Sérgio Sette Câmara tem desafio eletrizante na Formula E

05/08/2020 16:14

Se nos últimos anos o Brasil ficou sem um representante na F1, não há o que reclamar no que diz respeito a Fórmula E, a categoria que mais evoluiu recentemente no cenário do automobilismo mundial, e que será o novo desafio do jovem piloto brasileiro Sérgio Sette Câmara.

Nascido em Belo Horizonte e com 22 anos, Sette Câmara é considerado uma das jovens promessas do automobilismo brasileiro nos últimos anos. Ingressou a Academia de Pilotos da Red Bull Racing em 2016, deixou o programa alguns meses depois e retornou ao time austríaco este ano, como piloto reserva tanto da equipe principal na F1, quando da Alpha Tauri.

Além de confirmar sua presença no paddock da F1, o jovem mineiro também garantiu sua presença na Super Fórmula Japonesa e participou do teste para novatos da Fórmula E realizado em Marraquexe no início de março, já como piloto reserva da GEOX Dragon.

Foi justamente neste teste que Sette Câmara impressionou de vez o chefe do time norte americano, Jay Penske: o brasileiro foi o segundo mais rápido do dia, ficando atrás apenas do neozelandês Nick Cassidy, da Envision Virgin Racing. Vale destacar que na temporada atual, a Dragon é apenas a 11ª colocada no campeonato, de um total de 12 equipes.

“Achei interessante me aproximar da Fórmula E. Sempre pensei que as equipes preferem pegar os pilotos que já estão naquele meio, e como os carros elétricos são muito diferentes dos outros monopostos, desejava ter no meu currículo algum tipo de experiência que me ligava a Fórmula E, porque se eu quisesse ir para aquela categoria, ia ajudar muito as coisas”, revelou Sette Câmara.

“Não esperava essa oportunidade de ser titular na Dragon, porque dou prioridade a minha função de reserva na F1 e aos meus compromissos de Super Fórmula, porque são contratos que eu já havia assinado antes e por conta da pandemia, achava impossível fazer três coisas ao mesmo tempo. Mas aí encaixou que essa rodada tripla de Berlim não bate com nada, e eu já estou tendo esse primeiro contato com a categoria e estou super feliz”, completou o piloto brasileiro, que participou de testes recentemente no simulador da Dragon, se preparando para as etapas decisivas.

O fator Berlim

Para alguns pilotos e especialistas na Fórmula E, o traçado do Aeroporto de Tempelhof é o cenário perfeito para os novatos na categoria, já que não é tão apertado quanto os circuitos de rua como Paris ou Nova York por exemplo.

Além disso, o formato dessa fase final da sexta temporada da categoria de carros elétricos pode favorecer Sette Câmara, afinal de contas, serão seis provas em nove dias, em um dos melhores e mais desafiante traçado da categoria. Uma ótima oportunidade para impressionar a todos.

“Acho que estrear em Berlim é uma vantagem para um novato na categoria, porque a gente vai estar no mesmo ambiente ali e vai ser possível dar uma continuidade ao aprendizado. Não será uma única corrida e sim, seis provas, com três rodadas duplas.”

Até o momento, a GEOX Dragon conquistou apenas dois pontos no campeonato, com o neozelandês Brendon Hartley, que deixou o time para a chegada do brasileiro.

Correr ao lado de um herói

Como todo piloto, Sette Câmara teve seus ídolos na infância que o motivou a seguir carreira no automobilismo. E no caso dele, é o ex-F1 Felipe Massa, que inclusive estará na disputa dessa reta final da sexta temporada da Fórmula E em Berlim.

O jovem piloto brasileiro relembrou quando assistiu nas arquibancadas do Autódromo de Interlagos ao vice-campeonato mundial de Felipe Massa em 2008, quando o então piloto da Ferrari cruzou a linha de chegada em primeiro, mas viu o título escapar segundos depois quando Lewis Hamilton ultrapassou o alemão Timo Glock na última curva do circuito e conquistou a quinta colocação, posição suficiente para garantir o primeiro dos seis títulos do piloto britânico na F1.

“Eu estava em 2008 com meu pai e com meu avô na arquibancada, e na hora que o Massa passou e venceu aquela corrida emocionante que choveu e tal, todo mundo na arquibancada começou a gritar, acreditando que ele era o campeão. O autódromo inteiro gritava e para quem estava assistindo na televisão, foi possível perceber que ele não tinha ganhado, porque a câmera mudou para o Hamilton, e o narrador corrigiu a situação.”

