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Enseada, piscinas naturais, trapiche, mar bravo ou calmo

Turistas, veranistas e locais têm à disposição um mix de opções para curtir o melhor de Penha, Piçarras e Barra VelhaTuristas e locais têm à disposição mix de opções para curtir o melhor de Penha, Piçarras e Barra Velha

Renata Rosa
Especial para o DIARINHO

Você tem criança pequena e prefere águas calmas e mornas? Vem que tem! Mas, se você curte paisagens selvagens, onde pode pegar uma onda, a costa catarina também é farta em opções. Ou você está na melhor idade e prefere apreciar o mar debaixo de uma gostosa sombra de árvore, enquanto degusta um petisco? Pois aqui você achou o seu lugar. Sem falar na galera que curte atividades ao ar livre. Assim são as praias de Penha, Piçarras e Barra Velha: geografia multifacetada para agradar todo mundo, em qualquer fase da vida.
A jornada do DIARINHO começou em Armação do Itapocoroy, marco histórico de Penha. O município sofre há décadas com o esgoto jogado no mar, mas há alternativas. A vendedora Mônica Silva, 29 anos, e o consultor Valdecir da Silva, 46, estavam felizes da vida por terem achado na praia Grande um oásis de piscinas naturais e águas cristalinas. Eles são de Timbó e tem uma casa na city, para onde vem no verão e fins de semana. Para o casal, o único problema é a falta de lixeiras e uma campanha que eduque os banhistas a levar o próprio lixo para casa. “As pessoas precisam entender a importância de manter a praia limpa, isso aqui é um tesouro”, defende Valdecir.

Piquenique na areia
A família da analista de sistemas, Dulce Hoeltgebaum, 58, também tem casa em Armação e estava fazendo um baita piquenique sob um gazebo, onde se abrigavam mais de 10, entre adultos e crianças. Eles são de Blumenau e Doutor Pedrinho e elegeram as praias Grande e Poá há nove anos, quando compraram uma casa no município. “Aqui é muito mais fácil de circular, tanto na praia quanto na estrada. Em Bombinhas é impossível visitar mais de um lugar por dia e ainda almoçar em casa”, compara Dulce, que também é fã dos salva-vidas. “Eles são nota 10!”.
Há três postos com 17 profissionais em 1200 metros de praia, que é considerada perigosa. “Trabalhamos muito na prevenção”, confirma Marcelo Santos, 38 anos, há 17 zelando pelos praieiros.
Mas a veranista também tem críticas. “Quando fizeram a urbanização da praia esqueceram de calçar a rua que dá acesso, mas ouvi dizer que dinheiro tinha, só que foi desviado”, suspeita. Dulce também reclama da falta de banheiros, restaurantes, ducha e iluminação pública. “Quando queima uma lâmpada, demoram muito para trocar, tão simples”. Outra dica é quanto ao estacionamento de ônibus. “Deveria ter um local específico”, sugere.

PENHA
PONTOS POSITIVOS
• Piscinas naturais
• Maior mobilidade
• Belezas naturais
• Praia arborizada
• Trapiche

PONTOS NEGATIVOS
• Baixa balneabilidade
• Falta wc e ducha
• Sem acessibilidade
• Manutenção da orla
• Mar perigoso

Problema crônico do esgoto no mar se agravou com o boom turístico dos últimos anos
Outro local muito visitado em Penha é a praia do Trapiche, onde Gorete Amorim, 63, tem uma banca de milho, coco e bebidas. Ela confirma a reclamação de comerciantes de outras praias, de que o movimento caiu cerca de 30% em comparação a 2016. “Gente na praia tem. Mas eles não compram, e quando compram, são as coisas mais baratas”, revela. Há 22 anos na área, Gorete também se ressente da falta de banheiros e limpeza. “Os restaurantes não dão conta de tanta gente”, explica. E cobram R$ 3 por mijadinha pra não virar bagunça.
A família do paranaense Cristiano Barivieira, 36, estava visitando Armação pela primeira vez e trouxe de tudo: até um galão d’água. “Na sacola tem orelha de gato, cerveja, refri, torta salgada”, enumerou. Ele estava sob uma enorme árvore, observando o mar calmo. “Eu me mudei para Navegantes há duas semanas e íamos ficar no Gravatá, mas lá não tem sombra”, justificou. Cristiano sabe que a praia escolhida no sábado não é própria para o banho, mas confia na corrente. “O vento tá levando os dejetos pra lá”, garante. Em Penha, dos 11 pontos coletados pela Fatma, seis estão impróprios, principalmente na baía de Armação. Locais limpos são as praias Grande, do Quilombo, Vermelha e Bacia da Vovó.
O assessor de imprensa da prefaprefeitura, Adriano de Souza, disse que a poluição em Penha é crônica e se agravou com o aumento da população da alta temporada, desde a criação do Parque Beto Carrero, há 26 anos. “Esgoto jogado no mar não é exclusividade de Penha, mas como a atividade turística cresceu muito, é preciso colocar a questão da balneabilidade como prioridade”, acredita.
“Queremos fazer audiências públicas e mostrar à sociedade que a questão é urgente”, revela. Com relação a falta de infraestrutura nas praias, Adriano disse que não sobrou grana no orçamento para a colocação de banheiro, e que, graças a parceria com a iniciativa privada, os turistas das praias Alegre e São Miguel vão receber, ainda este ano, o projeto Ação Verão. “De 27/01 a 28/02 teremos competições de futebol de areia, vôlei, ginástica e jogos”, adiantou. Ele disse ainda que será feita uma análise nos terrenos públicos para construir bolsões de estacionamento para os ônibus de turismo e que os acessos às praias receberão uma patrolada enquanto não forem calçadas.

