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A cidade que (quase) não dorme

As festas na praia rolam madruga adentro; bares da Central e casas noturnas são outras opções da night que ferve

Andrea Artigas, especial para o DIARINHO

O sol se recolhe e a protagonista dos céus vira a lua. E sob o brilho da lua uma multidão se mostra disposta a passar a noite se divertindo em Balneário Camboriú, o maior destino turístico da região e um dos mais badalados do sul do Brasil. Na madrugada de sexta-feira, o DIARINHO deu um rolê pela região central da Maravilha do AtlânticoBalneário Camboriú pra conhecer as opções de agito.
No calçadão Central e no seu entorno, acontece a maior aglomeração de notívagos durante o verão do Balneário. Jovens, famílias, pessoas de idade, há todo o tipo de gente. É só parar por alguns minutos no meio de algum fervo e você chega a pensar que aquela movimentação de gente bebendo, comendo, dançando e paquerando não terá fim.
A avenida Atlântica não perde a graça do dia e continua passarela de carros e motos de todos os tipos. As luzes dos faróis e os holofotes dos barzinhos, restaurantes e quiosques compensam a ausência deixada pelo astro-rei e revelam uma cidade cosmopolita.
Mas Balneário Camboriú já não é mais a mesma, dizem muitos. Quem vê toda essa empolgação que rolaACONTECE por volta da uma da manhã não imagina que duas horas depois a cidade, que há algumas temporadas atrás não dormia, começa a tirar um cochilo.

Calçadão é um dos principais points de diversão
Em meio ao agito do começo da madrugada, um grupo de rapazes paraguaios comemora 10 dias de férias na cidade. “Passo o dia pegando o sol, mas gosto mesmo é da noite. Ficamos bebendo na areia da praia e dançando”. A música a que se refere o estudante Adrian Romero, 22 anos, vem das caixas de som que estão por toda praia.
Diversos grupos, espalhados entre a Praça Tamandaré e as imediações da rua 2000, bombam os alto-falantes enquanto houver pessoas dançando. Adrian brinca com o hit “Deu Onda” e diz que quando o assunto é festa, já experimentou as baladas noturnas conhecidas da cidade, mas que nada se iguala a agitação na praia. “É mais barato fazer festa na areia e depois quando tudo acaba a gente fica pelo nascer do sol. (…) Hoje com Lua Cheia vai ser especial”, aposta o rapaz, que passa as férias em Balneário há sete anos.
O amigo Ken Kitanaka, 22, está na cidade pela primeira vez. “Estou feliz com a noite aqui, é muito divertido. Fui numa balada famosa, mas já estamos há muitos dias e o dinheiro vai acabando, então prefiro fazer festa na praia mesmo”, revela o rapaz.
Outro paraguaio, Álvaro Ernesto Acosta, 37 anos, morador de Balneário Camboriú, talerta para a questão da segurança. “Tem muita gente sendo roubada, tiram a carteira de quem está na rua, muito pedinte e se isso não mudar as festas de rua vão acabar”, alerta.

As opções da areia: divertidas e de graça
Pertinho do calçadão, na areia da praia, uma roda reúne centenas de pessoas. Não é um lual, mas sim um showzinho de dança improvisado. Meia dúzia de jovens sem camisa se apresenta ao som dos hits mais populares no momento.
Os passinhos sensuais e sincronizados contaminam a galera, que transformam a areia em pista de dança. “Aqui em Balneário se faz festa mesmo sem gastar muito dinheiro”, defende Francesco Bufolari, 22 anos, estudante e turista paraguaio.
Que a festa popular é divertida, isso paraguaios e brasileiros concordam plenamente. As turistas de Curitiba Franciele Tuffi, 22 anos e Thaís Tuiel, 16, não perdem a muvuca à noite na praia por nada.
As duas, estão produzidíssimas, mas a pista escolhida também é a areia. “A gente vai em casa depois de pegar sol, toma banho, se arruma e vem pra cá. É divertido, tem muita opção pra comer e ficamos até as duas, três da manhã curtindo”, conta Franciele.
Como elas, muita gente vai embora nesse mesmo horário, então de uma hora pra outra o movimento míngua e a impressão é de que a cidade conhecida como noturna, começa a mudar seu comportamento. Mas essa debandada precoce não é exclusividade da massa, numa rápida passada pelas principais festas da cidade, o que se vê em frente às baladas são poucos gatos pingados.

Moradora não curte o agito na praia
R. L., que mora pertinho da praia central, faz parte do grupo que não curte o som alto e a algazarra na madrugada. “O som alto na areia atrai todo tipo de pessoas e ficam até amanhecer. Ninguém dorme. A polícia bate lá, mas logo que saem ligam o som novamente, cantam, batem palmas e dançam”, reclama.
Antônio Gabriel Castanheira Júnior, secretário de Segurança, disse que sua equipe está realizando estudo sobre o Código de Postura do Município e destacou que as denúncias de perturbação de sossego estão sendo tratadas com orientação dos guardas aos festeiros. “É uma linha tênue, não podemos esquecer que Balneário é uma cidade turística e também temos que pensar no lado do morador e buscar resolver os conflitos com bom senso”, declarou o secretário.

