Home Notícias Especial Acima dos 30 graus todos os caminhos levam à praia!

Acima dos 30 graus todos os caminhos levam à praia!

Ainda mais se o destino for a deslumbrante Costa Esmeralda

Renata Rosa, especial para o DIARINHO

Ao contrário das previsões de que o El Niño deixaria o verão chuvoso, turistas e comerciantes não têm do que se queixar. No último finde, o calor forte fez uma multidão invadir as praias, deixando o trânsito pesado, mas nada que tirasse o prazer de curtir o céu de brigadeiro, o mar aprazível e um sol que brilhou até de noitinha, adornado pela lua cheia. Um espetáculo que fez a alegria de quem rumou para as praias de Bombinhas, Porto Belo e Itapema.
Eram 10h quando a reportagem chegou a praia de Bombas, depois de 1h30 tostando no carro. Não parava de chegar gente. Um dos que garantiu seu pedacinho de paraíso foi o aposentado Astor Lermen, 66, e a esposa Paula, 45. Há 35 anos, o gaúcho faz questão de passar uma semana no balneário, conhecido pelas águas cristalinas e a boa estrutura turística. “As praias gaúchas são muito desinteressantes; ainda bem que a gente tem tudo aqui, nem precisa ir para o nordeste!”, exagera.
Astor conta que conheceu Bombinhas muito antes do boom turístico. “Isso aqui era o Jardim do Éden”, elogia. Mas, tem uma coisa que o deixa incomodado. “A única coisa ruim é que não conseguimos conhecer outras praias por causa do trânsito. Um dia fomos até Itapema, a uns 15km daqui, e demoramos 1h30. Aí desistimos até de ir ao Retiro dos Padres, que fica em Bombinhas”.
Mesmo com a gentarada que não parava de chegar, os comerciantes reclamam das vendas, que teriam caído 30%. Marcelo Paulo, 31, tem um negócio de aluguel de pranchas de stand-up paddle. Ele disse que até às 10h havia alugado apenas cinco pranchas, ao custo de R$ 30 a hora. Além do prejú, ele aponta a falta de água como um dos maiores transtornos do verão. “Teve gente comprando bombona para se lavar”, relata.
O salva-vidas Bruno Mafra, 21, passa cinco meses protegendo a galera da praia, mas teve uma virose que o nocauteou. Ele acredita que tenha sido água contaminada. “Foram dois dias de cama, com febre, vômito e diarreia”, contou. Na praia de Bombas há três postos salva-vidas com 15 profissionais ao todo. Já, em relação à balneabilidade, dos três pontos coletados pela Fatma em Bombas, há um impróprio, em frente a rua Tiriba. No município, há mais dois pontos inadequados: na praia de Bombinhas e no Canto Grande.

FacadaPreço exagerado de caro no pedágio
O comerciante Leomar da Silva, 51, está estreando em Bombinhas. Ele vende coco, açaí, suco, salada de fruta e milho e emprega cinco funcionários, que atendem na areia. Ele diz que não tem do que reclamar, já que vende cerca de 40 sucos e 100 milhos por dia. “Vai dar até pra trocar de carro”, plneja.
Os comerciantes estão ansiosos pela chegada de argentinos como a professora Gretel Romano, 35. Ela veio para passar 10 dias no município pela primeira vez. “Aqui é muito lindo! As pessoas são simpáticas e não há tanta gente como nas praias argentinas, cuja água é muito gelada”, compara. Gretel confirma que a questão cambial também está favorável, mas achou a diária do apê cara pelo que oferece. “Estamos num apartamento de dois quartos que custa R$ 350 a diária, mas só tem o básico”, reclama.
Outra coisa que incomoda os turistas é o pagamento do pedágio. Motos pagam R$ 3 e carros R$ 26. Tony Diniz, 40 anos, não se conformava. “Paguei R$ 117, isso é um roubo!”, acusou. E se, para os brasileiros, a taxa pode ser paga depois, para quem vem do Mercosul, a cobrança é à vista. Os carros com placas estrangeiras são brecados na entrada da city.
O secretário de Turismo, Waldir Eschberger, disse que a questão do trânsito não tem uma solução fácil nem breve. “No momento, está nas mãos da justiça federal a análise dos estudos de impacto ambiental para abrir um novo acesso para a BR 101”, justifica. Quanto a taxa de preservação ambiental (TPA), Waldir disse que é fundamental para proteger os 2/3 do município, que fica em área de preservação. Dados de 2013 dão conta que 25 mil carros entram em Bombinhas por dia no verão e a população de 18 mil pula para 250 mil. Já a falta d’água rolou por causa do rompimento da estação de Zimbros, que danificou a tubulação. Como medida paliativa, foram distribuídas 1500 caminhões-pipa.

