Home Notícias Política Veja o perfil dos prefeitos que entram e dos que saem no litoral

Veja o perfil dos prefeitos que entram e dos que saem no litoral

VOLNEI MORASTONI
“Eu vou preparar um plano municipal anticorrupção para levar à Câmara”

Mais do que uma mudança de governo, Itajaí tem uma mudança no jeitão de administrar a cidade. Sai o tom conciliador e passivo de Jandir Bellini (PP) para assumir um Volnei Morastoni (PMDB) enérgico, mas em nova fase. Ele explica não ter mudado somente de partido, mas se garante mais contido e maduro para tocar o barco.
Em seu consultório particular, no centro da cidade, Volnei vai além da atuação pediátrica e homeopática. Ali se formou uma espécie de “QG” do novo governo após as eleições, onde tomou decisões, definiu a agenda, marcou reuniões e recebeu a imprensa, inclusive a a reportagem do DIARINHO, que esteve ali em dezembro.
Aos 66 anos, o prefeito que venceu a adversária Anna Carolina (PSDB) na estica, concorda que houve equívocos na sua primeira gestão. “No primeiro mandato, iniciei com toda a equipe definida. Agora não será assim, nomearei aos poucos, pois nossa folha chega hoje a 70% da arrecadação, e só não temos problemas no Tribunal de Contas por causa dos recursos do Semasa”, adianta.
Volnei também promete ter olho aberto ao que acontece em todo o governo. “Temos que orar e vigiar,” diz, sobre a tentação da corrupção. “E vou preparar um plano municipal anticorrupção para levar à Câmara”, observa. Segundo Volnei, o objetivo é monitorar qualquer sinal de ilícitos. O prefeito planeja ainda um código de ética do servidor e pretende implantar a “Coordenadoria da Integridade” para monitorar a prefeitura.
Tido como antipático e autoritário em vários momentos, Volnei nega que esse seja seu perfil, e atesta que quem o acompanha, sabe que ele hoje não é mais o barbudão bravo dos tempos do PT. “Mas sempre fui de opinião. Não compro enlatado não”, se define. Recentemente, concluiu uma pós em Medicina Integrativa com o famoso doutor Lair Ribeiro.
Em comum, tanto Volnei como Jandir enfrentaram denúncias de corrupção em suas gestões. As operações Iceberg e Influenza, na gestão de Volnei, e as edições da Parada Obrigatória e Dupla Face, na era Bellini. “As denúncias da Influenza foram uma farsa, montada contra mim por gente dentro da prefeitura, em conluio com um juiz denunciado no Conselho Nacional de Justiça, hoje afastado”, assegura Morastoni.

“Volnei é pelo povo”
A personalidade do novo prefeito peixeiro é atestada pela professora e assessora Raquel Gastaldi, que o conhece bem e cuja parceria já rolaACONTECE há mais de 14 anos. Ela nega que ele seja turrão. “Construíram essa ideia por conta de momentos específicos do Volnei, mas ele é um ser humano de coração muito grande. No entanto é tímido, e fica chateado quando não consegue atender a todos”, continua
Raquel assegura não conhecer outro político hoje em Itajaí tão focado para tocar a prefeitura. “Ele é sério, mas não quer dizer que seja bravo. E trabalha em tempo integral pela cidade”, elogia a assessora.
Nas ruas, a opinião sobre o novo chefão é dividida. A dona-de-casa Zenaide Regina, moradora do Espinheiros, não achou grande coisa a sua primeira gestão. “Tomara que ele melhore a saúde, que faça mais; tem que ser melhor do que foi, sendo ele um médico”, destacou.
Já o picolezeiro Elcio Cesar Correa, do Promorar, aprovou o governo do Volnei. “Que ele continue como foi, sempre pensando nos pobres,” diz.
Volnei está preocupado com a folha de pagamento do município, hoje nos R$ 42 milhões mensais. “Não podemos subir mais”, diz. “É pé no freio e equilíbrio fiscal, pois sobra pouco para o investimento, e quero voltar a abrir os postos de saúde até às 22 horas”, diz o barbudinho, que antecipa que vai rolarACONTECER auditoria na folha, recadastramento presencial de servidores, revisão de perícias e adaptações, além de bolar um novo plano de carreira.

JANDIR BELLINI
“Eu estava desgastado; só minha família e o Marcelo Sales sabiam da minha intenção de renunciar”

