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PSIQUIATRA EDSON CARDOSO

“O que tá acontecendo, por parte dos pais, é a velha falta de limite. Nós estamos carecendo de limites”

Falar em suicídio é tabu. Mas ele toca no assunto, e vai fundo. Juntar prescrição médica com religiosidade no tratamento de pessoas com transtornos mentais é quase um sacrilégio para a medicina. Mas ele usa as duas formas. E para jogar mais lenha na fogueira das polêmicas, ainda defende ações ecléticas para o cuidado e tratamento de dependentes químicos. Kardecista, fundador do movimento Apoio Fraterno, uma espécie de alcoólicos anônimos para viciados em drogas, o médico psiquiatra Edson Luís Cardoso fala sem rodeios de temas espinhosos e cada vez mais atuais como suicídio, depressão e o uso de drogas – inclusive as lícitas, como o álcool. A conversa foi com o jornalista Sandro Silva. Os cliques são de Douglas Schinatto.

“O crack veio para trazer à tona o real problema que se tem sobre as diversas drogas, inclusive a pior dela, que é o álcool”

Raio X
Nome: Edson Luís dos Santos Cardoso.
Nascimento: 11/10/1970.
Local de nascimento: São Gabriel/RS.
Estado civil: Casado.
Filhos: Dois
Formação: Medicina psiquiátrica, especialização em dependência química, mestrando em educação.
Experiências profissionais: Já atuou no sistema Case (uma espécie de Febem do Rio Grande do Sul), na comunidade terapêutica Paraíso, que trata de dependentes químicos, idealizador e co-fundador do grupo de auto-ajuda Apoio Fraterno, presidente da associação Médico-Espírita de Santo Ângelo.

DIARINHO — Tocar em suicídio sempre foi tabu. Inclusive nos meios de comunicação. O senhor veio dar uma palestra em Itajaí onde toca no assunto. Por que sempre se fugiu ao assunto e o que está fazendo com que esse tabu diminua atualmente?
Edson Luís Cardoso – A gente lida dentro dos transtornos da área da psiquiatria, da psicologia em geral, sempre com muitos preconceitos. Isso é algo muito antigo. Tem coisas culturais, tem coisas religiosas, inclusive, que evitam que as pessoas falem sobre o tema. É vergonha… vergonha de ter isso na família. Enfim, as dificuldades são de várias formas. Só que é um tema grave. Não param de ter índices cada vez mais alarmantes de suicídio. A gente tem uma média de um suicídio a cada 45 minutos no Brasil. Em nível mundial é um suicídio a cada 45 segundos. É muito alto o índice de suicídio no mundo. Então, não tem mais como nós não falarmos sobre o tema. Outra coisa também: não falar, não vai ajudar em nada. É a gente falando que a gente vai encontrar maneiras de se prevenir e até maneira de salvar a vida de alguém, simplesmente pelo ato de falar e perguntar sobre o tema.
DIARINHO — O senhor como psiquiatra, dentro da sua formação universitária, se baseou na ciência como forma de tratar as doenças e as perturbações mentais humanas. Já o espiritismo, assim como outras religiões, acredita na cura das “dores da alma” através da fé e de explicações sobrenaturais. Não é contraditória a aplicação da medicina e da doutrina espírita?
Edson Luís – Não, não é contraditório. É contraditório quando a gente não tem o conhecimento integral. Como ser humano, somos um corpo. Um corpo físico. Temos que cuidar desse corpo. Dar medicamento, dar alimento para esse corpo. Mas nós somos um ser emocional e espiritual que anima esse corpo e que é inteligente e conduz esse corpo físico. E esse espírito também tem que ser entendido, tem que ser alimentado. Tanto dos cuidados emocionais quanto dos espirituais. Se a gente fizer esse olhar e essa integração, tanto de entendimento quanto de tratamento, nós não vamos ver nenhum antagonismo. Muito pelo contrário. A gente vai ver até melhores saídas e soluções para uma pessoa.