Pubs e rock an roll
Para quem gosta de rock, os pubs são uma boa pedida. O engenheiro Marcus Grade, 52 anos, não troca um bom pub com um clássico show de rock por nada desse mundo. Quase na divisa de Balneário Camboriú e Itajaí, ele encontra uma das suas casas preferidas.
Apesar de estar satisfeito com a escolha, Marcus ainda acha que pra ganhar o título de “cidade que não dorme”, Balneário precisa de novos investimentos. “É preciso oferecer espaços noturnos que toquem jazz e blues, por exemplo. Em Curitiba você encontra bons shows desse tipo. Aqui você não tem onde ir quando a opção for esses gêneros”, pondera Marcus, que prefere o pub de rock porque além de oferecer esse gênero musical, é frequentado por pessoas acima dos 30 anos.

As famosas baladas da Barra Sul
Longe da muvuca da areia, na Barra Sul, por volta das duas da manhã, a cidade parece dormir. O silêncio só é quebrado pelo entra e sai da galera que disputa as pistas das casas noturnas sertanejas e de uma balada mais liberal.
O estudante de Direito Kaio Farias, 21 anos, está em uma festa alternativa e espera que a cidade possa oferecer mais opções como essa num futuro próximo. “Eu acho Balneário Camboriú muito seletivo. Para quem é homossexual, por exemplo, existem somente duas opções, acho que deveria haver mais”, diz, descontente.
Já o companheiro de balada, Hiago Terocchia, 19 anos, estudante de Psicologia, discorda. “A cidade tem festas para todos os gostos e todos os bolsos. Saio de segunda à segunda e sempre tem uma boa opção gastronômica ou uma festa para ir”, defende.
Carol Fernandes, 26 anos, gerente da balada gay, conta que a ideia é proporcionar uma casa noturna que preza pela igualdade. “É um nicho para um grupo alternativo e que deu muito certo porque está aberto para todos, independente da opção sexual. A ordem aqui é tratar todos com igualdade, não temos camarotes, nem alas vips”, explica.
As irmãs Marcela, 22 anos, e Patrícia Zanusso, 18 anos, estudantes paranaenses, preferem outro tipo de diversão. Junto com a amiga Ana Flávia Soda, 22 anos, elas curtem casas de sertanejo universitário.
Pra elas, a noite começou pouco depois das 22h e pouco depois das duas da manhã já se despediam da festa. “Nós preferimos esse tipo de festa. Aqui nos divertimos, conseguimos novas amizades, esse tipo de ambiente proporciona momentos irreverentes”, explica Patrícia. Satisfeita com a festa, ela também acha que poderiam ver mais opções do mesmo tipo, no entanto, com preços mais populares.

Tem até swing
Fora da área central, há mais opções de baladas. Casas que investem pesado em nomes que fazem sucesso no país e no mundo. Mas é preciso estar atento porque mesmo em plena temporada, essas opções estão disponíveis na sua maioria na madrugada de sábado e domingo. Quem quiser ir para o agito na madrugada de sexta-feira terá um número menor de opções.
As opções liberais também são alternativa para as madrugadas. Mas as casas de swing, por exemplo, duas na cidade, encerram as atividades cedo e por volta das três da manhã você não encontra nenhuma delas aberta.

Debatendo alternativas em conjunto
Na tarde de sexta-feira, Miro Teixeira, secretário de Turismo de Balneário, esteve reunido com representantes das casas noturnas, bares e restaurantes para discutir a demanda turística dos empreendimentos. “Estamos ouvindo todos para podermos fazer um diagnóstico sobre a queda dessa demanda e traçar um plano de ação que venha incrementar também o turismo noturno. Temos uma recessão, que pode ter ocasionado essa queda nos estabelecimentos de diversão mas não podemos ficar parados”, disse o secretário.
Pelas contas de Miro, de 2013 pra cá, o movimento do turismo na cidade caiu 23,58% em relação aos anos anteriores.

Atrativos
Questionado sobre um incremento na agenda de eventos, para tornar a noite de Balneário mais atrativa, ele adiantou que os esforços estão sendo direcionados para o Carnaval, que deve investir nos blocos carnavalescos, escolas de samba e trios elétricos.
Não deve haver investimentos em grandes shows durante o Carnaval, como os que aconteciam na Barra Norte. “No ano passado foram investidos R$ 1,3 milhões nos shows da praia e esse ano queremos investir a metade num carnaval que envolva mais a comunidade e com shows de menor proporção”, adiantou Miro.
A secretaria de Turismodeve buscar parte desses recursos na iniciativa privada por meio de parcerias.

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