Oito anos depois de um mandato que ostentou dois extremos – alçar Itajaí à maior economia do Estado e servir de palco para o maior escândalo político da história peixeira – Jandir Bellini (PP) mantém a serenidade diante dos revezes sofridos, coleciona alguns críticos e muitos admiradores naturais após administrar a cidade por quatro vezes e faz uma revelação ao DIARINHO: a turbulência política que se instalou na prefeitura e que parecia prenunciar os problemas levantados pelas Operações Parada Obrigatória e Dupla Face, o levou a escrever uma desconhecida carta de renúncia horas antes de as prisões de secretários começarem a acontecer.
No gabinete, ainda em dezembro, o prefeito recebeu o DIARINHO para uma conversa marcada pela sua tradicional cordialidade. Tranquilo, revelou que os desacertos do segundo mandato, marcado pela disputa interna de poder dentro da prefeitura, crise financeira, pelos choques entre partidos e dificuldades burocráticas que engessaram o Executivo o levaram não só a cogitar a renúncia, mas a redigir uma carta de despedida.
“Eu estava desgastado; só minha família e o Marcelo Sales sabiam da minha intenção de renunciar”, frisa, citando o amigo e novo superintendente do porto de Itajaí na gestão de Volnei Morastoni (PMDB). “A máquina não andava, e era um final de semana da Festa de São Cristóvão. Eu fui na procissão com a Dalva [Rehnius, vice-prefeita pelo PSB], e lá nos encontramos com o Zé da Codetran”, revela, citando o ex-vereador José Alvercino Ferreira (ex-PP), preso e uma das figuras centrais dos escândalos.
Jandir diz que pediu a Deus em oração uma inspiração ou sinal se deveria renunciar nas próximas horas. “E na terça-feira estourou a Parada Obrigatória; o Zé foi preso. Imaginem se eu renunciasse naquele final de semana: seria considerado uma confissão de culpa, eu seria apontado como o chefe dessa situação toda”, aponta, referindo-se ao dia 14 de julho de 2015.
Bellini disse que o choque das sucessivas denúncias o fez não só desistir da renúncia, mas buscar forças para provar, segundo ele, sua não-ligação com a corrupção, e garantir a administração da prefeitura até o dia 31 de dezembro de 2015. “O maior prejuízo foi a imagem do prefeito. Foi um inferno,” admite.
O prefeito diz que esse foi o mais difícil de seus quatro mandatos. “Mesmo assim, agradeço ao povo. Consegui pegar uma prefeitura com orçamento de R$ 42 milhões, e entrego com quase R$ 1 bilhão”, enumera.
Macrodrenagem, recuperação da cidade após a enchente de 2008, investimentos em megaeventos esportivos e turísticos como a Regatona são apontados pelo prefeito como marcas da gestão. “Aumentou nossa qualidade de vida; o aumento do número de hotéis; somos a 11ª cidade brasileira para visitação turística”, lista.
A sucessão de escândalos, reconhece, dificultou o reconhecimento desses avanços. Jandir credita a eleição passada como “a mais difícil” que ele enfrentou, e mesmo assim, na sua visão, deu visibilidade ao nome de João Paulo, seu candidato a prefeito. Ele afirma que abriu as portas necessárias para Volnei, mas evita fazer sugestões, quando questionado o que Morastoni deveria fazer para evitar novos estouros de corrupção.

“Ele é simples e honesto”
O encerramento da “era Jandir” gera saudade entre os amigos próximos, que atestam o perfil moderado do ex-prefeito. O contabilista João Abrahão Francisco Neto, amigo pessoal, ressalta a amizade e a personalidade de JB. “O que ele fez pelo município foi o melhor. É simples e honesto. Ajuda as pessoas sem pedir nada em troca. E aí acaba acreditando demais nas pessoas. Tem quem se aproveita,” analisa.
O trabalho e o perfil de Jandir são avaliados diferentemente pelo morador Vilmar Rosa, da Vila. “A minha avaliação do Jandir é satisfatória. A cidade melhorou com ele, mas poderia ter sido mais atuante com o porto,” explica.

FABRÍCIO OLIVEIRA
Jovem, acessível, bom ouvinte, cheio de gás e com carreira política promissora pela frente

Balneário Camboriú vive uma mudança significativa no perfil de seu principal administrador público. Com a posse de Fabrício Oliveira (PSB), sai de cena o centralismo de Edson Periquito (PMDB), tido por muitos como de viés autoritário e isolado, e entra um jovem de 41 anos que vive a história de Balneário desde menino.
Fabrício, o ex-vendedor de picolé, ex-bilheteiro de casa noturna, atividade para a qual foi alçado nos eventos da noite popular de uma cidade de 20 anos atrás, se transformou num líder político discreto, que apesar da pouca idade, já acumula experiências administrativas significativas na própria prefeitura, em dois mandatos de vereador, na Junta Comercial do Estado (Jucesc), na suplência da Câmara dos Deputados e até mesmo na chefia da então Secretaria de Desenvolvimento Regional (SDR, hoje ADR Itajaí) – nada mau para quem até agora, não coleciona manchas em sua trajetória pública.
Para os mais próximos, talvez o seu defeito será não saber dizer não. Por outro lado, a virtude é ouvir e dialogar, postura diferenciada da personalidade do antecessor Periquito, ou do principal adversário, Leonel Pavan (PSDB), o qual sofreu fragorosa derrota nas urnas justamente para seu ex-pupilo.
Na fala de dona Aída dos Reis, moradora do centro de Balneário Camboriú há 22 anos, Fabrício tem tudo para emplacar nos Altos da Dinamarca, onde fica a prefeitura. Ela o conhece desde menino, já que o prefeito eleito era colega de infância do seu filho. “Eu nunca precisei dele como político, mas todos atestam que é muito acessível”, diz. “Agora, o que ele tem que fazer é dar gerência à cidade, administrar mesmo, fazer”, sugere a senhora.
Essas iniciativas, na visão de dona Aída, são necessárias para que Fabrício se diferencie de Periquito. “O Periquito, tadinho, deixou o barco correr e foi tudo água abaixo. Muito mal assessorado, um fracasso para Balneário. O Pavan, com todos os seus defeitos, conseguia muito mais”, compara.
Outro cidadão balnear que traça o perfil de Fabrício é o advogado e amigo Carlos Eduardo Ferreira, que há seis anos conhece bem o novo prefeito – tanto que o acompanhou na campanha eleitoral. “Ele é um ser humano leve, espirituoso, e ouve as pessoas. É um ouvidor nato”, avalia.
Carlos acredita que esse perfil fará a diferença. “O Fabrício só toma decisões após analisar profundamente a questão”, diz. “E é ligado à música, ao esporte, à natureza. É tudo menos um político tradicional”, acrescenta. Para Carlos, Fabrício já deu mostras de que será um dirigente que admite não saber tudo. “Isso é importante, não ser vingativo nem o dono da razão.”
“A expectativa é´positiva, o governo vai ser bom”, diz o morador Leonardo Dutra Marques, da Vila Real. “Ele é jovem, teve visibilidade como político”, pontua. Para Leonardo, Fabrício tem ideias “atuais” e precisa focar mais no trânsito e saúde. “Precisa dar mobilidade, principalmente na temporada, e ver a saúde. Não é possível uma fila de duas horas no PA da Barra, ou ver a situação em que está o hospital Ruth Cardoso”, completa o morador.
Com 16 anos de vida pública, cabe agora a Fabrício – e só a ele – fazer jus ao voto dos eleitores. Fabrício prometeu ainda enxugar a gastança, imprimir eficiência na gestão pública e preparar uma reforma administrativa após os primeiros 100 dias, uma tentativa de modernizar o organograma da mesma prefeitura que, segundo ele, tá há 15 anos sem alterações. O tempo dirá se ele honrará toda essa esperança do povão da Maravilha do AtlânticoBalneário Camboriú.

