“Café Com Texto” acontece dia 25/11 em Brusque

12/11/2018 09:17

No dia 25/11 acontecerá o “Café com texto”, que faz parte de uma série de encontros organizados pelo coletivo artístico “Hiato” (Brusque-SC).

Como o próprio nome já sugere, o encontro terá café e conversa sobre temas específicos e coordenados pelo professor da UNIFEBE, Rafael Zen.

Desta vez, o encontro apresentará ideias de nomes como, Rancièri, Derrida, Deleuze e Guatarri, além de Lyotard.

“São pensadores bem oportunos nesses tempos como ferramenta de leitura para debater questões de gênero, feminismo, cultura, arte. A palestra é ótima para estudantes de literatura, escritores, jornalistas, já que todos os autores são críticos literários. Deleuze, Derrida e Ranciere já escreveram bastante sobre teoria literária e Lyotard é um dos primeiros teóricos que se preocupou em definir o conceito de ‘pós-modernidade’”, complementa o ministrante desta atividade Juan Manuel P. Domínguez.

 

Espetáculo para bebês será apresentado na Casa da Cultura

07/11/2018 22:59

 

Ingressos podem ser comprados online

Vinte bebês juntos assistindo a um espetáculo de teatro com seus familiares. Esta é a proposta do grupo de Teatro Porto Cênico ao montar a peça teatral “Casa”, específica para bebês de zero a três anos de idade. O trabalho, que é de caráter inédito em Santa Catarina, traz para a cena o tema “saudade”. Tanto a saudade que os adultos sentem da sua infância e também da infância dos seus filhos. As sessões acontecem dias 16, 17 e 18 de novembro (sexta, sábado e domingo), às 15h. Ingressos à venda neste link: https://www.sympla.com.br/portocenico

Com direção da atriz Sandra Vargas (Sobrevento-SP), o espetáculo foi construído a partir de memórias das próprias atrizes, Aline Barth e Valéria de Oliveira, e apresentando ao público a história de duas mulheres, ora mães, ora filhas.

O Grupo de Teatro Porto Cênico existe há 14 anos. Como a linguagem de teatro para bebês ainda é pouco explorada no Brasil, sobretudo no estado catarinense, o Grupo Porto Cênico vem pesquisando este universo há três anos, inclusive com intercâmbios para outros estados e em participação de atividades ministradas por profissionais de outros países.

 

“Muita gente pensa que 30 ou 40 bebês juntos, choram, mas eles não choram. Eles contemplam, eles assistem, eles percebem e eles sentem. E se eles são capazes disso tudo, eles são capazes de usufruir de uma peça de teatro. O Porto Cênico ao levar para os palcos o teatro para crianças de zero a três anos, contribui muito para o panorama teatral da cidade, do estado e do país, pois são poucos os artistas que de dedicam a esta linguagem”, enfatiza Sandra Vargas, do Grupo Sobrevento-SP, diretora do espetáculo CASA.

SERVIÇO:
Espetáculo “CASA” para bebês de 0 a 3 anos de idade
Dias: 16, 17 e 18 de novembro (sexta-feira, sábado e domingo)
Horário: 15 horas
Local: Casa da Cultura Dide Brandão (Rua Hercílio Luz, s/n – Centro, Itajaí-SC)
Ingressos: R$40 (direito a um bebê e a um adulto)
Compra online neste link: https://www.sympla.com.br/portocenico
Mais informações com a produção do evento 47- 9 99147396, ou pelo insta, face (Porto Cênico) e site www.portocenico.com.br

Projeto leva música clássica para creches da rede pública

Apresentações são gratuitas e beneficiam crianças do bairro Cidade Nova, em Itajaí (SC)

Neste semana teve início um projeto que pretende levar música clássica para creches da rede pública de Itajaí (SC). A ideia é aproximar o público da música clássica/erudita, além de estimular características como sensibilidade,  percepção, observação  e  criatividade. A ação vai atender crianças, com idades entre três e seis anos, além de professores e funcionários dos Centros de Educação Infantil (CEIs) do bairro Cidade Nova.

O projeto é uma iniciativa dos músicos  Saimon  Simas (violino), Daniel Odelli (violoncelo) e Rodrigo Pinheiro (piano) e tem patrocínio da Lei de Incentivo à Cultura, por meio da empresa APM Terminals. O grupo espera beneficiar até duas mil crianças durante 10 apresentações, agendadas para dias 07, 08, 13 e 14 de novembro deste ano.