DIARINHO – Existem diagnósticos e medicação para a alma, algum ato para cura da alma?
Edson Luís – Uma pergunta bem interessante. É bem conflitante até a gente responder sobre isso. Mas eu vou te falar da seguinte forma: eu particularmente não acredito que o corpo é o remédio do corpo e que o espírito é o remédio do espírito. Costumo dizer, dentro da psiquiatria, que quando uma pessoa tá passando por um transtorno – e ele é um transtorno de moderado a grave – quase que sempre a gente vai necessitar de alguma medicação biológica pra reorganizar aquela pessoa momentaneamente. Mas também costumo dizer que a medicação não vai curar o comportamento nem a alma daquela pessoa. Ela vai precisar ter novas formas de entender a vida, novas formas de se compreender, que o remédio em si não vai dar. Então a pessoa vai ter que aliar a psicoterapia, que é fazer um encontro consigo, se livrar de seus traumas do passado, se reorganizar melhor ao acompanhamento e o tratamento espiritual, pra ter uma visão maior de mundo, pra valorização adequada das coisas, pra ter mais esperança no futuro e ter a fé no futuro. É o que às vezes falta para as pessoas. Existe hoje um imediatismo muito grande no ser humano e ele acaba não esperando as coisas aconteceram, não esperando os prazeres verdadeiros e pegando muito as coisas materiais, do dia-a-dia. Então essa integração não é conflitante, vai conseguir auxiliar se a gente ver dessa forma.
DIARINHO — As pessoas dispensam cada vez mais tempo para as redes sociais. Isso as aproxima ou as afasta do contato com outras pessoas? As redes sociais são, sob o olhar da psiquiatria, uma porta para novos e saudáveis contatos ou atuam justamente ao contrário, afastando pessoas de relacionamentos reais?
Edson Luís – Vocês capricharam nas perguntas, hein!? Mas é o seguinte, acho que tudo na vida a gente tem que saber usar da melhor maneira, de uma forma adequada. Não tem nada que vá ser só para o mal ou só para o bem. Isso é um pensamento que muitas vezes faz a gente achar que um é só bonzinho ou só malvado. Nem o ser humano nem as coisas são dessa forma. A gente tem que saber como é que vai usar. O que eu acho é que existe um certo exagero por parte do jovem, que é natural. Porque o jovem está experimentando, está experenciando. E o jovem é mais imediatista. E o que tá acontecendo, por parte dos pais, é a velha falta do limite. Nós estamos carecendo de limites. Os pais não estão sabendo dizer um “Não!” quando às vezes é necessário, organizar o filho da forma que é necessária. Como já me perguntastes ali no Raio X, sobre a minha história, eu tenho dois filhos. Um de 13 anos e outro de seis anos. Como é que eu vou lidando com eles, em relação às tecnologias? Uma coisa bem básica. Eu coloco pra eles: a prioridade é o real, não é o virtual. Então se a gente tá na mesa com alguém, se a gente tá conversando com alguém, conversa com aquele alguém. O virtual, o contato virtual, é quando a gente tá sozinho, quando a gente tá afastado de alguém perde esse contato com aquele alguém que não está ali próximo. Mas a prioridade é o ser humano. Não tem nada que substitua o contato com o ser humano. Agora, aqui nesse momento, não tem ninguém mais importante do que você pra mim.
DIARINHO — E você acha que os jovens assimilam essa proposta?
Edson Luís – Se tiver uma clareza dos pais, se os pais não forem contraditórios, se aquilo que o pai disser a mãe também diz, dar os exemplos, explicar os por quês e os pais também derem esse exemplo, o filho segue. Os pais não sabem o imenso poder que têm nas mãos. Um poder que vem da hierarquia natural e o poder do seu próprio exemplo. Só que quantos e quantos pais não estão conseguindo. Por vezes também absorvidos pelo trabalho excessivo, pelas exigências, acabam não dando esse contato, esse diálogo. Não resgatando coisas tão importantes, né, que é aquele contato familiar, aquele diálogo familiar. Se os pais fizerem isso, eles vão conseguir lidar com as coisas de maneira adequada. Mas esses meios, WhatsApp, Facebook, os sites, tudo é importante. A gente não pode ficar alheio a isso. Tem muita comunicação. A gente só tem que saber o que é que o filho tá olhando, como é que ele tá olhando, qual é o tempo e tal. Com limites, explicando o que pode ser útil para ele e o que é que não deve também.
