Gás Natural Veicular (GNV) – saiba os prós e contras do combustível

15/06/2018 16:12

Com a crise da alta dos combustíveis que assolou o país no início do mês de junho deste ano, surgiu, como opção para muitos condutores, o nome de um combustível pouco falado, mas que pode ser levado em consideração quando o petróleo, de certa forma, perde sua eficiência (seja produtiva ou econômica): o Gás Natural Veicular (GNV).

Popularmente conhecido como o combustível do futuro, o GNV é extraído de rochas porosas no subsolo e é considerado o combustível menos nocivo ao meio ambiente – por não conter enxofre em sua composição (não provocando, assim, a chuva ácida, como ocorre com os demais combustíveis fósseis).

Entretanto, o combustível gerado a gás ainda é pouco utilizado pela grande maioria dos condutores. Será receio de experimentar o novo ou trocar o certo pelo duvidoso? Na sequência, veremos alguns pontos relevantes sobre o assunto, como suas vantagens, desvantagens e tudo o que você precisa saber antes de aderir ao sistema de gás.

 

Vantagens do GNV

Além de ser um combustível mais limpo, o GNV contempla uma série de vantagens que pode ser muito favorável a quem pensa em aderi-lo.

Em se tratando de custos, o GNV é o mais barato quando comparado ao álcool e à gasolina. Um carro popular que faz, em média, 100 km por dia, realiza, com o gás, 12 km por m³, ao passo que o álcool alcança 8 km/litro e a gasolina 10 km/litro. Ou seja, temos, assim, uma economia de 60%.

Outra vantagem é que o GNV aumenta a vida útil do motor. Isso porque trata-se de um combustível mais limpo e seco e, por isso, sua queima torna-se mais completa, originando pouco ou nenhum carbono no processo de combustão.

Além de aumentar a vida útil do motor, a troca do escapamento do veículo também será menos frequente, pois sofrerá menos com a corrosão, visto que sua queima não forma compostos de enxofre.

 

Desvantagens do GNV

Como é de se esperar, nem tudo gira em torno de vantagens quando se trata do gás natural veicular. O primeiro ponto a ser considerado é que o GNV  é uma fonte finita de energia – por se tratar de um combustível fóssil.

Além disso, estamos tratando de gás, o que é facilmente atrelado a riscos de asfixia, incêndio e explosão. Esse tipo de acidente, no entanto, é raro, e será apenas provocado se a instalação do kit (sobre a qual falaremos na sequência) não for realizada de acordo com as normas do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO) ou se realizadas adaptações em discordância com as determinações legais do CONTRAN e do CTB.

Outro aspecto que pode preocupar os condutores é o risco de perda de potência do veículo, o que pode ocorrer no processo de reversão do combustível original para o GNV – a não ser que o carro já seja projetado com o gás natural como fonte de energia.

Essa perda de potência, porém, será sentida nos veículos de menos força, com motores 1.0, por exemplo.  No entanto, com os avanços tecnológicos do Kit geração 5 (o último e mais moderno), a potência sofre uma redução de apenas 3%.

Também é importante considerar que, por não se tratar de um combustível líquido, o GNV não realiza a refrigeração e a lubrificação do motor, como acontece com a gasolina aditivada, por exemplo. Assim, essa falta de lubrificação, a longo prazo, pode vir a danificar algumas peças do motor.

Outro aspecto que pode vir a ser um agravante, para os adeptos ao gás, é a maior dificuldade de encontrar postos que contenham esse combustível, o que, dependendo do trajeto que se opta, pode acabar afetando a autonomia do condutor.

Como o kit de instalação do GNV contempla um cilindro que armazena o combustível, essa também pode ser uma das desvantagens, tendo em vista que ele é acoplado ao porta-malas, ocupando, assim, relativo espaço – o que tende a ser um problema quando o carro/porta-malas é pequeno.

 

Instalação do GNV

O gás natural veicular pode ser instalado em qualquer carro, conforme prevê o Decreto Nº 1.787:

“Art. 1º Fica autorizada a utilização de gás natural em veículos automotores e motores estacionários, nas regiões onde o referido combustível for disponível, obedecidas as normas e os procedimentos aplicáveis ao comércio deste combustível, estabelecidos em portaria do Ministro de Estado de Minas e Energia”.

Assim, não é qualquer pessoa ou qualquer estabelecimento que pode realizar essa instalação. É crucial procurar uma oficina homologada pelo INMETRO para que a conversão seja feita.

Isso porque uma instalação mal realizada pode gerar sérios acidentes, colocando em risco sua própria vida ou, ainda, a de terceiros.

Outro cuidado ao qual é necessário estar atento é que, como a instalação do kit implica em alteração nas características originais do carro, o Centro de Registros de Veículos Automotores (CRVA), no Departamento Nacional de Trânsito do seu Estado (DETRAN), precisa autorizar essa mudança.

Depois de realizada a instalação, é preciso levar o veículo ao Organismo de Inspeção (OI), credenciado pelo INMETRO, apresentando a autorização fornecida pelo CRVA, a Nota Fiscal da realização do serviço e o Atestado de Qualidade do Instalador Registrado. Somente após esse procedimento será emitido o Certificado de Segurança Veicular (CSV), conforme previsto no art. 230, XII, do CTB.

Para que o registro de alteração do combustível seja emitido, é necessário apresentar a nota fiscal e o CSV ao CRVA. Assim, a instalação do equipamento será comprovada.

Finalmente, com o porte do registro da alteração de combustível, é necessário retornar ao Organismo de Inspeção. Lá, irão fixar, ao para-brisa do veículo alterado, um selo que permitirá o abastecimento, em conformidade com as regulamentações do INMETRO.

 

Valores gastos com a instalação do GNV

Para instalar o kit de GNV no automóvel, o condutor irá desembolsar, em média, R$ 4.000,00. Esse valor é referente ao Kit Geração 5, o mais atual e considerado o mais seguro.

É importante ressaltar que, com a instalação do kit, o carro acaba perdendo a garantia da montadora. Porém, é importante pesquisar com atenção, pois há algumas concessionarias que oferecem o serviço de instalação e, ainda, conservam a garantia.

Conclusão

A decisão em aderir ao GNV deve ser medida com cautela, calculando os prós e contras apresentados neste artigo.

Tudo vai depender das necessidades de cada indivíduo. Como vimos, se sua principal motivação é economizar em combustível, se o espaço a ser ocupado no porta-malas do seu carro não prejudicar suas necessidades, o custo-benefício pode ser compensador.

Para aclarar possíveis dúvidas que possam permanecer, entre em contato com a equipe do Doutor Multas e tenha a primeira consulta gratuita.

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