As apresentações terão duração de 40 minutos. No repertório estarão músicas conhecidas, por temas de filmes ou desenhos, além de canções brasileiras. O evento também terá um bate-papo com o público presente. De forma didática, a plateia também receberá informações sobre  os instrumentos, desde  fatos  históricos até curiosidades sobre a  fabricação do equipamento.

*AGENDA DE APRESENTAÇÕES:*

CEI Omar Luis Macagnan

EndereçoR. Sidnei Schulze, 812 – Cidade Nova, Itajaí – SC

07/11 – 8h30

 

CEI João Sandri

EndereçoR. Raul Machado, 1027 – Cidade Nova, Itajaí – SC

07/11 – 10h

 

CEI Dayana Maria de Souza

EndereçoR. João Galvão Fernandes, 61 – Cidade Nova, Itajaí – SC

08/11 – 10h

 

Centro de Educação Infantil Profa. Mauricélia

EndereçoAv. Min. Luiz Gallotti, 1695 – Cidade Nova, Itajaí – SC

08/11 – 13h30

 

Centro de Educação Infantil Eduardo Canziani

EndereçoR. Alcídes Esperidião Pereira, 1 – Cidade Nova, Itajaí – SC

08/11 – 15h30

 

C.E.I. Maria Regina Coppi Vicente

Endereço: Emanoel José Rebello Nº 60 – – Cidade Nova, Itajaí – SC

13/11 – 14h

 

CEI Euclides Ciriaco Meirinho

EndereçoR. das Azaléias, 283 – Cidade Nova, Itajaí – SC

13/11 – 16h30

 

CEI Dra Zilda Arns Neumann

Endereço: Rua Emanoel José Rebello, 52-104 – Cidade Nova, Itajaí – SC

14/11  – 15h

 

Encerra no domingo (04/11) o primeiro prazo para as inscrições para circuitos culturais através da plataforma IdCult.Sesc

01/11/2018 10:30

O Sesc Santa Catarina encerra neste domingo (04/11) o prazo de inscrição para projetos de artistas e arte-educadores residentes em Santa Catarina, e contadores de histórias de todo o país que desejam fazer parte dos projetos 2019: Baú de Histórias (literatura), Mostra EmCenaCatarina (Artes Cênicas), Circuito Sesc de Música (Música) e Rede Sesc de Galerias (Artes Visuais).

É importante lembrar que aqueles artistas que se cadastraram em 2017 precisam reencaminhar suas propostas. A plataforma permanecerá aberta até 31/12 para cadastros, no entanto aquelas propostas enviadas após 04/11 não farão parte da curadoria dos projetos acima citados.

Para participar, os proponentes deverão acessar a Plataforma IdCult.Sesc (http://cultura.sc/sesc/), ler o regulamento e cadastrar sua proposta. Não há limites de inscrições por pessoa. O material recebido tem por finalidade compor um banco de propostas culturais – que ficará à disposição do Sesc Santa Catarina para construção da sua programação de 2019.

O resultado dos artistas e arte-educadores selecionados para o projeto “Rede Sesc de Galerias” será divulgado no dia 16 de novembro de 2018, e para os demais circuitos estaduais de 2019, serão divulgados em 14 de dezembro de 2018.

Itajaí recebe duelo de grupos de improvisação

Apresentação é inédita na cidade, tem mediação de Andrei Moscheto (PR) e sonoplastia ao vivo do músico Giovanni Sagaz

Itajaí recebe na sexta-feira (09/11) um duelo inédito de improviso. Conhecido como “Match”, o duelo consiste na competição entre dois grupos de improviso, onde cada um realiza a versão de um jogo. A plateia escolhe quem chegou ao melhor resultado. A apresentação acontece na Casa da Cultura Dide Brandão, no Centro de Itajaí e o ingresso antecipado custa R$15 (quinze reais).

O duelo será realizado pelo Grupo Os Mequetrefes, de Itajaí (SC) e, o Grupo Remanescentes, de Gaspar (SC). A disputa será mediada pelo ator Andrei Moscheto, do Grupo Antropofocus, de Curitiba (PR), com sonoplastia ao vivo do músico Giovanni Sagaz, de Itajaí.

