Quatro perguntas sobre o novo espetáculo “Contestados”, da Cia Mútua

25/03/2019 22:08

A trágica Guerra do Contestado, ocorrida entre 1912 a 1916, entre os estados de Santa Catarina e Paraná, será apresentada por meio do espetáculo de teatro “Contestados”, da Cia Mútua Teatro & Animação (Itajaí/SC).

A estreia ocorre dias 29 e 30 de março em Itajaí, na Casa da Cultura Dide Brandão.

Confira as quatro perguntas realizadas para a Companhia sobre esta nova montagem:

1 – O que motivou a Cia Mútua a montar este espetáculo?

O fato de que a história sobre a Guerra do Contestado seja quase desconhecida para os próprios catarinenses (assim como para os integrantes da companhia) devido a este episódio não ser ensinado nas escolas, nos motivou profundamente.  Nos perguntávamos por que esse conflito foi apagado dos livros escolares, ou mencionado de forma rápida e sem profundidade. Isso nos instigou a querer resgatar essa história esquecida e trazer esse conhecimento para o público de dentro e fora do estado.

2 – Qual a importância de repassar conhecimento sobre a Guerra do Contestado nos dias atuais?

A Guerra do Contestado foi a segunda maior guerra camponesa da América Latina. Apenas com esse fato, acreditamos que é de grande importância a montagem do espetáculo, já que poucas pessoas conhecem esse dado (inclusive nós como grupo ficamos sabendo dele durante as nossas pesquisas). Resgatar essa história pode trazer questionamentos muito importantes sobre nosso próprio Estado e sua conformação atual, como é pensada Santa Catarina hoje, quem eram os catarinenses que moravam nessa região e quem são os catarinenses agora. Existe uma história oficial que nos foi repassada e uma outra história que nos foi ocultada? Alguém escreveu uma vez que “…se a história a escrevem os que ganham, isso quer disser que existe outra história, a verdadeira história”. O conhecimento sobre a Guerra do Contestado pode trazer uma luz  sobre essa verdadeira história e sua reverberação nos tempos atuais.

3 – Como foi o processo de criação? Como chegaram no resultado final?

O processo de criação iniciou nos primeiros meses de 2018. Realizamos uma ampla pesquisa de campo em alguns dos locais mais importantes do conflito, como Lebón Regis, Irani e Caçador. Isso nos permitiu conversar com várias pessoas que nos repassaram muitos conhecimentos sobre fatos e situações da época. Lemos e assistimos livros, entrevistas, filmes ficcionais e documentais. Com toda essa bagagem, nos sentamos junto com o diretor e realizamos um recorte dos principais fatos. Assim, chegamos na construção de um roteiro e então chamamos um dramaturgo para organizar textualmente todo esse material. Como a nossa pesquisa é no teatro de animação, tivemos que procurar qual técnica seria a adequada para contar essa história e chegamos a conclusão que nenhuma das técnicas que já tínhamos trabalhado se encaixava nesta dramaturgia, até que encontramos um caminho novo para nós (que não vamos contar porque queremos que seja surpresa, rsrs).

Tivemos a oportunidade de contar com o Prêmio Elisabete Anderle para a realização desta montagem, e isso nos permitiu contratar uma equipe de profissionais muito competentes para cada área (música, cenários, desenho de bonecos, dramaturgia, iluminação, etc), trazendo uma riqueza muito grande para todo o processo.

Estamos contentes com o resultado final.  O público poderá conferir nos dias 29 e 30 de março na Casa da Cultura em Itajaí e nos dia 05 e 06 de abril no Teatro Embaixo da Ponte em Rio do Sul. Esperamos que as pessoas se apaixonem por essa história da mesma forma que aconteceu conosco.

 

4 – Se quiserem falar algo que não foi perguntado, fiquem a vontade:

Por último, gostaríamos que o espetáculo sirva como uma singela homenagem ao povo sempre esquecido do Contestado. Um povo que luta, resiste e sonha. Um povo simples e profundo. E através dele que possamos ecoar as vozes de todas as minorias marginalizadas do passado e do presente. Talvez isso nos ajude a repensar a nossa história como habitantes deste estado e como seres humanos, ainda mais nestes tempos onde a qualidade “humana” parece estar em decadência.

 

// FICHA TÉCNICA //
Direção: Willian Sieverdt
Atuação: Laura Correa e Mônica Longo
Dramaturgia: Guilherme Peixoto, Laura Correa, Mônica Longo e Willian Sieverdt
Texto: Gregory Haertel
Operação técnica: Guilherme Peixoto
Cenografia: Jaime Pinheiro
Trilha Sonora: Guilhermo Santiago
Desenho e Pintura de Figuras Planas: Marcos Leal
Mecanismos: Guilherme Peixoto
Iluminação: Flávio Andrade
Figurino: Lucas David
Arte Gráfica: Antônio Humberto

// SERVIÇO //
Estreia do espetáculo teatral Contestados
29 e 30 de Março | 20h | Casa da Cultura Dide Brandão | Itajaí/SC
05 e 06 de Abril | 20h | Teatro Embaixo da Ponte | Rio do Sul/SC
Entrada Franca

 

 

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