs, uma outra narrativa se formava ao ritmo da pulsão da vida. A Casa sempre foi, ou ao menos por muito tempo, ponto de encontros de tribos: punks, metaleiros, místicos, comunistas, anarquistas, feministas, libertários; o que gostávamos de nomear como “turma do mal” – uma espécie de grupos que não se adequavam ao “sistema”, o que, evidentemente, nos dava muito prazer de frequentar a Casa. Uma espécie de encontros dos desajustados.
Fechada, a Casa Aberta deixa muitos órfãos. Suspeita-se que eles terão de conviver com uma estranha memória desgarrada de seu território.

Eu andava com muita saudade dos encontros semanais com o saudoso Júlio de Queiroz, talvez o maior escritor catarinense da contemporaneidade. Nós nos encontrávamos com o Júlio, três, quatro ou cinco pessoas, para conversar sobre literatura, artes, vida. E ele era um homem culto, experiente, inteligente, que sabia como ninguém escrever e contar histórias. Era, acima de tudo, um grande amigo. E encontrar com amigos é tudo.
Então andava com saudades de me reunir de novo com os amigos, regularmente: escritores, poetas, leitores. Então surgiu a Confraria do Pessoas, e a Norma, a cronista da Ilha, que organizou um sarau que provocou o surgimento da confraria, o Roney, poeta também da Ilha e a Fátima, poetisa de Laguna que aportou na Ilha, que estão envolvidos com essas novidades, me convidaram para integrar este encontro de pessoas que gostam de poesia, de literatura, de arte, de cultura e de Portugal.
Então tenho orgulho de fazer parte da Confraria do Pessoas. Por que do Pessoas? Como disse Norma, porque Pessoa é vasto, é múltiplo, é muitos. E porque amamos Fernando Pessoa e todos os seus heterônimos. Então sou uma das pessoas que compõe a Confraria do Pessoas. E isso me deixa muito feliz, porque os encontros semanais estão se sucedendo e cada vez mais pessoas tem aderido a ele. E temos ido a diferentes lugares da Ilha para engendrar outros encontros em novos lugares, não só da Ilha, para falar de poesia, para consumir poesia, para dividir poesia. Poesia brasileira, poesia portuguesa, poesia lusófona. Literatura lusófona. É quase um sarau, em bares, restaurantes, em pizzarias e nem nós sabemos em que outros lugares. Lugares para lermos poesia ou até mesmo prosa em voz alta, para que até as outras pessoas presentes possam ouvir, se quiserem.
E falamos também de Portugal, além da literatura daquele país que todos nós do grupo amamos: falamos das suas cidades, das suas gentes, da sua cultura, da sua arte, de tudo que amamos na terrinha. E amamos muito aquele terra, tanto que na primeira reunião foi pensado um grupo no Face, com o nome de AMOR À PORTUGAL, onde postamos tudo o que se refere à terrinha, inclusive literatura. E mais simpatizantes da terrinha vão aderindo. Gente que já foi para lá, como eu, que vou pela sétima vez, e gente que quer ir o quanto antes.
Além da página no Face para dividir o amor por Portugal, foi inaugurada também a página da Confraria do Pessoas. Lá, na abertura da página, consta: “Na Confraria tudo é novíssimo de tão velho e a cada encontro experimentamos lugares, recebemos visitas, acolhemos um novo achegado e inauguramos jeitos mantido o propósito do Ativismo Poético com os dados proselitismos: nossa causa é a Poesia. Nossa religião, a Beleza. Nosso único partido, a Utopia de mundar o Mundo para melhor, pois pra pior já tem muita gente trabalhando. Sim, nós estamos querendo te convencer.”
De maneira que habemos encontros de poetas, novamente, para falar de livros, de autores, para dizer poesia, mesmo que não sejamos declamadores, um tributo ao nosso poeta mor Júlio de Queiroz, que continua presente em nossas reuniões, imortal, através da sua poesia e a todos os poetas do mundo.
Somos a Confraria do Pessoas. Amamos poesia, amamos Fernando Pessoa, o Pessoas, amamos Portugal. Se você também ama tudo isso, visite as páginas do Facebook AMOR A PORTUGAL e CONFRARIA DO PESSOAS. Quem sabe não nos encontramos fora delas?