Os dois grupos se dedicam ao treinamento e apresentações de teatro totalmente improvisado, e se enfrentarão numa competição no estilo esportivo, tendo como juiz a plateia, que ficará responsável por escolher o vencedor. O show de improviso não inclui roteiro e o espetáculo é construído na hora. Os atores criam cenas com temas sugeridos pela plateia e seguem as regras de cada jogo.

Os jogadores do Grupo Os Mequetrefes são: Adriano Magalhães, Fabricio de Carvalho, Sabrina Vianna e Diego Miranda. Já o Grupo Remanescentes é formado por Allan Antonio, Thiago Griebel, Diones Rafael Silva, e mais uma atriz convidada, Natália Corradi Curioletti.

Este evento tem realização do Grupo Os Mequetrefes e possui apoio das empresas Ibis Itajaí, NutriHouse, Univital, Bistek, UNINTER, Canal Trio de Cinco, Clindex, Tudo em Pizza e Cafeteria Art e Cultura.
SERVIÇO:
O quê: Duelo de Improviso Os Mequetrefes X Grupo Remanescentes
Local: Casa da Cultura Dide Brandão (Rua Hercíclio Luz, s/n – Centro, Itajaí-SC)
Quando: 09 de novembro (sexta-feira)
Horário: 20h
Ingressos: R$15 (quinze reais) para quem adquirir até o dia 02/11. Após esta data, o valor será R$30 (inteira) e R$15 (meia).
Pontos de venda: Site Sympla (https://www.sympla.com.br/duelo-de-improviso__386926) , Cafeteria Art Cultura (dentro da Casa da Cultura Dide Brandão – Rua Hercílio Luz, s/n – Centro – Itajaí) e Academia Clindex (Rua Camboriú, 487 – Fazenda – Itajaí – SC)

 

Itajaí se torna a capital do Teatro de Bonecos entre os dias 7 e 11 de novembro

 

Pelo segundo ano consecutivo Itajaí se tornará a capital do Teatro de Bonecos. Irão se reunir na cidade 13 companhias, além de artistas independentes e professores universitários para a 2ª edição do Encontro Catarinense de Teatro de Bonecos (Bonencontro).

Ivan Titerenovich – Cia Cênica Espiral

A programação acontece entre os dias 7 e 11 de novembro na Praça Genésio Miranda Lins, SESC, Mercado Público, Rua Hercílio Luz e é inteiramente gratuita. Todas as informações estão disponíveis no site oficial: www.bonencontro.com.br.

 

 

Tem xente uma feis – Cia Alma Livre

Inscrições abertas para as oficinas

As duas oficinas da programação estão com inscrições abertas: “Construção de Bonecos de Látex”, ministrada por Sérgio Tastaldi (Florianópolis), com 8h/a e “O papel da máscara nas formas animadas”, ministrada por Tânia Gollnick (Navegantes) com 4h/a. Interessados devem enviar e-mail para bonencontro@gmail.com e solicitar a ficha de inscrição.

 

Oficina O papel da máscara nas Formas Animadas – Tania Gollnick

Mostra de Teatro Lambe-Lambe

A Mostra acontecerá no domingo, dia 11/11, das 10h às 11h, na Praça Genésio Miranda Lins, com oito caixas lambe-lambe. O Teatro Lambe-Lambe, também conhecido como Teatro de Caixas, é uma linguagem do teatro de animação, onde um espetáculo de curtíssima duração é encenado dentro de uma caixa preta, com dimensões reduzidas, com palco, cenário e iluminação, geralmente para um espectador por vez.

 

Teatro Lambe-lambe- Lembranças – Cia Cênica Espiral

O evento possui patrocínio da Fundação Cultural de Itajaí, por meio da Lei de Incentivo à Cultural e isenção fiscal da empresa APM Terminals.

 

 

*CONTATO:*

 

Fale com a Cia Mútua:

Mônica Longo (47) 9 9983-6678 ou Laura Correa (47) 9 9905-5058

 

 

Willian Shakespeare no palco da Casa da Cultura neste final de semana

19/10/2018 14:54

Porto Cênico encerra projeto com montagem  baseada no texto “Ricardo III”, apresentando um quadro muito similar ao da cena política do nosso país: medo, traição, corrupção e uma luta cega pelo poder

 

Escrito em 1592 o texto “Ricardo III”, de Willian Shakespeare, foi o ponto de partida para a montagem “O Banquete de Ricardo”, espetáculo teatral do Grupo Porto Cênico, que terá apresentações neste sábado e domingo, dias 20 e 21, na Casa da Cultura Dide Brandão, às 19h30 com entrada gratuita (retirar ingressos uma hora antes).