DIARINHO — O Brasil vive uma pandemia de drogas, em especial em relação ao consumo do crack, já considerado um problema de saúde pública. Como uma sociedade fica doente a esse ponto?
Edson Luís – Isso é muito antigo, né!? Isso é muito antigo. A gente pega o uso das substâncias químicas desde a época do homem primitivo. Ele se confunde com a história do homem. Inclusive tem pesquisas, estudos antropológicos, arqueológicos, que mostram as evidências do uso e do abuso do álcool e de outras substâncias no ser humano. É usado por buscas místicas, religiosas, ao longo da história. Então, isso não é novo. O que a gente tá de encontro é com uma droga extremamente viciante, que as pessoas acham que é o pior problema que veio. Eu acredito que não. É porque é uma droga que tá tão evidente que a gente é obrigado a abrir os olhos e a fazer alguma coisa. Então eu vejo o outro lado do crack, que é evidenciar aquilo que muitas vezes a gente empurrava com a barriga. “Ah! É uma droga leve, então deixa assim”. O governo fechava os olhos para isso, a família também. Então, o crack veio para trazer à tona o real problema que se tem sobre as diversas drogas, inclusive a pior delas, que é o álcool. Que, muitas vezes é socialmente incentivado, influenciado culturalmente, mas é a porta de entrada para todas as outras e é o que mais mata. Não é o crack. O crack veio para evidenciar tudo isso, ajudar a gente a acordar e ver que realmente precisa ter políticas sociais, familiares, educacionais melhores, para prevenir e ajudar nossa sociedade.
DIARINHO — Como se trata um dependente químico? Há medicação para esses pacientes? Segregá-los nas chamadas “casas de apoio” de cunho religioso é a solução? Terapias como as de grupos de auto-ajuda têm se mostrado eficaz?
Edson Luís – Modernamente a gente diz que não existe um tratamento único. A própria causa da dependência química é multifatorial. Vem da genética, vem de comportamentos, vem de cultura, vem da falta de opções sociais, a falta de esportes, a falta de educação. Ela é multifatorial. Então, é claro que o tratamento também vai ser multifatorial. O que modernamente se pensa é que a gente tem que individualizar o ser humano. Esse ser humano tem que ser visto nas suas reais necessidades e ser trabalhado em cima dele. Claro que vai ter momentos onde tu vai aliar uma internação, quando são drogas usadas mais cronicamente e em doses maiores, as drogas mais viciantes como o álcool, a cocaína, o crack. Aí, quase certo vai ter que passar pelo período de desintoxicação e internação em nível hospitalar. Depois virão outras ferramentas que vão se aliando. Já dentro do hospital tu vai chamar o psicólogo, vai chamar o assistente social, o terapeuta ocupacional… São equipes que se formam para ir trabalhar com aquela pessoa. Em nível de consultório, vai se ver as comorbidades, que são aquelas doenças que às vezes estão associadas à dependência química. Porque, por trás de uma dependência química às vezes tem depressão, tem esquizofrenia, tem TOC [Transtorno Obsessivo Compulsivo], tem doença bipolar, tem fobias as mais diversas. E se o psiquiatra evidencia e trata essas doenças, o índice de resultado de melhoras é maior. A gente vai aliando ferramentas. E dizendo também, modernamente, que a doença não é de uma pessoa só. A dependência química é uma família dependente que precisa ser reestruturada. Então o tratamento com a família é importante. Terapia familiar, terapia de casal. Os grupos de auto-ajuda são fundamentais. Por isso a gente, dentro do movimento espírita, organizou, idealizou, fundou com outros voluntários os grupos Apoio Fraterno, que tem uma caminhada hoje de quase 15 anos dentro do movimento espírita. Nós somos já 19 grupos Apoio Fraterno no Brasil e a gente tem que continuar divulgando, porque também tem a sua importância.
