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Construtora não entrega prédio em BC

Aposentado comprou apê que deveria ter sido entregue em 2015; outras três obras da empresa estariam paradas na cidade

Aposentado pagou R$ 360 mil por um apartamento na rua 2070

A construtora Nieri Empreendimentos, de Balneário Camboriú, está sendo acusada de dar o golpe em compradores de imóveis na planta. Dois deles denunciaram ao DIARINHO que o prédio onde compraram apartamentos deveria ter ficado pronto em novembro de 2015, mas a obra tá paralisada há dois anos. Outras construções da mesma empresa também tão paradas. A empresa tem 22 processos contra ela correndo na justiça.
O sonho do policial civil aposentado Roberto Geraldo Coelho de Moura, 56 anos, de curtir a aposentadoria em Balneário se transformou em pesadelo. Ele comprou por R$ 360 mil, em fevereiro de 2015, uma cobertura de três dormitórios no edifício Isola de Mielle, na época em construção na rua 2070, no centro de BC.
A promessa da construtora era entregar em novembro do mesmo ano, com atraso de, no máximo, três meses. Só que antes disso a obra parou completamente e tá do mesmo jeito até hoje.
“Em junho de 2016, como não recebia qualquer informação sobre a conclusão, entrei com uma ação aqui em Balneário. Foi quando descobri que a empresa não fez a incorporação (que é obrigatória por lei, e que nem o terreno está em nome da empresa), portanto legalmente o prédio não existe”, conta. Só o que tem é o alvará de construção na prefeitura.
Roberto pagou R$ 180 mil de entrada, mais três parcelas anuais de R$ 15 mil e 36 prestações mensais de R$ 3750. As parcelas, atualmente, estão sendo depositadas em juízo. Mesmo com a construção parada, ele continua pagando. “Não atraso um dia”, fala, com a esperança de receber o apartamento. “Foi um dinheiro de 30 anos de trabalho que eu juntei para comprar este apartamento”, lamenta.
Na ação, que pede que a obra seja concluída, a empresa foi condenada. Caso não terminasse o prédio em até 90 dias, teria que pagar uma multa diária de R$ 1000 a Roberto.
A decisão saiu meses atrás, mas a construtora não devolveu a grana paga e nem pagou a multa.

Comprou apartamento que nem existe
O caso do bancário Márcio Moyo, 30, é ainda mais grave. No contrato, consta que ele comprou o apartamento 303 do residencial, quando na verdade o prometido era o 301, a mesma unidade comprada pelo aposentado Roberto. A construtora disse ao bancário que ia conseguir construir um andar a mais e passaria Roberto pro apartamento 401 e Márcio ficaria com o 301. “Venderam o que não existe”, denuncia.
Márcio adquiriu a unidade três meses depois de Roberto e, estranhamente, pagou R$ 100 mil a menos que o aposentado. Marcos também está processando a construtora na justiça, mas a sentença ainda não saiu.
Um dos sócios da construtora, Mário Felipe Nieri Pinto, cogitou devolver o dinheiro dos dois denunciantes, mas fez a proposta de pagar o valor em 10 vezes sem juros. E ainda com a condição de que tirassem o processo na justiça. Nenhum dos clientes concordou.

Outras obras paradas
Além do prédio onde Roberto e Márcio compraram apartamentos, outros três edifícios da Nieri estão em situação parecida. São prédios localizados no centro de BC, todos inacabados. Pra Roberto, a empresa age de má-fé. “Quando vendem o último apartamento do prédio, param a construção e iniciam uma outra obra”, acusa.

Processos rolando
O site do Tribunal de Justiça de Santa CatarinaMesmo que catarinense mostra 22 processos cíveis contra a Nieri. O representante da empresa Mário tem mais de 10 ações contra ele. Mário também tem outra empresa, a EX Empreendimentos. É através dessa empresa que, de acordo com os denunciantes, ele faz as vendas e onde estão registrados os funcionários da empresa.
Segundo os denunciantes, o endereço informado no CNPJ da Nieri: rua 2300, 1580, era onde funcionava antigamente a sede da empresa. Hoje, o local não tem mais qualquer placa indicativa da construtora. Uma das sócias da Nieri, Milene Katia Nieri Pinto, que seria mãe de Mário, mora no local.

Sócio não encontrado
O advogado da Nieri, Bruno de Souza Brasil, disse à reportagem, sábado, que teria que falar com Mário antes de dar a versão da empresa à imprensa. Segundo o o advogado, Mario estaria viajando.
Ontem, o celular de Mário estava desligado. Bruno disse que não conseguiu falar com o cliente. Ele prometeu se manifestar sobre as denúncias a partir desta segunda-feira.

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