Foto de Ana Beatriz

Dirigido por André Carreira (Florianópolis/SC), o espetáculo apresenta a história de Ricardo III, Rei da Inglaterra, morto em 1482, por meio da narrativa de três rainhas: Margarida, Elizabeth e Ana. “O Ricardo III é uma tragédia que fala sobre um tema muito contemporâneo, que é a luta descontrolada pelo poder. Fala de traição, corrupção e mentira. Uma situação muito similar a que estamos vivenciando no Brasil, onde parece que todos estão mentindo o tempo todo, no âmbito da política”, observa André.

Foto de Ana Beatriz

Shakespeare retratou Ricardo como um tirano, um monstro sanguinário que abriu caminho para o trono com assassinatos, após a morte de seu irmão. Entre suas supostas vítimas estavam dois sobrinhos.

Foto de Ana Beatriz

 

As apresentações fazem parte do projeto “O feminino que Circula”, que começou dia 16/10, com circulação de três espetáculos do Grupo.

 

Mais informações: www.portocenico.com.br

Espetáculo teatral “Trincheira” estreia hoje

11/10/2018 10:33

O espetáculo teatral para toda a família, “Trincheira” estreia hoje.
Inspirado livremente na obra do espanhol Fernado Arrabal, Trincheira é uma comédia que permite discutir e refletir sobre a guerra, seus participantes e a banalização da vida e da violência.

Trincheira – foto de Matheus Groszewika e Vivianne Melo

 

Nesta quinta-feira, 11 de outubro, tem estreia de espetáculo teatral em Itajaí. “Trincheira” é uma produção do GET – Grupo de Estudos Teatrais, orientado pela Téspis Cia de Teatro, e fica em cartaz nos dias 11 e 18 (quintas-feiras), 13 e 14, 20 e 21 (finais de semana), sempre às 20h, na Itajaí Criativa Residência Artística. O espetáculo traz a história de um soldado que recebe a visita da família para um piquenique em pleno front de batalha. Bombas, tiros, a chegada de um inimigo e diversas situações vão se apresentando para construir uma narrativa divertida mas que permite refletir sobre a guerra e todos os seus entornos, sejam as guerras históricas ou as atuais.

Trincheira nasceu em 2017, quando, como resultado de um processo de curso de formação, os atores do GET montaram a obra intitulada “Piquenique na Trincheira”, orientada pela atriz e diretora Denise da Luz. A montagem que agora estreia é resultado da aprovação do grupo na Lei de Incentivo à Cultura, através da Fundação Cultural de Itajaí, e tem renúncia fiscal do Grupo Promenac Camvel para sua execução. Em cena estão os atores Daniel Barros, Lourenço Cardoso, Mariana Feitosa, Max Reinert e Sabrina Francez. A produção é de Mariana Riguetto.

Inspirada livremente na obra do escritor, dramaturgo e cineasta espanhol Fernando Arrabal, a montagem traz para a cena elementos do “teatro do absurdo”. O teatro do absurdo é uma expressão cunhada pelo crítico inglês Martin Esslin no fim da década de 1950 que engloba peças surgidas no período pós-Segunda Guerra Mundial que têm como principal característica tratar de forma inusitada acontecimentos ou aspectos da vida humana.

Trincheira – foto de Matheus Groszewika e Vivianne Melo

Um espetáculo para toda a família, Trincheira têm ingressos com valor de R$ 20 inteira e R$ 10 meia entrada. A venda é feita antecipadamente pelo site Enjoy Events ou 1h antes de cada apresentação na Itajaí Criativa Residência Artística.

SOBRE O GET:
O GET é um grupo de estudos teatrais, existente desde 2014, formado por alunos remanescentes do curso livre de teatro oferecido pela Téspis Cia de Teatro, que em sua atual configuração conta com Daniel Barros, Laura Osório, Lourenço Cardoso, Mariana Feitosa, Mariana Righetto e Sabrina Antunes Francez. A proposta do grupo é proporcionar experiências de aprendizado e exercício artístico, de encontro e convívio profissional que tem o intuito de ampliar as possibilidades de elaboração criativa, de elaboração de trabalho, do senso crítico, da construção de autonomia e da multiplicação de conhecimento dos envolvidos. O aprofundamento na pesquisa cria oportunidades para que artistas em diferentes estágios de sua carreira possam juntos produzir, intercambiando experiências, conhecimentos e metodologias de trabalho, fortalecendo a produção em grupo e contribuindo para a formação de jovens artistas da cidade de Itajaí.