100% de balneabilidade e estrutura turística impecável em Piçarras
Foi difícil encontrar quem reclame da praia de Balneário Piçarras, ao lado de Penha. Tá certo que não existe tanta diversidade paisagística, mas a boa infraestrutura e respeito ao cidadão compensam. O DIARINHO chegou no momento em que uma galera estava curtindo as atrações do projeto SESC Verão, com atividades gratuitas como massagem relaxante, aulas de dança, teatro, redes e jogos. O projeto rolaACONTECE o dia todo e vai até o próximo finde.
Lilian Souza Francisco, 36, estava na fila da massagem. Ela é de Joinville, e também tem uma casa de veraneio lá. “A temporada este ano está fantástica! Além das atividades, instalaram deques para melhorar o acesso a praia e melhoraram a iluminação. Ficou ainda mais gostoso andar à noite”, elogia. A professora Conceição Valentim da Silva, 45, parou para conversar depois de exaustiva uma aula de dança. “Nossa! Nessa areia fofa, faz mais efeito do que academia”, assegura. Ela é de Itajaí e diz que vem a Piçarras direto, pois é um ponto tradicional de almoço da família. “Adoro frutos do mar e a comida aqui é muito gostosa e acessível”. Ela também elogia a orla arborizada, os banheiros público e a tranquilidade.

Boas vendas
O artesão gaúcho Marcelo Bueno, 41, também não tem do que reclamar. Ele conta que chegou de Floripa onde, segundo ele, não há turistas, mas “duristas”. “Aqui, o pessoal não reclama do preço. Em duas horas fiz R$ 120. Tá bom demais”, comemora. Ele vende brincos, macramê, pulseiras e bolsas há 17 anos, viajando o Brasil. “E sempre quando chego num lugar faço amigos entre os outros artesãos. Um ajuda o outro, é uma família”, compara.
Com relação a balneabilidade, os dois pontos coletados são próprios para o banho. Há muitos quiosques e barzinhos que atendem na praia e os preços são acessíveis. Os churros custam R$ 5 e há recheios inusitados, como romeu e julieta e beijinho. O pastel de camarão é bem recheado e custa R$ 10.

Piçarras
PONTOS POSITIVOS
• Acessibilidade
• Atividades na areia
• Praia arborizada
• Mar calmo e limpo
• Preços honestos

Estrutura precária e sujeira estragam o passeio na Barra Velha
Se na vizinha Piçarras é difícil achar defeito, o inverso acontece numa das praias mais movimentadas da Barra Velha: o Grant. Além das águas não serem próprias, o banheiro público está detonado e não há opções de alimentação. Lá, ser farofeiro é questão de sobrevivência.
Um dos poucos carrinhos que vende água, refri, cerveja e salgadinhos é de Daiane dos Santos Pereira, 25. Ela é do Maranhão e mora em Blumenau, onde trampa numa confecção. No verão, tira um extra com o marido na praia e revela que a é prefaprefeitura que não permite uma variedade maior de comida. Daiane conta que consegue, num único dia, ter o retorno do investimento no alvará, que foi de R$ 380. A mesma coisa acontece com o vendedor de cangas, Samuel Ferreira, 18, que investiu R$ 800. Ele veio de Minas Gerais e aluga uma casa com o patrão. “Nós vendemos bem este ano e já devemos voltar, pois a temporada termina no finde que vem”, adianta.

Veranista a morador
Antes de chegar a Grant, a extensa praia de Itajuba recebe, na maioria, quem tem casa de veraneio. Ou, como o comerciante paulista Paulo Amaral, 49, se tornou residente. “Troquei o excesso de trabalho e dinheiro por paz e qualidade de vida”, revela. Ele estava acompanhado da esposa e advogada Daniela Melo, 38, e mora de frente para uma paisagem deslumbrante. “É uma mudança audiovisual enorme”, brinca.
Ele revela que a praia não é frequentada por turistas, por isso, ao meio-dia, a galera vai pra casa almoçar. “Também porque a praia não tem um quiosque. Para quem cresceu no Guarujá é estranho. Podiam fazer a calçada e melhorar o acesso”, acredita. Paulo disse que retorna a praia à tarde, mesma rotina seguida por Dulcineia Stingen, 41. Ela é de Jaraguá do Sul e tem uma casa de veraneio em Itajuba há anos. Agora, resolveu ficar. “Cheguei faz três semanas, então ainda estou de férias”, comemora. Dulcineia acredita que sua praia ficaria ainda melhor se tivesse mais estrutura. “Banheiros, uma passarela e quiosques facilitariam a nossa vida e geraria renda”. O DIARINHO tentou entrar em contato com a prefaprefeitura de Barra Velha, sem sucesso.

Barra Velha
PONTOS POSITIVOS

  • Mar selvagem
  • Pouco trânsito
  • Estacionamento
  • Tranquilidade
  • Serviço salva-vidas

PONTOS NEGATIVOS

  • Sem estrutura turística
  • Pouca balneabilidade
  • Faltam quiosques
  • Sem acessibilidade
  • Sem fiscalização
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