Brasileiros terminam a Transat Jacques Vabre

27/11/2017 13:10

A vela brasileira completou mais um capítulo na sua história com a chegada do Mussulo 40 Team Angola Cables na Transat Jacques Vabre 2017. O único barco brasileiro desta edição da regata de 8 mil quilômetros completou a prova às 9h24 (Horário de Brasília), desta segunda-feira (27), após 21 dias, 22 horas e 59 minutos de navegação desde Le Havre, na França.

A dupla, formada pelo angolano José Guilherme Caldas e pelo baiano Leonardo Chicourel, ficou na 11ª colocação entre os Class40. Os velejadores foram recebidos na entrada da Baía de Todos-os-Santos por 15 embarcações, uma verdadeira festa em Salvador, na Bahia, logo nas primeiras horas do dia.

”Não tenho palavras! Não me lembro de ter tido um presente tão bonito. Me sinto muito honrado e responsável por isso tudo. Nem sei se eu mereço tudo isso”, disse o baiano Leonardo Chicourel. ”A largada foi dia 5 de novembro. A gente saiu do barco na noite anterior. Foram muitas dificuldades. Queria chegar aqui antes com melhor resultado. Mas sabemos, eu e ele, a luta que foi para chegar aqui. Isso já é uma vitória”.

Ainda no píer do Terminal Turístico Náutico da Bahia, José Guilherme Caldas e Leonardo Chicourel prometeram repetir a campanha na edição de 2019. Novamente a bordo de um Class40. ”Vamos participar da Transat Jacques Vabre 2019. Se tiver a chance de ter um melhor budget (orçamento) podemos ter melhor desempenho. Uma coisa está relacionada com a outra. E mesmo que a gente dispute com o nosso barco certamente teremos um melhor resultado”, confirmou José Guilherme Caldas. ”Foi a melhor experiência que tivemos. Agora sabemos que a gente precisa para estar melhor preparado”.

Dificuldades superadas

O Mussulo 40 Team Angola Cables teve problemas durante a regata. Nos primeiros dias de prova, a dupla foi obrigada a fazer um pit-stop em Camaret, na França, para reparar alguns problemas, como o piloto automático, por exemplo. Eles passaram 30 horas para conserto, a maior parte desse tempo esperando as peças chegarem. Enquanto isso, os adversários iam abrindo vantagem pelo Atlântico. A diferença deles para o V and B, vencedor da Class 40, foi de 4 dias e 12 horas.

”A primeira parada em Camaret foi ruim, com muito frio e dificuldade para achar as peças adequadas. Mas a gente nunca pensou em desistir. Isso não faz parte do espírito de um brasileiro e de um angolano, que persistem até o final para conseguir fazer o que eles querem. A gente sabia que depois de 30 horas parados não teríamos chance de conseguir uma colocação melhor”, contou José Guilherme Caldas, que já fez várias vezes a travessia da Europa para o Brasil em veleiro.

Novato em cruzar o Atlântico, mas experiente em modo regata, Leonardo Chicourel foi uma espécie de MacGyver no Class40. Subindo no mastro, costurando vela, adaptando coisas a bordo. ”Tinha muita gente mandando energia positiva pra gente. Quando estávamos parados em Camaret, recebemos muitas mensagens para continuar. Isso foi um diferencial”.

Emocionado pelo carinho dos amigos de Salvador, Leonardo Chicourel espera que outros baianos como ele corram regatas e representem o Brasil. Mas nada disso seria possível sem a ajuda do companheiro José Guilherme, que milita na vela por anos. ”Eu tive a oportunidade. Encontrei esse anjo aqui (José Guilherme). Comecei a trabalhar fazendo delivery do barco dele e um dia ele me chamou pra correr uma regata. Era um sonho que eu tinha desde pequeno quando recebia a Transat Jacques Vabre aqui com meu pai aqui em Salvador. Mas para começar a trabalhar com o barco, eu tive que desistir desse sonho. E quando vi estava aqui”.

O Mussulo é o segundo barco brasileiro a disputar a Transat Jacques Vabre. Na edição de 2015, o campeão olímpico Eduardo Penido fez dupla com Renato Araújo a bordo do Zetra. Os dois terminaram a regata, que teve como destino Itajaí (SC), na sexta colocação. Em 2005, Walter Antunes foi o primeiro brasileiro a fazer o mesmo trajeto entre Le Havre e Salvador.

Outros vencedores

Os quatro vencedores da Transat Jacques Vabre 2017 foram definidos na semana passada. Na Ultime, o campeão foi o Sodebo Ultim’ com a impressionante marca de 7 dias e 22 horas de Le Havre a Salvador. Na IMOCA 60, a vitória ficou com St Michel – Virbac e na Multi50 deu Arkema. Na classe do Mussulo, a Class40, o primeiro dos 16 barcos a chegar foi o V and B. A regata largou em 5 de novembro com 37 barcos. Apenas seis ficaram pelo caminho por problemas técnicos, quebras ou capotagem.