SERVIÇO:
 O que: Temporada de Estreia do espetáculo Trincheira;

Onde: Itajaí Criativa Residência Artística (Rua Dr Pedro Ferreira, 222, Centro, Itajaí);
 Quando: 11, 13, 14, 18, 20 e 21 de outubro, às 20h;
 Quanto: R$ 20 inteira e R$ 10 meia entrada para estudantes, professores, idosos ou compartilhando o evento do espetáculo nas mídias sociais.

 Venda antecipada: http://enjoyevents.com.br/index.php?pg=evento&e=82

 

Quem tem medo de teatro?

20/09/2018 08:45

Quem tem medo de teatro?

Ontem um grupo de teatro foi impedido de apresentar seu trabalho em uma escola no interior de Santa Catarina, na cidade de Campos Novos. Alguns membros da comunidade se organizaram via mídias sociais e ameaçaram os artistas alegando o grande “perigo” que a obra em questão representava para as crianças. A peça A menina e sua sombra de menino, Produzida pela Harmônica Arte e Entretenimento, com direção de Pepe Sedrez, que tanto amedrontou alguns moradores de Campos Novos, conta a história de uma menina que além de brincar de bonecas e pular corda, gosta também de futebol, brincar com carrinhos e jogar videogame. Não há menções à sexualidade ou ao controverso e falacioso termo “ideologia de gênero”.
Entretanto, alguns temerosos moradores camponovenses questionaram em suas redes se “era normal uma menina brincar com coisas de menino”. Outros, apoiadores de um certo candidato misógino que não nominarei, disseram que era o caso de “partir para cima dessa aberração”, e outros ainda, disseram que era tudo culpa do “Addad”. Fico imaginando que grandes riscos uma menina que brinca de carrinho e joga videogame corre. Talvez, num futuro não muito distante, essa pobre criança aprenda a dirigir um carro, assuma a liderança de algum empreendimento digital, queira votar na esquerda e, pior de tudo, acabe tendo uma consciência política e estética diferente dos seus pais e vizinhos.
O fato do cancelamento do espetáculo na pequena cidade de Campos Novos dialoga com uma série de ocorrências que vêm ao longo dos anos gerando polêmicas entre camadas da população menos afeitas ao contato com manifestações artísticas, a leitura inclusive, como o cancelamento da exposição Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira, em Porto Alegre, em 2017; ou as violentas e contínuas investidas contra o espetáculo O Evangelho Segundo Jesus Cristo, Rainha do Céu, de autoria da britânica Jo Clifford, e protagonizada pela atriz Renata Carvalho. O envolvimento de sites e movimentos com pendores fragorosamente fascistas como o MBL, e outros com a mesma índole voltada à ignorância metástica, movidos por fake news e alimentados por interesses escusos, é uma constante. Convém, mesmo de maneira breve, tentar entender como se manifestam e de onde surgem esses preconceitos perniciosos e a concepção de que a manifestação artística é uma ameaça aos “bons costumes” e ao “cidadão de bem”.

A atriz Paula Bitencourt e o ator Leandro Magalhães em cena do espetáculo A Menina e sua Sombra de Menino. Foto: divulgação do grupo

Há um vídeo circulando na internet em que um suposto “jornalista”, Paul Joseph Watson, expõe sua opinião perante o que ele acha que é arte de “justiceiros sociais de esquerda” e “marxistas culturais”, que manipulam o mercado em direção à uma “estética mais próxima do lixo do que da arte verdadeira”. Em suas digressões, o jornalista faz uma série de confusões, como não saber diferenciar arte conceitual de moderna, comparações esdrúxulas como arte medieval e conceitual, bem como grosserias do mais baixo nível ao descrever obras e artistas contemporâneos.
Esse tipo de vídeo, bem como o teor eminentemente raso de todas as argumentações, e principalmente dos comentários da postagem com legendas em português, é sintomático em uma época em que o Ministério da Cultura do Brasil é sumariamente desmantelado, e onde uma parcela considerável da população com ensino superior, acesso à internet e à revistas e jornais acredita que sim, o Ministério da Cultura é desnecessário, ou representa um desperdício para o desenvolvimento do país.Analisar esses equívocos, e as correlações com os simplismos de pessoas que acreditam que a cultura e a arte são partes dispensáveis das políticas públicas é bastante salutar quando a expansão do pensamento fascista se espalha perigosamente entre a população, colocando em xeque décadas de desenvolvimento social e  luta por direitos humanos.