Luiz Carlos Amorim

A reforma da previdência é inadiável, não se pode negar, outras reformas também são, e qualquer que fosse o presidente no poder teria que fazê-las, obrigatoriamente. Não importa se desse ou daquele partido, as reformas são urgentes. Aliás, já deveriam ter sido feitas há muito tempo, e esse é um ponto importante, que deve ser levado em conta: não gosto do atual presidente, acho que é, simplesmente, o “político” padrão da atualidade – e isso não é um elogio, absolutamente, mas tenho que admitir que o estado em que se encontra o Brasil hoje, quebrado, não é coisa do governo dele, a não ser pelo fato de que ele já fazia parte do governo anterior. O estrago já vem de bem antes. A contenção, a ocultação dos problemas, pelos últimos governos, o fato de esconderem a verdadeira situação de tudo neste país e de escamotearem, de maquiarem as coisas, de segurarem preços que precisavam ser atualizados, para parecer que tudo ia bem, tinha que resultar num estouro, num desmascaramento. Algum dia a verdade teria que aparecer, e apareceu. Estourou na mão dos próprios “governantes” que provocaram tudo, mas tiveram a sorte de tirar o corpo fora na hora certa e deixar o abacaxi nas mãos de outros sedentos de poder a qualquer custo, que também só querem fazer com que alguém pague a conta. E adivinhem quem é esse alguém? O povo, claro.
Então, aí está o país falido, roubado, acabado. E os “políticos” de plantão em polvorosa, projetando uma reforma da previdência que vai fazer o cidadão brasileiro trabalhar até morrer: para se aposentar, ele precisará contribuir por 49 anos. O interessante é que os políticos “desviam” o dinheiro público e quem tem que repor o que foi roubado é o povo, o cidadão brasileiro. O mesmo cidadão que pagou os impostos e taxas que compõe o dinheiro público, o dinheiro que enche os cofres públicos. Todos que “desviaram” recursos públicos deveriam devolver aos cofres públicos o que roubaram, com juros e correção. Mas não é bem o que acontece, muito pouco dinheiro “desviado” é recuperado. Alguns dos “políticos” que “desviaram” dinheiro público até estão presos, mas todos devolveram o que foi “desviado”? E os outros, que nem na cadeia estão? A solução é sempre muito fácil: sumiu o dinheiro, o povo paga de novo, paga em dobro.
E mais, os “políticos” no poder são rápidos em querer que os cidadãos brasileiros trabalhem por, no mínimo, 49 anos, mas não falam em cortar os salários milionários, privilégios e regallias de veradores, prefeitos, deputados, senadores, ministros, presidente, etc, que nós, o povo, pagamos. Se fizessem isso, um bom dinheiro permaneceria nos cobres públicos, para serem usados em favor do povo, como deve ser. E se não “desviassem” dinheiro público, então, o país teria dinheiro para tudo o que precisa ser feito na saúde, na educação, na segurança, na mobilidade e tudo o mais, e todos estariam empregados e consumindo plenamente, aumentando ainda mais a arrecadação de impostos e, consequentemente, de recursos públicos.
Perceberam que não falei a palavra corrupção, em todo o texto? Não precisou, ela está por trás de tudo e é redundante mencioná-la.