EDSON PERIQUITO
Do primeiro governo marcado por grandes obras ao fim melancólico e isolado do segundo mandato

O desgaste vivido pelo final do governo do prefeito Edson Periquito (PDMB) em Balneário Camboriú é anunciado nas ruas – o que reforça o tom de final melancólico para uma gestão realizadora, segundo a própria população, de obras importantes no primeiro mandato, mas que se afundou em denúncias da corrupção, tendo como símbolo maior a escandalosa obra da Passarela da Barra, cujo superfaturamento virou alvo de investigações e prisões.
Nas ruas, moradores e contribuintes como a educadora Maria de Souza Ferreira, do centro, dizem ser difícil apontar acertos do peemedebista. “Ele deve ter acertado em algum ponto, mas se perdeu em suas falhas”, disse ao DIARINHO.
Segundo Maria, a rede municipal de ensino foi esquecida. “A impressão é que ele nunca foi visitar uma escola do município. A estrutura está péssima, a parte pedagógica ficou ao deus-dará”, diz. “Na saúde, a crise do hospital Rute Cardoso mostra bem o descaso”, acrescenta.
Outro ponto citado por Maria, que vive há 18 anos em Balneário, é o trânsito. “O nosso trânsito não é funcional, não privilegia o turista, o pedestre”, cita ela, cujo esposo trabalha no setor privado de transportes e chegou a desenvolver propostas, entregues ao prefeito eleito Fabrício Oliveira (PSB). “Meu esposo pensou num projeto a partir da Barra Sul”, revela.
A crise na saúde local, entre outros setores, também preocupa dois moradores chamados Domingos. Seu Domingos José Farias, aposentado, mora na cidade desde 1965, e lamenta os atrasos e a burocracia na liberação de exames. Mas elogia Periquito pelo alargamento de ruas e novas avenidas. “Muitos alagamentos acabaram”, avalia.
Já Domingos Paterno, há 50 anos em Balneário e morador do centro, pede ao prefeito eleito que “troque toda a cambada” na prefeitura. “O Periquito foi bom no primeiro mandato. Depois, perdeu mais de 80% do ritmo, e acho que na política não ganha mais nem para vereador”, critica.
Para Paterno, além da lentidão nas obras, Periquito fez valer seu perfil radical de não ouvir ninguém e ser centralizador. “Tinham que dançar a música dele. E aí ele não se misturava. Parece que o homem se escondeu do povo”, opina.
O resultado desse distanciamento, na visão do morador, pode ser visto na obra do Pronto Atendimento (PA) da Barra, pronta e emperrada há três anos, a promessa do binário da Quarta avenida, entradas complicadas para a cidade, permanência de ônibus no centro.
Já a moradora Carla Laemmle, do centro, também assegura que de início, Periquito melhorou a situação do trânsito. Mas a passarela da Barra acabou sendo um símbolo negativo, “um elefante branco”, no dizer da moradora, que arrisca sugerir para o novo prefeito Fabrício que faça um governo diferente.
“Mas Fabrício, para ser melhor que Periquito, tem que parar de pensar só em construção civil. Valorizar quem é daqui, ver o fator ambiental, fazer parques, viabilizar uma cidade com espaços para as pessoas, que não sejam só shoppings”, diz ela.
Leonardo Dutra Marques, da Vila Real, concorda com Carla. “Periquito melhorou o trânsito, com as obras da Martin Luther”. Leonardo aprova parcialmente o governo do peemedebista, pelas obras viárias e de esgoto. “Mas acredito que o Fabrício vem com uma visão mais atualizada de administração”, completa.
O DIARINHO tentou durante três semanas contato com o prefeito Edson Periquito, a fim de que ele próprio fizesse uma auto-avaliação e falasse sobre os pontos do seu governo. Não teve jeito de o chefão peemedebista atender a reportagem. Ele se despede do poder com a merda ‘barda’ dos últimos anos: completamente inacessível.

DR. ELCIO
Élcio Kuhnem reclama da transição de governo que foi feita no “escuro”