A abrangência da postagem, mais de um milhão e meio de visualizações, pode nos dar ideia da repercussão do tema e da inserção desse tipo de pensamento em uma massa com cada vez mais acesso à informação e, talvez, menos reflexão sobre as consequências de suas posições na sociedade. A difusão desse tipo de ideia limitadora e ignorante sobre o que são estéticas contemporâneas, e o que elas representam em meio à exacerbação de um regime onde o capitalismo assume ares de religião instituída, é marcante como sintoma de uma época onde o turbilhão de imagens anestesia qualquer raciocínio que tenha a sensibilidade e a reflexão individual como mote.
É nesse sentido que a análise de discursos de ódio à cultura se faz necessária e urgente em meio a uma horda de pseudo-entendidos que, mesmo sem nunca terem ido a uma exposição ou ao teatro, grasnam seus impropérios contra a cultura, desmerecendo os artistas e as manifestações artísticas aos quatros ventos das mídias sociais, fazendo um alarde tamanho que só a calúnia e a ignorância conseguem alcançar.
Uma das falácias contidas tanto no vídeo quanto nos comentários dos detratores da cultura, é que a arte contemporânea é elitista, coisa de uma “grande panelinha de babacas pretensiosos que tentam parecer sofisticados”.

Para justificar este argumento, o “jornalista”, entre associações e conclusões disparatadas, afirma que o artista australiano hiper-realista Ron Mueck é “largamente ignorado”, enquanto Matisse é “adorado” pela crítica especializada. Ora, não há como comparar Matisse e Mueck, são pressupostos estéticos completamente dissonantes. É como tentar estabelecer comparações entre Bach e Stockhausen, Petrarca com Marllarmé, Michelangelo com Pollock; ou seja, não se pode analisar as obras do mesmo ponto de vista estético, histórico e social.

São coisas completamente diferentes, mas que por um sofisma potencializado pela ignorância maciça, e um pouco de má fé, levam incautos comentadores de postagens duvidosas a compartilhar preconceitos, erros conceituais e históricos, bem como violências provindas da total falta de contato com qualquer coisa que não esteja de acordo como o padrão kitsch que rege o que se considera belo em meio à avalanche de estéticas vendáveis, facilmente deglutíveis e isentas de qualquer potencial reflexão sensível.
Uma outra falácia tanto do vídeo quanto dos comentários é que a comparação entre a qualidade das obras raramente se dá por meio de um pensamento estético, simbólico ou referencial. O mais comum é a questão do preço.