A reforma da previdência é inadiável, não se pode negar, outras reformas também são, e qualquer que fosse o presidente no poder teria que fazê-las, obrigatoriamente. Não importa se desse ou daquele partido, as reformas são urgentes. Aliás, já deveriam ter sido feitas há muito tempo, e esse é um ponto importante, que deve ser levado em conta: não gosto do atual presidente, acho que é, simplesmente, o “político” padrão da atualidade – e isso não é um elogio, absolutamente, mas tenho que admitir que o estado em que se encontra o Brasil hoje, quebrado, não é coisa do governo dele, a não ser pelo fato de que ele já fazia parte do governo anterior. O estrago já vem de bem antes. A contenção, a ocultação dos problemas, pelos últimos governos, o fato de esconderem a verdadeira situação de tudo neste país e de escamotearem, de maquiarem as coisas, de segurarem preços que precisavam ser atualizados, para parecer que tudo ia bem, tinha que resultar num estouro, num desmascaramento. Algum dia a verdade teria que aparecer, e apareceu. Estourou na mão dos próprios “governantes” que provocaram tudo, mas tiveram a sorte de tirar o corpo fora na hora certa e deixar o abacaxi nas mãos de outros sedentos de poder a qualquer custo, que também só querem fazer com que alguém pague a conta. E adivinhem quem é esse alguém? O povo, claro.
Então, aí está o país falido, roubado, acabado. E os “políticos” de plantão em polvorosa, projetando uma reforma da previdência que vai fazer o cidadão brasileiro trabalhar até morrer: para se aposentar, ele precisará contribuir por 49 anos. O interessante é que os políticos “desviam” o dinheiro público e quem tem que repor o que foi roubado é o povo, o cidadão brasileiro. O mesmo cidadão que pagou os impostos e taxas que compõe o dinheiro público, o dinheiro que enche os cofres públicos. Todos que “desviaram” recursos públicos deveriam devolver aos cofres públicos o que roubaram, com juros e correção. Mas não é bem o que acontece, muito pouco dinheiro “desviado” é recuperado. Alguns dos “políticos” que “desviaram” dinheiro público até estão presos, mas todos devolveram o que foi “desviado”? E os outros, que nem na cadeia estão? A solução é sempre muito fácil: sumiu o dinheiro, o povo paga de novo, paga em dobro.
E mais, os “políticos” no poder são rápidos em querer que os cidadãos brasileiros trabalhem por, no mínimo, 49 anos, mas não falam em cortar os salários milionários, privilégios e regallias de veradores, prefeitos, deputados, senadores, ministros, presidente, etc, que nós, o povo, pagamos. Se fizessem isso, um bom dinheiro permaneceria nos cobres públicos, para serem usados em favor do povo, como deve ser. E se não “desviassem” dinheiro público, então, o país teria dinheiro para tudo o que precisa ser feito na saúde, na educação, na segurança, na mobilidade e tudo o mais, e todos estariam empregados e consumindo plenamente, aumentando ainda mais a arrecadação de impostos e, consequentemente, de recursos públicos.
Perceberam que não falei a palavra corrupção, em todo o texto? Não precisou, ela está por trás de tudo e é redundante mencioná-la.

*Por Dr. Ricardo Hoffmann, Fisioterapeuta

Quais são os segredos para uma vida longa e saudável? Você realmente conhece todos os fatores que influenciam sua saúde? Sabe o que precisa fazer para ter uma vida longa e saudável? As perguntas são recorrentes no meu consultório e a resposta, apesar de ser parecida em praticamente todas as situações, NUNCA é a mesma. E por que não? Simples! Somos seres únicos. Apesar de fisiologicamente termos reações semelhantes, nossos fatores epigenéticos (alheios à nossa genética) vão nos levar a situações, sintomas e doenças completamente distintos.
E ao falar sobre isso, gosto de abordar a visão da Nova Medicina Germânica do Dr. Ryke Geerd Hamer. Em 1978, ele perdeu seu filho Dirk, de 17 anos, baleado acidentalmente. Dois meses depois, recebeu o diagnóstico de câncer testicular, com prognóstico de 1% de chances de sobrevivência. O médico, oncologista, ficou intrigado com o fato de ter hábitos saudáveis, “cabeça boa”, e receber tal notícia logo após a fatídica perda. Fez a remoção do testículo e no retorno aos atendimentos, questionou seus pacientes se teriam passado por algum tipo de “choque” emocional antes do aparecimento dos sintomas. TODOS confirmaram a suspeita.
Isso o certificou de que a sua doença tinha sim relação direta com a perda de seu filho e o motivou a aprofundar seus estudos até chegar às cinco leis biológicas que explicam a natureza por trás de todos os sintomas e doenças, tanto físicas e fisiológicas quanto emocionais e comportamentais.
O que fica dos estudos desse fantástico médico, vivo aos 81 anos de idade, é que praticamente TODO sintoma, seja ele físico ou emocional, tem por trás um “sentido biológico” desencadeado por um “choque”, uma situação dramática e inesperada. Nenhum sintoma aparece “do nada”.
Por que muitas vezes uma doença grave aparece numa fase de vida onde se está mais tranquilo? Por que um infarto com frequência ocorre mais ao final do dia, durante a caminhada ou no relaxamento? Simples. É o momento em que saímos da “guerra” e a brecha que o corpo precisa para se recuperar, se reestruturar e preparar você para uma nova luta.
Entramos e saímos de várias “guerras” durante a nossa vida, a cada dia. Umas duram segundos, outras horas e algumas, meses ou anos. E a regra básica é sempre resolver os conflitos de forma rápida e coerente. Sair da “guerra” o mais rápido possível, com bom senso, entendendo e respeitando os sinais que seu corpo apresenta.
Fazer uma “faxina” dos choques e traumas de nossa história é a proposta da Microfisioterapia. Juntar a isso hábitos saudáveis, alimentação adequada, atividade física, contato com a natureza, atividades em grupos (dança, canto, artes), meditação, evitar pessoas “tóxicas” que só fazem mal, ter atitudes prestadias e ser proativo, fazer o que dá prazer (desde que saudável).
É difícil? Vale a pena? Eu o desafio a tentar. Comece aos poucos, um degrau por vez. Buscar saúde é completamente diferente de fugir da doença!

