A Banalidade do Mal

26/04/2017 23:17

Em tempos em que a CLT sofre a brutal ameaça de ser totalmente desmantelada, é sempre bom lembrar de Hannah Arendt e o seu polêmico livro Eichmann em Jerusalém, que narra o julgamento de um homem que simplesmente cumpria ordens, fazia competentemente seu trabalho enquanto o genocídio de seu povo nas câmaras de gás tinha sua burocrática participação.

Faço essa correlação ao ouvir vários trabalhadores que não possuem noção da importância e da gravidade dessas mudanças que estão em tramitação no congresso. Esses trabalhadores que apenas cumprem seu ofício, falam de seus times, suas novelas e julgam que a paralisação do dia 28/04 não lhes diz respeito.

Abaixo, um trecho do filme Hannah Arendt, da diretora Margareth von Trotta.

Vale refletir sobre o momento atual de nosso país, e pensar que a paralisação do dia 28/04 seja um recado aos legisladores do Brasil de que não somos tão omissos assim.

Arte e inclusão – A Epidemia de Cores

25/04/2017 17:37

Amanhã, 26/04, às 19h no Teatro do Sesc Itajaí, acontece o projeto Diálogos Urgentes, com os temas arte, inclusão e educação para portadores de necessidades especiais.

Será exibido o documentário Epidemia de Cores, do cineasta Mário Saretta, que fala sobre o desenvolvimento cognitivo dos pacientes de um hospital psiquiátrico a partir de atividades artísticas.

 

Após o documentário, haverá um roda de conversa com a psicóloga Ana Cláudia Spinelli.

 

Cena do documentário Epidemia de Cores

 

Sobre o filme:
O documentário narra a rotina dos participantes e coordenadores da Oficina de Criatividade ministrada no Hospital Psiquiátrico São Pedro, em Porto Alegre. As atividades no local contam com a participação de ex-internos, moradores do hospital psiquiátrico e frequentadores interessados em arte, arteterapia ou no desenvolvimento de atividades expressivas, como pintura, bordado, escultura em argila e escrita criativa.

 

 

Sobre o Projeto Diálogos Urgentes Sesc
Projeto oferecido gratuitamente com o objetivo de trazer à tona temas atuais e pertinentes, de modo a gerar uma reflexão conjunta e contribuir para a construção de práticas colaborativas. Desta forma, o Sesc busca favorecer o diálogo entre a sociedade, grupos, estudantes, coletivos e demais agentes sociais. O encontro ocorre sempre na última quarta-feira de cada mês de 2017.

Serviço:

Diálogos Urgentes - Epidemia de Cores - Roda de conversa com a psicóloga Ana Cláudia Spinelli

Quando: 26/04 às 19h

Onde: Teatro do Sesc Itajaí - Rua Almirante Tamandaré, nº 259 

Quanto: gratuito

 

Atenção artistas: Circo da Dona Bilica seleciona espetáculos para programação

24/04/2017 23:31

O Circo da Dona Bilica é espaço cultural localizado em Florianópolis, que com intensa programação artística e  de cultura, é um dos pontos de referência para artistas e público na capital catarinense.

O espaço foi fundado e é mantido pela Cia Pé de Vento, um dos grupos teatrais mais atuantes de Santa Catarina.

O Circo da Dona Bilica está selecionando espetáculos teatrais e circenses para compor sua programação.

Maiores informações sobre como funciona a seleção e como mandar materiais podem ser esclarecidas no e-mail: contato@pedeventoteatro.com.br.

Pepe Nuñes e Vanderléia Will, gestores do Circo da Dona Bilica

Mais informações também no site do espaço: https://www.circodonabilica.com.br

Espetáculo Cena Morta fecha o 6º Festival de Teatro de Balneário Piçarras

23/04/2017 18:31

Daqui a pouco o espetáculo teatral Cena Morta, da Cia Persona, de Florianópolis, fecha o ciclo de apresentações do 6º Festival de Teatro de Balneário Piçarras.

Foto Bruno Ropelato

O festival, iniciativa que é um exemplo a ser seguido por todas as administrações municipais do Santa Catarina, se caracterizou pela diversidade de espetáculos e pelo acesso gratuito à comunidade.

Sobre o espetáculo, compartilho abaixo a crítica que escrevi para o site Teatrojornal.com.br, a partir do projeto Crítica Militante, patrocinado pelo Proac de São Paulo.