Se a obra de Matisse vale mais do que a de Mueck, isso é uma injustiça monumental segundo o pretenso jornalista e seus seguidores. Ou seja, quanto mais qualidade possui uma obra, maior seu valor de mercado. Assim, quanto mais caro o ingresso do teatro, melhor a qualidade da peça; quanto maior o cachê melhor a música, e quanto maior o valor do quadro, melhor o artista, segundo o vídeo. Mas será mesmo que é o preço que determina que uma dupla sertaneja seja melhor do que um novo nome da música popular brasileira? Ou que a quantidade de vendagem de um livro seja determinante para a qualidade literária de um autor? Será que a subjetividade tem preço?
Talvez esse tipo de valoração monetária do mundo nos leve a um patamar aonde ao invés de uma subjetividade construída a partir do cognitivo, do simbólico, da construção social e representatividade histórica de uma obra, seu valor se resuma a sua inserção no mercado, ao quanto as pessoas a compram ou possuem, ou ao fetiche em sua posse, para usar um termo notadamente marxista. Se assim for, a razão e o raciocínio lógico sobre determinado tema não precisará mais de argumentos, comprovações factuais ou lógicas, mas quantidade de curtidas ou aprovações em mídias sociais, exatamente da mesma maneira em que a legitimidade de um impeachment não se dará mais pela observância ou não da constituição ou do regimento do congresso, e sim pela quantidade de votos angariados pelos opositores, como bem se pode observar no golpe legislativo de 2016.
Isso nos leva a uma concepção bastante tendenciosa do que é ou não arte, e do que possui ou não valor como objeto artístico. Se a qualidade na arte é apenas o que pode ser vendido, ou o que a maioria das pessoas considera de acordo com um patamar comum de potência estética, estamos fadados à asfixia subjetiva, a uma condição em que o novo, o intruso, o revoltado e o revoltante, onde o questionamento e a reflexão são tidos como aviltantes, patéticos, feios e não estéticos, pois refletir e revoltar-se não são coisas que agradem a maioria, recebam curtidas e compartilhamentos felizes. Pelo contrário, o que é estranho padece do que é criminoso, duvidoso, asqueroso e execrável.
E é por isso a performance Voice piece for soprano, de Yoko Ono, apresentada no MoMA em 2010, como parte de uma retrospectiva de arte contemporânea do museu (a peça original foi apresentada em 1961), alcançou tanta notoriedade, gerando indiscriminadamente rancor e ódio. Na peça a performer urra, grita, lamenta, arrota e vocifera aleatoriamente, selvagemente, criando sons estranhos, desconfortáveis, inusitados. A performance foi gravada e postada no Youtube, viralizando em centenas de milhares de visualizações, que ainda hoje geram enxurradas de impropérios em detrimento da arte contemporânea, da performance e da arte em geral, como se pode constatar na maneira agressiva com que Paul Joseph Watson se refere a ela em seu malfadado vídeo: “berrando feito uma cadela louca”.

O inusitado, o chocante, o contestador são elementos que destoam e se afastam do que se considera belo ou aceitável perante o mass media. Nesse sentido, uma performance como Macaquinhos pode exercer o seu frisson. Em Macaquinhos, os performers interagem tocando no anus uns dos outros. Alguns dos adjetivos mais utilizados para descrever a cena nas redes sociais são “absurdo”, “retardados”, “lixo”, “execrável” e palavras do gênero. Mas também “peça de esquerda”, “arte contemporânea”, “coisa do governo”.
Na história do teatro várias peças, autores e artistas foram considerados execráveis. No século XIX um dos maiores escândalos das artes cênicas na Europa foi a peça Casa de Bonecas, de Henrik Ibsen (1828-1906). No texto não temos palavrões, nudez, violência explícita. Temos sim algo muito pior para as convenções da época: a liberação da mulher. Uma mulher que no século XIX escolhe abandonar o marido, trabalhar e viver a sua própria vida livre das convenções da época. Um escândalo de proporções continentais. Execrável para os padrões da época.
Nelson Rodrigues (1912-1980), clássico da dramaturgia brasileira, era um escândalo ambulante. Peça após peça, temas como adultério, perversão sexual, pedofilia, estupro, assassinato eram retratados num cotidiano muito mais familiar do que poderiam aceitar seus contemporâneos dos anos 1950 em diante. Ainda hoje montá-lo não é a coisa mais simples, e espetáculos  como Viúva Porém Honesta, do grupo pernambucano Magiluth, encaram públicos violentos.
É sintomático, em um país cada vez mais reacionário, preconceituoso e fascista, que uma performance como Macaquinhos cause tanta polêmica. Pensar sobre a liberdade e a autonomia com o próprio corpo é fundamental em um país que anualmente assassina milhares de mulheres, travestis e homossexuais em uma verdadeira carnificina de gênero. Talvez Macaquinhos tenha alcançado seu objetivo levantando essas questões. Pensar a arte como além do agradável, do belo e do recreativo não é apenas fundamental para um público incapaz de processar discursos além do óbvio, mas uma questão de sobrevivência em um mundo tão dado à intolerância, à violência e à barbárie.
O trabalho, que existe desde 2011, já havia sido apresentado no Centro Cultural São Paulo e em diversas mostras nacionais e internacionais. É interessante que a repercussão sobre o espetáculo tenha se dado apenas a partir da apresentação do Sesc Ceará, em 2015, que tomou as precauções para alertar sobre a indicação etária e conteúdo da performance ao público. Atribuir a polêmica mais a uma instituição do que a obra em si denota interesses ocultos, muito além da mera revolta em questionar a qualidade do espetáculo, e é algo mais ligado ao político e econômico do que ao estético, visto que são justamente as mesmas bancadas reacionárias, repletas de fanáticos religiosos e neo-militaristas, que querem eliminar o chamado “Sistema S”, caso eleitas. Vale lembrar, nesse sentido, que o Sesc é o maior difusor privado da cultura do Brasil, responsável por alguns dos maiores e mais importantes projetos de difusão da arte no país.
Da mesma maneira, atribuir ao Ministério da Cultura a culpa por tudo o que se produz e financia culturalmente no Brasil é oscilar perigosamente entre a injustiça e a ignorância. Tentar punir uma instituição ou o mercado pela qualidade do que se produz artisticamente em um país é generalizar a parte pelo todo, julgando o todo a partir de um objeto em particular. Novamente, interesses políticos atuam perante uma massa de incapazes intelectuais, facistas e fanáticos religiosos que ingenuamente acreditam que eliminar o apoio à cultura vai melhorar as condições de vida e educação da sociedade, bem como economizar recursos aos cofres públicos. Um pensamento assim tão simplista, digno do vídeo do pretenso jornalista Paul Watson e seu pensamento dotado de uma acefalia medonha, denota não apenas a falta de acesso aos bens culturais e artísticos de um povo, mas a falta de consciência e de inteligência que só a cultura consegue suprir.