O ano era 1976 e Elcio Rogério Kuhnem ainda não sonhava em entrar para a política. O quase veterinário e futuro médico apaixonara-se por uma Camboriú muito diferente da de hoje. Vinha regularmente à cidade para veranear num Monte Alegre ainda com poucas casas, mas marcado pelos animados bailes do salão do Zé Bétio, tio de Élcio – muitos deles com duplas sertanejas famosas na época por participar do programa Clube do Bolinha, na Rede Bandeirantes.
A família Kuhnem, grande, se reunia para os finais de ano, e dali partia para curtir a praia de Balneário Camboriú. Mas foi somente em 2006 que Elcio radicou-se definitivamente na cidade, que o elegeria prefeito pelo PMDB, mandato que iniciou dia 1º de janeiro. “Não vim para cá antes por conta da característica meio cigana da profissão médica”, frisa ele, que atuou ainda em Penha, Balneário Camboriú e mesmo Barra Velha, onde também morou.
Elcio é determinado. Estudou em seminário, mas não seguiu vida religiosa; cursou quatro anos de medicina veterinária e não se formou, pois dali, viu que seu caminho era a medicina humana. Formado médico, não pensava ainda em política, mas alega ter como missão servir ao povão – muitas vezes, sem cobrar consultas ou receitas.
Em 2014, concorrendo a deputado estadual, surpreendeu: somou quase 20 mil votos apenas com base em cidades médias e pequenas, e só não chegou porque a legenda carecia de um tiquinho a mais para lhe garantir a cadeira.
O médico e agora prefeito enfrentou a máquina pesadona da prefeita Luzia Coppi Matias (PSDB) e as acusações de que seria um “prefeito importado”, já que o acusavam de ser secretário da Saúde em Balneário, e ainda atuar em Barra Velha e Penha. “Esqueceram simplesmente do passado de nossa família em Camboriú, da ligação com a cidade desde os anos 70”, comenta.
Doutor Elcio tem à frente vários desafios. Acusa a prefeita Luzia de não fazer uma transição a contento. “Abaixo da expectativa, apesar de respeitosa. Não se preocuparam com o andamento da cidade”, frisa. Essa transição “no escuro”, segundo Elcio, motivará a criação de uma lei municipal específica regulamentando a troca de governo nos próximos governos.
O médico-prefeito quer começar o trampo com 25% dos cargos totais da equipe, pois, segundo ele, sem grana, a coisa tá preta. “Nosso orçamento caiu”, aponta o peemedebista, que agora quer rever os contratos da água, fazer um diagnóstico administrativo nos 30 a 60 primeiros dias, e cancelar todas as locações atualmente vigentes. “Vamos trazer para a administração esses setores, ou locar espaços buscando até 50% de economia”, antecipa.
Na parte política, Elcio não terá maioria no Legislativo, e sua base de apoio começa na câmara com o PMDB, REDE e PSC. Mas ele já conversa com o DEM, PV, PR e PDT. “Queremos agregar lideranças de forma suprapartidária, apresentando nosso projeto para a cidade”, garante.

Povão no aguardo
A expectativa é grande entre os moradores de Camboriú em relação ao novo prefeito médico. Para o servidor braçal contratado da prefeitura, Carlos de Lima, morador do Rio Pequeno, a saúde tá falida. “Esperei um ano e meio por exames; quando peguei nas mãos, o médico não aceitou mais devido à demora”, revela.
Carlos ainda cita que as filas nos postos são de lascar. “A gente vem pegar ficha às seis da manhã, para 14 vagas, e muitas vezes tem de esperar até o meio-dia. Outro fator que revoltou a galera foi a prefeita fechar os postos de saúde na virada do ano, fazendo o povo ter que ir para Balneário, como já foi noticiado pelo DIARINHO.
A esperança do servidor por novos dias tem razão de ser. Sua esposa também precisou de uma cirurgia, e só conseguiu porque foi o próprio doutor Élcio que encaminhou, isso bem antes de ser candidato a prefeito.

LUZIA COPPI MATIAS
Investimentos na malha viária e abandono da saúde ficam como marcas do último mandato da prefeita

Luzia Coppi Matias (PSDB) investiu pesado na infraestrutura viária de Camboriú, mas deixa o município com o sistema de saúde em condições precárias. Essa é a percepção que parte do povão tem da prefeita que se despede após oito anos no comando do poder Executivo.
Trabalhadores como a florista Ereni Carlos de Souza, que há oito anos mora no centro de Camboriú, diz que os serviços de saúde são piores que os de Balneário Camboriú, cidade que também coleciona reclamações da comunidade e problemas com seu hospital Ruth Cardoso. “Mas aqui em Camboriú temos o hospital fechado há anos, só atendendo emergências”, considera a florista.
Segundo ela, Luzia foi uma chefona que deixou a desejar. “Saúde fechada, hospital fechado, ruas mal conservadas, e ainda abandonou a cidade agora no Natal, pois não teve decoração natalina”, avalia. Para Ereni, foi difícil achar algum acerto recente da prefeita.
Já o consultor de empresas Samuel Santos pega bem mais leve. “Eu a conheço, é uma pessoa boa”, observa. “Ela pegou a prefeitura das mãos do Edinho em condições caóticas, e conseguiu colocar as gestões anteriores, todas masculinas, no chinelo”, diz, referindo-se ao prefeito anterior, Edinho Olegário (PDT).
Luzia, segundo Samuel, acertou ao investir pesado na malha viária, com muitas pavimentações, como no caso do Conde Vila Verde. “Mas acho que outros setores ficaram desassistidos”, diz. “Não houve política de esportes ou cultura. Mas o que ainda considero mais emergencial seria um sistema de transportes, e em segundo a melhoria da saúde”, completa. Apesar das falhas, na visão do consultor, a tucana “ainda foi a melhor”.
Já Ércio Barbosa, morador do Tabuleiro há 14 anos, bufa pela forma como Luzia tratou a cidade na retinha final da sua administração, após seu candidato tomar pau nas urnas do novo prefeito, o médico Elcio Rogério Kuhnem (PMDB). “Ela parou até a coleta de lixo, fechou os postos de saúde no final do ano, isso é muito complicado para o povo, que se obriga a ir pro Ruth Cardoso, no Balneário”, diz o vovô.
A reportagem do DIARINHO esfolou o dedão tentando falar com a prefeita Luzia. Ela escapou da entrevista. O DIARINHO chegou até a ir na prefeitura, no dia 22, mas descobriu que a tucana carcou já no dia 19, dando férias para toda a barnabezada.

“Luzia foi diferente”
Quem amenizou pro lado a prefeitura foi o amigo, secretário e ex-candidato a prefeito pelo PSDB, Márcio Rosa. “Minha amizade com a Luzia foi além da política. Ela é uma guerreira que não mediu esforços para tocar a cidade e abriu mão da vida particular, sendo prefeita 24h por dia”, elogia.
Márcio assegura que trabalhou por 23 anos com vários prefeitos da capital do mármore, mas Luzia fez o diferencial. “Apesar da crise, os funcionários receberam em dia, receberam todas as perdas salariais, há obras em andamento, é um cenário muito diferente”, elogia.
Questionado sobre a derrota nas urnas, Márcio disse que a equipe da Luzia somava oito anos, e concorreu “contra uma palavra mágica chamada ‘médico’”, em relação à profissão do prefeito eleito. A diferença entre Elcio e Marcio ficou em 11%, ou quase 4000 votos. “E nosso desgaste era de 12 anos, já que começamos com o Edinho Olegário também no PSDB”.
Márcio frisa, entretanto, que Luzia voltará sua atenção para a família, mas não deixará a política. “Ela respira política 24h por dia”, comenta.