DIARINHO – Esse grupo de auto-ajuda para dependentes químicos tem tido o mesmo resultado que tem, por exemplo, o alcoólicos anônimos?
Edson Luís – Semelhante. Porque nós somos grupos co-irmãos. A organização, seriedade… tá sendo cada vez mais estudado e inclusive a minha dissertação de mestrado é em cima dos grupos de auto-ajuda Apoio Fraterno, levando a educação através da mídia. A minha dissertação é “ensino científico e tecnológico”. Além da dissertação final a gente monta um produto. E esse produto é um blog. Um blog para educação e saúde. Educação não formal pro voluntário do grupo Apoio Fraterno. [Estão formado, então, pessoas para atuar nos grupos de auto-ajuda?] Precisa ter toda uma preparação, uma formação, para poder dar essa assistência. E a partir daí a gente consegue os resultados. Quando são casos de grande desestruturação às vezes necessita, para fazer a pessoa nascer de novo para a vida de uma forma mais organizada, comunidades terapêuticas e às vezes um tratamento de seis a nove meses. Então não existe um tratamento único.
DIARINHO – Como um médico kardecista o senhor enfrenta algum preconceito na categoria dos psiquiatras?
Edson Luís – Não! Não a tal ponto que a gente note. Como eu disse, a ciência hoje tá comprovando qual é a importância da espiritualidade. Têm surgido cada vez mais espaços, dentro da própria psiquiatria do Brasil e do mundo, onde nós temos oficinas, inúmeras palestras sobre a espiritualidade dentro da ciência, dentro da psiquiatria. Então se vê com respeito. O psiquiatra moderno de maneira nenhuma vai achar, como antigamente, que a espiritualidade tem que ficar afastada, fora de seu consultório. O futuro é a gente cada vez mais novamente fazer as pazes: ciência/espiritualidade, espiritualidade/ciência.
DIARINHO — Dependência química, depressão e suicídio estão de alguma forma ligados? Há estatísticas que apontam alguma relação entre eles?
Edson Luís –Sim, e muito, muito. Os índices são muito alto de pessoas que são depressivas e que podem chegar a uma reação suicida, a cometer o suicídio. O uso de substâncias químicas também é muito grande em relação ao suicídio. Então tem que ter todo um cuidado, uma atenção no tratamento da depressão, no tratamento do uso, do abuso das substâncias químicas, para evitar. Tem estudos que apontam que todos os transtornos mentais aumentam o risco de suicídio, comparado com uma população que não tem uma doença mental. A única exceção é o retardo mental. A pessoa com retardo não está sujeita ao risco maior de suicídio. O resto, toda as outras doenças, os transtornos mentais, aumentam o risco do suicídio.
DIARINHO – A dependência química leva à depressão ou a depressão leva à dependência química? Há estatísticas que apontam alguma relação entre eles?