Pensar como Paul Watson e seus admiradores, criminalizando toda a arte contemporânea que não atenda aos seus gostos particulares, muito se aproxima das deliberações do congresso nazista de Nuremberg, em 1933, onde o próprio Hitler considerou a arte e os artistas modernos como uma doença, fruto das massas influenciadas por comunistas, feita por gente inferior e retratando gente inferior, uma arte degenerada e inacessível ao povo. Ele estava falando de Paul Gauguin, Picasso, Kandinski e outros artistas que para o ideal nazista de estética eram loucos ou charlatães. Corremos assim, em meio a trogloditas versados em estética kitsch, o risco de padecer da normalidade asfixiante de uma criatividade fadada a limites pré-estabelecidos pela ignorância contumaz, a estupidez facista e o medo pelo diferente.

 

Texto teatral gratuito

12/09/2018 07:54

Hoje e amanhã (12 e 13/09) o texto teatral Asfixia estará gratuito na versão digital.

Asfixia é um texto teatral escrito para cinco atores. Sua adaptação cinematográfica recebeu o prêmio cinemateca catarinense de 2005, na categoria roteiro de curta-metragem. A partir de um mote bastante simples, o desabamento de uma mina, os conflitos se desenrolam de modo abruto, repletos de surpresas violentas e reviravoltas. A ação se passa em um único ambiente, que se modifica de acordo com as oscilações geológicas que permeiam a trama. Os embates morais, mais do que os físicos, permeiam o enredo em direções inesperadas, remetendo à temáticas contundentes, tensionando o texto a partir de perspectivas éticas de grande atualidade. 

A publicação contém prefácio do autor, do qual reproduzimos um pequeno trecho:

“Há uma luta de poder nas relações que se estabelecem. Hierarquias são colocadas em dúvida, e mais que isso, noções de auto-preservação entram em contraste com a possibilidade de sobrevivência mediante o melhor aproveitamento de recursos. Não existem vilões, ninguém é totalmente mau ou bom. O assassinato não é uma alternativa em função de vinganças, ressentimento ou mesmo ganância. Tudo o que acontece, do modo que acontece, provém das escolhas perante o risco a que se está disposto a correr pela sobrevivência do conjunto, e é essa uma das questões primordiais do texto, a vida do indivíduo em face à necessidade do grupo. 

Os conflitos de classe que podem ser presumidos nos embates entre o Encarregado e os mineiros acabam por se esmaecer e perder importância no decorrer dos fatos. O Encarregado faz o que faz não porque possui uma posição hierárquica superior, ele o faz porque como qualquer pessoa em situação semelhante, de urgência e terror, almeja sobreviver a qualquer custo. Não existem heróis, pessoas extraordinárias, santos e vilões maquiavélicos. Há apenas homens lutando para sobreviver um minuto a mais, um segundo a mais em meio às oscilações entre a abnegação e o egoísmo assassino”.

Para baixar, é necessário se cadastrar no seguinte link:

https://goo.gl/AxcfJx

Mais informações sobre o autor, também articulista deste blog, no site www.afonsonilson.com/bio

Boa leitura!