Foto Bruno Ropelato

 

A Fúria por um papel e o amor ao teatro

A ambivalência entre o real e o ficcional é um dos motes para a encenação de Cena morta, da Persona Cia. de Teatro, de Florianópolis. Esse duplo lugar onde o que de início parecia ser recepção informal e o que é de fato encenado engendra um modo de ver que oscila entre o riso, a dúvida e o desconforto. Além desse lugar ambíguo de onde se vê uma trama de mal-entendidos e conspirações, há ainda um tipo de violência sub-reptícia que se desvela a partir das relações entre os personagens, já que essa oscilação entre o que é ou não verdade, afeto, amizade, interesse e rancor, tal como a ficção, permanece sempre em terreno movediço.

Foto Bruno Ropelato

 

A textura que se estabiliza em meio ao exagero e aos carões não é a da violência em si, mas a da paixão pelo teatro, pelo estar em cena
O enredo gira em torno das ilusões de uma mulher de se tornar atriz de sucesso. Os jogos de pequenos poderes, conhecidos influentes e artistas ególatras são postos em cena com ironia ácida. As chantagens e pretensas genialidades dos diretores, os malfadados testes que não testam nada além do rosto mais bonito, as pequenas traições de colegas e estratagemas em prol de papéis irrelevantes são tratados com mordacidade, tocando a sátira, e traçam uma bem humorada crítica aos clichês de ensino das escolas de atuação para teatro e TV, bem como às superficialidades de parte do meio artístico.

A referência ao cinema noir, uma constante nos trabalhos do diretor e autor Jefferson Bittencourt, é abrangente. As construções arquetípicas das femmes fatales, da ingenuidade feminina e da fraqueza moral da mulher invejosa se desvelam com vigor no trabalho das atrizes Juli Nesi, Raquel Stüpp e Giselle Kincheski. A opção pela violência mascarada e a intricada trama de traição, subserviência e poder tendem ao mistério e ao suspense, embora elementos que subvertem o realismo e a narrativa linear acabem por abarcar um universo com maiores pretensões do que a mera referência cinematográfica.

Foto Bruno Ropelato

As quatro personagens assumem estruturas narrativas que coadunam com a potência de enganos e falsas expectativas que permeiam a trama. Os jogos entre o que se acredita e o que se espera constitui um fabulário repleto de pistas forjadas, sinuosidades e engodos, oscilando entre o metateatral e o novelesco. O uso da máscara como elemento de desenlace encaminha para o simbólico as derrocadas das ações-chave, que, entremeadas com a inserção musical fortemente narrativa, dão o tom a um percurso imagético que se fecha em ciclos de altos e baixos, claros e escuros.

Mas, especificamente, sobre o que fala Cena morta? Sobre o amor ao teatro. Em meio a tramas de traições e violência, egos inflados e a ganância pela cena, o espetáculo é uma declaração de amor ao teatro, suas vicissitudes e incoerências, suas dificuldades e vícios. As apropriações de textos clássicos nos monólogos, a fúria por um papel das atrizes iniciantes e sua grandiloquente esperança em brilhar desvelam um mundo de engrenagens internas que fazem o teatro funcionar. Cena morta esbarra em alguns lugares-comuns, alguns jargões e clichês, mas não se afasta de um universo cotidiano de relações dos artistas com seus colegas e a atuação em si.

Foto Bruno Ropelato

Poderia ser apenas uma trama urdida para desvelar com sarcasmo o submundo da competitividade nas artes cênicas (embora esse tipo de selvageria seja bem mais comum no mundo da TV), mas as estratégias de montagem e construção dos laços que unem e esgarçam as relações entre os personagens dão maior envergadura ao trabalho. Ultrapassa a história pela narração, da mesma maneira que o real não é apenas o que é visível. A textura que se estabiliza em meio ao exagero e aos carões não é a da violência em si, mas a da paixão pelo teatro, pelo estar em cena. É essa a força motriz que move todas as personagens em direção aos desfechos que a dramaturgia do espetáculo impõe.
Ficha Técnica:
Autoria e direção: Jefferson Bittencourt
Com: Clei Grött, Giselle Kincheski, Juli Nesi e Raquel Stüpp
Figurinos e objetos: Valéria de Oliveira
Costura: Lilian Bandeira
Maquiagem/Visagismo: Alan Silveira
Fotos: Bruno Ropelato
Trilha sonora e iluminação: Jefferson Bittencourt
* Texto escrito no contexto do projeto Crítica Militante, iniciativa do site Teatrojornal – Leituras de Cena contemplada no edital ProAC de “Publicação de Conteúdo Cultural”, da Secretaria do Estado de São Paulo.


Serviço:

Cena Morta

Quando: 23/04 às 19h30

Quanto: gratuito

Onde: Fundação Cultura de Balneário Piçarras 

Classificação etária 12 anos

Hoje tem teatro para crianças no Festival de Balneário Piçarras

22/04/2017 09:17

Duas peças de teatro para infância agitam o 6º festival de Teatro de Balneário Piçarras. A divertidíssima Arroz e Feijão, às 14h30 e Mergulho, para crianças bem peqenas, às 19h30.