Os conselheiros do Tribunal de Contas do Rio que foram presos não estão no Tribunal de Contas porque entendem do assunto. Estão lá por indicação política.
Outros conselheiros, de outros tribunais de contas, de outros estados também não estão lá por mérito. O que é mérito? Estão lá por indicações políticas.
Os governadores indicam quem vai fiscalizar os governos. Tá bom assim?
Os diretores da Petrobras acusados na Lava Jato foram indicações políticas.
Os fiscais do Ministério da Agricultura acusados na Carne Fraca também não ganharam seus cargos porque estudaram pra isso. Indicações políticas.
Os diretores da Receita Estadual do Paraná acusados na Operação Publicano não ganharam essa função porque entendem do assunto. São todos indicações políticas.
Cartel dos Trens em São Paulo? Indicações políticas.
Executivo, legislativo e judiciário. Federal, estadual e municipal. Pega um escândalo. Pega um caso de propina, desvio, corrupção. Vê quantos têm indicação política no meio.
Não é uma pessoa. Não é um partido. É o sistema.
Sim. Inclusive nos melhores tribunais, o sistema é basicamente o mesmo. Até os ministros do STF, o órgão máximo da nossa Justiça, são indicações políticas.
O rei está nu. A situação passou do limite. O que queremos é mudança de verdade?
Então, até quando a sociedade vai aceitar que os culpados sejam punidos (o que é novidade, excelente novidade) e os cargos, que deveriam ser públicos, continuem sendo reocupados do mesmo jeitinho: por grosseiras indicações políticas?

Sergio Machado

Uma das maiores preocupações do governo após a proclamação da República foi oferecer uma educação popular capaz de civilizar e moralizar a população reconhecendo que no regime monárquico a escola pública era deficiente.
Em 1910, quando Vidal Ramos, o governador de Santa Catarina, iniciava o seu governo, estabeleceu como uma de suas prioridades realizar uma grande reforma da Educação, que fosse inovadora e radical, como as escolas já criadas em São Paulo, com características de escola graduada, possibilitando a educação popular do Brasil na zona urbana.
Surgiu então a escola pública de ensino primário com quatro anos de escolaridade, denominada Grupo Escolar, com um programa que previa uma educação integral visando a formação do físico, do intelecto e da moral.
A cidade de Itajaí foi contemplada com um dos seis Grupos Escolares implantados em Santa Catarina. Em 1913 inaugurava-se o Grupo Escolar Victor Meirelles, na rua Hercílio Luz, a principal da cidade.
A implantação desses grupos escolares mudou a história do ensino público primário no Brasil. Além de um ensino seriado, havia um professor normalista para cada série e um diretor.
“Era um projeto cultural que ia muito além da simples transmissão do conhecimento e implicava na formação de valores morais e cívicos para o desenvolvimento do espírito de nacionalidade, valorizando os ideais republicanos.”
Passados quase 80 anos de atividades, as paredes do prédio, já envelhecidas pelo tempo, estavam necessitando de um repouso para se manterem firmes, deixando livre aquele espaço acumulado de sons e do movimento de milhares de pessoas que ocuparam o ambiente. A construção foi aproveitada para atividades culturais, que diminuiria o afluxo de tantas pessoas e ali se instalou a Casa da Cultura, em 1982.
Mas a educação pública continuou a ser desenvolvida em outro prédio construído no mesmo terreno da escola e até hoje a Escola de Ensino Médio Victor Meirelles vem contando a história da educação da cidade de Itajaí.
De repente, surge a notícia de que o estado vai fechar a escola e o prédio será entregue ao município, que aproveitará o espaço para atividades culturais.
Qual o motivo? Há um sussurro de que outras escolas foram construídas e que os alunos terão que preencher as vagas ali existentes.
Ora, fechar uma escola com mais de mil alunos porque há outras com vagas, não é argumento que mereça aprovação de pessoas de bom senso, pois sabemos que a população aumenta e, em poucos anos, haverá necessidade da construção de outras escolas. É de se pensar, também, que quando se fecha uma escola, é muito provável que se construam cadeias.
E o que dizer do fechamento de uma escola que foi a primeira da grande reforma da educação, instalada em Itajaí, com uma história de 113 anos, formando cidadãos que engrandeceram e engrandecem a cidade, que receberam as primeiras noções de patriotismo e boa convivência?
O prédio, que era do Grupo Escolar Victor Meirelles, passou a se chamar Casa da Cultura Dide Brandão e o nome da escola desapareceu. Agora, a escola de Ensino Médio está prestes a desaparecer?
Pelos motivos mencionados acima, os cidadãos desta Cidade precisam valorizar a Escola de Ensino Médio Victor Meirelles, preservando a sua história como patrimônio da educação de Itajaí, requerendo a permanência desta “escola da República”, instituída logo após a proclamação.
Os itajaienses precisam se orgulhar deste símbolo da Educação Pública da cidade e reivindicar é uma boa reforma no prédio, condizente com sua importância.