Definido o pódio da segunda etapa da Volvo Ocean Race. Martine em quinto

26/11/2017 16:15

O barco team AkzoNobel confirmou, na noite deste sábado (25), o quinto lugar da segunda etapa da Volvo Ocean Race, disputada entre a portuguesa Lisboa e a sul-africana Cidade do Cabo. A equipe da brasileira Martine Grael fez o percurso em 20 dias, 7 horas e 24 minutos. A média de velocidade na descida do Atlântico foi de 16,6 nós o que dá 30,7 km/h.

Os holandeses chegaram a liderar a prova na costa brasileira, mas foram ultrapassados na semana final. A etapa teve ao todo 7 mil milhas náuticas – 12.964 quilômetros. ”Muita emoção, finalmente chegamos na Cidade do Cabo depois de 20 dias no mar. Será até estranho chegar em terra. Mal posso esperar para descansar, tomar um banho e falar com a família. Volta ao mundo normal”, disse a campeã olímpica Martine Grael.

O team AkzoNobel chegou 1 dia e 6 horas depois do MAPFRE, vencedor da segunda etapa. Os espanhóis fizeram a perna em 19 dias, 1 hora e 10 minutos. O barco vermelho foi seguido por Dongfeng Race Team (2º), Vestas 11th Hour Racing (3º) e Team Brunel (4º).

Sun Hung Kai / Scallywag e Turn the Tide on Plastic completam as posições, em sexto e sétimo, respectivamente. A chegada dois barcos teve diferença de apenas 1 minuto.

”Nós tivemos o Scallywag na nossa vista desde a Linha do Equador e o resultado não era o que desejávamos. Nós queríamos mais”, disse a comandante Dee Caffari, do Turn the Tide on Plastic.

Os barcos voltam a navegar apenas em 10 de dezembro com a largada da terceira etapa entre a Cidade do Cabo e a australiana Melbourne. A perna terá 6.500 milhas náuticas – 12 mil quilômetros. A In-Port Race da Cidade do Cabo será dois dias antes, em 8 de dezembro.

Veja o vídeo

MAPFRE vence Etapa 2 da Volvo Ocean Race

24/11/2017 15:16

O barco espanhol MAPFRE venceu, nesta sexta-feira (24), a segunda etapa da Volvo Ocean Race, percurso de 7 mil milhas náuticas disputado entre Lisboa, Portugal, e a Cidade do Cabo, na África do Sul. A equipe precisou de 19 dias, 1 horas e 10 minutos para cruzar a linha de chegada. O Dongfeng Race Team e o Vestas 11th Hour Racing devem completar o pódio ainda nesta sexta-feira.

Leg 2. Arrivals from Lisbon to Cape Town. Photo by Ainhoa Sanchez/Volvo Ocean Race. 24 November, 2017.

A equipe com mais campeões olímpicos na regata assume provisóriamente a liderança da Volvo Ocean Race somando a pontução da primeira etapa, quando os comandados de Xabi Fernández chegaram em segundo.

“É incrível, estamos super felizes, chegamos inteiros, sem paradas e à frente de todos os nossos rivais, não podemos pedir mais”, disse Xabi Fernandez. Ao lado dele, o MAPFRE tem Blair Tuke e Tamara Echegoyen como campeões olímpicos.

O MAPFRE assumiu de vez a liderança após a passagem pelas calmarias dos Doldrums. Uma mudança de bordo mais a sudoeste do que o Dongfeng Race Team foi suficiente para abrir a vantagem confortável.

“Foi uma regata bastante apertada e isso vai ocorrer em todas as etapas. Todos têm boa velocidade e pequenos erros custam caro. Desta vez tivemos a sorte de cometer menos erros do que eles”, contou Xabi Fernandez.

Com a vitória, a equipe soma 8 pontos e com os 6 do segundo lugar na Etapa 1 colocam os espanhóis no topo da classificação geral. Durante a perna, o MAPFRE navegou ao todo 7.886 milhas náuticas a uma velocidade média de 17,3 nós.

O team AkzoNobel, da brasileira Martine Grael, está em quinto lugar bem próximo de Turn the Tide on Plastic e Sun Hung Kai / Scallywag.