EMÍLIO VIEIRA
Emílio é o novo prefeito, mas o povão acredita que Bob Carlos seja o chefão de fato

O novo prefeito de Navegantes, Emílio Vieira (PSDB), assume a cobiçada cadeira de chefão do paço, mas quem vai mandar de fato é o seu mentor, o prefeito Roberto Carlos de Souza (PSDB), o qual tocou a barca durante oito anos e apostou todas as fichas no pupilo, elegendo-o sucessor. Essa é a opinião dos moradores ouvidos pelo DIARINHO, que desafiados a traçar um perfil do novo prefeito, acreditam que quem continuará mandando é o Bob Carlos.
Para uns, como a auxiliar de escritório Neusa Maria Souza, o fato de Roberto Carlos continuar dando as cartas não é negativo. Já José João Alves, morador do centro, diz que a cidade precisava de alternância de comando, e como Emílio se elegeu, não vai rolarACONTECER mudança nenhuma.
Neusa, nascida e criada em Navegantes, vive há 60 anos na terrinha e diz que Roberto Carlos foi um ótimo prefeito. “Ele foi muito bom para a educação, fez muitas obras”, diz. A saúde, entretanto, deixou a desejar. “É emergencial que Emílio contrate mais médicos, que reveja essa bagunça que é o horário do atendimento dos médicos, e que termine o hospital”, completa.
Para Neusa, entretanto, tá muito claro que quem vai mandar é o Roberto. “Até nos comícios, o Emílio falava pouco; quem discursava mesmo é o Roberto”, narra. “Mas o Emílio tem boa vontade, ele é de família de Machados, conhece bem a cidade e não deve decepcionar”, completa.
José João Alves, que tá em Navegantes há menos de um ano, entretanto, diz que em geral, o povão reclama do desempenho de Roberto. “Isso de ficar a mesma equipe é muito ruim. Os postos de saúde, por exemplo: não têm nem gaze para fazer um curativo”. Para José, o problema não é necessariamente o Emílio, mas a equipe ruim. “Eu torço para ele acertar, mas Roberto foi ruim”, observa.
O aposentado Manoel Heitor de Souza, 77 anos, morador do São Domingos 2 desde que nasceu, também aposta que o fato de Emílio vir de Machados ajude na administração. “É melhor eleger alguém da cidade, que nasceu aqui”, arrisca. Na visão de seu Manoel, Roberto Carlos foi o melhor prefeito que Navegantes já teve, e por isso elegeu Emílio.
“Foi o melhor, bateu o Deba Cabral, o Gaya, tudo,” diz o aposentado. Seu Manoel sugere para Emílio trabalhar na geração de empregos, principalmente para a galera da pesca.
Já Caroline de Ávila Cardoso, moradora do centro, também frisa esperar acertos do novo chefão, mas sugere que Emílio pelo menos não esqueça da decoração natalina, como Roberto Carlos fez nesse verão.
Carolina também reivindica que o novo prefeito invista em creches. “A demanda está aumentando”. E o estudante e skatista Ângelo Nascimento Carrasco pede ao novo chefão para “dar espaço e valor para os jovens”, reivindicando espaços esportivos e manutenção de áreas como a praça de skate ao lado da Prefeitura.

Um perfil
Emílio Vieira é barnabé do serviço público desde 1988. Na vida pública, de bobo não tem nada: já foi vereador oito anos, e vice-prefeito outros oito. Em 2014, deixou o PP de muda para o partido dos tucanos.
Segundo pessoas próximas, Emílio parece não se importar com a pecha de ser cria do Roberto Carlos, pois elogia a gestão do tucano e diz os avanços nos oito últimos anos também são obra do vice.
O novo prefeito correu da reportagem do DIARINHO e não atendeu aos insistentes apelos para falar sobre seus planos.

ROBERTO CARLOS
“O professor hoje recebe o dobro do que em 2008”

Quem conviveu oito anos com Roberto Carlos (PSDB), o prefeito de Navegantes que por dois mandatos tocou a cidade e agora deixa a cobiçada cadeirinha da beira do Itajaí-açu, diz que não é fácil controlar seu perfeccionismo. O homem, segundo assessores próximos, se cobra o tempo todo, mas o que ameniza é que, mesmo diante de uma pepineira, ele acaba se valendo do bom humor para tocar o barco.
E nos oito anos, Navegantes se deparou com uma prefeitura que priorizou a Educação – nas palavras de seu próprio dirigente – e que teve um salto de qualidade no setor, além de obras importantes, como a urbanização da orla.
Mas esse período também foi marcado por um prefeito brigão, que não hesitou em comprar briga com o finado Luiz Henrique da Silveira (PMDB) por conta da via portuária, e também enfrentar acusações de improbidade administrativa, tretas no hospital municipal e até mesmo rolos que resultaram no bloqueio de bens do chefão tucano.
Segundo o popular Bob Carlos destacou ao DIARINHO, a Educação foi seu carro chefe – já que dobrou o número de alunos na rede municipal, de 7,5 mil para 15 mil, dobrou a rede física com sete novas creches (e outras 13 abertas em espaços locados), quatro escolas, entre outras ações. “E o professor hoje recebe o dobro do que em 2008”, gaba-se.
Antes de entregar a chave do cofre ao sucessor Emílio Vieira (também do PSDB), ele ainda batalhou para terminar duas escolas em andamento, no Gravatá e em São Domingos, e tem ainda três creches em obras e um centro para abrigar os pequenos no contraturno.
Na saúde, Bob enumera a construção de novos postos no São Paulo, São Domingos 1 e uma penca de centros de especialidades médicas. Um dos setores mais empepinados da sua gestão, o hospital municipal, também tá ganhando a ala nova, num investimento de R$ 9 milhões, previsto para ser entregue por Emílio no segundo semestre de 2017, parceria do estado e prefaprefeitura.
O tucano celebra ainda a Via Portuária, parceria com a Portonave, estado e município que rolou na sua gestão, e assegura ter investido R$ 200 milhões em infraestrutura, pavimentando 450 ruas, executando macrodrenagens e outros R$ 8 milhões na avenida beira-mar, em parceria com a compensação ambiental da Portonave, que torrou na orla outros R$ 3,6 milhões.
Os ginásios e quadras cobertas pularam de dois para 11, e rolou a obra do Centro Integrado de Cultura (CIC) e da praça de Esportes no Nossa Senhora das Graças, além da Praça da Meia Praia.
Como elegeu o sucessor, Roberto Carlos assegura que em termos de transição, “foi tudo em casa”, e que não dará pitaco ao Emílio, para que ele monte uma equipe com a sua cara. Roberto é servidor da prefeitura e deve tocar a carreira de professor, apesar do convite para assumir uma secretaria.