O outono chegou, e chegou na hora certa. O descompasso do clima, causado pelo desrespeito ao meio ambiente e à natureza por parte do ser humano, não atrasou o verão, entrando pelo outono adentro, como em outros anos e a nova estação começou exatamente quando devia começar. Bônus para nós, que nem merecemos.
Gosto do verão, mas esse último foi muito quente – quente demais – e é um alívio ver que com o outono o tempo ficou
menos quente, já não é mais preciso ligar o ar condicionado à noite, a chuva tem comparecido com mais frequência, as temperaturas estão agradáveis.
Finalmente chega o outono e a esperança é de que o tempo continue mais temperado, afinal estamos entrando na meia-estação. Agora, poderemos nos vestir melhor, poderemos fazer atividades várias sem suar em bicas, sem precisar estar ligando ventiladores, condicionadores de ar, etc.
As árvores, algumas delas, começarão a perder as folhas, a paisagem não será tão bonita como na primavera, mas
em alguns lugares, pelo menos aqui pelo sul, temos plátanos, e eles ficam lindos nessa época. Temos, também, a
quaresmeira, o jacatirão da época da Páscoa, que começa a sua florescência e deixa as matas coloridas e festivas,
como se fora primavera.
E em junho, no final da estação, começa a florescer o jacatirão de inverno ou manacá-da-serra, as paineiras, as
azaléias e por aí afora. E dá-se a passagem do outono para o inverno da maneira mais bela possível. Quem disse que o
outono não é estação de cores? Então, seja bem-vindo, outono, com temperaturas mais aconchegantes, com menos seca e com um pouquinho mais de chuva, com clima bom para aproximar mais as pessoas. Noites mais frescas, boas para reuniões para degustação de bons pratos, boas bebidas, bons vinhos.
Tempo de mais abraços, mais carinhos, mais amores. Tempo de aproximação, de mais calor humano, diferente do calor escaldante do verão. Tempo de ser feliz, de fazer feliz, de cuidar bem desse nosso Planeta Terra que merece mais do nosso carinho e atenção.

Sou um eterno admirador dos cães, talvez até mais do que por muitos humanos que existem por aí. E fico muito triste, indignado, em ver como maltratam os bichos. Há algum tempo, vi uma matéria na televisão sobre os cães que são abandonados diariamente pelas pessoas nas ruas das cidades. O telejornal flagrou pessoas abandonando, sorrateiramente, animais em ruas mais afastadas do centro, em qualquer rua e até em um canil que acolhe os bichos para serem adotados.

Num dos casos, uma cadela jovem de médio porte era colocada pra fora do carro, que saiu em disparada e o animal saiu correndo atrás. A volta ao assunto, no mesmo telejornal, foi justamente porque alguém reconheceu a cadelinha abandonada, encontrada atropelada, dias depois, toda machucada, quebrada, magra, sem quase poder andar, quase à morte.
Não dá pra entender a crueldade de pessoas que compram um animal de estimação com o qual, na maioria das vezes, alguém da família se apega. Mas em ele crescendo, ou ficando doente, ou em caso de viagem, a criatura é abandonada sumariamente.