MAPFRE perto da vitória

23/11/2017 18:42
A segunda etapa da Volvo Ocean Race deve terminar na tarde desta sexta-feira (24) o o resultado segue indefinido. A prova entre Lisboa, em Portugal, e a Cidade do Cabo, na África do Sul, será decidida na aproximação ao destino final. Cartão-postal sul-africano, os ventos perto da Table Mountain sempre reservam surpresas.
A vantagem segue com os espanhóis do MAPFRE, mas os adversários, inclusive o team AkzoNobel da brasileira Martine Grael, tentam o ataque final pelo Atlântico nas últimas 24 horas de regata. Desde a largada em 5 de novembro, as equipes estão se revezando na ponta.
Nesta quinta-feira (23), o Vestas 11th Hour Racing – vencedor da primeira etapa – e o Sun Hung Kai / Scallywag optaram por implantar o modo sigilo, justamente quando a segunda perna da Volvo Ocean Race atinge seu clímax.
“Estamos puxando o barco ao máximo possível”, disse a medalhista olímpica Jena Mai Hansen, do Vestas 11th Hour Racing. “O Dongfeng não está longe de nós e o MAPFRE tem 30 milhas de frente. Nós estamos olhando um para o outro vendo quem vai fazer algo diferente”.
A equipe espanhola do MAPFRE chegou a abrir mais de 30 milhas náuticas de vantagem para o o Dongfeng Race Team na tarde desta quinta-feira. Mas os outros adversários não se dão por vencidos.
“Vamos fazer o nosso melhor para ver se podemos mudar isso”, disse o navegador Andrew Cape, do Team Brunel, terceiro colocado. “Pode ter surpresa, especialmente na Table Mountain, e não vamos perder a esperança”.
Antes de entrar no modo invisível, Dave Witt, comandante do Sun Hung Kai / Scallywag, explicou sua situação. “Estamos em uma situação extremamente difícil. É duro quando trabalhamos tão forte para voltar para trás. Sinto que estou batendo minha cabeça contra uma parede de tijolos”.
 A brasileira Martine Grael, em entrevista a bordo do team AkzoNobel, falou o que vai fazer quando pisar em terra, após 20 dias de regata descendo o Atlântico. ”Quando chegar em terra preciso de um banho e um bom café da manhã. Depois exercitar as pernas, pois no barco a gente anda muito pouco. Acho que é isso, uma boa comida e matar a saudade de casa”.
A primeira etapa foi vencida pelo Vestas 11th Hour Racing. A Volvo Ocean Race será disputada até junho, incluindo uma etapa no Brasil, mais precisamente na cidade de Itajaí (SC), em abril de 2018.

Esfriando a cabeça

20/11/2017 14:42

A segunda etapa da Volvo Ocean Race está demais de agitada

É barco se escondendo, é troca de posição, mudança de tempo, a latitude 40 e a pressão pela chegada

Os barcos devem cruzar a linha de chegada lá na África do Sul até domingo, depois de 21 dias navegando.

Por enquanto é o MAPFRE que lidera

A ver

IMOCAs chegam na Bahia

19/11/2017 09:56

A Bahia é definitivamente a casa do francês Jean-Pierre Dick. O skipper se tornou, neste sábado (18), o maior vencedor da Transat Jacques Vabre na classe IMOCA com quatro conquistas sendo três delas na capital Salvador. Ao lado do compatriota Yann Eliès, o navegador levou o St Michel – Virbac ao pódio com o tempo de 10 dias, 19 horas e 14 minutos para um percurso de 8 mil quilômetros.

”É só felicidade. Vencer quatro vezes é fabuloso! Depois de um período difícil, com uma capotada e uma perda de quilha na Vendée Globe, as coisas positivas voltaram”, disse Jean-Pierre.

”Tive problemas para dormir nos primeiros dias por causa do barulho, da adrenalina. Yann foi um bom parceiro. Tomamos as decisões certas em termos de estratégia! Eu fui mais para o lado racional e o Yann com sua intuição. Nós fizemos uma ótima parceria”.

As outras vitórias do skipper do St Michel – Virbac em Salvador foram em 2003 com Nicolas Abiven e 2005 com Loïck Peyron. Na prova de 2011, que terminou em Puerto Limon, na Costa Rica, o francês fez dupla com Jérémie Beyou.

”Novamente foi um grande prazer receber Jean-Pierre no Terminal Turístico Náutico da Bahia. Ele já é um baiano igual a mim”, falou Domeniqui La Bras, diretor da Socicam, que administra o Terminal Turístico Náutico da Bahia.

A classe IMOCA é uma das mais celebradas da modalidade, principalmente na Europa. Os mesmos barcos de 60 pés são usados na regata Vendée Globe, uma volta ao mundo em solitário, sem escalas e sem assistência. A próxima edição será em dezembro de 2020, sempre largando da França.

”É fantástico ter uma barco desse aqui. Muito moderno, que plaina com uma facilidade enorme. Muito feliz de ter esses barcos aqui na Baía de Todos-os-Santos. A IMOCA sempre tem a maior rivalidade com resultados acirrados”, disse Márcio Cruz, presidente da Federação Baiana de Vela.