Avaliação positiva
Na visão dos moradores e amigos, Bob Carlos cumpriu sua tarefa. A empresária Jucélia Ferreira, da consagrada Femepe, disse ao DIARINHO que Bob se manteve simples e dinâmico. “Ele foi formado na educação, dirigiu o CAIC, ali começou sua responsabilidade com as crianças”, diz. Na visão da empresária, com bom humor e tratando bem as pessoas, Roberto levou essas qualidades para a prefeitura.
O morador Jonathan Prado, da Meia Praia, mora em área de ocupação, e diz que o desempenho do tucano foi bom. “Ele melhorou o trânsito no centro, fez muitas pavimentações, e também fez esse projeto da proteção da restinga com a Portonave, protegendo a orla”, avalia. “E aqui na invasão chegou a luz elétrica”, comemora.
Já seu José João Alves, carioca radicado em Navegantes, tem uma visão diferente. Segundo ele, Roberto Carlos “não fez nada no último ano” e o sucessor, Emílio Vieira, deveria trocar toda a equipe administrativa. “Os postos de saúde estão abandonados”, acusa.

AQUILES DA COSTA
“Eu sou muito humano, gosto de olhar nas pessoas, que não são robôs, e quero humanizar essa gestão”

O novo prefeito de Penha, Aquiles Schneider da Costa (PMDB), 34 anos, até possui pontos de semelhança com seu antecessor, Evandro Eredes dos Navegantes (PSDB), 38. Assim como Evandro, é jovem, foi vereador cedo e teve experiência com as finanças antes de entrar para a política. Mas se por um lado, Aquiles trabalhou no setor de tributação da prefeitura da terrinha do marisco, e Evandro no setor de compras do Parque Beto Carrero World, é aí que as coincidências terminam.
O novo prefeito parece ter um perfil mais centralizador. Aquiles, dia 15 de dezembro apresentou seu secretariado e no dia 16 foi diplomado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SC). Ele já ocupou a chefia da Agência de Desenvolvimento Regional de Itajaí (ADR), depois que Eliane Rebello, então no PMDB, levou o famoso chega pra lá de Volnei Morastoni (PMDB).
Enquanto Evandro não tem hora para terminar as audiências do gabinete, e adora um papo largado, o que se viu no dia 15 foi um Aquiles rapidão no jeito de ser: apresentou secretários, conversou com veículos da imprensa, deu entrevista para emissoras de rádio e falou como pretende tocar o barco da gestão penhense nos primeiros três meses.
Segundo ele, tem que frear gastos porque a folha de pagamento já tá batendo nos 58% de comprometimento, e aí o Tribunal de Contas vai para cima. “Vamos conter despesas e devolver prédios alugados”, destacou. Os secretários serão inicialmente sete: Obras, Assistência Social, Educação, Saúde, Turismo e Administração. Mais a procuradoria jurídica, que tem status de secretaria.
De cara, Aquiles pega a cidade cheia de veranistas. Terá de enfrentar as pepineiras tradicionais da água, limpeza da orla, sonzeira no talo e uma secretaria de Saúde que, segundo o vice-prefeito, Lindomar Schule Filho (PSC), não tá nem informatizada direito.
Aquiles acertou com Evandro a contratação de 40 peões para garantir a limpeza das praias, acertou a agenda de médicos e não vai fazer mais a Festa Nacional do Marisco em fevereiro, conforme noticiou o DIARINHO. O prefeito eleito acredita que não vale a pena torrar grana num evento promovido em pleno carnaval, data em que a terrinha já tá apinhada de visitantes.
“Eu sou muito humano, gosto de olhar nas pessoas, que não são robôs, e quero humanizar essa gestão. Mas meu pai me ensinou que o combinado não sai caro, então, precisamos de uma gestão planejada”, frisou ao DIARINHO o filho do saudoso ex-vereador Zé Lídio da Costa, outro nome tradicional do PMDB de Penha.

“Currículo invejável”
A personalidade do novo prefeito é atestada por amigos como Susana Perinotti Borba, que o conhece há 11 anos, e já trabalhou com ele na prefeitura da Penha. “Ele é íntegro, corre atrás dos seus objetivos, e tem muita vontade de fazer o melhor. Como foi diretor de tributação, tem conhecimento técnico da área”, elogia. “E mais: Aquiles tem estrutura familiar, é jovem, mas como tem experiência de vereador e ex-secretário da ADR, isso tudo soma, é um currículo invejável”, completa.
A nova gestão gera esperança para moradores como Ronan Ferreira Costa, 20 anos, servente de pedreiro. Segundo ele, Penha precisa de ruas bem conservadas, sinalização, iluminação e segurança. “Nós ganhamos o PA 24h, mas volta e meia falta remédio, material hospitalar. Isso não é bom”, analisa o morador da praia de Armação.

