Campeã do boxe recepciona barco 100% feminino da Transat

14/11/2019 19:45

A medalhista olímpica e atual campeã mundial de boxe Adriana Araújo visitou, nesta quinta-feira (14), as instalações da Transat Jacques Vabre Normandie Le Havre, em Salvador (BA). A boxeadora que foi bronze em Londres 2012 recepcionou as velejadoras Alexia Barrier (França) e Joan Mulloy (Irlanda) no píer do Terminal Turístico da Bahia, local onde ficam os barcos da regata.

O veleiro 4myplanet, único 100% feminino da competição, terminou a prova na 25ª colocação da classe IMOCA 60. A regata é considerada a maior do mundo em duplas e parou na capital baiana pela sexta vez na história.

Ao todo, 29 barcos da IMOCA largaram de Le Havre, na França, com destino à Bahia para 8 mil quilômetros de travessia. A regata bateu recorde de inscritos no geral com 59, sendo 27 da Class40 e três da Multi50

”A Adriana tem, assim como a gente, uma história que inspira outras mulheres a praticar esportes e enfrentar desafios”, disse a francesa Alexia Barrier.

”Fico feliz por essa recepção especial na Bahia. Foram três semanas bastantes difíceis na regata. Mas vale a pena pela festa e por tanta gente especial aqui”, completou a irlandesa Joan Mulloy.

De campeã pra campeã

A soteropolitana Adriana Araújo foi convidada pela organização da Transat Jacques Vabre para esse momento simbólico na regata, que está em sua 14ª edição.

Quando os veleiros chegam ao porto final, a tradição é oferecer às duplas frutas da estação e caipirinha. Uma baiana vestida a caráter e fogos de artifício marcam todas as cerimônias de recepção.

Adriana Araújo comemorou o fato de o evento abrir espaço em igualdade de condições às mulheres. Ao todo, sete velejadoras participam da competição internacional.

”A valorização das mulheres no esporte é algo que vem ocorrendo no mundo. Infelizmente no Brasil ainda estamos distantes. No meu esporte, o boxe, ainda falta apoio às meninas. Mas aqui na vela francesa eu vejo o contrário”, explicou Adriana Araújo, que deve voltar aos ringues em fevereiro de 2020.

”Essas meninas são guerreiras. Correram uma regata com um barco da última geração pelo que me disseram e puxaram o equipamento ao máximo. É uma aventura e tanto”.

Adriana estava no píer junto com a equipe de terra do 4myplanet e representantes da regata para a cerimônia. O barco feminino fez a regata em 18 dias, 5 horas, 22 minutos e 5 segundos.

A brasileira medalhista olímpica visitou todas as instalações oficiais da Transat Jacques Vabre e tirou fotos com os franceses, que são maioria na organização sediada em Le Havre.

”Me senti ainda mais especial pela valorização de uma campeã. Foi uma linda recepção, eles sabem dar atenção aos heróis do esporte”, finalizou a baiana.

A atleta de 38 anos se tornou em outubro deste ano campeã mundial silver de boxe do Conselho Mundial de Boxe.

A pugilista da categoria super-leve (até 63,5 kg) venceu a luta contra a argentina Claudia Lopez no evento Boxing For You, realizado na Arena de Lutas, em São Paulo (SP).

Class40 define campeão na Transat Jacques Vabre; Pódio do evento está completo

A edição 2019 da Transat Jacques Vabre Normandie Le Havre definiu todos os campeões nas três classes inscritas na que é considerada maior regata em duplas do mundo.

Na madrugada desta quinta-feira (14), em Salvador (BA), o barco Crédit Mutuel tripulado pelos franceses Ian Lipinski e Adrien Hardy foi coroado campeão da categoria Class40.

A prova teve ao todo 8 mil quilômetros e largou de Le Havre, na França, com 59 barcos, sendo 27 da Class40.

Além do Crédit Mutuel, os outros campeões foram: Groupe GCA – Mille et un sourires, na Multi50, e Apivia, na IMOCA.

O Crédit Mutuel fez o percurso em 17 dias, 16 horas e 21 minutos. “Foi uma regata bastante estratégica no início e depois velocidade pura”.

O barco mostrou que está ótimo, quando acelerava nunca parava”, comentou o velejador Ian Lipinski, que fez sua estreia na competição.

Seu parceiro, Adrien Hardy, participou uma vez da Transat em 2015, quando terminou em sexto na classe IMOCA.

“Nunca é óbvio o que pode acontecer em um transatlântico, é cheio de surpresas. É verdade que fiquei surpreso com a velocidade do barco, que foi incrível”, disse Adrien Hardy.

O pódio da Class40 foi definido na manhã desta quinta-feira (14) com a chegada do segundo colocado Leyton.

O Aina Enfance et Avenir será o terceiro colocado em Salvador (BA).

Ao todo, 29 barcos já atracaram no Terminal Turístico Náutico da Bahia em todas as três classes.

A prova teve sete veleiros que acabaram desistindo dos 59 que largaram em 27 de outubro.

Recorde

A dupla francesa Ian Lipinski e Adrien Hardy conseguiu mais uma façanha antes de atracar Baía de Todos-os-Santos.

Na passagem pelos ventos alísios do Atlântico, o novo modelo da Class40 (lançado em agosto desse ano pela construtora JPS) navegou 415,86 milhas a uma velocidade média de 17,3 nós.

Foi a quebra de recorde de milhas percorridas em 24 horas.

A marca antiga era de 377,7 milhas náuticas VandB de 2017.

”Fico muito contente com o resultado do barco Crédit Mutuel, que trabalho muito forte para esse resultado”.

”Os outros campeões também mostraram a qualidade da regata, como o veloz Groupe GCA na Multi50 e toda técnica, somada ao desenvolvimento do IMOCA Apivia”, comemorou Sébastien Tasserie, secretário geral da Transat Jacques Vabre Normandie Le Havre.

São agora 21 veleiros na Class40 que percorrem a Rota do Café no momento. Seis barcos da categoria tiveram que abandonar a competição: BeijaFlore, Entraide Marina- ADOSM, Kiho, Lamotte – Module Creation e SOS Mediterranee.

Veja a posição real dos veleiros

Sobre a regata

A Transat Jacques Vabre chega ao Brasil pela oitava vez, sexta em Salvador.

A regata é realizada de dois em dois anos e sempre navega até um país produtor do café. A edição 2019 é a 14ª de sua história

A saída ocorre invariavelmente de Le Havre, na região francesa da Normandia.

As duplas enfrentam duras condições de mar no início da prova, como a passagem pelo Canal da Mancha e Golfo de Biscaia.

Na descida pelo Atlântico, a passagem pelas ilhas ibéricas e a costa africana sempre reserva surpresas, bem como a difícil navegação pelos Doldrums, zona de convergência intertropical próximo à Linha do Equador com ventos quase que indecifráveis.

A competição tem previsão de ir até quarta-feira (20), quando chegará o último Class40.