O dono da cadelinha preta que foi atropelada está sendo procurado pela polícia e vai preso, espero, se for encontrado. É preciso coibir essa prática tão comum em nossas cidades, pois há um sem número de cães abandonados em nossas ruas, ficando doentes, sendo atropelados, morrendo aos pouquinhos e espalhando doenças.
Em outros países, como Inglaterra, Estados Unidos e outros, é crime a crueldade com animais e os envolvidos são presos, pagam multa e perdem a guarda. No Brasil até está escrito que maltrato à animais dá multa e prisão, mas não funciona, como muitas outras coisas por aqui.

E esse estado de coisas não é de agora. Lembro que, há uns dois anos, denunciei uma dona de quatro waimaraners, pois os cães estavam abandonados em uma casa vazia em uma rua paralela a minha, sem comida, sem água e doentes. Enquanto a dona não aparecia, eu levava comida e água diariamente. Fiz isso durante um mês, até que uma ONG levou a polícia até lá. Mas apesar de um dos cachorros estar esquelético e quase morrendo, a dona prometeu cuidar deles e a coisa ficou por isso mesmo. Os cachorros continuaram lá, até que sumiram todos, um a um. Não sei se morreram todos ou se a dona os realocou. A verdade é que hoje existem outros quatro cachorros lá, um dálmata e outros três viralatas, que pelo menos devem estar sendo alimentados, porque não estão magros demais.

Onde está a humanidade das pessoas que abandonam seus bichos de estimação assim, com tanta facilidade?

O 8 de março, comemorado como o Dia Internacional da Mulher, foi apenas mais uma data no calendário, mas que faz sentido se nós lembrarmos do importante papel das mulheres na socidedade, nas lutas pelo pão, pela paz e pela liberdade.
Muitas comemorações demagógicas e festas foram feitas por todo o país e pelo mundo afora. Há o que comemorar? Respondo com amaior convicção: NÃO!
Por que? Porque a maioria dos 1,5 bilhões de pessoas que vivem com um dólar por dia ou menos é constituída por mulheres. Além disso, o fosso entre homens e mulheres apanhados no ciclo da pobreza não parou de aumentar na última década, um fenômeno que tem sido referenciado como “a feminização da pobreza”. No mundo inteiro, as mulheres ganham em média 50% menos que os homens. As mulheres são os pobres do mundo!
As mulheres que vivem na pobreza veem-se muitas vezes privadas do acesso a recursos de crucial importância, como o crédito, as terras e as heranças. Não se recompensa nem se reconhece o seu trabalho. As suas necessidades em termos de saúde e alimentação não são prioritárias, carecem de acesso adequado à educação e aos serviços de apoio e a sua participação nas tomadas de decisões, tanto a nível doméstico como na comunidade, é mínima.
Finalmente, é preciso denunciar que o modo de reduzir a pobreza das mulheres tem sido conduzido de maneira paliativa, sem políticas estruturais. As ONGs que atuam na área cumprem a cartilha das grandes Fundações como Rockfeller, Bill Gates entre outras trabalhando em projetos locais destinados a pôr em execução políticas para garantir que todas as mulheres tenham uma proteção econômica e social adequada durante os períodos de desemprego, doença, maternidade, gestação, viuvez, incapacidade e velhice; e que as mulheres, os homens e a sociedade partilhem as responsabilidades pelos cuidados das crianças e de outros dependentes. Mas, na verdade, essas fundações e outras instituições filantrópicas nada fazem para mudar as causas da pobreza.
Para concluir esse texto vamos nos socorrer do trabalho da grande combatente comunista baiana Ana Montegroque em visita à Curitiba em 1985, autografou, na Livraria Dario Velozo, o seu livro Mulhere – participação nas lutas populares, que tive o prazer da dedicatória da amiga e saudosa companheira Aninha, como era carinhosamente chamada pelos seu companherios(as) e camaradas.
É no contexto desta intrincada teia de dificuldades que devemos localizar – e valorizar- o esforço feito por Ana Montenegro em documentar momentos da participação feminina nas lutas populares brasileiras.
Nesse sentido os fatos que a memória de Ana Montenegro trouxe à luz permitem testemunhar em primeira instância – e por menos que assim a autora – a grandeza da sua própria vida e luta. Mas eles testemunham sobretudo que neste seu engajamento se personificaram a marca e a qualidade das lutas das mulheres do seu tempo.
Viva o 8 de março! Reflexão, protesto e resistência pelo respeito e valorização das mulheres!
(*) Engº Agrº Valdir Izidoro Silveira, jornalista e Especialista em Planejamento e Desenvolvimento Regional-ILPES/CEPAL/ONU-IPARDES-PR.