Os próximos IMOCA estão próximos da linha de chegada. Neste domingo (19), outros três barcos estão previstos: SMA, Des Voiles et Vous! e Malizia II.

 

 

 

Martine conta tudo a bordo

17/11/2017 11:57

Volvo Ocean Race divulga entrevista com Martine Grael, que pode ser vista na íntegra aqui

Se está com tempinho, leia o que ela disse abaixo no release que escrevi

Campeã olímpica na Rio 2016, Martine Grael encara outra importante competição mundial, a Volvo Ocean Race. Integrante do team AkzoNobel, a atleta disputa a segunda etapa da regata de volta ao mundo, entre Lisboa, em Portugal, e Cidade do Cabo, na África do Sul. E o percurso pelo Atlântico oferece a opção às equipes de passar perto da costa brasileira. O AkzoNobel segue na liderança da perna na manhã desta sexta-feira (17) após mais de 60% do percurso percorrido.

”Depois dos Jogos do Rio, estou velejando em águas muito parecidas como esta, porque são as mesmas ondas que a gente pega na costa do Rio, e lá eu era total experiente na minha classe (49er FX) e aqui estou como principiante. Aqui é uma mudança bem grande, mas eu estou aproveitando bastante, principalmente essas águas mais tranquilas, porque tem bastante pela frente”, disse Martine Grael. ”Nós estamos em uma altitude próxima ao Rio (Niterói), onde eu moro, e sinto saudade de casa, porque estou muito tempo fora, então as vezes no barco eu ponho um pouco de música para lembrar um pouco de casa”.

O equilíbrio da etapa é evidente pela posição dos sete barcos. A diferença do primeiro colocado para o último até o momento é pequena (menos de 150 quilômetros), levando em consideração as amplas opções pelo Atlântico.

”Os barcos não funcionam como se estivéssemos caminhando, então uma linha reta de A à B não é o caminho mais curto, porque tem sistemas de alta pressão e baixas pressões então a gente vai na rota que tem mais vento e isso nos leva para perto do Brasil”.

A segunda etapa terá um contorno da Ilha de Santa Helena, já nos chamados mares do sul. E por isso os barcos se estudam para se aproximar do destino final em vantagem. O primeiro a tentar fazer esse jibe explicado abaixo por Martine Grael foi o Team Brunel.

”Agora vai ter um jibe, que é quando a gente começa a pegar uns ventos do sul onde todas as frentes frias passam e levam até a África do Sul. Quem se posicionar melhor nesse jibe vai ter uma mudança de posição, então estamos tentando ir o mais rápido possível em direção ao sul para pegar essa mudança antes”.

Martine Grael recordou um dos momentos mais especiais para a atleta na Volvo Ocean Race, o batismo após a passagem pela Linha do Equador. Como manda a tradição, todos os novatos passam por um ritual a bordo.

”Netuno veio nos visitar, a gente tomou um pouco de peixe na cabeça, e tem comida que está na minha cabeça provavelmente, mas foi bom para tomar um banho na proa, dar uma lavada também, porque 20 dias nesse barco sem tomar banho, as vezes é dose”.

Na teoria, as equipes mais próximas da costa brasileira – Dongfeng Race Team, MAPFRE, Team Brunel e Vestas 11th Hour Racing – provavelmente pegarão os ventos mais fortes a partir de agora. Os barcos devem terminar a etapa até o dia 24 de novembro.

 

Barcos voadores chegam nesta segunda-feira na Bahia

12/11/2017 16:37

A boa terra terá a honra de receber o campeão da Transat Jacques Vabre, que chega ao Brasil com direito a recorde.

A nova marca da regata Transat Jacques Vabre está prestes a ser quebrada pelos Ultimes – barcos voadores.

Photo sent from the boat Sodebo Ultim’, skippers Thomas Coville and Jean-Luc Nelias, on November 12th, 2017 – Photo Sodebo Ultim

Os trimarãs Sodebo e Edmond de Rotschild vão fazer os oito mil km da França até a Bahia em oito dias.

O Groupama 2 tem 10 dias e 38 minutos, ou seja, a marca de 2007 caiu.

”A chegada a Salvador será com pouco vento. Certamente haverá pressão, mas para ganhar regata é preciso lidar com isso. Eles (Edmond de Rothschild) estavam mais rápidos no começo e tomamos a ponta dias depois. A regata é como uma prova de ciclismo, você não sabe quando o outro vai atacar”, disse Jean-Luc Nélias, skipper do Sodebo. A equipe foi vice-campeã em 2015.

Brasil na regata

A Transat Jacques Vabre tem mais uma vez um barco brasileiro, repetindo Itajaí 2015 com o Zetra. O Mussulo 40 compete na categoria Class40 e ainda está bem distante do destino final.