EVANDRO EREDES DOS NAVEGANTES
“Os processos estão ainda na justiça. E a verdade vai vir à tona”

O ex-prefeito Evandro Eredes dos Navegantes (PSDB), no gabinete de prefeito, chamava atenção como um carinha jovem, tranquilão e que não tinha pressa em atender a galera – o que deixava os assessores mais próximos estressados, devido às pepineiras da agenda corrida.
Evandro tinha hora pra atender o cidadão, mas não para encerrar o papo. A conversa, não raro, durava ainda mais, pois o chefão sempre perguntava como tá a mãe ou o pai do vivente.
Como todo governo que perde a sucessão nas urnas, a administração de Vando, como é conhecido, sai desgastada. Júlio Cesar Duarte Silva (DEM), o candidato do prefeito, levou uma lavada de Aquiles Schneider (PMDB), que somou a inédita fração de 65% do total de votos.
Evandro acredita, porém, que o resultado não demonstra a “reprovação” do seu governo. Os dois mandatos consecutivos, a eleição curta e segundo Evandro, sem grana; a escolha por um candidato do meio gastronômico e oriundo do PMDB, “um ótimo nome sem rejeição”, mas que empacou nas urnas, seriam os fatores para essa sova nas urnas. “O povo quis a alternância de poder e a nossa campanha não teve a formatação que queríamos”, observou. Na visão de Evandro, a campanha do prefeito Aquiles “teve alma e entusiasmo”.
Evandro prefere não falar em números, mas jura que “as contas ficaram equacionadas”; desde o início de outubro demitiu 140 comissionados e 60 contratados, e deixou para Aquiles de 1000 a 1050 barnabéAquele que trabalha em uma repartição pública e obedece ordens.s concursados. O prefeito assegura que a coisa não tá falida como disseram na banca de revista da dona Véva.
Outro fator que desgastou o tucano foram denúncias de rolo na licitação de uma das Festas do Marisco, de mutreta na emissão de multas do Detranpen e superfaturamento na compra de apontadores e até um processo de cassação que ele se livrou.
“Olha, os processos estão ainda na justiça. E a verdade vai vir à tona”, diz. “Se você olhar a situação dos apontadores, o valor final que dava a compra, é risível acusarem de irregularidade”. O processo de cassação por conta de suposto pedido de votos em espaço público foi negado em Brasília e arquivado.
“Pavimentamos 200 ruas e fiz mais obras no segundo do que no primeiro mandato”. Evandro lista entre seus sucessos a construção do PA 24h, do Núcleo de Saúde da Mulher (NAM), do Centro Público de Fisioterapia (CEFIR), da construção ou reforma do total de postos no centro e bairros, implantação de oito creches-berçário – a do Gravatá, em fase final, e três calçadões à beira-mar nas praias Alegre, Grande e do Trapiche.

Povão critica e elogia
Evandro divide opiniões. O escultor Gilberto Gomes Moura optou por morar na Penha há quase 20 anos, e assegura que Evandro era acessível e melhorou muito a cidade. “É antes e depois dele”, elogia. “Fez o PA 24h, novas escolas e creches, ginásios”, elogia o morador da rua Jahiel Moacir Tavares.
Já José Rebelo, outro aposentado e dono de casa na rua José Rodrigues Vieira, criticou a conservação de ruas no seu bairro, a praia de Armação. A conservação das estradas deixou a desejar na visão de Cleusa Maria de Oliveira, que vive na Penha há 20 anos. “Precisa melhorar”, comenta. Já o secretário de Obras e amigo pessoal Valdir Mafra Júnior diz que Evandro se diferenciou por ser um carinha do povão. “Ele é um filho de pescador que conhece todo mundo, e por isso tocou a cidade duas vezes”.

NILZA SIMAS
“Quero mostrar a política do bem, feita por lideranças que não entram na política para resolver a sua vida financeira”

Uma jovem liderança que aos 24 anos de idade já era diretora de uma grande escola, chegou à Câmara de Vereadores por duas vezes – na última como a parlamentar mais votada – e cuja bandeira da Educação a levou à eleição como prefeita da capital do ultraleve. Assim é a prefeita Nilza Simas (PSD).
Nilza, hoje com 47 anos, tem um discurso diferente dos demais políticos. Alegou se inspirar na simplicidade de outras mulheres líderes da região para trabalhar pelo bem comum, como a prefeita de Bombinhas, Paulinha da Silva (PDT), e a ex de Camboriú, Luzia Coppi Matias (PSDB). “Elas são referências porque são prefeitas aprovadas em seus mandatos, e não perderam o contato com o povo”, frisa Nilza. “E eu quero servir de referência; mostrar a política do bem, feita por lideranças que não entram na política para resolver a sua vida financeira”, pontua, firme.
Servidora efetiva do município, professora concursada e formada em enfermagem, a nova prefeita que substitui Rodrigo Bolinha (PSDB) por certo irá imprimir a marca feminina na gestão pública. Nascida na terrinha, a nova chefona é filha de Nilda Simas e Ivalci Cecílio Simas. Em 2008, fez história ao ser a primeira mulher a presidir a Casa Legislativa. Em 2012, novo recorde, com 995 votos, a mais votada e também assumindo novamente a presidência da câmara, até o final de 2014.
A nova prefeita quer centrar a atuação na saúde, educação e no funcionalismo. São dela os projetos da primeira biblioteca exclusiva da Câmara de Vereadores e de facilitação da abertura de comércios locais. Também no segundo mandato de vereadora, ela bolou a Escola do Legislativo, através da qual vereadores, barnabéAquele que trabalha em uma repartição pública e obedece ordens.s e o povão receberam cursos de capacitação. A atuação social de Nilza também foi importante para que ela faturasse a eleição, totalizando 14.458 votos, ou 50% do total e mais de 2000 votos à frente de Bolinha.
A moradora Amanda Passos atesta a preocupação permanente da futura prefeita com a saúde. Sete anos atrás, Amanda precisava de uma cirurgia arriscada, orçada em R$ 30 mil. Com a intermediação da então vereadora, Amanda conseguiu a inclusão de seu nome no SUS, e a espera de dois anos terminou ali. “Em 30 dias, me chamaram. E a Nilza ficou um dia inteiro comigo no hospital, não esqueço disso”.
O cabeleireiro Sidnei Andreolla, morador da Itapema há 23 anos, é amigão da Nilza desde antes da nova chefona entrar na política. “Ela é tudo de bom. Guerreira, uma supermãe, amiga nas horas difíceis”, destacou ao DIARINHO. “Sou amigo há 18 anos, quando ela era diretora da escola e me auxiliou e incentivou a me formar”, comenta.
O aposentado Manoel José Vieira é um entusiasta de mulheres no poder. Segundo ele, Nilza tem tudo para dar certo. “Ela precisa investir na educação e saúde, e a mulher tem outro olhar”, diz o morador da rua 880, amigo de Ivalci Simas, pai da futura prefeitura, com quem trabalhou. “E o pai dela foi o melhor secretário de Obras que tivemos, muito trabalhador. Hoje nossas ruas estão esculhambadas e as valas entupidas”, acrescenta.