Bombinhas
Pontos positivos:
• Boa infraestrutura turística
• Boa balneabilidade
• Mar calmo
• Variedade de atrações
• Atendimento na praia

Pontos negativos:
•Trânsito pesado
•Pedágio caro
•Falta de água
•Potabilidade da água
•Falta de acesso próprio

A praia mais popular de Porto Belo atrai famílias em busca de sossego
A segunda parada foi em Perequê. Como estávamos no contrafluxo, a chegada foi rápida, o mesmo não aconteceu com quem queria ir a Bombinhas. O jeito, para muitos, foi permanecer em Porto Belo. “Eu estou aqui há duas semanas e ainda não consegui ir a Bombinhas. A fila começa na saída de casa, uma loucura”, relata a jornalista brusquense Sílvia Pavesi, 46. Ela mora em Brasília e passa o mês de férias com a mãe. Outra queixa é a falta de peixarias.
As amigas Lucilena Alcântara, 35, e Jaqueline Cardoso, 25 também apelaram para o plano B. Elas saíram cedinho de Blumenau para passar o dia na praia da Sepultura, mas… “Desistimos depois de quase três horas dentro do carro”. Mas a mudança de rumo não diminuiu o entusiasmo. “Essa praia é uma delícia. O mar é tranquilo para as crianças” elogia. Felizmente, elas estavam no único ponto próprio ao banho, dos três coletados pela Fatma, no último dia 11.
Mesmo com a praia cheia, o dono da Pousada Blumenau, inaugurada em 1958, está amargando prejuízos. “No ano passado, tinha gente dormindo no carro. Agora, só um dos sete quartos está ocupado”, lastima Joaquim Evangelista, 53. Segundo ele, a razão é a falta de argentinos. “Estamos apostando na segunda quinzena de janeiro, quando os preços caem. Eu já derrubei pela metade o preço da diária, e nem assim tive retorno”.
O vendedor de redes, Júnior de Oliveira, 32, frequenta a Costa Esmeralda há 13 anos e confirma a queda no movimento. Ainda assim, tinha acabado de vender quase R$ 500 em produtos a um casal de Blumenau. “Ele tem uma estratégia muito boa, deixou a colcha comigo ontem, sem cobrar nada, e hoje estou levando um monte”, brinca Jocelane da Silva, 50. Ela está com o marido numa colônia de férias do sindicato têxtil, que também reclama do trânsito. “É preciso criar rotas alternativas. Está ficando inviável”, acredita Denilson.
Já para o vendedor de caipirinha, Orlando Framke, 28 anos, a temporada está bombando. “Todo dia eu bato recorde. Cheguei a vender 300 caipirinhas num único dia”, se gaba. O trio de amigos de Brusque e Guabiruba, Hentoni, 37, Fabiano, 42 e Diego, 30, são habitués. Para eles, os pontos fracos são a falta de quiosques de comida e lixeiras, banheiros e duchas, e a quantidade de cachorros na praia. “Tem que melhorar a fiscalização”, afirma Hentoni.
O diretor da fundação municipal de Turismo de Porto Belo, Patrick Klabunde, disse que a limpeza da praia, tanto do lixo deixado por turistas e comerciantes como das algas, é feita de madrugada. “Sobre os cachorros, está sendo montada uma equipe de fiscalização para fazer rondas diárias”, garantiu. Patrick também disse que barnabéAquele que trabalha em uma repartição pública e obedece ordens.s de duas secretarias estão vistoriando os pontos de vazamento de esgoto para melhorar a balneabilidade. “Quanto aos chuveiros, no final desta semana, devemos em quatro pontos do Perequê”.