A comédia musical para infância Arroz e Feijão em Colapso no Sistema, do grupo Cirquinho do Revirado, de Criciúma, mostra com muita diversão o interior do corpo humano, e tenta resolver um grande mistério.

Em #Mergulho – Experiência Teatral, da Eranos Círculo de Arte, de Itajaí, as crianças são levadas a descobrir o fundo do mar e outros ambientes através de projeções e interação com os personagens. #Mergulho é indicado para crianças a partir de 1 ano, ou seja, levem seus bebês.

Serviço

Espetáculo Arroz e Feijão em Colapso no Sistema

Quando: 22/04 às 14h30

Onde: Centro Cultural Luiz Telles, em Balneário Piçarras

Quanto: gratuito



#Mergulho

Quando: 22/04 às 14h30

Onde: Centro Cultural Luiz Telles, em Balneário Piçarras

Quanto: gratuito

 

 

Duas peças em cartaz neste final de semana em Itajaí

21/04/2017 18:17

Daqui a pouco, às 20h, duas peças entram em cartaz em Itajaí: Chá Preto, da Cia A Lontra Faz Teatro, de Florianópolis, e Como Apavorar Monstros, do Coletivo sem Título, de Itajaí.

A comédia Chá Preto, que será apresentada no Teatro do Sesc Itajaí, fala sobre duas irmãs, Verônica e Isadora, que recebem convidados para um chá enquanto aguardam ansiosas a chegada da prima Carmela.

Os conflitos da família são expostos, entre regras e etiquetas, na medida em que adentramos o universo dessas mulheres. Entre elas há histórias e segredos, como também há a urgência e o tempo de virem à tona.

Ficha técnica:

Direção: A Lontra
Elenco: Beatriz Cripaldi, Juliana Riechel e Thaís Carli
Texto Original: Carolina Janning, Gabriela Leite, Juliana Riechel, Lisa Brito e Mirella Granucci
Direção de Arte: Leandro Lunelli
Produção: Camila Petersen e Gabriela Leite

Classificação: 12 anos
Duração 75 minutos

 

Em Como Apavorar Monstros, histórias de ninar tomam proporções assustadoras.

Foto: Ruca Souza

Sinopse: Era só uma noite que iria dormir na casa de um amigo, mas depois que a mãe conta uma história de ninar, monstros começam a espreitar. Primeiro invadem os sonhos, depois invadem as brincadeiras até que os meninos começam a se identificar com esses monstros. A transformação acontece até que os monstros de fora e de dentro não tenham mais diferenças. Como apavorar monstros revisita o mito da inocência infantil para investigar os jogos de poder que dão condições ao processo de monstrificação do outro, o estrangeiro. E se pergunta se é possível curar opressores.

Foto de: Ruca Souza

 

Ficha técnica:
Direção: Osmar Domingos
Atuação: Adriano Magalhães, Daniel Barros e Osmar Domingos
Operação técnica: Emanuela Beatriz
Cenografia: Maria Clara Riede Ferreira
Arte Gráfica: Adriano Magalhães
Fotografias: Ruca Souza
Classificação indicativa: 14 anos — com Osmar Domingos e outras 3 pessoas em Casa da Cultura Dide Brandão.

 

Serviço:

Espetáculo Chá Preto

Quando: 21 e 22/04 às 20h

Onde: Teatro Sesc Itajaí

Classificação etária 12 anos

Quanto: Gratuito




Espetáculo Como Apavorar Monstros

Quando: 21/04 (20 horas), 22/04 (19 horas) e 23/04 (18 horas) 

Onde: Casa da Cultura Dide Brandão

Classificação etária 14 anos

Quanto: gratuito


 

 

Hoje tem Afro-X no Sesc Itajaí

20/04/2017 17:15

Daqui a pouco o rapper Afo-X dará um palestra no Sesc Itajaí.

Afro-X é o nome artístico do rapper, escritor e educador Cristian de Souza Augusto, que formou junto com rapper Dexter o grupo 509-E.

Lançou em 2009 o livro Ex-157, a história que a mídia desconhece, prefaciado pelo jornalista Caco Barcellos, onde contra sua trajetória de vida, como entrou e saiu do crime e o quanto a música foi responsável por sua regeneração.

Para abrir a palestra, o grupo de dança MiniBacks Family, de Itajaí, apresentará a coreografia Desconcerto Musical, do professor e coreógrafo Allan Back.

Serviço:

Palestra com o rapper Afro-X

Quando: 20/04 às 20h

Onde: Sesc Itajaí

Quanto: gratuito

 

123 Alice e Fadas nesta quinta-feira no Festival de Teatro de Balneário Piçarras

19/04/2017 22:29

Nesta quinta-feira os espetáculos 123 Alice, da Cia Téspis, de Itajaí, e Fadas, da Cia Essaé, de Joinville, se apresentam no Festival de Teatro de Balneário Piçarras.