Seis secretarias a menos
Nilza sabe que terá que apertar os gastos. Ainda não tem um panorama financeiro muito claro dos cofres públicos, mas já anunciou a extinção de seis secretarias. Os assuntos emergenciais, como a coleta de lixo, já estão sendo tratados pela nova chefona.
Nilza também se diz preocupada com a Educação, já que as aulas rolam já a partir de fevereiro, e têm que estar tudo nos trinques para começar. Outra preocupação é como estruturar uma programação de verão já no comecinho do mandato.

BOLINHA
Conseguiu destaque pelo volume de obras, mas foi criticado na questão da saúde pública

O ex-prefeito de Itapema, Rodrigo Costa, o Bolinha (PSDB), chegou ao final do mandato dividindo opiniões sobre os problemas que o levaram a perder a eleição.
O aposentado Tomás Abílio de Oliveira aprova o desempenho pessoal do tucano, mas diz que em termos de turismo, a cidade carece de um olhar melhor. “Precisa investir na praia, pois vivemos do turismo; precisamos de um hospital para os turistas e moradores”, opina.
Segundo o morador do centro, apesar da belezura da orla, Itapema ainda deve muito em estrutura para os banhistas. “Falta urbanização, faltam banheiros e chuveiros na orla”, comenta ele, que faz questão de se dizer nativo de Itapema. “Sou do tempo em que o rio Bela Cruz era na rua Canoinhas, antes de ser canalizado”, diz.
Como ponto positivo, seu Tomas diz que Bolinha nunca fez diferença entre ricos e pobres, e trabalhou firme nas pavimentações, em especial no centro e Morretes. “Ele sempre nos recebeu muito bem, é de família boa”, avalia.
Essa mesma visão positiva da pessoa de Bolinha é partilhada pela moradora Ana Geovânia, que vive há 20 anos na terrinha. “Ele é uma excelente pessoa, e trabalhou muito”, diz. “Bolinha fez um colégio aqui perto da rodoviária que é coisa de primeiro mundo, o trânsito foi melhorado, asfaltou muitas ruas, e olha que quando entrou na prefeitura, estava tudo um caos”, elogia.
Ana, entretanto, acredita que o insucesso nas urnas rolou por conta das pepineiras na saúde. “Está muito precário. São medicamentos não fornecidos, exames que demoram mais de seis meses, está muito ruim”, assegura. Mesmo diante desse quadro, a nordestina radicada na cidade lamenta o resultado nas urnas. “Por mim, Bolinha ficaria mais quatro anos”.
Já o auxiliar de serviços gerais Roberto Crispim detona a antiga administração. “O governo foi ruim no geral”, diz o morador da Várzea. “Ele desmanchou a ponte da igreja, perto da praia, e não fez outra; prejudicaram os vendedores ambulantes no calçadão da praia, e o centro está apagado. Para o povo só tem shopping”, comenta.
Para o auxiliar, “foi um governo para empresários, que se distanciou da comunidade”. A veranista Maria de Lourdes Schmitz compartilha da mesma visão sobre os problemas do centro. “Não teve decoração natalina, não tem água na praia, sem programação de verão, nada”, comenta Maria, que mora em Blumenau e veraneia na terra do ultraleve. “Desse jeito, não vem ninguém para Itapema”, acrescenta.
Bolinha foi um prefeito “espetacular”, na visão da vendedora Zenira da Silva Coutinho e da cozinheira Duciana Felisbino, moradoras do Alto São Bento. Na visão delas, Nilza Simas terá de rebolar para chegar no mesmo volume de obras do tucano. Mas assim como os outros, ambas criticam a saúde. “Falta recursos humanos, bom atendimento. Pedem ficha até para fornecer uma informação”, garante Zenira.

Denúncias de corrupção
Na tentativa da reeleição, Bolinha perdeu por 2227 votos de diferença – cerca de 7% do total – para Nilza. Escândalos de corrupção como os que resultaram na prisão do vice-prefeito Giliard Reis (PMDB), na operação Garoupa, podem ter contribuído para o desgaste fatal do tucano.
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) apontou que o esquema de camangas rolava dentro da prefeitura, mas não houve provas da participação de Bolinha. O DIARINHO tentou várias vezes contato com o antigo prefeito, mas Bolinha esquivou-se da reportagem.

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