Home Colunistas Crônicas da vida urbana 1984, 2000, 2020: o futuro das cidades

1984, 2000, 2020: o futuro das cidades

“_ Mas onde é que vamos parar?!”

A pergunta, mais retórica do que perplexa, tem uma resposta certa – apesar de que, como todas as grandes questões, não tem resposta:
_ Vamos parar quando acabar.
Pra ser um tanto bíblico – já que estamos entrando na seara das profecias – depois do Dilúvio, Deus promete a Noé que não tornará a destruir o mundo com as águas. Vejam bem, não exclui uma nova destruição – diz apenas, que não o fará pelas águas. O sinal do compromisso, o arco-íris. Que é um fenômeno de difração da luz e ocorre quando a atmosfera está úmida, depois da chuva.
Bem, e daí? Daí que fatores como a superpopulação e decorrente aquecimento global – que muita gente encara como um pouco mais de calor no verão e menos frio no inverno – tende a transformar o planeta num vasto deserto. Sem umidade e, evidente, sem arco-íris. O fim do compromisso pós-diluviano.
Mas até lá, há um percurso. Vamos pensar em alguns emblemáticos porque muito conhecidos.
O primeiro que conheci foi o “1984” de George Orwell: uma sociedade controladora aos extremos mais odiosos, só o programa da TV consegue ser pior. Mas se pensarmos em como o telefone celular domina as pessoas em vez de servi-las, entenderemos que, tal como o ano, a situação vivida pelos personagens do livro já está por aí.
O “Ano 2000” não precisa referencial literário: sempre foi contado em prosa e verso como uma utopia, com a tecnologia liberando o ser humano para exercer sua criatividade e sociabilidade no lazer. Deu, digamos assim, escore invertido: liberou o ser humano para o desemprego e decorrente vadiagem. O lazer como fuga de si mesmo e dos demais, o exercício das “qualidades” mais baixas desse macaquinho mal resolvido.
E “2020” – uma previsão que, por cinematográfica e bem feita, é impactante. A quase totalidade dos humanos vivendo pelas ruas e disputando bolachas verdes na porrada.
É só olhar em volta querendo ver e fica evidente “onde vamos parar”. A chuva de fogo e enxofre virá em seguida – e teremos merecido.
Vocês desculpem esse pessimismo indignado. Mas episódios como o do leãoimposto de renda Cecil; a recente notícia de que os elefantes estão nascendo sem presas (como recurso desesperado da Natureza para evitar sua extinção) e de que os americanos ainda caçam lobos – com helicópteros e fuzis de alta precisão – me fazem pensar que o planeta não vai longe – e nem merece mesmo.

Key Imaguire Junior

Crônicas da Vida Urbana
Key Imaguire Junior é arquiteto e Urbanista, graduado em 1972; Mestre em História do Brasil (1982) e Doutor em História das Ideias (1999). Todos os títulos pela universidade Federal do Paraná, onde foi professor de História da Arquitetura Brasileira, Patrimônio Cultural e outras disciplinas ao longo de 35 anos. É o idealizador da gibiteca de Curitiba, que em setembro de 2012 completou 30 anos de existência.
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