“Quase dois minutos depois alguém falou no rádio que ele não tinha sido campeão, e aí demorou um pouco para acreditarmos naquilo e entender o que aconteceu, por que quem já assistiu corrida de Fórmula 1 no autódromo sabe que é uma confusão, principalmente naquela época que tinha aquele barulho danado né?”

Para Sette Câmara, dividir o grid da Fórmula E com Felipe Massa, vai ser algo especial. Como ele mesmo classificou, será uma honra.

“Ele [Massa] me inspirou muito, porque eu nunca imaginei que iria me profissionalizar como piloto, que um dia iria estar correndo e que essa ia ser a minha profissão. Sempre fui um fanático por corridas e assistia o Massa, que era um herói para mim naquela época. Um menino de dez anos de idade, por aí, com um piloto brasileiro na Fórmula 1, ele e o Rubinho [Barrichello] me inspiraram muito para seguir em frente nesse esporte.”

“O Felipe é um cara que liderou o automobilismo brasileiro, e ainda lidera, junto com alguns outros pilotos, mas naquele ano lá na Ferrari, eu lembro de tudo, foi um cara que me motivou muito a seguir correndo, tanto ele quanto o Rubinho. Então, tenho uma admiração muito grande e poder compartilhar uma pista com alguém como ele é uma honra para mim”, completou Sette Câmara.

Sérgio Sette Câmara será o sexto brasileiro a correr na Fórmula E. O Brasil conta com dois campeões em cinco temporadas já disputadas: Nelsinho Piquet foi o primeiro campeão da história da categoria em 2015, enquanto em 2017 foi a vez de Lucas di Grassi ficar com o título.

Fórmula E lança campanha contra discriminação

A Fórmula E divulgou nesta quarta-feira (05) uma nova campanha direcionada ao combate a qualquer tipo de discriminação, por meio da hashtag #PositivelyCharged (em tradução literal, Carregados Positivamente). O lançamento foi em paralelo com o reinício da sexta temporada da categorias dos carros elétricos, em Berlim, na Alemanha, totalmente sem público. Serão disputadas seis corridas em nove dias.

A campanha está alinhada a FIA – Federação Internacional de Automobilismo, que na luta por uma inclusão mais abrangente em todas as suas competições homologadas.

A competição ficou 158 dias paralisada em função da COVID-19 e tem como líder o português António Felix da Costa. Os brasileiros Lucas di grassi, Felipe Massi e o recém contratado Sette Câmara estão no line up da categoria.

“’Estamos muito satisfeitos por estar de volta. Mas queremos voltar melhores”, abriu o comunicado da Formula E na campanha #PositivelyCharged.

Representantes da comunidade de Fórmula E – pilotos, fornecedores, técnicos, engenheiros, diretores dos times, equipes de segurança, construtores de pistas – uniram-se na mesma mensagem do Positively Charged (carregados positivamente em tradução literal).

Os participantes se reuniram no local das seis corridas, no Aeroporto de Tempelhof, em Berlim, e com celulares ligados no fim da tarde fizeram a imagem que está rodando as agências de notícia do mundo.

”Os eventos dos últimos cinco meses foram extremamente desafiadores para as pessoas em todo o mundo; os efeitos devastadores do coronavírus, a maior conscientização dos efeitos destrutivos das mudanças climáticas e o aumento da consciência sobre o racismo generalizado causaram uma introspecção muito necessária em todo o mundo”.

A comunidade da Fórmula E também aproveitou o momento para reconhecer e refletir sobre a trágica perda de um integrante na semana passada.

#PositivelyCharged, como parte do movimento #PurposeDriven da FIA, representa o compromisso do esporte de não apenas criar um espetáculo de corrida extraordinário, mas de causar um impacto positivo no mundo.

“Embora sejamos um esporte conhecido por nosso compromisso de combater as mudanças climáticas, temos ambições de ir além.

Estabelecemos esse compromisso na carta aberta que publicamos no mês passado, mas reconhecemos que é apenas o começo de nossa jornada, enquanto trabalhamos para realizar corridas elétricas e criar futuros melhores através de nosso esporte”

(Fotos: Divulgação/GEOX Dragon)

Texto: Rodrigo Nascimento

Autor: Flávio Perez

Flávio Perez é jornalista esportivo e gestor de esportes.

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