Espetáculo 123 Alice, da Téspis Cia de Teatro, de Itajaí. Foto Fernanda Freitas.

Livremente inspirado em “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carroll, a montagem de 123 Alice explora a ludicidade para contar a aventura de Alice, que mergulha em um mundo cheio de enigmas e fantasias.

Espetáculo 123 Alice, da Cia Téspis de Teatro, de Itajaí. Foto Fernanda Freitas.

Cenários móveis, que se transformam em vários ambientes, projeções e brinquedos que se tornam personagens através de animação de objetos são recursos que ajudam a contar a história de maneira divertida e engraçada.

Em Fadas, espetáculo livremente inspirado no conto homônimo de Charles Perrault, uma menina é recompensada com o dom de expelir pedras preciosas através de suas palavras.

Espetáculo Fadas, Cia Essaé, de Joinville. Foto Fernando Arsego.

Ulizando-se de animação de objetos, o espetáculo reflete com delicadeza sobre o poder das palavras e das atitudes.

Espetáculo Fadas, Cia Essaé, de Joinville. Foto Fernando Arsego.
Serviço:

Espetáculo 123 Alice
20/04 às 14h30
Centro Cultural Luiz Telles, em Balneário Piçarras
Indicação etária a partir de 5 anos

Espetaculo Fadas
20/04 às 19h30
Centro Cultural Luiz Telles, em Balneário Piçarras 

 

Nesta quarta-feira, Música Orgânica

18/04/2017 21:55

O grupo Música Orgânica se apresenta no Sesc Itajaí às 20h desta quarta-feira.

Música Orgânica é um grupo que mescla diversas influências para compor um som próprio. André de Miranda, Carlinhos Ribeiro e Cezinha Silva, são músicos experientes, participaram juntos de diversos outros projetos. Essa intimidade é completamente revertida na música do Trio,  intimidade que o grupo busca também com o público abordando temas que sensibilizam quem os ouve.

A poesia das canções, ponto marcante do trabalho, propõe reflexões sobre as nuances da  vida, evocam a necessidade de uma tomada de consciência, defendem a preservação do patrimônio natural e histórico.

Há algum tempo o Trio resolveu experimentar a afinação dos instrumentos na frequência de 432 Hz, chamada “Afinação Orgânica”.  Segundo algumas teorias essa frequência produz vibrações mais harmônicas com a natureza quando comparada à afinação em 440 Hz, estabelecida mundialmente como padrão. Essa experiência têm gerado resultados significativos na música do grupo.

A afinação em 432 Hz foi usada na gravação do primeiro trabalho do Música Orgânica. O disco “O dia do despertar” tem a produção musical assinada pelo músico e produtor argentino Marcos  Archetti.

Serviço:

Apresentação musical do grupo Música Orgânica 

Sesc Itajai

20h

Gratuito

O Universo Onírico de Jandira Lorenz

17/04/2017 21:57

Para quem quiser conhecer a obra de uma das mais importantes desenhistas do país, a artista visual Jandira Lorenz,  a exposição O Universo Onírico de Jandira Lorez está aberta para visitação até o dia 30/04, no Sesc Itajaí.

Foto de Michele Diniz

Jandira desenvolveu ao longo dos anos uma técnica apuradíssima, repleta de nuances e detalhes que fazem com que cada desenho consiga ter tal quantidade de referências e perspectivas que suscita no espectador a curiosidade e uma observação mais acurada.

Foto de Michele Diniz

Jandira também foi uma das primeiras professoras do curso de artes da UDESC, ministrando uma série de disciplinas, formando e influenciando várias gerações de artistas. Também ilustradora de livros infantis, tem obras publicadas em editoras de vários países.

Apa do catálogo da exposição publicado pelo Sesc

A exposição, composta por treze desenhos originais, integra o Circuito Catarinense de Artes Visuais, projeto que apresenta um recorte da produção de artes visuais de Santa Catarina nas mais diversas formas de expressão.

A artista visual Jandira Lorenz. Foto Michele Diniz.

Ao longo dos anos, o Sesc tem homenageado nomes consagrados, bem como dado visibilidade a artistas contemporâneos que trabalham com diversos processos criativos. Ao interiorizar esta produção, a instituição busca o contato com o grande público a fim de formar plateia e desmistificar o pensamento de que a arte é feita para artistas e especialistas.

A exposição O Universo Onírico de Jandira Lorenz estará aberta para visitação no Sesc Itajaí até o dia 30/04, das 9h às 18h. Sábados e domingos com horários alternativos.