Edson Luís – Eu te responderia com uma velha pergunta que até hoje ninguém soube responder: Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha? É muito difícil, pois há várias maneiras disso acontecer. O álcool, por exemplo, ele é um depressor. Então às vezes a pessoa tá com um diagnóstico de uma pessoa depressiva, e às vezes não é um depressivo primário. Ele é um depressivo secundário por causa do álcool. É o álcool induzindo a depressão. Assim como algumas outras substâncias também podem fazer isso. E às vezes ocorre o contrário também. Tem pessoas que são depressivas e começam a se medicar com substâncias. Até interessante essa pergunta, porque a grande variedade das substâncias químicas é justamente devido aos transtornos psiquiátricos serem vários. Então as pessoas que têm ansiedades e fobias elas tendem a usar o álcool, porque diminui a ansiedade, relaxa, acalma, diminui os medos. A pessoa que já é mais depressiva, procura uma droga euforizante, do tipo cocaína, crack. E as pessoas que passaram por muitos traumas, que gostariam de fugir daqueles traumas e muitas vezes não conseguiram, às vezes desde criança, usam drogas perturbadoras, como, por exemplo, a maconha. É grande o número de substâncias porque também é grande o número de transtornos que, às vezes, estão por detrás. E, as pessoas, muitas vezes, estão se automedicando com as drogas. Um bipolar, por exemplo, usa o remédio faixa-preta, usa o álcool e usa a cocaína. O faixa-preta e o álcool pra tentar diminuir a euforia e a cocaína, quando ele cai na depressão, pra tentar se euforizar. E nem se dá conta que forma um componente altamente destrutivo para o cérebro, que é chamado de cocaldeído, que acaba destruindo a região frontal e deixando grandes sequelas no usuário. [Então sofre uma reação físico-química no cérebro?] Sim. O cocaldeído é a mistura da cocaína com o aldeído do álcool.
DIARINHO — Uma grande preocupação dos pais, em várias fases da vida dos filhos, é como poupá-los do contato com drogas químicas? Há regras ou receitas para conversar com crianças e adolescentes sobre o risco da dependência química?
Edson Luís – Olha, além da forma de se conversar, de dialogar, tem que fazer como Cristo. Em primeiro lugar o exemplo. Em primeiro lugar, ser modelo. E o exemplo começa de casa. Como é que vou querer que meu filho não use, no futuro, não se envolva com substâncias químicas, se eu tenho dentro de casa bebida de álcool ou cigarro? Tudo é droga. A diferença é que uma é lícita e outra ilícita. Mas todas levam ao abuso, todas levam a uma abertura de influência comportamental. Porque a criança vai tá vivendo dentro de casa e vai vendo aquilo o quê? Como algo normal, como algo social, como algo que deve ser usado. Então o filho vai entrando pelo álcool, que ainda é a principal abertura para outras substâncias. Nós, que lemos e acreditamos na doutrina espírita, a gente entende a grande influência espiritual que ele vai abrindo. O álcool age na região pré-frontal do ser humano, que é a região das nossas adequações, dos nossos limites, e relaxa essa região. É como se anestesiasse essa região frontal. Anestesiando, libera o nosso cérebro mais antigo, o cérebro reptiliano, onde estão todos os nossos instintos, de fúria, de raiva, de choro, de dor. E a gente começa a agir comandado por esse cérebro e não pelo cérebro mais evoluído que nos ajusta. Quando a gente relaxa isso, parece que nada tem tanta importância. Posso dirigir de qualquer jeito, posso brigar ou posso fazer uma outra experimentação ou posso fazer sexo inseguro. Por isso é que abre as portas. Abrindo, também, espiritualmente as portas para as obsessões. Então, onde se esta desprevenido e se entra naquela sintonia do uso de que qualquer outra substância, algum espírito que desencarnou pelo mesmo uso vai se associar e tentar fumar, beber, usar droga, passivamente, através da gente. “Faça o que eu digo, não faça o que eu faço” não vale mais. Então a gente tem que conversar, sim. E quanto mais cedo a gente dialoga com as crianças, melhor. Não tem mais como a gente só falar com a criança “a droga é ruim!”. Porque, às vezes, a experimentação dela não é ruim. Às vezes demora um tempo para vir as coisas ruins e aí já viciou. Então a gente não pode simplesmente dizer “olha, não presta”. Tem que dizer: “Olha, filho, o que acontece são as consequências; no início pode dar um alívio, um prazer, mas vai ter consequências muito ruins”. A gente tem literatura adequada para criança sobre isso. Tem que se conversar o quanto antes possível. Mas o que mais previne é a gente adotar o filho da gente. Como aquele slogan antigo “adote seu filho, antes que um traficante o adote”. A gente tem que adotar através do amor, através do diálogo, através do exemplo.

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