Porto Belo
Pontos positivos:
• Drinques na areia
• Preços acessíveis
• Ambiente familiar
• Mar tranquilo
• Belezas naturais

Pontos negativos:
• Falta de lixeiras
• Cães na areia
• Pouca balneabilidade
• Falta de wc e ducha
• Trânsito pesado

Itapema impressiona os turistas com seu calçadão arborizado e comércio diversificado
A terceira parada da reportagem foi na Meia Praia, em Itapema, onde estava a numerosa família de Paulo Marques, 40 anos. Mais de 20 pessoas, sendo sete crianças, curtiam a gostosa sombra de uma amendoeira, munidos de um isopor com bebidas e tira-gostos. Ele conta que moram em Maringá (PR) e tem parentes em Itapema, para onde vem todos os anos.
Ao contrário de outras praias, ducha e wc público não faltam por lá, o que incomoda é o preço dos estacionamentos. “Antes se podia deixar o carro no estacionamento por R$ 20 o dia todo, agora cobram R$ 5 a hora”, explica. A família é fã dos restaurantes de frutos do mar, mas também costuma fazer o rango em casa. “Os preços estão bem parelhos com os de Maringá”, compara.
O vendedor de picolé Valdomiro Pereira não pode se dar ao luxo de ficar na sombra. Na praia desde às nove, ele só para às 19h, e espera que este ano dê para construir a sonhada casinha no terreno que adquiriu trabalhando como servente durante o inverno. “Vender picolé dá dinheiro, mas às vezes, a gente coloca fora. Agora que estou com uma nova companheira, estou conseguindo guardar”, admite. Valdomiro não vê a hora dos tais três milhões de argentinos chegarem, como ouviu no noticiário. “O brasileiro compra mais os picolés de frutas de R$ 5. Os mais caros encalham”, revela.
O portunhol está mesmo em baixa. A maioria dos turistas entrevistados pelo DIARINHO é da região, de estados vizinhos ou da própria cidade, como o casal Joelson Nueremberg, 30, e Pâmela Galvão, 28. A paz só é roubada pela sujeira deixada na praia. “Todo ano é a mesma coisa, falta uma campanha de conscientização para que as pessoas levem de volta o próprio lixo”, sugere a nutricionista.
A corretora de imóveis Juliana da Silva disse que, apesar dos preços terem caído 40%, ainda há muito apê vazio. “As pessoas estão ficando períodos mais curtos e os argentinos não vieram como nas temporadas anteriores”, acredita. Em relação a balneabilidade, dos oito pontos de coleta de água, três estão impróprios em Itapema (37,50%).
Diego Furtado, da fundação ambiental de Itapema, disse que vai recriar o setor de educação ambiental da prefeitura, que era tocado pelo pessoal comissionado. “Não ficou nada além de uma sala quebrada e papeis pelo chão”, lamenta. Com relação aos pontos impróprios, ele conta que as placas foram destruídas. “Há relatos que os próprios comerciantes derrubaram. O jeito vai ser chumbar a placa”, lascou. Para diminuir a poluição, a prefaprefeitura promete intensificar a fiscalização do esgoto doméstico. “Temos só 45% da cidade com de tratamento de esgoto e, nesta época, a população de 60 mil chega a 300 mil, aumentando os dejetos”, explica.

Itapema
Pontos positivos:
• Boa infraestrutura turística
• Preços acessíveis
• Atendimento na praia
• Calçadão
• Comércio diversificado

Pontos negativos:
• Falta campanha de educação ambiental
• Estacionamento caro
• Sujeira na praia
• Som alto
• Sem placas de balneabilidade

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